Diários de uma Apotecária Japonesa

Tradução: Kessel

Revisão: noelletokito


Volume 4

Capítulo 10: Vestígios

“Maomao ainda não voltou.”

Essa era a essência da carta que Jinshi recebeu na noite anterior. Estava redigida de forma mais elaborada (a formalidade exigia isso), mas havia uma urgência inconfundível na caligrafia. Ele presumiu que a autora fosse a chefe das damas de companhia do Pavilhão Jade, o que significava que ela devia estar realmente aflita. Essa era a mulher que  sua antiga ama, Suiren, havia elogiado como "altamente competente" depois de trabalhar por um tempo no Pavilhão Jade, quando Jinshi levou de volta Maomao por um tempo.

[Kessel: Acho maravilhoso que a autora realmente escreveu babá para definir a Suiren. O homi tem uma babá.]

Para ser completamente honesto, Jinshi achava que a garota ficaria bem sozinha por uma noite. Ela saía de vez em quando, ele mesmo tinha presenciado isso mais de uma vez, mas geralmente voltava pela manhã. Por isso, ele achou tudo aquilo surpreendente.

Quando ele chegou ao Pavilhão Jade, as damas de companhia mais antigas o observaram com apreensão. Elas estavam cumprindo suas funções mecanicamente, mas pareciam distraídas. As moças mais novas, no entanto, trabalhavam com afinco.

Ele entrou na sala de estar e encontrou a concubina Gyokuyou reclinada em um divã espaçoso. A Princesa Lingli brincava em outro cômodo. A chefe das damas de companhia, Hongniang, estava lá, com o semblante sério. Gyokuyou segurava um leque dobrável diante da boca, embora sua aparência fosse praticamente a mesma de sempre.

— A senhora está com ótima aparência — disse Jinshi.

— Longe disso — respondeu Gyokuyou, deixando claro que não perderia tempo com formalidades. Evidentemente, ela estava menos tranquila do que aparentava. — Pensei que você tivesse fugido com ela de novo, mas parece que me enganei, pelo menos nisso.

— Sinceramente, minha senhora, alguma vez fiz algo tão rude? — A verdade é que Jinshi compartilhava de sua inquietação.

— Fico pensando se ela se meteu em alguma nova confusão perigosa — disse Gyokuyou.

— Nós sabemos o que ela estava aprontando?

— Sim, até o meio-dia de anteontem — interrompeu Hongniang. Ela explicou que Maomao tinha ido ao consultório médico preparar a artemísia para a moxabustão. Luomen explicou sobre sua lista de provisões relacionadas à saúde para o palácio interno e disse que Maomao tinha sido muito favorável à ideia.

— Então talvez ela tenha ido ao instituto para estudos práticos — continuou ela, ao compartilhar a informação que recebeu de Luomen. O velho eunuco que administrava o lugar confirmou que Maomao de fato esteve lá. Mas depois disso, foi como se ela tivesse desaparecido.

Ela tinha ido buscar a artemísia e depois seguiu para a escola. Para onde ela foi depois disso?

— Só consigo pensar que ela se envolveu em alguma coisa — disse Hongniang. Ela parecia calma o suficiente, mas havia um toque de angústia em seu semblante e um evidente desejo de defender Maomao. — Verifiquei os lugares mais suspeitos, mas não encontrei nada. — E Hongniang era, afinal, dama de companhia de Gyokuyou. Ela não podia causar confusão sozinha. Precisava confiar em Jinshi.

Jinshi cruzou os braços e soltou um resmungo. Era difícil imaginar algo que pudesse levar Maomao a desaparecer por vontade própria. Ela podia ser brusca às vezes, mas entendia seu lugar. Da mesma forma, tinha o hábito de subestimar o próprio valor, mas certamente sabia que simplesmente abandonar sua senhora sem permissão lhe traria punição. Ou havia alguma circunstância específica impedindo-a de voltar para casa, ou então ela simplesmente havia se tornado incapaz de retornar. Era a pior coisa que ele conseguia imaginar.

— Você acha que alguém guardava algum tipo de rancor contra ela? — perguntou Gyokuyou. Com mais de duas mil mulheres e mil eunucos no palácio interno, era inevitável que houvesse uma ou duas pessoas com quem alguém não se desse bem, e às vezes essas diferenças poderiam até mesmo resultar em danos reais.

— Rancor? Contra ela? Imagino que vários — disse Hongniang.

Todos ficaram em silêncio. O fato de ninguém poder negar era perturbador. Algumas das mulheres do Pavilhão Cristal, em particular, provavelmente tinham algo contra Maomao.

— Maomao não seria capaz de resistir à força física — disse Gyokuyou.  A jovem dominava bem os venenos, mas era pequena e não tinha muita força física. — Se um grupo inteiro a atacasse, ela morreria.

— Sim, é verdade — disse Gaoshun, franzindo a testa. — Mas, de algum modo, duvido que ela fosse para o outro mundo sozinha...

O silêncio se instalou novamente. Todos na sala conheciam Maomao bem o suficiente para saber que, mesmo diante da violência física, ela não se renderia sem lutar. Ela usaria sua inteligência para encontrar uma maneira de levar pelo menos um de seus agressores consigo.

— No momento, porém, não há nenhuma razão aparente para o seu desaparecimento e isso significa que ela terá que ser punida — disse Jinshi. Maomao frequentemente recebia tratamento especial, mas, infelizmente, eles tinham que impor limites. — Dito isso — continuou ele — antes de puni-la, precisamos encontrá-la. — O melhor a fazer, decidiu ele, seria refazer seus passos mais uma vez.

Ao chegarem ao consultório médico, o médico de bigode fino os recebeu com chá, mas parecia abatido. Luomen escrevia algo calmamente. Quando Jinshi e seu grupo apareceram, ele veio cumprimentá-los, arrastando uma perna.

— Vocês devem estar aqui por causa de Maomao. — Luomen era bastante perspicaz. Parecia mais provável que conseguissem informações úteis dele do que do médico taciturno.

— Gostaria que contasse sua história novamente — disse Jinshi.

— Claro — disse Luomen, e começou a descrever os acontecimentos de forma simples, porém clara. Infelizmente, não trouxe nenhuma informação que Jinshi já não tivesse ouvido no Pavilhão Jade.

— Isso é tudo?

— É sim, senhor.

Jinshi estava começando a ficar irritado. Gaoshun o alertou com um empurrãozinho, dizendo que ele estava batendo o pé ruidosamente. Sabendo que precisava fazer alguma coisa, Jinshi olhou ao redor do consultório médico. 

— E a outra Maomao? A gata não está aqui hoje?

— Acho que ela saiu para dar um passeio. — Foi (por algum motivo) Gaoshun quem respondeu, com um tom de desânimo. Jinshi sabia que seu criado vinha trazendo discretamente um peixe sempre que visitavam o palácio interno ultimamente.

Jinshi pensou que acariciar aquela bola de pelos poderia ajudá-lo a se sentir um pouco melhor, justo agora ela não estava ali.

— Normalmente, é nessa hora que ela aparece para pedir comida — disse o médico.

— É verdade, ela está um pouco atrasada — concordou Luomen. Os dois se entreolharam.

— Pensando bem, quando a mocinha saiu daqui, Maomao estava praticamente grudado nela — disse o médico, acariciando o queixo. Essa era pelo menos uma informação nova, embora não fosse de grande importância. É claro que os gatos brincavam com quem estivesse por perto.

Luomen, no entanto, disse: — Foi essa a impressão que você teve?

— Boa pergunta. Ela estava bem perto, sem nenhuma intenção de brincar. Foi justamente quando você foi ao banheiro, Luomen. A mocinha comentou algo sobre a concubina estar com dificuldades para dormir.

Luomen não disse nada, mas foi até o armário de remédios e examinou a fileira de gavetas. Por fim, abriu uma e colocou algumas frutas secas sobre um pedaço de papel de embrulho. — Por acaso ela levou alguma dessas consigo?

— Hum... Sinto muito, mas não me lembro — confessou o médico. Ele olhou dentro da gaveta. — Tenho a impressão de que costumava haver mais comprimidos ali. Talvez ela tenha levado alguns.

Luomen assentiu com a cabeça e se virou para Jinshi. — Com licença, mas eu poderia ir procurar nossa gatinha? — Então, ainda parecendo extremamente calmo, acrescentou: — Isso pode nos dar a chance de encontrar a outra Maomao também. — Evidentemente, ele tinha alguma ideia.

Realmente são muito parecidos, refletiu Jinshi. Maomao e seu pai adotivo se assemelhavam bastante nisso.

— E qual será o propósito de encontrar essa gata?

— Pode ser que não sirva para nada. Veremos — disse Luomen. Ele caminhava arrastando a perna, sua patela havia sido removida quando foi banido do palácio interno. Punição pela morte do herdeiro do trono, o primogênito do atual Imperador. Crianças, convém notar, morriam o tempo todo. Ser mutilado e banido por tal ocorrência só poderia ser atribuído ao azar de Luomen.

O eunuco então examinou as frutas estranhas em sua mão,  o remédio à base de ervas que havia retirado do armário de medicamentos. — Este é um bom exemplar — comentou. — Ainda está fresco. O aroma ainda é forte.

Ele olhou em volta. Gaoshun caminhava atrás de Jinshi, carregando um peixe. De vez em quando, ele soltava um "Miau" baixinho, mas Jinshi fingia não ouvi-lo. Se Basen tivesse visto o pai daquele jeito, teria ficado pálido. Gaoshun fazia de tudo para bancar o pai sério na frente do filho. Os outros eunucos se separaram para procurar o gato.

— Os territórios dos gatos normalmente não são tão grandes — disse Luomen. Um animal dificilmente vagueia por mais de meio Li; há variações individuais à parte, claro. — Eles podem percorrer um pouco mais quando estão no cio, mas nossa gatinha ainda é jovem o suficiente para que talvez não precisemos nos preocupar com isso. No entanto…

[Kessel: Li é a unidade de medida chinesa para quilômetro. A conversão é extremamente fácil! 1 Li representa 0,5 km, ou seja, 500 metros. Portanto o Luomen está dizendo que um gato geralmente anda 250 metros ao redor de sua residência.]

Ele foi interrompido por uma voz vinda de trás. — Mestre Jinshi, nós a encontramos — disse um dos eunucos. Eles o seguiram.

Eles estavam no quarteirão norte do palácio, mas partes dessa área eram separadas do quarteirão sul apenas por uma parede, que tinha buracos pequenos o suficiente para uma gatinha passar. O animal, segundo lhe informaram, foi encontrado não muito longe da parede.

Quando chegaram perto da gatinha, ela estava rolando de um lado para o outro no chão, estirada pateticamente junto às raízes da árvore. As raízes mostravam sinais de que ela as havia arranhado, e algumas frutinhas estavam no chão ao lado dela. Jinshi se agachou e coçou Maomao debaixo do queixo. Ela semicerrou os olhos de prazer, depois se virou e adormeceu.

— Então ela estava dormindo? — perguntou Jinshi. Parecia quase que ela estava bêbada.

— Olha só isso — disse Luomen, pegando algumas das frutinhas. Pareciam com o remédio que ele tinha trazido. Ele as examinou atentamente e depois estudou os arranhões na árvore. Havia outra frutinha dentro do oco da árvore, e quando ele enfiou a mão lá dentro, tirou um pedaço de papel.

— Deve ter sido Maomao quem fez isso — disse ele. Abriu o pedaço de papel, mas não havia nada escrito.

— Sim, mas o que ela estava tentando nos dizer? — disse Jinshi, com ironia.

— Teremos que voltar ao consultório médico para descobrir — respondeu Luomen, e então se abaixou, pegou Maomao no colo e começou a andar.

Uma coisa que Maomao e Luomen tinham em comum era que você nunca sabia o que eles fariam em seguida. Ambos pareciam acreditar que mostrar era melhor do que contar, ou pelo menos melhor do que explicar antecipadamente o que tinham em mente. A demonstração era a maneira mais rápida para os inteligentes explicarem algo aos menos talentosos.

— Isto é erva-de-gato — dizia Luomen. — É uma das favoritas dos felinos e induz a um estado muito parecido com o da embriaguez. Dá para fazer um chá com ela que protege contra calafrios e promove um sono reparador.

[Noelle: Para quem não é gateiro como eu, a erva do gatos deixa ele bem doidão, como  a maconha, em alguns vai ficar mais agitado e rolando, em outros vai acalmar e dormir, aqui no Brasil chama catnip, mas eu já percebi que o orégano também causa a mesma coisa, então deve ter variações pelo mundo, pois eles falaram de frutas quando descreveu ela, não sei para vocês, mas a forma como estavam levando parecia mais uma uva passas, por isso vi diferença da erva dos gatos que usamos aqui no Brasil que parece orégano.]

Maomao devia ter separado aquilo para a concubina Gyokuyou. Então, quando ela se viu repentinamente em apuros, resolveu usá-lo a seu favor. As chances de encontrarem aquilo não eram muito boas, talvez ninguém notasse o papel. Mas lá estava, uma mensagem deixada por Maomao. Talvez ela tivesse confiado na probabilidade de Luomen decifrá-la. Os outros estavam começando a entender por que ela o admirava tanto.

Então Luomen tirou o pedaço de papel. Certamente devia ter algum significado, mesmo que nada estivesse escrito nele.

— Este é um joguinho que ela sempre adorou — disse Luomen. Ele acendeu uma vela com uma pederneira revestida de amianto, e o cômodo se encheu com um rico aroma de mel. Pegou o papel e o queimou levemente e então as letras apareceram nele. A chama rapidamente se tornou muito forte, e Luomen puxou a página para longe do fogo. — Se você escreve em um pedaço de papel usando suco de fruta ou chá, as letras são um pouco mais inflamáveis ​​que o papel, então elas aparecem quando a superfície é passada sobre a chama. Desta vez... parece que ela usou álcool.

— Ah, sim, ela levou consigo algumas das nossas bebidas destiladas — disse o médico. Teria sido bom se ele tivesse mencionado isso antes.

Em todo caso, isso significava que a escrita pegou fogo primeiro, tornando-se visível. E quanto à mensagem que agora podiam ver...

— Esse é o caractere para... pequeno santuário? — perguntou o médico. — Está muito ilegível. Acho que você deixou queimar demais.

— Peço desculpas — disse Luomen, embora a situação não estivesse realmente sob seu controle.

O papel continha apenas dois caracteres: o que significava santuário à beira da estrada e mais um. Presumivelmente, era tudo o que Maomao conseguiu escrever nos poucos momentos que tinha disponíveis. Pelo menos isso reforçava a especulação de que ela foi impedida de retornar ao Pavilhão Jade contra a sua vontade. E esse truque obscuro foi a melhor maneira que ela encontrou para informá-los do que estava acontecendo.

— Há algum santuário naquela área? — perguntou Luomen.

— Vamos descobrir — disse Jinshi.

O Santuário da Escolha era apenas o começo: o quarteirão norte estava repleto de prédios antigos.  Muito provavelmente havia um ou dois santuários por ali, mas nem mesmo Jinshi, que circulava pelo palácio interno há anos, podia afirmar com certeza.

Havia também o outro caractere no pedaço de papel, provocantemente quase legível. Era uma espécie de borrão disforme; talvez Maomao tivesse tentado usar uma forma simplificada para economizar tempo. Para piorar a situação, o que quer que ela tivesse escrito estava parcialmente enegrecido pela chama.

— O que poderia ser? — Jinshi murmurou.

— Receio que não tenha a mínima ideia — disse o médico.

Talvez devessem tentar o Pavilhão Jade; Gyokuyou ou as outras talvez possam esclarecer algumas dúvidas.

— Embora eu não saiba quanta esperança devemos ter — disse Jinshi.

— Quem sabe? — Luomen apagou a vela e a guardou calmamente. Ele parecia tranquilo, em contraste com o médico inquieto e ansioso.

— Você não está preocupado com ela? — perguntou Jinshi. Será que Luomen, apesar de sua aparência gentil, poderia ter um coração de pedra?

— Preocupado? Estou. Mas farei o que estiver ao meu alcance. Não quero que as tarefas que preciso realizar sejam prejudicadas por causa do meu nervosismo. — Ele começou a pegar alguns remédios. — Além disso, já passei um ano inteiro sem notícias dela.

Jinshi permaneceu em silêncio. Luomen devia estar se referindo ao ano seguinte ao sequestro de sua filha pelos "caçadores de mulheres". O que Jinshi poderia fazer diante de tal comentário senão manter-se calado? Ele se lembrou de quando Maomao era uma serva, trabalhando longe, sem poder se comunicar com o distrito dos prazeres. Isso o fez perceber que pai e filha realmente compartilham algumas semelhanças estranhas.

Ele percebeu que, mesmo sem Maomao ali, não precisava se preocupar com a concubina Gyokuyou. Se ela quisesse alguém para provar a comida, ele estava preparado para oferecer Suiren novamente. Imaginou, porém, que havia uma boa chance das damas do Pavilhão Jade rejeitarem a ideia. A própria Hongniang parecia praticamente aterrorizada.

Jinshi saiu do consultório médico, movendo-se mais rápido que o habitual enquanto se dirigia para a residência de Gyokuyou.

— Mestre Jinshi… — Gaoshun olhava para ele com azedume.

— Eu sei. — Ele diminuiu o passo para uma caminhada majestosa, cumprimentando com gentileza os sorrisos ocasionais das mulheres que passavam, o nobre perfeito.

— Escrita descuidada — comentou Hongniang, franzindo a testa.

— Eu diria que foi escrito às pressas, sem tempo para uma caligrafia cuidadosa. As manchas de queimado não ajudam, mas os próprios caracteres estão um pouco borrados. — Essa avaliação fria veio de Gyokuyou. A princesa Lingli estava a seus pés, brincando com blocos de madeira. — Hrm — resmungou a concubina. — O que será que está escrito ali?

— Acho que se parece um pouco com o caractere das asas.

— Não, não. A parte inferior não é densa o suficiente para isso.

— Sim, mas a escrita de Maomao sempre teve um certo... charme peculiar.

Bem, talvez um novo olhar (ou três) pudesse ajudar a decifrar a escrita. Hongniang prontamente convocou as outras damas de companhia. No entanto, nem mesmo Yinghua, Guiyuan e Ailan conseguiram chegar a um consenso sobre o que estavam vendo.

— Ah, acho que está escrito ‘próximo’.

— Hmm, é parecido. Mas eu não acho.

— É, acho que tem algo a mais do que só isso.

Então a dama de companhia com a faixa de cabelo branca se pronunciou: — Parece “asas” ou “perto” para mim também.

— Concordo com a minha irmã — disse a mulher com a faixa de cabelo preta.

A última delas, a garota com a faixa vermelha, encarava o papel como se seu olhar pudesse queimá-lo. — Vocês não acham que está escrito jade? — perguntou. Aquele caractere certamente parecia jade, um pouco como um cruzamento entre os caracteres de asas e próximo. — Vejam aqui. É um pouco mais curvo do que o normal; normalmente, este traço seria reto para baixo.

[Kessel: Só lembrando para vocês, porque sei que é confuso memorizar. As três irmãs têm nomes parecidos, sendo a de faixa vermelha, a caçula Seki-u, a mesma personagem que acompanhou a Maomao aos banhos no começo do volume. Sua irmã do meio é a Koku-u, de faixa preta e por fim, a mais velha de faixa branca, a Haku-u]

— Sim, eu consigo ver. Mas o que você acha que significa? — disse Gyokuyou. — Será que é uma referência ao Pavilhão Jade?

O debate começou imediatamente: — Talvez, mas qual seria o sentido de mencionar esse lugar?

Enquanto isso, Seki-u franzia o nariz. — Shisui...? — disse ela de repente.

Todos pararam e olharam para ela; ela estremeceu sob o olhar coletivo.

— O que é isso?

— U-Uh, hum, é... um nome. O nome de uma empregada que andava com a Maomao.

Não era um nome particularmente incomum; frequentemente era escrito com caracteres que significavam roxo e jade, ou então descendente e jade. Poderia ser o nome de praticamente qualquer pessoa no palácio interno.

Mas Jinshi se lembrou de outra pessoa ligada àquela personagem, Sui. — Acho que havia uma garota chamada Xiaolan que estava frequentemente com elas — disse ele. Ele as tinha visto juntas antes. Uma dama da corte com a aparência de um esquilo amigável. (Por mais que ele tenha ficado surpreso ao perceber que Maomao era, na verdade, amiga de outras garotas.)

— Encontrem essa criada! — ordenou ele aos seus eunucos. Eles saíram imediatamente da sala.

— Mestre Jinshi — disse Gaoshun. De repente, Jinshi percebeu que seu rosto estava rígido, seus punhos cerrados com tanta força que suas unhas deixavam marcas nas palmas das mãos.

Ele tentou mascarar seus sentimentos novamente, mas sem muito sucesso.

Algum tempo depois, um santuário foi descoberto perto de onde encontraram a gatinha. Uma construção deteriorada, escondida na sombra de um armazém, que poderia ter permanecido oculta para sempre se ninguém a estivesse procurando especificamente. O santuário, descobriu-se, era a entrada para um túnel. Uma passagem construída em um dos antigos canais de água desativados.

Eles descobriram mais uma coisa: não havia nenhuma mulher registrada no palácio interno com o nome que Seki-u havia dito. “Shisui” não foi encontrada em lugar nenhum, e um dos novos eunucos também estava desaparecido.

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