Volume 1
Capítulo 13: Recuperação
A condição da concubina Lihua era pior do que Maomao imaginava. Maomao substituiu o mingau de milho por um mingau mais ralo, mas Lihua mal conseguia tomar uma colherada. Maomao precisou forçar-lhe os lábios a abrir-se, despejar o mingau e, com delicadeza, auxiliá-la a engolir. Não era a rotina mais decorosa, mas, naquele momento, não havia espaço para preocupações com etiqueta.
Este era o maior problema: Lihua não estava comendo. Um velho provérbio dizia que uma alimentação saudável era tão restauradora quanto um bom remédio, e Maomao sabia que sua paciente não melhoraria sem ingerir algum alimento. Por isso, ela insistiu obstinadamente em alimentar Lihua.
Ela fez com que o ar da sala fosse renovado e o cheiro enjoativo do incenso, foi substituído pelo odor característico de uma pessoa doente. Queimaram incenso na esperança de encobrir o odor do corpo de Lihua. Quanto tempo teria passado desde o último banho que ela tomou? Maomao sentia-se cada vez mais enfurecida com as damas de companhia, tão insensatas.
Pelo menos a jovem que Maomao havia repreendido parecia ter aprendido algo com a lição. O pó facial que ela aplicava em Lihua vinha de seu próprio estoque secreto. Infelizmente, o eunuco que falhou em encontrar e confiscar o pó foi condenado ao espancamento. A origem social de alguém podia afetar até as punições que essa pessoa recebia.
Maomao zombou do eunuco responsável por tudo aquilo, chamando-o de idiota inútil, mas isso não parecia ter muito efeito. Ele acabou se revelando um daqueles indivíduos de alta linhagem com preferências “questionáveis”.
Maomao preparou um pano e um balde com água quente, e depois chamou as outras damas de companhia para ajudá-la a lavar a concubina Lihua. As damas pareciam desconfortáveis, mas, com um olhar severo de Maomao, obedeceram sem protestar.
A pele de Lihua estava tão ressecada que a água mal escorria por ela, e seus lábios estavam dolorosamente rachados. Em vez de maquiagem vermelha, aplicaram mel em seus lábios, e seu cabelo foi preso em um simples coque. Agora, elas só precisavam garantir que ela tomasse um pouco de chá sempre que possível. De vez em quando, ela recebia uma sopa diluída em vez disso. Isso ajudaria a repor o sal em seu corpo e a faria usar o banheiro com mais frequência, expulsando as toxinas.
Maomao imaginara que a concubina poderia rejeitar essa nova cuidadora incomum, até mesmo vê-la como uma inimiga, mas Lihua era tão maleável quanto uma boneca. Olhar para seus olhos vazios fazia Maomao duvidar se ela sequer conseguia distinguir uma pessoa da outra. Mas, aos poucos, conseguiram aumentar a porção de mingau de meia tigela para uma tigela inteira, e depois adicionar arroz e grãos. Quando Lihua já era capaz de mastigar e engolir sem ajuda, começaram a adicionar caldo de carne, criando uma sopa saborosa junto com frutas amassadas.
Um dia, quando ela finalmente conseguiu usar o banheiro sozinha, Lihua de repente falou: — Por que... rer?
Maomao se aproximou para captar as palavras sussurradas.
— Por que você não me deixou morrer? — a voz era quase imperceptível.
Maomao franziu a testa. — Se é isso o que você quer, então pare de comer. O fato de você continuar tomando seu mingau me diz que você não quer morrer. — Em seguida, ofereceu-lhe um pouco de chá quente.
A mulher deu uma tosse suave. — Entendi. — sorriu, embora timidamente.
As damas de companhia de Lihua geralmente tinham uma das duas reações a Maomao: ou ficavam aterrorizadas com ela, ou mesmo aterrorizadas, ainda assim revidavam.
Acho que exagerei um pouco.
Quando as emoções de Maomao chegavam ao ponto de ebulição, ela costumava perder o controle. Sabia que era um hábito ruim. Chegou a abandonar a linguagem delicada da corte por expressões mais grosseiras. Maomao podia não demonstrar muitas emoções, mas tinha um coração caloroso, e, honestamente, lhe doía ver as pessoas a observarem de longe como se fosse um demônio ou um monstro. Ela racionalizou essa última explosão: tinha sido para cuidar da senhora Lihua. Tinha sido necessário.
O próprio Jinshi aparecia com frequência. Se era por ordens do Imperador ou a pedido da concubina Gyokuyou, Maomao não sabia. Determinada a aproveitar tudo o que lhe era oferecido, ela pediu que construíssem um banho no Pavilhão Cristal. As instalações de banho existentes foram ampliadas para incluir uma sauna a vapor.
Maomao tentou, indiretamente, é claro, comunicar para Jinshi que ele não podia ajudar e não era bem-vindo ali, mas ele ainda assim surgia, sorrindo para ela em todas as oportunidades, com a tenacidade de um fantasma que a assombrava. Maomao concluiu que ele era claramente um eunuco com tempo demais livre. Ela desejava que ele seguisse o exemplo de Gaoshun, que ao menos tinha a decência de trazer guloseimas sempre que aparecia. Uma pessoa tão atenciosa assim poderia ser um bom marido, mesmo sendo eunuco.
Lihua, por sua vez, foi incentivada a consumir fibras, beber água e suar, qualquer coisa que ajudasse a eliminar o veneno do seu organismo. Dois meses passaram focados nisso e apenas nisso, e finalmente a concubina Lihua conseguiu até mesmo andar sozinha.
Ela ainda se encontrava em estado grave devido ao mal-estar emocional. Maomao avaliou que, enquanto ela não ingerisse mais toxinas, ficaria tudo bem. Ainda levaria um tempo para que ela recuperasse sua forma saudável e o rubor nas bochechas, mas já não parecia mais estar à beira do rio que divide este mundo do próximo.
Na noite anterior ao retorno de Maomao ao Pavilhão Jade, ela foi prestar formalidades à concubina Lihua. Esperava ser rejeitada, considerada alguém baixa demais para merecer a atenção da concubina, mas esse não foi o caso. Maomao descobriu que Lihua, tinha seu orgulho, mas não era orgulhosa. Com tudo o que aconteceu envolvendo o príncipe, Maomao passou a achar Lihua uma mulher bastante desagradável, mas, na verdade, ela tinha o comportamento e a personalidade de uma verdadeira concubina imperial.
— Partirei amanhã pela manhã, senhora — disse Maomao. Ela acrescentou algumas instruções sobre a alimentação da senhora e outros conselhos de precaução, e então se encaminhou à saída.
Mas Lihua falou de trás dela: — Jovem dama, você acha que algum dia poderei ter outro filho? — A voz dela era monótona e sem emoção.
— Não sei. A única maneira de descobrir é tentando.
— Mas como, se Sua Majestade já não tem mais interesse em mim?
O significado era claro o bastante. Ela só havia concebido o príncipe porque o Imperador por acaso a visitou depois do tempo passado com sua favorita, a concubina Gyokuyou. O fato de haver três meses de diferença entre a pequena princesa e o pequeno príncipe revelava a verdade da situação.
— Foi o Imperador quem me ordenou vir aqui, afinal. Agora que vou partir, imagino que você o verá novamente. — Não era um problema político ou emocional. O problema era o mesmo para ambos. Sendo o palácio interno o que era, amor e romance não tinham lugar ali.
— Você acha que ainda posso superar a concubina Gyokuyou? Eu, que ignorei o conselho dela e matei meu próprio filho ao fazer isso?
— Não creio que seja uma questão de vencer. E quanto aos nossos erros, podemos aprender com eles. — Maomao pegou um vaso que enfeitava a parede, uma peça fina feita para conter uma única flor. No momento, estava ocupado por uma campânula em forma de estrela. — Existem centenas, até milhares de tipos de flores no mundo, mas quem ousaria dizer se a peônia ou a íris é a mais bonita?
— Não tenho seus olhos de esmeralda nem seus cabelos ruivos.
— Se você tem algo diferente no lugar disso, então não há problema. — O olhar de Maomao deslizou do rosto da concubina Lihua para baixo. Diziam que essas eram as primeiras coisas a desaparecer quando se perdia peso, mas Lihua ainda mantinha suas generosas formas. — Acho que um tamanho assim é um verdadeiro tesouro.
Maomao já tinha visto muita coisa nos bordéis, então sabia do que falava. Guardaria para si o fato de ter ficado impressionada todas as vezes que lhe dava banho. Considerando que Lihua era rival de sua própria senhora, Maomao não podia ajudá-la muito, mas decidiu dar à mulher um último presente antes de partir.
— Posso sussurrar algo no seu ouvido, senhora? — Então, baixinho, para que ninguém mais ouvisse, deu à concubina Lihua alguns conselhos. Uma técnica secreta que uma das cortesãs mais velhas lhe disse que “não fazia mal saber”. Infelizmente, Maomao não tinha o equipamento do tamanho necessário. Mas aquela técnica em particular parecia perfeita para a concubina Lihua.
O rosto de Lihua ficou vermelho como uma maçã ao ouvir aquilo. O que Maomao poderia ter dito tornou-se tema de animada especulação entre as damas de companhia de Lihua por um bom tempo depois, embora ninguém soubesse ao certo. Para Maomao, no entanto, isso não fazia diferença alguma.
[Kessel: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. A Espanha é um país lindo!]
Houve um período depois disso em que as visitas do Imperador ao Pavilhão Jade tornaram-se visivelmente menos frequentes. Com uma mistura de ironia e verdadeiro alívio, a concubina Gyokuyou apenas disse: — Ufa! Finalmente, posso dormir um pouco!
Maomao ficou boquiaberta de surpresa. Mas essa é uma história para outra ocasião.
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