Light Novel
Capítulo 1: Prólogo
Já estava na hora de aceitar.
Estou ferrado.
“Você não será mais reconhecido como membro da família Rothstaylor devido aos seus crimes. Por ter proferido palavrões diante da honorável Princesa Penia, por intervir ilegalmente no exame de admissão da prestigiada Academia de Magia de Silvenia, cegado pela inveja, e, por fim, por negligenciar seus estudos, esses crimes mancharam o nome da família e não podem ser ignorados.”
Não havia necessidade de ler o restante.
A carta era do chefe da família, Krepin Rothstaylor. Apesar das formalidades desnecessárias, o resumo era simples.
"Você está oficialmente deserdado."
A vida de luxo, sustentada por uma família poderosa, havia chegado ao fim.
Parecia que o Deus do Destino estava zombando de mim.
Será que ele se divertia rindo das minhas desgraças? Quando minha vida havia se tornado um verdadeiro inferno?
As palavras da carta continuavam a ecoar na minha mente.
Eu queria responder àquelas acusações injustas.
'Por quê?'
Porque o Ed Rothstaylor que usava o nome da família como escudo para viver uma vida arrogante... não era eu.
— Reuni todos os seus pertences aqui. Obrigada por todo o seu esforço.
A empregada do Ophelis Hall, o dormitório mais luxuoso da Academia Silvenia, fez uma reverência educada.
Com uma expressão vazia, recebi dela duas grandes malas de madeira.
Por mais luxuoso que fosse meu quarto, era surpreendente ver que todos os meus pertences cabiam nessas duas malas.
Agora que o suporte da família havia sido cortado, isso era tudo o que me restava.
Ou seja, o luxo daquele quarto nunca me pertenceu de verdade.
— Espero que tenha uma boa vida daqui para frente.
Mesmo tendo sido jogado à sarjeta, ainda recebia um tratamento respeitoso como ex-nobre. Mas, no fundo, isso apenas parecia um insulto disfarçado.
BAM!
A grande porta do Ophelis Hall se fechou atrás de mim, deixando-me sozinho no belo jardim.
Ahh… Acho que já era hora de encarar a realidade.
— Eu… realmente entrei no jogo. Não consigo acreditar…
E, no pior momento possível, me tornei a pior pessoa possível no meu jogo favorito.
Um jogo do qual eu era o único fã.
“O Espadachim Fracassado de Silvenia”.
Soltei as malas e passei as mãos pelo rosto.
Estou fodido.
Não faço ideia do que fazer.
O nome Ed Rothstaylor não era algo com o qual eu me sentia confortável.
O Espadachim Fracassado de Silvenia tinha um total de 43 episódios. Eu já tinha jogado cinco vezes, mas o nome Ed Rothstaylor quase nunca me vinha à mente.
E por um motivo óbvio.
Ed Rothstaylor era um vilão de terceira categoria que desaparecia tão rápido quanto aparecia.
— Ei, olha ali. Não é o Ed Rothstaylor?
— Droga! Não olha pra ele, senão ele percebe!
— Será que ainda precisamos nos preocupar? Ele já não foi expulso?
— Ontem ouvi de um amigo no Ophelis Hall que até o expulsaram do dormitório. Acho que não veremos ele no próximo semestre.
— Engraçado, não é? Assim como não sabemos o quão alto é o céu, nunca sabemos o que pode acontecer na vida de alguém.
— Por que ele tentou trapacear no exame de admissão?!
— Eu sempre soube que ele era assim! Mesmo sem talento, sempre se achava superior!
A praça central estava lotada de alunos durante o horário de almoço.
Sentado em um canto, coloquei minhas malas ao lado e cobri o rosto com a mão enquanto as vozes penetravam meus ouvidos.
A ascensão e queda de alguém sempre era um prato cheio para fofocas.
Eu entendia isso, mas ainda assim, não conseguia evitar a sensação de injustiça.
Antes de me tornar esse personagem, eu era uma pessoa comum que vivia de forma simples e honesta, sem grandes ambições.
Então, não era um exagero me tratarem como um criminoso?
— Sigh…
Eu queria um cigarro.
Respirei fundo e olhei para a multidão. Depois de algum tempo, os alunos começaram a se dispersar.
Já fazia duas horas desde que fui expulso do dormitório.
A situação absurda havia travado meu cérebro. Minha mente estava atordoada.
Mas, de alguma forma, finalmente comecei a me acalmar.
Por mais ilógica que essa situação parecesse, de algum modo, eu a aceitava. Talvez essa fosse uma característica de Ed Rothstaylor.
Mas deixando isso de lado…
O que eu precisava fazer agora era decidir meu próximo passo.
Peguei um espelho ornamentado de dentro da mala.
Olhei para minha reflexão. Meu rosto de antes não estava mais ali.
No seu lugar, um jovem loiro de aparência refinada me encarava de volta.
Essa era minha nova identidade.
[Nome: Ed Rothstaylor]
Gênero: Masculino
Idade: 17
Ano Escolar: 2º
Espécie: Humano
Conquistas: Nenhuma
Vitalidade: 3
Inteligência: 4
Destreza: 7
Força de Vontade: 7
Sorte: 6
≪ Detalhes das Habilidades de Combate ≫
≪ Detalhes das Habilidades Mágicas ≫
≪ Detalhes das Habilidades de Vida ≫
≪ Detalhes das Habilidades de Alquimia ≫
Já havia jogado O Espadachim Fracassado de Silvenia cinco vezes, então essa interface de status era bem familiar.
Esse era o método do jogo para visualizar informações: ao usar um objeto reflexivo como um espelho, um riacho ou até um copo de vidro, bastava canalizar um pouco de mana para abrir a janela de status.
O fato de tudo funcionar exatamente igual ao jogo só tornava essa situação ainda mais surreal.
E ao olhar para meus status… eu desejava que isso fosse apenas um sonho.
Esses atributos patéticos eram uma vergonha para um estudante do Departamento de Magia da Academia Silvenia.
Minha Vitalidade ridiculamente baixa era reflexo da minha vida como aristocrata mimado.
No jogo, um simples fazendeiro possuía entre 5 e 6 de Vitalidade. O protagonista, que era um guerreiro focado em combate, tinha mais de 20. Comparado a ele, o status de Ed era ridículo.
Embora minha Destreza e Força de Vontade fossem razoáveis, nada nelas se destacava. A diferença entre meus atributos e os do protagonista era gritante.
Ed Rothstaylor não passava de um vilão de terceiro escalão que existia apenas para criar conflito no início do jogo.
Nada mais, nada menos.
Nem ao menos me lembro do que acontecia com ele depois…
Não, espera.
Eu me lembrava, sim.
No final do jogo, nos créditos, ele aparecia mendigando nas ruas, sentado sobre um tapete de palha.
'Ahh. Eu não deveria ter lembrado disso.'
— Sigh…
Soltei um longo suspiro e caí para trás.
Ed era um nobre que nunca aprendeu a viver por conta própria. Jogado ao mundo sem nada, era natural que acabasse daquele jeito.
Por ora, minha prioridade era evitar acabar como ele.
E como eu faria isso?
Ainda não sabia.
Mas depois de muito pensar, só havia uma coisa que podia dizer:
— Não importa como… eu vou sobreviver.
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