Esquadrão Zero Brasileira

Autor(a): Riley Sato


Parte 1 – Arco 1: Exame dos Sentinelas.

Capítulo 10: Avaliação de Harry.

Havíamos acabado de sair da barraca, onde tinha aquele espelho, onde vemos nosso medo. Aquela experiência foi um tanto incomum, algo que nunca tinha feito antes.

— Só Gwen mesmo para sugerir fazer essas coisas estranhas. Quem pensaria em observar nosso maior medo? — eu disse em tom de brincadeira.

— Você diz isso, porque não convive quase que o tempo todo com ela. Um dia desses, que não vou falar quando, ela pediu o seguinte: Vamos para o bosque da lua às meia noite? — Evelyn fingiu ser a Gwen. — Eu respondi: Por que não? Mas o quê fomos fazer lá? Pegar uma pedra azul.

— Que estranho. Por que ir nesse local, nessa hora para pegar essa coisa tão específica? Não faz sentido para mim. — eu perguntei.

— E quando foi que você entendeu alguma coisa? Isso se você já usou sua cabeça uma vez. — Isso foi direcionado a mim. — Mas irei explicar de um jeito fácil que até mesmo o Dusk que tem cérebro de minhoca entenda.

Poxa ela está me esculachando, Não estou gostando disso. Mas não vou reclamar, agora estou curioso para entender.

— Peguei aquela pedra azul brilhante para fazer esse pingente. — Ela apontou para o objeto no pescoço. Lembro que li em algum lugar, não lembro onde, que antigamente essa pedra se dizia trazer boa sorte para o usuário, por isso que fui buscá-la.

— Ata! Agora que explicou tudo faz sentido. Super normal, sair de noite, em uma mata escura para pegar uma coisa dessas. Só para ver como é normal, hoje à noite irei fazer isso. — eu disse.

— Não gostei do seu tom. Por acaso sou uma piada? — Gwen emanava uma aura assassina, como o próprio demônio.

— Não, não, estou concordando com sua ação. — Tentei fingir que não fui irônico.

Evelyn que via nossa cena de fora, com sorriso largo ela levou a mão para barriga, onde soltou gargalhadas. — Hahaha! Vocês dois são hilários, às vezes nem parecem que são amigos.

Algo chamou minha atenção, não era Evelyn, mas algo que passava atrás dela. Era um enorme grupo de pessoas, todas usavam jalecos brancos, onde no centro desse grupinho, havia duas meninas, todos rodeavam elas, alguns até abanavam para não suarem.

— Que calor, me arrependo de ter saído do ar condicionado. — Uma moça de cabelo verde entre as duas centrais comentou.

— Estou derretendo. — A outra de cabelo longo laranja reclamou. Isso enquanto os outros a abanavam às duas. — A culpa é sua Luma, foi sugestão sua para testarmos num centro de treinamento.

Mas também não foram essas duas que chamaram minha atenção, mas foi um rapaz conhecido, um pouco mais atrás, com seu cabelo curto castanho e óculos na cara.

— Harry? O que você está fazendo aqui? E a sua apresentação? — Chamei ele que notou minha aproximação.

Harry estava com cara de abatido e pálido, sua mão tremia sem parar e seu óculos estava desarrumado no rosto.

— D… Dusk?! Não vai acreditar. Eles querem testar Stella em combate real, contra um soldado mecânico. Tem noção disso?

— Como foi que chegou nisso? — eu perguntei.

 

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Depois que seus amigos deram apoio para Harry, ele sozinho teria que enfrentar seu próprio desafio, não deixar que sua timidez o atrapalhe.

Ele estava numa enorme sala que mais parecia um teatro, havia muitas fileiras de cadeiras arrumadas em semicírculo em torno de um palco.

Lá na frente havia um homem trajando um jaleco branco comum, para um corpo de jurados que não eram muito numerosos, no total eram somente duas garotas que Harry conhecia, mas isso era pelo noticiário.

Luma e Malu Flame, duas garotas geniais e prodígios em suas áreas que receberam muito destaque em pouco tempo.

— Hora de se acalmar e tentar focar — Harry pôs a mão no rosto para tentar sair de seu transe.

Alguns minutos depois, outros na tentativa de entrar para cientista foram avaliados, porém, aquela dupla de garotas eram implacáveis e aprovaram nenhum deles.

A vez de Harry chegou, na entrada do palco, ele viu uma corrente que impedia de atravessar, mas isso era só na cabeça dele. Após um grande suspiro, com tablet em mão e sua coragem, ele subiu no palco.

— Bom dia! É sobre o que sua apresentação? — perguntou Luma.

— Fica quieta, deixa ele apresentar de uma vez — pediu Malu.

Harry tentou falar, mas nada saiu da sua boca além de um gemido fraco. Mas o mesmo se lembrou de seus amigos, Dusk e Gwen que estão o apoiando.

Dessa forma ele explicou. Stella era uma androide criada para servir no combate direto contra Etéreos, para isso ela tem uma inteligência artificial que faz ser uma perita em combate, além de ser uma especialista em qualquer tipo de arma. E também informou como o corpo da androide tem como nanorrobôs como base.

— Ela é uma lutadora que facilmente poderia ser classificada como S, se fosse uma humana e atuasse como sentinela. — Dessa forma Harry finalizou.

Malu, a moça de cabelo verde curto levou a mão ao queixo. A mesma parecia cética e descrente com que acaba de ouvir, por mais que imagens dessa máquina esteja exposta no telão atrás de Harry, ela não tinha uma opinião sólida.

— Você está querendo me dizer que essa garota de aparência bonitinha, é uma androide de batalha? Ainda quer que eu acredite que você o desenvolveu sozinho?

— Sim, foi isso que eu fiz. — respondeu um pouco nervoso Harry.

— Era seu então?! — disse Luma que escutou tudo com atenção. — Acho que foi ontem, vi numa sala uma moça dormindo numa maca. É igual aquela na foto ali. Mas não passou pela minha cabeça que era uma androide.

— Então quer dizer que ela já está construída? — Malu respondeu com um olhar afiado enquanto esfregava as mãos.

— O que significa isso? Está querendo dizer algo? — perguntou a garota ao lado dela.

— Sim. Como ele disse que essa androide é uma máquina de combate, gostaria de ver ela em ação. Mas quem seria o oponente? Uma sentinela aleatória, nós duas mesmo ou outra coisa? O que você acha Luma? —  Ela tentou pegar a opinião da moça ao lado.

Ela, que era a mais atenta das duas, jogou os braços para cima, a fim de se espreguiçar, um longo bocejo saiu da boca, como se estivesse cansada.

— Outros sentinelas, não pode ser, pois, duvido muito que autorizem esse tipo de teste. Se nós duas nos enfrentarmos, bom é um plano considerável, mas não estou a fim de fazer isso, fiquei acordada até tarde ontem, seria impossível para mim.

Malu que havia ficado minimamente empolgada teve sua empolgação tirada que fez seus ombros caírem e seus olhos murcharem.

— O que pudemos fazer então? Quero ver essa androide em uma luta real.

Com olhar vago e perdido, Luma tentou procurar respostas, de fato não haveria muitos adversários que ambas pudessem usar. Entretanto, como se uma luz de ideia acendesse na cabeça, chegou a resposta.

— Que tal usarmos robô contra robô? Seria uma boa escolha, não? — ela sugeriu.

— Pode ser, mas quem poderíamos usar?

Os olhos da moça tinha um misto de empolgação e ousadia, tinha um sorriso travesso em seus lábios. — Por que não usamos um soldado mecânico?

— Boa sugestão. Poderíamos fazer isso até numa sala de treinamento com bastante espaço.

Harry que só escutava as duas discutindo sobre, o fez ter um pouco de ansiedade, pois por mais que ele tenha visto Stella em combate contra os minotauros a pouco dias, ainda tinha receio, sobre a eficácia da androide.

 

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Depois que Harry explicou toda a situação, estávamos de novo dentro do estádio onde os testes iriam ocorrer dentro de minutos.

Estávamos numa ampla sala, no centro havia um grande círculo com acrílicos em volta para proteger os telespectadores.

— Nunca pensei que veria lutas de robôs hoje — comentou Evelyn.

— Acho que vai ser interessante — concordou Gwen com sua amiga.

Porém, em contrapartida, a nossa empolgação pela luta, Harry não parava de roer as unhas, suor escorria como cachoeira em sua testa, estava ficando completamente lavado, coitado, estava tremendo demais, quase não podia se controlar direito.

— Calma, desse jeito vai passar mal ou até desmaiar. Não queremos te ver assim, não é mesmo?

— Dusk você fala isso, porque não está no meu lugar. É minha única chance de entrar em Thesena como cientista. Tem noção? Se eu falhar, acabou. Já era para mim!

— Não acha que está botando pressão demais sobre si mesmo? — Se ele continuar assim é bem capaz de um treco, por isso que estava aposto do lado dele caso desmaie para mim, parar a queda dele.

Aquela que se chama Malu ficou na frente de todos. — Estamos todos reunidos aqui hoje para ver uma maquina inferior, sim, estou falando do soldado mecânico, criado por Ais.

— Eita farpou o mesmo grande capitão Ais? — eu perguntei surpreso.

— Ele vai enfrentar uma androide que tem um potencial interessante — ela concluiu.

Evely que prestava atenção, puxou uma cadeira próxima e se sentou, seus olhos não saiam daquelas duas garotas.

— Por acaso, vocês duas pediram permissão da diretora ou de Daniel White? Olha se não fizeram isso, vão ter problemas.

— É claro que pedimos. — disse Luma.

Nesse instante uma porta do outro lado da sala se abriu, uma moça de longos cabelos dourados e olhos da mesma cor saiu, ela era toda magra, mas não era um humana, mas a androide criada pelo meu amigo.

Harry correu até ela para ver se estava tudo em ordem e aproveitou para fazer algumas configurações com seu tablet.

— Hum?! Já não vi o rosto dessa moça em algum lugar antes? — se perguntou a capitã. — Sim, essa não é Seraph? A grande criadora das técnicas mágicas? Pensei que ela tinha morrido a duzentos anos atrás.

— Do que você está falando? — perguntou para ela Gwen.

— Estou dizendo que ela parece muito com uma mulher famosa. Será que Dusk pegou como inspiração a aparência?

Incrível, para alguém saber uma coisa dessas deve ter uma boa memória para decorar — Uma mulher que viu a muito tempo atrás? Nunca que eu iria saber disso.

— Ora! Garotinho tem muita coisa no mundo que você ainda não sabe, deixa pegar mais experiência com as coisas que vai entender.

Nesse instante o piso do lugar tremeu um pouco, como se algo pesado estivesse vindo. Agora uma outra enorme porta se abriu. De dentro uma máquina de três metros de altura surgiu.

Ele tinha dois braços grandes, largos e grossos, em cada havia metralhadoras acopladas, havia também uma enorme cabine onde parecia ser o ponto central dela.

Era incrível comparar o tamanho dessa coisa com Stella, pois a androide parecia uma criancinha perto desses brutamontes.

Harry que ainda estava com sua androide fazendo alguns ajustes ao vê lo sem querer cerrou os dentes. Acho que para ele sua androide não seria páreo contra essa coisa enorme.

Stella, que também percebeu essa coisa, virou para ele, mas como è uma robô expressou reação alguma.

Aquela de cabelo laranja cumprido ficou entre as duas máquinas. — Para ficar claro, daremos algumas regras. Caso essa androide vença esse robozão, você estará dentro, mas caso ela perca, é um adeus e você se retirará daqui com essa sua máquina, entendeu?

Poxa ela dizer essas coisas é bastante cruel, mal sabe quantas noites de sono ele não teve para fazer isso, quanto empenho botou. — Isso não é justo — eu protestei. — Estamos vendo um verdadeiro retrato das coisas, não adianta se empenhar, sempre terão pessoas que irão julgar, mesmo com alguns sendo especialistas de porra nenhuma.

— Mas isso não funciona com agente, pois somos cientistas certificadas. — argumentou Malu.

— E por que vão fazer esse tipo de teste? Não dava para ser algo mais fácil?

— Sim, até dava, mas qual seria a graça disso? E por cima, essa androide foi criada para ser uma grande lutadora, então provavelmente ela deve se sair bem em um teste de luta, não concorda

— Dusk pode deixar. Tudo vai dar certo. — disse Harry.

— Mas… — eu tentei falar.

— Não se preocupe, confio na Stella. — Pela primeira vez desde quando entramos nesta sala vi uma chama de esperança nos olhos dele. — Até porque é só um robô grande, é nada de mais.



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