Volume 1: Caçadores
Capitulo 4: Contra o Divino (II)
No decorrer do caminho eu tentei, tentei, e tentei tocar na lâmina sempre quando Querubim estivesse desprevenido... em todas falhei. Suas asas eram sempre rápidas demais, mas que porra!
Após um tempo muito proveitoso daquele puta silêncio desconfortável, onde apenas o cavalgar dos cavalos soavam por nossos ouvidos, eu estava prestes a realizar outro bote em minha preciosa presa vermelha quando a carroça de repente aumentou bruscamente a velocidade.
Akiris parecia despreocupado, mas o menino Wally estava inquieto, ele aparentava ter percebido algo. Levantei-me e fui em direção ao final da carroça. Abrindo o pano, existiam seis homens a cavalo imbuindo espadas atrás de nós, onde dois deles eram arqueiros preparando sua respectiva boas-vindas. Que azar daqueles ladrões, eles não possuíam bom dedo para carroça.
Fechei o pano e a festa logo começou, as flechas penetraram o pano da carroça deixando brechas para luz passar e auxiliar na mira dos atiradores, e pelo Santo Caos eles realmente estavam precisando daquela ajuda, cacete! Eles atiravam mal para caralho!
Querubim mal se importava com a situação, menino Wally parecia quase teer um colapso ele ficava repetindo coisas como: “ele vai me pegar, ele vai me pegar e blá, blá, blá, blá, puta Moloque fresco. Já o garoto esquizofrênico estava muito preocupado, ele não parava de perguntar ao vento o que fazer.
Pera, pera, pera, pera, pera ai! Era ali! Aquela era minha hora de brilhar.
— Fazer o que não é! Acho que vou ter que salvar o dia mais uma vez!
Estralei meus ombros e pescoço com meu lindo sorriso no rosto, puxei o pano da carroça e sai para fora outra vez.
— Podem vir porra! É Assim que eu gosto!
Eles me pareceram confusos e enojados, não entendi. Sinceramente, achei... não, eu tenho certeza que minha voz estava maravilhosa, mas aparentemente eles não pensaram o mesmo. Fechando o pano já bem destruido, Querubim e o menino Wally estavam me encarando perplexos.
— Que foi?
Nenhum deles me respondeu, povinho sem educação. Prestes a virar meu corpo de volta para o pano escuto um barulho passando a poucos centímetros do meu ouvido direito; foi uma flecha. Ela atingiu a madeira mais a minha direita.
— Essa foi por pouco né — brinquei ao apontar para a flecha.
E mais uma vez apenas me olharam estranho, que plateia mais exigente. Eu estava escutando, os galopes dos cavalos estavam ficando mais altos, carregar uma carroça estava nos deixando em desvantagem.
Vamos ter que resolver isso de uma forma mais civilizada. Virei-me completamente e abri o pano outra vez. O pano se rasgou completamente, voou para fora da carruagem em um piscar de olhos, revelando um dos homens espadachins e ele estava bem em minha frente!
Ele golpeia com sua espada mirando em minha cabeça. Inclinando meu pescoço para trás eu consegui desviar de seu golpe, esses arrasa carteiras estavam rápidos demais. Já me levantando percebi que sua colega de profissão havia ficado presa na madeira a minha esquerda.
— Ai! Na próxima, avisa!... Seu sem educação.
O pequeno ladrão fazia muita força para retirar sua espada da madeira, logo pensei.
— Talvez ela seja muito importante para ele me ignorar tão abertamente... já sei. Como uma boa Súdita do Caos eu vou ajudá-lo. — Relaxa, eu te ajudo — acalmei ele com um ar confiante.
Com uma mão apoiada na parte interna da carroça e a outra no peito do indivíduo, eu o empurrei com toda minha força. Ele caiu de seu cavalo rolando e gemendo de dor, que visão calorosa foi essa! Como uma boa Súdita apenas comecei a acenar para os outros cincos restantes.
Os dois arqueiros não aparentavam terem entendido minhas intenções, eles prepararam outras flechas e começaram a atirar em direção a minha cabeça. Joguei-me para trás dentro da carroça, Caos, isso foi por um triz! Milagrosamente o esquizofrênico ainda não foi atingido... aqueles arqueiros acabavam de cair em meu conceito.
— Yuki, separare a carroça em duas! Faça elas seguirem por caminhos diferentes com uma ilusão! — Nanico gritava com o esquizofrênico.
— Espera aí, aquela merda azul mais cedo era isso?! Ai, ó esquizofrênico, aquilo foi pertubador!
— Eu posso tentar, mas preciso me concentrar.
Sério? Até ele me ignorando?... Só pode ser piada. Nanico se levantou, observou os nossos perseguidores, e então voltou sua atenção para mim.
— Karla, já sabe o que fazer.
Olhei para o Nani... para o Akiris, sorri e comecei a comemorar ainda deitada.
Akiris em direção até o esquizofrênico para pegar as rédeas se torna automaticamente o novo alvo fácil dos arqueiros à espreita. Uma rápida flecha surge dentro da carroça, caralho! Essa foi quase. A flecha passou logo a lado da sua cabeça; uau! Eles estão melhorando a pontaria!
Eu aos poucos eu fui me levantando, próxima do final da carroça, estava a preparar um de meus explosivos. Retirei de minha bolsa um objeto esférico com diversos fragmentos de metais ao redor de seu corpo circular.
— Agora é pra valer! — clamei minha declaração de guerra junto ao ato de jogar o explosivo.
Três homens com seus reflexos afiados se afastaram da minha granada simples, os outros dois continuaram em linha reta recebendo a explosão em cheio. A explosão só não foi mais alta que os seus imensos gritos de dor que cessavam com a distância que crescia rapidamente entre nós.
Haviam sobrado dois com espadas e um arqueiro. Olhando para trás, percebi que Akiris ja tinha conseguido tomar as rédeas. Virando-me de volta, encontrei o arqueiro chorando enquanto preparava uma flecha encantada em Espírito.
Saquei minha escopeta e posicionei meu braço para me proteger da flecha. Eu acertei! Mirou direto na minha cabeça, que decepção. Com minha amada Anarquia posicionada em direção ao arqueiro, um outro ladrão se colocou no caminho na tentativa de o proteger com magia; coitadinho, eu não estou usando arcanismo.
— É hora da mestra mostrar como se faz — cochichei.
Disparei com a Anarquia entre o pescoço e a cabeça do indivíduo com espada. O barulho exagerado dessa escopeta assustaria até mesmo uma horda de monstros, seus fragmentos de Caos eram mais rápidos que um raio, ela era de fato a minha mais pura diversão.
O jorramento excessivo de sangue fez o ladrão cair de seu cavalo. Os dois que sobraram pareciam completamente irados, aquele arqueiro que milagrosamente não caiu com seu cavalo se encontrava de sangue e com dentes roendo, que cara feio.
Ele preparava outro disparo, enquanto o ladrão de espada se aproximava o máximo que podia. Já apontando a anarquia para ele, escutei a voz do Yuki. Eu enxergava uma silhueta azul cobrindo meus pés, essa silhueta se separou da gente com os ladrões seguindo a mesma.
Mesmo que fosse uma ilusão... como não perceberam qual era a verdadeira? Bom, esquece, eu não entendo nada de Espírito.
— Seus novatos!
Virei-me, guardei a Anarquia, fechei o mais novo pano imaginário, caminhei até um assento e me sentei no lugar de Akiris.
— Quando Querubim dormir, eu com certeza pego essa foice — cochichei olhando para cima.
Akiris estava diminuindo a velocidade aos poucos, talvez já estejamos próximos do castelo. É possível, afinal já despeitamos eles a um bom tempo.
A carroça havia parado. Em minha frente já era possível enxergar uma parte da frente do castelo pelo lado das rédeas.
— Ainda bem que chegamos, eu não aguentava mais ficar sentada — espreguicei-me enquanto reclamava.
Antes mesmo até de Akiris eu me levantei e fui saindo da carroça. No lado de fora, respirei fundo despreocupada, finalmente eu tinha retornado, missãozinha longa essa em.
O castelo é simplesmente enorme. Ele possuía um terreno gigantesco tanto no interior, como aqui fora, que tipo de castelo possuía dois muros? O primeiro era na entrada que circulava a área em volta do castelo, e o segundo era o que estávamos, a distância do primeiro muro para o segundo foi bem considerável, cerca de cinco minutos correndo sem parar. Akiris dizia que facilitava acertar com flechas, explodir com armadilhas ou magia qualquer inimigo.
Mas o interior me impressionava toda vez, biblioteca, quinze quartos, refeitório, uma arena gigante, armazém e blá, blá, blá, Akiris tinha até um escritório. Enquanto girava relembrando sobre o castelo, alguns guardas de ronda caminharam até nós, eles encaravam muito o Querubim, coitadinho, já estava sofrendo preconceito.
— Eu te entendo Querubim, eu te entendo... comigo eles foram idênticos, que lástima.
Furtivamente levantei minha mão até a lâmina dele... ele não percebeu! O brilho parecia até reagir a minha mão prestes a encostar na lâmina. Eu estava quase lá, finalmente... as asas dele bateram na minha mão outra vez. Abaixei minha mão e soltei uma longa bufada. Então, olhei para o castelo e caminhei para frente.
— Se sintam à vontade, minha casa, é sua casa.
Mesmo de costas para ele eu conseguia sentir o olhar raivoso do Akiris direcionado para mim, sorri de nervoso enquanto caminhei até as grandes portas do castelo.
Abrindo-as, todos pareciam superanimados e felizes em me ver. Muitos me encararam com as mãos no rosto, outros choraram de felicidade, poucos deles até bateram nas paredes. Estavam tão animados em me ver que até se afastavam, aproximei-me de um deles e realizei leves tapinhas em suas costas.
— Ooow, chorando de saudade? Que coisa mais fofa.
Sorrindo sem parar sai andando pelo corredor até a escada, cantarolando sem olhar para trás. Os corredores cor prata e os grandes tapetes vermelhos vinho que percorríam em cada corredor do castelo sempre se encontravam limpos, impressionante o empenho que eles possuíam na limpeza.
A maioria dos serviçais de Akiris eram todos Nullus, com exceção dos guerreiros e guardas escolhidos a dedo por ele, todos aqui o respeitavam de verdade... mesmo ele que fosse um nanico esquentadinho.
Subindo os degraus eu cheguei ao segundo andar. Mais um corredor extenso com várias portas para tudo que é lado, comecei a caminhar procurando meu quarto. Eventualmente encontrando-o.
— Mas que merda! Eles tiraram a placa com meu nome. Que sacanagem Akiris.
Peguei minha anarquia e comecei a deixar minha marca, risquei a porta com o cano de ferro formando um grande ‘K' em seu centro.
— Agora sim, estou em casa.
Entrei no quarto, cheiroso como sempre. O nanico fazia questão de usar uma planta que enchia o quarto com seus polens, assim ele podia apenas matar ou nocautear alguém dormindo com um veneno nas pétalas; Cruel.
Eu me joguei na cama encarando o teto totalmente exausta, nem sequer pensei em tirar minha armadura, somente fiquei parada observando o topo do quarto. Só conseguia ficar imaginando o motivo de Akiris, Dominus e Querubim estarem tão interessados em Wally... e mais do que isso, o menino Wally emanava algum tipo de forte energia.
Nossa busca pelo garoto foi fundada por rumores, rumores sobre alguém muito importante para os Primordiais, claro, qualquer um pensaria em um Genasis, mas Wally era um Hibrido, ele não era um Genasis. Ainda assim, aquela energia assustadora estava lá, ela vinha e ia, surgia e desaparecia. Uma energia muito maior do que tudo que já tinha visto na vida, e o pior de tudo; os olhos dele... por algum motivo aqueles olhos amarelos; estavam me dando calafrios.
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