Diários de uma Apotecária Japonesa

Tradução: Kessel

Revisão: noelletokito


Volume 4

Capítulo 8: Ressentimento Latente (Parte 2)

Assim como na última vez em que ela visitou o local, a clínica estava repleta de damas da corte mais velhas, mas agora, intercalados entre elas, estavam os jovens eunucos, alguns dos quais lavavam lençóis na área da lavanderia próxima, estendendo-os sobre pedras do pavimento, pisando neles com os pés descalços e encharcando-os com água do poço.

Maomao observou tudo com o canto do olho enquanto se aproximava da entrada da clínica. Uma mulher que a conhecia estava lá e saiu para ver o que ela queria.

— Não está se sentindo bem? — perguntou a mulher.

— Eu estou bem, obrigada — respondeu Maomao.

Ela lançou um olhar para a mulher, pensando na melhor maneira de lidar com a situação. Não tinha certeza se era apropriado perguntar ali e agora, mas também não podia simplesmente ignorar o assunto. Acima de tudo, estava preocupada em saber quem ali teve aquela ideia em primeiro lugar.

Ela decidiu inventar um pretexto. — Acho que vocês usam álcool como desinfetante aqui. Pensei que talvez isso pudesse servir. — Tirou um pequeno frasco de um saquinho de pano. Um pouco de álcool, ela tinha feito um pouco a mais por precaução e o trouxe junto com a moxa. Sempre pretendeu trazê-lo para a clínica, mas por algum motivo sempre acabava adiando.

— O que é isso?

Maomao puxou a rolha e inclinou a garrafa na direção da mulher, que cheirou o conteúdo.

— Acho que pode ser mais eficaz do que o que você está usando atualmente — disse ela.

Após uma pausa, a outra mulher disse: — Vou perguntar — e conduziu Maomao para dentro do prédio. Levou-a para outra sala e ofereceu-lhe uma cadeira e lá estava a senhora idosa e enérgica, Shenlü. Maomao, evidentemente tratada como convidada, recebeu um suco de fruta azeda.

— Agradecemos imensamente por isso — disse Shenlü. — Mas você tem certeza de que não há problema? — Para começar, não havia muito álcool no palácio interno e muito menos bebidas destiladas.

— Eu tenho mais. — Na verdade, ela tinha outro frasco na bolsa, além de mais alguns no consultório médico. E se tudo aquilo acabasse, ela poderia simplesmente preparar outra leva.

— Eu trago mais depois.

— Isso nos ajudaria muito. — Shenlü curvou a cabeça. Sua voz parecia um pouco rígida, talvez por estar ciente demais de que Maomao era uma das damas de companhia da concubina Gyokuyou.

— Por favor, não se preocupe. Eu ganhei bastante. Aliás… — Maomao tentava parecer o mais indiferente possível, mas atuar nunca foi o seu forte; ela não tinha certeza se sua voz soava natural. Tudo o que podia fazer era tentar parecer calma. — Parece que todas as mulheres por aqui são bastante habilidosas, não é?

— De onde vem isso? — perguntou Shenlü, um tanto envergonhada.

Então ela não tinha conseguido demonstrar a indiferença. Deixa pra lá. Maomao prosseguiu. — Ah, é que o período normal de trabalho aqui é de dois anos. Mas parece que as mulheres da clínica estão aqui há bem mais tempo...

— Sim, senhoras idosas, todas nós — disse Shenlü com um leve torcer de lábios que quase se transformou em um sorriso. Maomao não respondeu. — Vejo que você não vai discordar— acrescentou Shenlü.

As mulheres chegavam ao palácio interno na adolescência, ou no máximo aos vinte e poucos anos, então Shenlü certamente estava ali há pelo menos vinte anos. Provavelmente mais. E aí reside o mistério. Maomao não tinha certeza se devia fazer a pergunta em voz alta ou não, mas o olhar de Shenlü se perdeu no vazio. — Nós também já fomos jovens, sabia? Eu tinha apenas dez anos quando cheguei aqui. — Maomao não disse nada.

— Todas as damas da corte aqui presentes tinham mais ou menos essa idade quando começaram a servir.

Atualmente, praticamente ninguém seria recrutado para trabalhar no palácio interno com uma idade tão jovem. Quatorze anos era a idade mínima para se conseguir admissão. Mas Shenlü e as outras mulheres da clínica teriam entrado para o serviço durante o reinado do imperador anterior.

— E mesmo agora não podemos sair – disse ela.

A clínica foi originalmente fundada pela mulher que agora era a Imperatriz Viúva. Maomao até a viu pessoalmente indo ao prédio uma vez. A princípio, Maomao presumiu que ela havia criado a clínica por compaixão, da mesma forma que o sistema de escravidão e a criação de eunucos haviam sido proibidos, sob a regência do Imperador, mas por iniciativa da Imperatriz Viúva. A clínica simplesmente veio primeiro.

No entanto, não foi esse o caso.

— Ninguém nos aceitaria mesmo se saíssemos — concluiu Shenlü. De modo geral, uma vez que alguém tivesse sido amante de um imperador, que vivia “acima das nuvens”, não podia deixar o palácio interno. É verdade que as mulheres às vezes eram casadas com servos leais ou usadas como peões em jogos políticos, mas mesmo esses destinos estavam disponíveis apenas para damas de certo status social. Em outra época, essas mulheres poderiam ter sido mortas para acompanhar seu mestre na vida após a morte, mas a posição de Maomao era muito inferior à delas para que se pudesse afirmar com certeza que elas ao menos tiveram sorte de escapar desse destino.

Ahhh… agora eu entendi.

Ali residia o ressentimento que fermentava dentro do palácio interno. Era difícil culpá-las se achassem o próprio palácio repugnante; se desprezassem aquelas que buscavam o afeto real de Sua Majestade em busca da própria felicidade. Essas mulheres haviam sido trazidas para o palácio interno antes da hora e, em seguida, mordidas pelas presas venenosas do antigo imperador. E esses dois fatos conspiraram para garantir que jamais voltassem a ver o mundo além dos muros daquele complexo. O que isso deve fazer ao coração de uma mulher?

Nem todos seriam capazes de suportar essa experiência sem que ela os abalasse a ponto de perderem completamente a esperança de uma vida normal. Shenlü havia pedido a Maomao que verificasse o estado da jovem que adoeceu no Pavilhão Cristal. Maomao ficou impressionada com a perspicácia de Shenlü, mas havia outra explicação possível, o outro lado da mesma moeda: e se tivesse sido Shenlü quem ensinou Shin, a antiga dama de companhia da concubina Lihua, a preparar o abortivo? Não pessoalmente, mas indiretamente, usando a criada que jazia doente naquele depósito. Isso faria com que várias coisas que incomodavam Maomao se encaixassem perfeitamente.

A criada certamente era do tipo falante. Através dela, Shenlü teria aprendido tudo sobre a discórdia entre Shin e Lihua, e talvez até pressentido a gravidez da concubina.

“Aqui está: deixe isto na mesa da chefe das damas de companhia. É para a segurança do concubina.”

A criada, dedicada como era, teria escutado Shenlü obedientemente. Seria uma lista de coisas que poderiam ser ruins para a concubina. Uma lista de coisas a serem evitadas, para a segurança da concubina. Mas se alguém com rancor contra Lihua visse a lista, ela poderia servir exatamente ao propósito oposto ao alegado. A caravana estava passando por ali naquela época; teria sido possível manipular os itens da lista se alguém realmente quisesse.

E por que a caravana teria esses itens? Uma possibilidade:

“Desta vez, eu gostaria de perfume.”

Algumas palavras, sussurradas ao ouvido de um dos comerciantes que visitavam o local algumas vezes por ano. Mantendo o hábito por décadas, você perceberia que as mercadorias naturalmente começariam a refletir o que você desejava.

Malícia, embora não a ponto de uma intenção fatal consciente: era isso que Maomao via na raiz desse mal. Era isso que permitia que ele se alastrasse por tanto tempo, corroendo o palácio interno de forma lenta e indireta.

O pó facial tóxico era uma das formas que ele assumia. As mulheres da clínica deviam saber disso. Não era possível que todas fossem analfabetas quando o pai de Maomao escreveu sua primeira lista de precauções. Aliás, havia uma estante de livros aqui nesta sala, o que sugeria que as mulheres da clínica, pelo menos ocasionalmente, tinham a oportunidade de estudar.

Será que eu devo pressioná-la a respeito disso, pensou Maomao, mas rapidamente descartou a ideia. Em parte porque não tinha testemunhas nem provas, e não queria fazer acusações vagas; mas também por causa do que poderia acontecer às mulheres ali se ela dissesse alguma coisa. Ela estava pensando em todas as outras damas do palácio interno, que poderiam ser privadas da clínica por causa do que ela dissesse. Ela não queria fazer isso com elas.

O ressentimento dessas mulheres só continuaria a crescer, mas isso estava fora do controle de Maomao. O máximo que ela podia fazer era tentar garantir que isso não prejudicasse as pessoas ao seu redor. Era só isso. Talvez houvesse uma solução melhor, mas, se havia, Maomao não era inteligente o suficiente para pensar nela.

Acho que não adianta eu ficar por aqui. Enquanto Maomao pegava seu embrulho de pano e se levantava, ela olhou para a estante de livros. O fato delas terem condições de manter livros ali sugeria que as mulheres recebiam um bom salário. Maomao ficou em frente à estante para disfarçar as perguntas que começavam a surgir em sua mente.

— Se você tiver interesse em nossos livros, fique à vontade para pegar um emprestado — disse Shenlü. — Só não se esqueça de devolvê-lo, por favor.

Ao ouvir isso, Maomao começou a achar que seria indelicado não escolher nada.

Então Shenlü acrescentou: — Parece que algumas pessoas fazem mais do que devolver o que pegaram emprestado... Às vezes encontramos mais livros na estante do que havia antes. É estranho.

— Talvez estivessem atrapalhando alguém. É a vida de rico. — De fato, havia muitos livros pouco interessantes na prateleira. Vários deles tratavam de como ser uma esposa dedicada, talvez deixados ali por mulheres de famílias abastadas quando seus aposentos começaram a ficar apertados.

Maomao pensou que eles bem que poderiam ter algo interessante para ler ali, quando seus olhos se depararam com um único volume grosso. Ela o pegou e o abriu, descobrindo que ele tinha uma qualidade única entre os livros da estante: era ilustrado. Um livro tão grande, com tantas figuras? Devia ser caríssimo. Figuras de... insetos, nada menos, pensou ela com um sorriso irônico. Shisui ficaria encantada em dar uma olhada nisso. Aliás, ela provavelmente era a única pessoa em quem Maomao conseguia pensar que se interessa por algo assim.

Maomao notou um pedaço de papel enfiado entre as páginas. Ela folheou até a página, olhou e parou. A imagem retrata uma borboleta de uma terra estrangeira. Uma linda borboleta da noite, com uma cor que oscilava entre o azul-claro e o verde-claro. Uma figura rodeada por elas teria uma aparência tão divina quanto a de uma deusa da lua. Pensando bem, Shisui havia mencionado algo sobre ter visto insetos em um livro. Seria isso que ela queria dizer?

— Esta enciclopédia também foi trazida por alguém?

— Ah, isso? Sim, foi deixado aqui... acho que há cerca de um mês.

Cerca de um mês atrás. Muito depois das emissárias terem partido, do banquete ter terminado. Se o livro não estivesse aqui antes disso, então parecia mais natural supor que Shisui o tivesse tido.

Maomao pensou: Não tenho certeza se é o tipo de coisa que uma criada comum teria. Na verdade, ela tinha certeza disso. E um livro tão grande jamais chegaria às mãos de uma camponesa. Então, quem era Shisui? A filha de uma família de comerciantes particularmente rica? Maomao então se lembrou do caderno em que Shisui havia desenhado insetos. Ela usava o verso de um papel que servia para embrulhar lanches, mas mesmo assim, conseguir uma grande quantidade dele aqui no palácio interno não devia ser fácil.

Ela não só tinha acesso a papel, como também era alfabetizada. Maomao não conseguia acreditar que alguém assim não tivesse ascendido além de lavadeira. (Bem, talvez a personalidade de Shisui a tivesse impedido; isso faria sentido.) Mas então...

Os pensamentos de Maomao foram interrompidos quando a porta do quarto se abriu com um estrondo. Um eunuco estava parado ali.

— Shenlü. — Sua voz era surpreendentemente aguda para um homem. — É melhor você ter cuidado. — E, no entanto, surpreendentemente grave para uma mulher.

Na porta, estava o belo recém-chegado de olhos amendoados que fazia as damas famintas por homens do palácio interno gritarem e suspirarem. Ele parecia um pouco baixo para um homem, e um pouco alto para uma mulher. Da mesma forma, suas bochechas eram um pouco macias para um homem, mas muito angulosas para uma mulher. Seu braço esquerdo pendia inerte ao lado do corpo, embora Maomao achasse ter notado seus dedos tremendo.

Qual é a dele? Ela se perguntou.

Imagine que alguém usasse tinta preta para sobrancelhas para desenhar sobrancelhas bem definidas no rosto do eunuco. Adicione um batom de aparência antiquada e, quanto à sua expressão, deixe o semblante vazio exatamente como estava. Vista-o com um uniforme comum de criada.

E a mulher morta, Suirei, estaria ali parada.

Até Maomao, que nunca foi boa em memorizar rostos, se lembrou de Suirei. A mulher era intensa demais para ser esquecida. — Eu entendi, mais ou menos, pelo que você disse. — Shenlü olhava para Maomao com os olhos arregalados.

— Acho que devo te agradecer. Isso me impediu de virar um cadáver. — Seu tom completamente inexpressivo a fazia parecer ainda menos feminina. Suirei fechou a porta, e então ficaram apenas as três no quarto. Havia uma janela, mas era de treliça, e não seria possível escapar por ela.

Devo gritar? Maomao se perguntou. Várias agulhas, porém, brilhavam na mão de Suirei, provavelmente cobertas com algum tipo de veneno. Por mais que eu esteja curiosa para saber o que ela usou...

Até Maomao sabia que não era a hora. Ela não podia perder nem um segundo com uma simples picada para descobrir quais sintomas as toxinas poderiam causar.

Maomao deu um passo para trás, depois outro, quando Suirei se aproximou dela. Então, seus calcanhares bateram na parede.

Certo, e agora? Ela tinha seu embrulho de pano com as garrafas de álcool e a artemísia dentro. Podia jogar o álcool nos olhos de Suirei e tentar usar a distração para escapar, mas não tinha ideia se realmente funcionaria. Além disso, tinha tantas perguntas: por que Suirei estava infiltrada ali, o que ela queria.

Maomao podia parecer estar em uma situação de extrema desvantagem, mas não era bem assim: — Se você me matar aqui e agora, eles me encontrarão, e a você também, imediatamente. — Afinal, ela era a provadora de comida da concubina Gyokuyou. Ao contrário de muitas damas da corte, ela logo faria muita falta. E seu pai a conhecia bem o suficiente para ter uma boa ideia de onde ela tinha ido e o que tinha feito depois de sair do consultório médico. Ele e quem estivesse com ele chegariam à escola rapidamente. A verdadeira questão era se alguém perceberia que ela tinha ido à clínica depois disso.

— Gostaria de fazer isso discretamente, se possível. — Talvez fosse o traje masculino que dava à voz de Suirei aquele tom áspero; ninguém mais teria percebido que ela era uma mulher. Mas então havia aquela mão esquerda, trêmula.

— Será que isso é um efeito colateral da droga da ressurreição? — perguntou Maomao. Afinal, a droga essencialmente matava o usuário. Mesmo que seu corpo voltasse à vida, poderia não ser revivido em seu estado original. Suirei devia saber disso, mas mesmo assim usou a droga, determinada a enganar o próprio Imperador.

— E daí? — disse Suirei. Ela ainda segurava as agulhas. Quase não precisava delas; ela e Shenlü juntas poderiam facilmente ter subjugado a fisicamente fraca Maomao. — Enfim, temos coisas mais importantes para conversar. Negócios.

— Como assim, exatamente? — O coração de Maomao batia forte nos ouvidos e ela estava encharcada de suor nervoso, mas sua voz ainda soava impassível, o que poderia ser uma maldição ou, em momentos como aquele, uma bênção. Ela observava atentamente as outras mulheres para ver o que fariam, tentando pensar um passo à frente. Tentando vislumbrar uma saída.

— Você obviamente está planejando alguma forma de escapar, mas sugiro que não tente nada. — Com isso, Suirei abriu a porta lentamente mais uma vez. A primeira coisa que Maomao viu foi uma mão pálida. Suirei a agarrou e arrastou sua dona para dentro do quarto. Pertencia a uma alta dama da corte, alta, mas com uma aparência surpreendentemente jovial.

— Me perdoe, Maomao…

Era Shisui. Suirei envolveu o pescoço de Shisui com o braço bom e ergueu as agulhas para ela com a mão esquerda trêmula. Shisui estava visivelmente com muita dor e agora era refém. Maomao só pôde cerrar os dentes.

— Vá em frente e tente, se não se importa com o que aconteça com ela — disse Suirei. Ela parecia a vilã de alguma peça de teatro popular. Maomao cerrou os punhos com tanta força que sentiu as unhas cravarem nas palmas das mãos. Se ao menos ela pudesse ter resolvido tudo com aqueles mesmos punhos, como seria simples.

Em vez disso, Maomao perguntou: — O que você quer?

— Você precisa sair deste lugar comigo.

— E você acha que vamos sair daqui vivas?

Ela poderia tentar usar Maomao como escudo, mas provavelmente não adiantaria muito. E isso deixou Maomao se perguntando por que Suirei se dera ao trabalho de se disfarçar de eunuco para entrar ali sorrateiramente, se sua única intenção era escapar novamente.

Suirei, com o rosto impassível como o de uma boneca, assentiu. — Sim. E iremos. — Então acrescentou: — Você virá comigo.

Maomao a encarou com desdém. Será que ela pensava que uma refém lhe seria útil? Ninguém escaparia da punição por sair do palácio interno. Certamente não Suirei, que já havia entrado disfarçada. Maomao ficou quase desapontada: não imaginava que Suirei fosse tão inocente.

Nesse instante, porém, os lábios de Suirei se curvaram num sorriso irônico. — Você não está curiosa para saber como se faz a droga da ressurreição? — O coração de Maomao acelerou ainda mais.

Que truque sujo. Ela tinha agora mais do que certeza, Suirei não era uma mulher para ser subestimada.

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