Volume 2
Capitulo 21: Das cinzas, nasceu o ódio
Aella, após um dia inteiro completamente desacordada, finalmente despertava aos poucos.
Ao abrir um pouco os olhos, a luz intensa do sol que entrava pelas janelas fazia-os queimarem levemente.
Ela se viu sentada em um sofá, tentou se mover, porém não conseguiu, seus movimentos estavam sendo segurados por algo. Olhando para seu corpo, viu algumas correntes roxas a segurando, rapidamente reconhecendo que eram correntes de puro Etheryn.
— É sério isso? — murmurou ela, tentando se forçar a se soltar. — Isso tá bloqueando até meu Etheryn!?
Ela escutou passos se aproximando. Em seguida, uma voz que já havia escutado antes, mas não lembrava exatamente onde.
— Finalmente acordou, dormiu bem?
Ela olhou para quem havia falado. Era Green, que havia parado em frente a ela.
— Foi você que interferiu na minha batalha, desgraçado… Eu ia acabar com aquele cara.
— Bom, foi mal, mas vocês tavam passando dos limites, fizeram um belo estrago naquela área.
— O que você esperava?
— Talvez menos destruição?
— Não importa! Agora me solte, Aeternis!
— Olha, eu até gostaria de te soltar, mas não posso. Nós dois sabemos o que você vai tentar fazer se eu te soltar e, bom… — suspirou Green — Não quero que esse lugar seja destruído.
— Então o que pretende fazer comigo? Por que simplesmente não acaba com isso?
— Não é preciso e eu não quero. Enquanto eu garantia que seu Kor estava estável, notei algumas coisas e quero te fazer algumas perguntas, se não se importar. Depois disso, pode ir embora, mas, claro, se tentar qualquer coisa, não vai acabar bem pra você.
Aella apenas respirou fundo e encarou com firmeza Green.
— E quem você pensa que é pra me ameaçar? Só porque parou aquele ataque, não se ache tanto.
— Não estou te ameaçando por me achar, é apenas pra mantê-los seguros. E olha, eu de preferência não quero mais uma inimiga. Agora alguém da minha espécie sabe onde a gente tá, além de que, por conta disso, vou ter que enfrentar aquele tal de Luke.
— Aquele merda arrogante… Eu juro que vou matar ele, não vai sair ileso por ter destruído minha casa.
— Enfim, tanto faz, vai cooperar ou não?
— Certo, mas depois disso você vai me soltar e eu vou embora, entendido?
— Claro! — afirmou Green, com um leve sorriso em seu rosto.
— Pergunte: o que quer saber?
— Primeiro, seu poder; aquilo não é normal, eu vi o que fez com aquela montanha, você detonou o espaço-tempo daquele lugar. Qual é seu poder?
— Nem eu sei exatamente.
— A última vez que ouvi falar de um registro de vocês por aqui… bom, eu nem estava presente quando um apareceu.
— Fugindo. — O rosto dela, antes frio, vacilou por um instante, dando lugar a uma breve feição triste. Ainda assim, foi o suficiente para Green notar.
— Ok… Segundo, vocês normalmente não são tão humanoides. O que exatamente você é? Até onde sei, alguns casos raros conseguem ser assim ou os Nihility.
— Não alcancei o nível de um Nihility ainda.
— Então? Você é um caso raro?
— Olha, se quer tanto saber assim, é mais fácil eu te contar a minha história, o que acha?
— Sério? Não esperava que você iria propor algo assim.
— Acho que é o jeito de eu poder ir embora mais rápido.
— Realmente, mas espera aí antes de contar.
Green foi até a cozinha, pegou uma cadeira e voltou até a sala, posicionando a cadeira em frente a Aella, sentando-se em frente a ela.
— Agora sim, pode começar — disse Green, com sua voz expressando bem sua curiosidade em descobrir o porquê de um Nulificador estar na Terra.
— Certo… Acho que isso foi há 1500 anos, por aí…
Aella respirou fundo.
— Quando eu ainda era uma criança.
Num pequeno vilarejo no Japão, uma simples garota vivia com sua família. Naquele tempo, tudo era bem diferente, até mesmo o conhecimento sobre o Kor e suas habilidades. Alguns humanos tinham conhecimento disso, bem mais do que nos dias de hoje.
No vilarejo dessa garota, todos tinham o conhecimento sobre o Kor e o Etheryn, mesmo que chamassem por outro nome. Ao completar 15 anos, era feito um ritual para liberarem o Kor e assim poderem ajudar o vilarejo a prosperar.
Em um certo dia, finalmente aquela garota havia completado 15 anos. Seu nome era Aella. Acompanhada de seus pais, foi até o local onde ela teria seu Kor liberto para ajudar aquela pequena vila a prosperar ainda mais.
Após alguns minutos de caminhada, eles chegaram ao local, em frente a um lago com uma cachoeira, no meio de uma bela floresta esverdeada. Era manhã, a brisa que os cercava deixava um clima calmo no ambiente.
Era simples o que deveria acontecer: o líder da vila apenas iria encostar em sua cabeça, passar um pouco de sua energia a ela, enquanto ela apenas deveria deixar seu poder fluir e reagir com as águas.
— Está pronta, pequena Aella? — perguntou o líder Fujiwara.
— Sim! Irei dar o meu melhor!
— Venha, fique em minha frente.
E assim ela fez, indo até a frente de Fujiwara, que estava em frente ao lago.
— Iremos começar, feche seus olhos.
Aella obedeceu, fechou seus olhos, então sentiu a mão de Fujiwara sobre sua cabeça. Após poucos segundos, ela começou a sentir uma sensação estranha percorrer seu corpo, aquilo fluía como a própria água. Aquilo que ela sentia começou a gelar seu corpo e Aella foi se sentindo nervosa.
Até que ela sentiu algo estourar dentro de si, abrindo os olhos na mesma hora, mas nada havia acontecido.
— Está finalizado, faça algo agora, pequena — disse Fujiwara.
Ela esticou seus braços na direção da água, ficou ali por alguns segundos, porém nada ocorreu.
— Não foi… fiz algo errado?
— Não se preocupe, não é fácil. Você consegue sentir a energia fluindo pelo seu corpo?
Aella pensou um pouco, mas notou que não, ela sentiu apenas por um momento, porém aquilo havia desaparecido.
— Eu não sinto nada, senhor Fujiwara.
— Bom… é raro, mas às vezes isso pode demorar um ou dois dias. O que acha de ir para sua casa e tentar de novo amanhã?
— Ah… Tudo bem…
— Vamos pra casa, Aella? — disse Akemi, mãe de Aella.
Ela não respondeu, apenas foi na direção dela. Ao chegar, deu a mão à sua mãe e elas, junto de Takeo, pai de Aella, foram para casa.
Porém, durante o caminho, ela não conseguia pensar em outra coisa que não aquela sensação de que algo tinha estourado. Mas, ao chegar em casa, seguiu seu dia normalmente, fazendo suas obrigações e passando um tempo com seus pais.
Até que a noite que mudaria toda sua vida estava chegando. Aella foi dormir sem nenhum sinal de seu Kor respondendo. Pensou nisso o dia inteiro e dormiu pensando nisso.
Até que, enquanto dormia, ela acordou com um forte cheiro de queimado. Ela não entendeu o que estava acontecendo, então se levantou rapidamente e escutou gritos vindo de fora de sua casa.
Mesmo sonolenta, Aella saiu de seu quarto; então, ainda no corredor, chamou:
— Pai? Mãe?
Sem resposta, então ela continuou e os gritos aumentaram ainda mais, até que ela notou que a porta de sua casa estava aberta. O vento gelado bateu em seu rosto, despertando-a de uma vez.
Então sua ficha caiu: sangue se arrastava até o lado de fora de sua casa, e chamas cobriam a casa em frente à sua. Aella ficou ofegante, suando frio, mas, antes de qualquer coisa, correu para fora de casa.
— Não! Não! Não! Cadê eles… Mãe, pai… — murmurou Aella, enquanto corria.
Passando por diversas casas em chamas, corpos e sangue, todo aquele cheiro começou a incomodar, mas ela não podia parar, pois seu desespero para encontrar sua família era maior do que qualquer coisa que aparecesse em sua frente.
Então, ela parou. Quando viu seus pais caídos, perto do centro da vila, na frente deles, um homem alto com cabelos vermelhos, vestes brancas e uma lança.
Além dos pais da garota e dos moradores da vila, havia inúmeros corpos de pessoas estranhas que Aella nunca tinha visto, com roupas brancas e negras.
Ao presenciar aquela cena, suas forças sumiram, a pequena Aella caiu de joelhos, chorando desesperadamente, finalmente caindo a ficha de tudo que estava acontecendo, o forte cheiro de sangue e das chamas invadindo seu nariz, fazendo-a vomitar.
Porém, aquele homem notou sua presença, virando-se e caminhando até ela. Aella notou, porém não tinha forças para fazer nada. Então, ao se aproximar, o homem preparou sua lança; a única reação da pequena garota foi fechar seus olhos.
Então um barulho de algo sendo perfurado soou, mas Aella não sentiu nada e manteve seus olhos fechados por alguns segundos.
Mas, ainda assim, nada, até que uma voz grave e firme disse a ela:
— Abra seus olhos, garota!
Então, assim Aella fez, vendo o homem repleto de sangue, que a encarava; seus olhos pareciam penetrar sua alma. Mas ela não conseguiu conter o que sentia, então, sem pensar, ela disse:
— Por que…? Por que… você… você os matou? Seu monstro! — disse Aella, ainda soluçando.
— Eu não os matei.
— Mentiroso! Se não foi você, então quem foi? Quem… matou o papai e a mamãe…?
— Foram esses seres — disse o homem, apontando para os corpos dos outros com vestimentas negras. — Eles fizeram isso, pois são monstros, sem nenhum sentimento.
Ela não o respondeu. Olhando friamente para a garota, ele continuou:
— Eu notei seu potencial, eles também, eles queriam te sequestrar e te usar. Não podia permitir, mas não cheguei a tempo para proteger seus pais, sinto muito.
— O que eu… o que eu faço agora…? Eu não tenho mais nada. Esses malditos… eles tiraram tudo de mim… Eu odeio eles!
— Olhe para mim, garota — disse o homem, esticando sua mão para ela. — Junte-se a mim. Eu lhe darei a força necessária para acabar com aqueles que destruíram sua vida. Então venha comigo!
Aella travou por alguns segundos, porém, vendo o corpo de seus pais, tudo que passou em sua mente foi acabar com aqueles que tiraram tudo dela. Sem dizer mais uma única palavra, ela pegou na mão daquele homem, que a ajudou a levantar.
— Fez a escolha certa, garota.
— O que vamos fazer agora?
— Irei te levar para minha terra, lá te transformarei em uma da minha raça.
— Aí eu vou poder acabar com eles?
— Sim.
— Certo… mas qual seu nome, moço?
— Akuji.
— Tudo bem, Akuji, meu nome é Aella! Vamos logo com isso? — disse Aella, enquanto lágrimas ainda escorriam pelo rosto.
— Vamos… Aella.
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