Bestas do Rosário Brasileira

Autor(a): Ikiru997


Volume II

Um Pequeno Confronto no Dia 2 da Golden Week

Às 8:45, na casa de Harry Akashitsuji…

— Cuidado! — uma voz falou com a vampira prestes a abrir a porta, fazendo-a se afastar instintivamente pelo susto. 

“Alguém…”, pensou enquanto arregalava os olhos “…falou comigo?!”, e por mais que estranhasse aquilo, a aberrante não conseguia, genuinamente, desconfiar da voz; que falava em um tom tão angustiado e, ainda assim, tão gentil com ela. Era como se aquele som pertencesse à um amigo muito querido que se perdeu entre o tempo e memórias mais urgentes.

— Quem é você? — a vampira vocalizou sua dúvida, mas não obteve resposta. — Vamos, diga, quem é você e o que quer comigo?!

Logo em seguida, a porta da frente tem a sua maçaneta atravessada pelo que parecia ser a lâmina de uma katana que logo moveu-se para baixo e arrebentou a estrutura do mecanismo.

— Tsk! — grunhiu a aberrante, que deu um chute na porta escancarada e semiaberta, a arremessando.

— Cuidado! — falou a mesma voz com José, que arrombava a porta com sua espada momentos antes dela se propulsionar contra ele devido ao chute; a lontra desviou dando um leve sorriso e falando:

— Hehe, sabia que ia te encontrar por aqui, Marcelo!

Enquanto isso, o rapaz permanecia ali, a poucos metros de distância da cena; presente, porém invisível, para os dois. A sua expressão era majoritariamente neutra, mas o seu olhar caído entregava a sua exaustão. 

— Por favor, não morram. — sussurrou cabisbaixo, dessa vez a sua voz não chegou até eles, que já entraram em confronto assim que se entreolharam. A névoa que cobre o mundo sob a ótica dos aberrantes começava a se espalhar, transformando aquele bairro em um campo de batalha abstrato e, em paradoxo com a manhã, escuro.

— Eu já não sou mais uma vampira, a organização não precisa de mim. — Rosa falou calmamente e José respondeu com uma investida para estocar a katana na garganta da aberrante, que logo desviou.

— Não tem como, simplesmente, curar-se disso; — falou a lontra enquanto colocava a espada de volta na bainha — você já manchou sua alma ao aceitar tornar-se essa coisa.

— Era isso ou morrer.

— Poderia ter escolhido morrer como uma humana! — gritou José, que sentiu a garganta fechando ao lembrar de Marcelo.

— Que tipo de imbecil você acha que eu sou?! 

— Se acha que abrir mão da sua vida para salvar os outros é uma imbecilidade, realmente não deve haver humanidade alguma em você. — a lontra falou com o focinho e testa extremamente enrugados devido à contração da musculatura de seu rosto em resposta ao ódio que sentia naquele momento.

Rosa, de início, nada falou. Ela apenas estendeu sua mão na direção de José, que assumiu uma posição de battoujutsu com a katana embainhada — algo que logo mostrou-se inútil diante da especialização da aberrante —; em um piscar de olhos, a vampira avançou na direção do mustelídeo, que prevendo um ataque direto, pretendia desferir um corte lateral limpo ao desembainhar a espada de uma vez. Porém, o movimento não ocorreu.

“Mas hein?”, foi tudo o que a lontra pôde pensar até perceber algo estranho na fraca sombra que seu corpo projetava naquele cenário escurecido: a silhueta de um braço agarrando o seu.

— Você devia ter ficado calado, ao invés de tentar me ferir com sermões vazios. — Rosa falou, momentos antes de morder o pescoço de José. — Agora você está condenado a manchar a sua alma também; me procure depois, se decidir não se matar.

 

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