Volume 1
Capítulo 9: Cacau
— Pelo menos agora eu consigo perceber a eficácia disso — disse Jinshi, lançando um olhar aborrecido a Maomao.
— Eu também — disse Maomao.
Jinshi parecia quase dominado pela cena catastrófica à sua frente. — Ugh — disse ele, sem o sorriso habitual se destacando; havia apenas cansaço em seu rosto. — Como é que isso aconteceu?
Para responder a essa pergunta, teremos que voltar algumas horas no tempo.
O cacau que foi enviado para eles já não estava na forma de sementes; ele já tinha sido transformado em pó. Todos os ingredientes que Maomao havia solicitado já tinham chegado à cozinha do Pavilhão Jade. Três das damas de companhia estavam ocupadas tentando observar, mas Hongniang fez com que elas voltassem ao trabalho.
Leite, manteiga, açúcar, mel, bebidas destiladas e frutas secas, além de alguns óleos derivados de ervas aromáticas para dar um aroma agradável a tudo. Todos eram ingredientes nutritivos, e caros, e todos importantes para a receita que aumentava o vigor.
Maomao tinha provado o cacau apenas uma vez. Ele tinha uma forma endurecida e adoçada, chamada de chocolate, e ela havia ganhado de umas cortesãs. Era um pedaço do tamanho da ponta do dedo, mas, ao comê-lo, ela sentiu como se tivesse bebido uma xícara inteira de alguma bebida alcoólica especialmente forte. Isso a tinha deixado estranhamente tonta.
A mulher explicou-lhe que o chocolate era um presente de um cliente particularmente desagradável que esperava comprar afeto de uma garota que tinha sido vendida para prostituição, oferecendo-lhe uma guloseima rara. Quando a garota percebeu a mudança de comportamento de Maomao, ficou profundamente irritada; assim, a madame do bordel proibiu o cliente de voltar. Mais tarde, descobriram que uma empresa havia começado a vender o produto como afrodisíaco. Maomao conseguiu obter um punhado desde então, mas nunca o utilizou como remédio. Ninguém no Distrito da Luz Vermelha ia a uma farmácia procurando algo tão extravagante para um simples medicamento.
Até mesmo agora, Maomao conseguia lembrar-se do chocolate pela forma como havia endurecido com óleo e gordura. Sua ampla experiência com uma coleção eclética de medicamentos e venenos, em todos os seus diversos sabores e aromas também lhe deram uma excelente memória para ingredientes.
Ainda estavam em uma estação quente, e ela já suspeitava que a manteiga não se solidificaria bem; por isso, decidiu colocar algumas frutas no lugar. Um pouco de gelo seria perfeito, mas isso era obviamente impossível e não fazia parte da lista de ingredientes que ela havia solicitado. Em vez disso, ela pediu que preparassem um jarro de água sem esmalte. Ele foi enchido até a metade com água. À medida que a água evaporasse, o jarro ficaria mais frio do que o ar externo, frio o suficiente para ajudar a endurecer as gorduras.
Maomao mergulhou uma colher na mistura e provou. Tinha um sabor amargo e doce ao mesmo tempo, sua língua experiente também conseguiu identificar que a mistura melhoraria o humor. Ela tinha muito mais resistência a álcool e toxinas agora do que quando provou o chocolate pela primeira vez; dessa forma, agora não lhe afetava tanto. Porém, ela conseguia perceber que era algo muito poderoso.
Talvez eu devesse fazer porções um pouco menores.
Ela cortou as frutas ao meio com um simples cutelo e depois mergulhou-as no líquido acastanhado. Depois colocou-as em um prato e, em seguida, em um jarro. Tampou o jarro e o cobriu com uma esteira de palha para escondê-lo. Só faltava esperar que o chocolate endurecesse. Jinshi viria buscá-lo naquela noite; deveria ser tempo suficiente.
Acho que consigo fazer um pouco mais...
Ela não tinha utilizado todo o líquido marrom. Os ingredientes eram extremamente caros e bastante nutritivos. Afrodisíaco ou não, possuía um efeito mínimo em Maomao, então ela decidiu comer o que restou mais tarde. Ela cortou um pouco de pão em cubos e os mergulhou na mistura; não precisaria se preocupar com o processo de resfriamento.
Ela colocou a tampa no pote de cacau líquido e o colocou na prateleira. Colocou o restante dos ingredientes em seu quarto e foi para a área de lavagem para limpar os utensílios. Ela deveria ter colocado o pão mergulhado no seu quarto também, mas já estava pensando em outras coisas. Talvez a degustação tivesse a deixado um pouco embriagada.
Bem, agora já era tarde demais.
Isso aconteceu depois que Maomao saiu para executar tarefas para Hongniang; ela parou no caminho para colher algumas ervas medicinais para si mesma. O pão e o fato de que ele deveria ter sido colocado na prateleira foram completamente esquecidos por Maomao. Ela retornou com uma cesta de roupas cheia de ervas, muito satisfeita consigo mesma, apenas para ser recebida por Hongniang e pela concubina Gyokuyou, que estavam pálidas como a morte e bastante perturbadas. Gaoshun também estava lá, o que significava que Jinshi estava por perto.
Hongniang só conseguiu colocar a mão na testa e apontar para a cozinha; Maomao então colocou sua cesta nos braços de Gaoshun e foi até lá. Ela encontrou Jinshi, que parecia muito irritado. A maneira mais delicada de descrever a cena seria dizer que uma grande mistura de tons de pêssego e vermelho claro se espalhava diante dela. De forma mais simples, três damas de companhia estavam encostadas umas nas outras, dormindo profundamente. Suas roupas estavam uma confusão, e suas saias desarrumadas revelavam vislumbres lascivos de suas coxas.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou Hongniang a Maomao.
— Receio não ser a pessoa mais indicada para responder a essa pergunta — ela respondeu. Ela se aproximou das jovens, agachou-se, levantou suas saias e examinou: — Está tudo bem, essa tentativa falhou em...
Hongniang corou e, furiosa, deu um tapa na nuca de Maomao.
Sobre a mesa estava o pão marrom. Faltavam três pedaços.
As garotas o confundiram com um lanche da tarde.
O cansaço atingiu Maomao logo depois que ela ajudou a colocar cada uma das garotas para dormir em seus quartos. Na sala de estar, Gyokuyou e Jinshi estavam olhando para o pão de chocolate com uma certa curiosidade.
— Isso é o seu afrodisíaco? — perguntou Gyokuyou.
— Não, senhora, isso aqui é que é. Maomao lhe entregou a fruta coberta de chocolate. Aproximadamente trinta pedaços, cada um do tamanho de uma unha.
— O que é isso então? — perguntou Jinshi.
— Era para ser meu lanche antes de dormir. — Ao ouvir isso, parecia que todos recuaram um pouco. Ela teria dito errado? Gaoshun e Hongniang pareciam não acreditar no que estavam ouvindo. — Estou muito acostumada com bebidas alcoólicas e estimulantes, então não sinto muito efeito.
Maomao, em nome da ciência, já tinha conservado uma cobra venenosa em álcool e bebido; portanto, poderia ser considerada uma bebedora experiente. Ela considerava o álcool uma espécie de remédio. Quanto mais suscetível alguém fosse a novas formas de estimulação, melhor o remédio funcionava.
Veja este pão, por exemplo: aqui, no Pavilhão Jade, ele é considerado um afrodisíaco, mas, na terra de onde vinha o cacau, ele era pouco eficaz.
Jinshi pegou um dos pedaços de pão e olhou para ele com desconfiança.
— Será que posso experimentar um pedaço então? — disse ele.
— Não, senhor, não faça isso! — Hongniang e Gaoshun gritaram em uníssono. Maomao pensou que fosse a primeira vez que ouvia Gaoshun falar.
Jinshi colocou o pão de volta no lugar e comentou que estava apenas brincando. É claro que seria impróprio para ele consumir um afrodisíaco na presença da concubina favorita do Imperador, mas talvez, o mais importante é que dificilmente alguém poderia resistir a ele; se ele se aproximasse dela com aquele sorriso de ninfa celestial e com rubor nas bochechas. Seu rosto, e nada mais, lhe faziam crédito, refletiu Maomao.
— Talvez eu devesse mandar fazer um pouco para o Imperador — disse Gyokuyou divertida — Isso poderia impedi-lo de seguir seus métodos habituais.
— Provavelmente funcionaria três vezes melhor do que um medicamento tradicional — informou Maomao.
Com isso, a face de Gyokuyou assumiu uma expressão difícil de interpretar. — Três vezes... — ela murmurava algo sobre se conseguiria aguentar tanto tempo ou não, mas os presentes na sala fingiram não ter ouvido. Parecia que não era fácil ser concubina.
Maomao colocou os afrodisíacos em um pote tampado e entregou a Jinshi. — Eles são muito potentes, recomendo tomar apenas um de cada vez. Tomar muitos pode estimular demais o fluxo sanguíneo e causar sangramento nasal. Além disso, o consumo deve ser limitado a quando a pessoa estiver sozinha com seu parceiro.
Com as instruções devidamente transmitidas, Jinshi levantou-se. Gaoshun e Hongniang saíram da sala para preparar sua partida. A concubina Gyokuyou também acenou com a cabeça para ele e saiu com a princesa adormecida em um carregador.
Quando Maomao foi limpar o prato de pão, sentiu um aroma doce por trás dela.
— Obrigado. Eu lhe causei bastante problema. — A voz também era doce como mel. Maomao sentiu seu cabelo sendo levantado, e alguma coisa fria foi pressionada contra sua nuca. Ela virou a tempo de ver Jinshi acenando para ela enquanto saía da sala.
— Agora eu entendi. — Quando ela olhou para o prato, descobriu que estava faltando um pedaço de pão. Ela tinha uma ideia de onde o pedaço havia parado. — Só espero que ninguém se machuque — murmurou Maomao, mas ela não parecia achar que isso tivesse muito a ver com ela.
A noite ainda era jovem.
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios