Caçador Herdeiro Brasileira

Autor(a): WesleyArruda

Revisão: Ângela Marta Emídio


Livro 1

Capítulo 36: Uma bomba no shopping!

No domingo eu mal acordei e a minha mãe veio me avisar que o Natsuno havia ligado; e havia pedido para que eu fosse à casa dele depois do almoço. Com a autorização da dona Sara, eu fui.

Chegando lá, Riku também me esperava.

Estranhei.

Estavam os dois em frente ao belo sobrado, conversando. Nós entramos, nos dirigimos ao quarto do Kogori e sua avó nos recebeu com deliciosos bolinhos de chuva.

— O que houve? — perguntei aos dois, assim que ficamos a sós.

— Conseguimos uma missão importante — disse Riku, olhando para o lado de fora pela única janela do quarto. Natsuno e eu preferimos ficar sentados na cama, próximos aos bolinhos.

— Hã, quando você diz missão, você diz... caçada? — indaguei, até que feliz, pois fazia dias que não encontrávamos nada de suspeito pelo sul da cidade para investigarmos. No entanto, aquilo era exagero caso fosse mesmo uma caçada. Bastava o Riku passar em casa e me avisar, como das outras vezes.

Comi um bolinho.

— Na verdade, maninho — disse Natsuno, também comendo um bolinho —, faz dias que eu vinha implorando para o meu velho nos mandar em alguma missão, já que não podíamos caçar pela cidade. Bom, meu velho é um pouco legal quando quer, e finalmente conseguiu algo pra nós.

Arqueei uma sobrancelha, confuso, comendo mais um bolinho.

— Você está dizendo que partiremos em uma missão da organização?

— Estou dizendo que partiremos em uma missão do meu pai.

Natsuno parecia orgulhoso de si próprio, ou do pai dele; comeu mais um bolinho.

— No entanto — interveio Riku —, essa é uma das missões mais perigosas que eu já vi em toda a minha vida. O encarei surpreso. Aliás, era o Riku quem estava dizendo aquela frase; ele concluiu:  — Portanto, exige muita atenção.

— Mas se essa missão é tão importante assim, por que mandariam simples aprendizes como nós ao invés de caçadores experientes? — Essa era a minha dúvida.

— Pô, Dio, para de drama — disse Natsuno, comendo mais um bolinho. Falou, de boca cheia: — A organização não sabe sobre essa missão. Uma coisa que você precisa aprender é que há caçadores infiltrados no meio dos vampiros. Um deles informou ao meu pai sobre um plano que um dos enxames urbanos estava planejando há meses. Foi treta para o meu pai conseguir algo assim, e mais treta ainda para que ele deixasse com a gente. Talvez assim consigamos matar mais vampiros pelo caminho para então chegarmos aos cinquenta frascos. Nada tão perigoso, já que não invadiremos hospitais abandonados. Você não quer deixar logo de ser um aprendiz de caçador?

— Bem, sim.

— Então! Essa é a chance.

— Que precisamos aproveitar ao máximo — Riku concluiu. Ele não comia os bolinhos de chuva, ao contrário de mim e do Natsuno. Estavam excelentes, o que significava que a Sra. Kogori era mesmo uma ótima cozinheira.

— E que tipo de plano é esse? — eu quis saber.

— Meu pai me informou que eles querem jogar uma bomba no Shopping José Pinheiro — disse Natsuno. — Mas não é uma bomba que mata.

— Ela infecta pessoas — foi Riku quem respondeu.

Eu fiquei assustado. “Pessoas inocentes virando vampiros?” pensei. Além de trágico, seria muito perigoso não só para nós caçadores, como também para a sociedade. Deduzi que Hebert estava louco de nos mandar numa missão tão importante quanto aquela.

— Então… hã, que dia vai ser esse ataque? — perguntei.

— Hoje à noite — responderam os dois ao mesmo tempo; e o meu coração imediatamente acelerou.

 

***

O shopping ficava a quilômetros do Robinson Carneiro — bairro onde ficava a casa do Natsuno —, por isso nós tivemos que pegar o metrô na estação Vila Sulamita, perto do colégio Martins.

Apesar de estarmos em pleno domingo, o vagão estava cheio. Pessoas aproveitavam o final de semana para visitar vários lugares distantes, usando como meio de transporte principal o metrô, veículo que passava por baixo da grande metrópole feito um lagarto mecânico.

Em meio aos cochichos, Natsuno me explicou que o infiltrado informara que havia duas bombas no shopping: uma no estacionamento e outra no interior do prédio. Eu me perguntei como a encontraríamos, já que o edifício provavelmente não era pequeno. Concluí que Hebert Kogori era mesmo um homem louco.

— Fiquem muito atentos — advertiu Riku. — Pode haver deles em toda parte, inclusive aqui no vagão.

Estávamos em pé dentro do veículo lotado. Quase não havia espaço para respirarmos.

— Eu só não quero encontrá-los de uma só vez — ironizou Natsuno. — Tenho trauma desde a última vez em que fomos cercados. — Ele estremeceu, enquanto algumas pessoas ao nosso redor nos encaravam.

— Estamos mais fortes do que antes — falei, confiante. Minha bandana me dava um pouco de segurança, eu só não sabia por quê. (Sim, eu a coloquei. Se o meu pai a usava em todas as suas aventuras, eu faria o mesmo).

O vagão estava mesmo muito cheio, as pessoas estavam apertadas e a toda hora empurravam umas às outras. Era muito desconfortável ficar ali, e eu torcia para que chegássemos logo.

 

***

Não foi tão logo assim, mas o importante é que finalmente chegamos ao estacionamento do shopping. Era um espaço amplo repleto de colunas e carros estacionados — aquele ambiente me trazia lembranças, ao mesmo tempo em que eu me arrepiava. Não foi ali que destruí o meu primeiro vampiro, mas era bem parecido. Foi um evoluído. Um vampiro estranho que fora atrás de mim ignorando completamente o meu pai. E até o momento eu não entendia o porquê.

— Dio, você tá bem, cara? — perguntou Natsuno, percebendo a minha expressão pensativa.

— Estou — respondi, voltando ao foco. — E aí, como vamos saber onde está a bomba? — Olhei em torno do enorme pátio que fazia parte do subsolo do prédio do shopping

— Simples — foi Riku quem respondeu, dando alguns passos. Ele olhou para cima e apontou para uma lâmpada acima de nós.

— Faz sentido — disse Natsuno. — Fica exatamente no centro do estacionamento.

Riku puxou todo o ar possível e soprou tudo contra o chão, dando um salto enorme e se pendurando em uma das vigas de ferro que suportavam o shopping inteiro. Ele pegou alguma coisa "dentro" da lâmpada e pousou no chão, leve como uma pena. Tinha nas mãos uma espécie de bola preta, com curvas irregulares e um cronômetro embutido nela. O tempo no cronômetro diminuía. Em cerca de uma hora explodiria.

— O que faremos? — Natsuno pareceu nervoso, olhando para a mini bomba como se fosse algum inseto assustador.

Riku respondeu jogando a bomba no chão e pisando nela com toda a sua força. Foi um susto, pois eu pensei que ela explodiria. Mas nada aconteceu.

— Não estava aqui para explodir — disse, seguro. — Vampiros costumam deixar uma bomba reserva para se certificarem a qualquer momento se a principal ainda está ativada.

    

***

Subimos ao shopping através do elevador seguindo o nosso destino que era o terceiro andar, exatamente o centro do edifício. Havia pessoas passeando por toda parte, todas bem vestidas e de bom humor. Crianças, adolescentes e adultos. Não havia um só lugar que não houvesse gente. Minha avó diria que era um evento especial, já que ela estava acostumada com o interior.

— Onde está a bomba, exatamente? — perguntei, enquanto caminhávamos entre a multidão.

— Perto de uma fonte d'água — Riku respondeu olhando em volta, sua voz serena como sempre.

Mas ainda assim ele parecia um pouco preocupado. Aquela bomba do estacionamento era apenas uma amostra. Uma amostra de quando a principal iria explodir. Faltavam minutos, poucos minutos, e eu tinha as minhas dúvidas se conseguiríamos completar a missão, porque não bastava encontrar a bomba, como também levá-la à Venandi.

— Temos que ficar espertos — disse Natsuno, também olhando ao redor. — Meu pai disse que um dos seguranças é vampiro.

— Vai ser difícil sermos discretos — falei.

— Não se preocupem — disse Riku —, eu tenho um plano.

 

Depois de passarmos por diversas lojas e por multidões de pessoas, finalmente chegamos ao centro do edifício. Só não imaginei que seria uma praça.

— É aquela fonte — apontou Natsuno.

A bela fonte era redonda e possuía uma estátua no centro que tinha a forma de uma mulher com roupas gregas. A estátua despejava água em sua base, que era cercada por um belo gramado verde e sintético. Havia bancos ao redor, bancos de mármore onde pessoas estavam sentadas conversando, casais abraçados, famílias unidas — o que me fez lembrar dos meus pais, de quando nos divertíamos nas praças de Belém. A praça também era muito bonita, muito original. Realmente deixava o shopping com um ambiente mais animado.

— Qual é o plano? — perguntei.

Eu olhava à nossa volta com medo de algum vampiro aparecer. Natsuno fazia o mesmo, mas Riku falou:

Aquele é o vampiro. — E apontou para um segurança alto e forte postado em frente a uma loja de calçados. — Provavelmente um evoluído. Eu sei me camuflar diante das pessoas, então vou distraí-lo. Vocês pegam a bomba e deem o fora daqui. Nos encontramos no estacionamento.

Natsuno e eu assentimos, confiando no Medeiros.

 

***

Enquanto Diogo e Natsuno dirigiam-se à praça com a fonte d'água, Riku caminhou até o segurança/vampiro e disse, o mais natural possível:

— Ei, tem alguns homens brigando no estacionamento.

O segurança falou, ignorante, sem tirar o olho da praça:

— Avise a outro. Estou ocupado, agora!

Seus olhos estavam focados na fonte, com receio de algum caçador aparecer. Riku sabia disso, por isso insistiu:

— Mas acontece que alguns deles usam espadas e outros têm dentes afiados.

Funcionou.

— Droga, eles estão aqui! — murmurou o homem para si mesmo.

— Eles quem?

— Não é da sua conta!

O homem caminhou a passos apressados sentido elevador e desceu até o subsolo, rumando ao estacionamento. Ele caminhou pelo pátio deserto, acompanhado por Riku, e deparou-se com o mais absoluto vazio, a despeito dos automóveis; não havia ninguém lá, nem sequer um pingo de sangue, apenas carros e mais carros enfileirados.

O sujeito estranhou.

Até que ele se deu conta da armadilha. Virou-se para o garoto e praguejou, observando Riku alternar a cor de seus olhos de cinza para amarelo por um instante.

Riku já empunhava sua espada prateada. Deu um sorriso sombrio e disse:

— Você vai se arrepender de ter nascido!

O segurança mostrou seus olhos vermelhos e seus dentes pontudos, então atacou.

 

***

Enquanto Riku se aproximava do "segurança", Natsuno e eu corremos até a praça. Havia algumas pessoas por lá, mas não podíamos deixar de procurar a bomba. Tínhamos pouco tempo, então cada minuto seria precioso.

Começamos procurando pelo mato sintético, atraindo a atenção de quem estava por perto. Procuramos, procuramos, e nada de encontrá-la. Até que um segurança do shopping aproximou-se de nós:

— O que vocês procuram?

Não senti nenhum arrepio, indicando que era apenas um segurança comum. Ainda assim ele era forte e intimidador, e seria um problemão caso não nos livrássemos dele.

— É a carteira da mãe dele — respondi, apontando para o Natsuno. Este inseriu:

— Pobrezinha, seus documentos estão todos nela. Tem dinheiro também.

Apesar de não sabermos atuar, o segurança acreditou na história.

— Querem ajuda?

— Não será necessário — falei, com um falso sorriso. — Daremos conta, obrigado.

Ele deu de ombros e saiu.

Nos aliviamos.

Depois de procurar debaixo dos bancos e na fonte, Natsuno suspirou, impaciente.

— Não vamos encontrar nunca! Onde está a porcaria dessa bomba? Ela não pode explodir debaixo d’água, já que precisaria infectar as pessoas através do ar. Não faz sentido!

— É isso! — gritei. Natsuno encravou seus olhos confusos em mim, sem entender.

—  “É isso” o quê?

— Natsuno, cara, basta pensar. Essa é uma bomba que infecta, e precisaria do ar para afetar suas vítimas. E como é que a ventilação corre por todo o shopping?

Natsuno pensou um pouco, ainda confuso. Até que finalmente entendeu o que eu queria dizer.

— Os dutos de ar?

— Isso mesmo.

Olhamos para cima e, coincidentemente, havia algo estranho por detrás da grade que protegia um duto, no teto, logo acima da fonte. 

— Como pegaremos? — perguntou Natsuno, olhando ao redor as pessoas que se divertiam na praça.

Pensei um pouco, e no segundo seguinte algo veio à minha mente.

— Teremos que nos arriscar.

   

***

Corremos até um dos banheiros, que não estava muito cheio, e esperamos alguns homens que estavam lá sair para então o fecharmos. Como fizemos isso? Natsuno invadiu a sala dos funcionários da limpeza e pegou uma daquelas placas que tinha os dizeres: NÃO ULTRAPASSE — PISO MOLHADO.

— Espero que dê certo — disse ele.

O banheiro do shopping era grande, repleto de cabines e mictórios, além de pias e um espelho enorme na parede lateral. O duto de ar estava no teto, exatamente no centro do cômodo. Mas dava para alcançá-lo com certo esforço.

Com a ajuda do Natsuno, escalei uma das cabines e me equilibrei, tirando a grade de ferro. Então, com bastante dificuldade, adentrei no tubo de ventilação, sentindo o frio de imediato.

Por haver pouco espaço, eu teria que engatinhar ali dentro. Natsuno ficaria me esperando, e eu tinha que ser rápido já que logo perceberiam que não havia ninguém limpando o banheiro.

Engatinhei o mais rápido que podia, torcendo para estar no caminho certo considerando que não estava tão longe da fonte. A sorte era que Natsuno me emprestara sua lanterna, uma vez que aqueles dutos eram escuros, a despeito de alguns pontos que eram iluminados pelas diversas saídas que davam em diferentes partes do shopping.

Eu me esgueirei por alguns caminhos diferentes, e até pensei ter me perdido, mas me aliviei quando cheguei em uma das saídas e olhei para baixo, vendo a praça repleta de pessoas. Continuei engatinhando até enfim avistar a bomba, uma esfera de metal preta repleta de botões e um cronômetro de vidro. Concluí que aqueles vampiros tinham aliança com algum tipo de contrabandista de armas e outras coisas explosivas. 

Assim que a peguei, olhei no cronômetro e estremeci quando vi que faltavam apenas quinze minutos.

Saí dali rápido feito um raio, reencontrando Natsuno no banheiro. Pulei para o chão sem me preocupar em fechar a saída de ar e falei, depressa:

— Vamos logo, não temos tempo!

Ignoramos algumas pessoas que aguardavam o banheiro ser limpo e corremos ao estacionamento, enquanto minha impaciência aumentava devido à lentidão do elevador. Natsuno parecia tão ansioso quanto eu, e me olhou apavorado.

— Vai dar tudo certo — falei, mesmo sem tanta convicção.

Quando a porta abriu, vimos Riku agachado colhendo o pó de um vampiro. Ele guardou o frasco de vidro cristalino em um dos bolsos da calça e falou, se levantando:

— Por que demoraram tanto?

— É muito difícil andar pelos dutos de ar — respondi.

— E parece que você estava se divertindo — disse Natsuno, observando o rosto suado do Medeiros.

— Era um evoluído.

Riku pegou a bomba e apertou alguns botões. E para a minha surpresa, o cronômetro foi alterado: de sete minutos, passou para duas horas!

— Como você fez isso? — perguntou Natsuno, surpreso.

— Meu pai já mexeu com esse tipo de bomba antes, alguns anos atrás, na Venezuela. O cronômetro pode ser adiado uma única vez, para o caso de imprevistos. Por que vocês acham que o Hebert nos autorizou essa missão?

Natsuno tinha seus olhos arregalados.

— Você conhece o meu pai?

Olhei em volta e tive um mal pressentimento.

— Vamos logo — os apressei, interrompendo a conversa. — Tenho a impressão de que aquele vampiro não será o último que encontraremos hoje.

Pelo caminho, no entanto, não imaginava que o pior ainda estava por vir .

 

***

As ruas que rodeavam o shopping eram brilhantes com a iluminação dos carros e edifícios. Estávamos prestes a atravessar a avenida quando o farol para os pedestres se fechou. Eu sentia que tinha alguém nos perseguindo, e percebi que Riku também sentia isso, visto que ele parecia preocupado. Eu torcia para o farol abrir logo, pois a bomba já pesava em meus braços — esse era o mal de não andar sempre com uma mochila. A estação de metrô José Pinheiro estava do outro lado da rua, adiante dos carros velozes e barulhentos. Precisávamos ir o mais rápido possível.

O bonequinho ficou verde.

Avançamos pela faixa de pedestres por meio da multidão, até eu perceber que dois homens nos seguiam. Claramente nos seguiam, ou pelo menos meu instinto dizia isso.

Apressei os passos. Natsuno olhou para trás o mais discreto possível e sussurrou:

— Vampiros atrás de nós.

Descemos as escadas rolantes da estação quase correndo. Passamos nossos Bilhetes Únicos nas catracas e descemos mais dois lances de escada. A enorme plataforma de piso cinza, felizmente, não estava tão cheia. Caminhamos até a beira dela, meu coração acelerando aos poucos.

No momento em que senti meu corpo se arrepiando, olhei para trás; e me deparei com dois seguranças do shopping se aproximando. Eram corpulentos e de feição séria. Um deles era moreno e o outro era asiático. O moreno tinha cabelos espetados e o asiático tinha a cabeça raspada. Ambos me encaravam, mostrando olhos escarlates que poderiam fazer qualquer um ficar paralisado, isso sem mencionar os dentes afiados.

Eles se aproximavam bem devagar, talvez com receio das pessoas ao redor. Presumi que não teriam coragem de nos atacar em público.

— Devolvam! — disse o asiático careca, soando tão ameaçador que pensei que seria atacado pelos seus olhos, ao invés de suas garras escondidas.

Riku virou-se com sua Takohyusei prateada em punho, sorrindo e o encarando nos olhos. 

— Então venham pegar!

Naquele momento, eu soube que haveria briga na plataforma.

Suspirei.

Os vampiros sorriram confiantes com suas unhas se esticando ao ponto de se tornarem garras mortais. O asiático atacou Riku, que não teve muito trabalho em se desviar. Este aproveitou o momento e atacou a criatura com uma rasteira. Em seguida, cravou a lâmina de sua espada no peito do indivíduo, que gemeu de dor enquanto virava areia.

Enquanto a Takohyusei prateada voltava a ser anel, o outro rosnou e apareceram mais homens estranhos na plataforma — homens que já estavam ali antes mesmo de chegarmos, exibindo seus olhos cor-de-sangue e dentes caninos. Pareciam estar nos esperando. Faziam parte das pessoas comuns da plataforma.

As pessoas que estavam por perto ficaram imóveis, todas apavoradas. Algumas se esconderam; outras saíram correndo. Logo desceriam os seguranças da estação, o que poderia ser um problema.

— Não podíamos ser atacados em outro lugar? — murmurei, preocupado.

Havia pais com seus filhos por perto, além de um casal de idosos. Felizmente, não pareciam ansiosos para assistir à batalha sangrenta que se iniciaria em poucos instantes. Todos se esconderam atrás de colunas, ou então atrás das escadas rolantes. A nossa sorte era que, aos domingos, os intervalos entre um trem e outro eram maiores. O nosso azar era praticamente a mesma coisa.

— Argh! — gritei, após ser atingido no estômago por um punho.

O vampiro moreno estava à minha frente me encarando com maldade nos olhos ferozes. E quando fez menção de me cortar com suas garras, eu o derrubei com um chute, utilizando o solado do meu sapato para acertá-lo em cheio na cara. O vampiro deu uma cambalhota para trás e se levantou, rosnando. Minha barriga doía, mas ainda assim avancei.

— Punho de Fogo!

O ataquei no estômago com a mão direita aquecida e brilhando em tons de laranja. O soco foi tão forte que o vampiro cuspiu sangue e ficou imóvel no chão. Só deu tempo de eu sacar a minha Takohyusei até outro vampiro me atacar. Desviei a tempo e logo percebi que estávamos cercados.

Era Natsuno, Riku e eu contra uma dúzia de vampiros, pela minha rápida contagem. Nenhum aparentava ser dos evoluídos. Decidi então "guardar" a minha espada, pois seria difícil usá-la naquela batalha já que eu protegia a bomba com o braço esquerdo.

— Finalmente teremos ação — disse Riku, cuja voz agressiva se destacava perante seu rosto sereno.

— Isso é má sorte, considerando as circunstâncias — disse Natsuno.

Nada do trem chegar.

— Não importa — falei, encarando os grandalhões que nos circundavam. — Precisamos derrotá-los se quisermos concluir a nossa missão.

Eu sabia que aquela noite não seria comum. Muito pelo contrário, seria uma longa noite já que, pela primeira vez, iríamos combater vampiros em público.

Só não era possível saber se isso era bom ou ruim.



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