Ascensão Estelar Brasileira

Autor(a): Lótus


Volume 1

Capitulo 19: Ruptura

O sangue ao redor dela vibrava cada vez mais forte.

Não era apenas energia. Era domínio. Mirror permanecia no centro dele, ereta, a respiração controlada, enquanto o sangue espalhado pelo ambiente inteiro respondia à sua presença. 

Seth conseguia sentir aquilo pressionando o ar, alterando a densidade ao redor, tornando cada inspiração ligeiramente mais difícil. O ambiente havia deixado de ser neutro. Ele agora estava dentro do território dela.

Seu corpo ainda doía do impacto anterior. As costelas reclamavam a cada respiração mais profunda, seu braço esquerdo estava parcialmente dormente e o gosto metálico de sangue permanecia na boca. 

Mesmo assim, o Kor dentro dele estava estável, estranhamente estável, liberando Etheryn de maneira constante, quase disciplinada. Era como se sua energia estivesse pronta para continuar, enquanto seu corpo gritava para parar.

Mirror inclinou levemente a cabeça, observando-o com atenção analítica.

Não houve explosão, nem anúncio. Apenas movimento.

O ar diante de Seth foi comprimido violentamente. O instinto reagiu antes da visão, ele girou o corpo, deixando o vento escorrer pela lateral do corpo e aliviar parte da pressão. O punho de Mirror passou raspando por suas costelas, ainda assim o impacto indireto foi suficiente para fazê-lo perder o equilíbrio por meio passo.

Ela já estava girando quando o chute veio, baixo, mirando seus joelhos.

O chão sob seus pés se ergueu e endureceu no último segundo, compactando-se ao redor de sua perna. O golpe rachou a pedra, a força atravessando a defesa improvisada, o fazendo cair, logo em seguida dando um soco em seu rosto enquanto caía, lançando Seth alguns metros para o lado. Ele rolou antes de cair completamente, usando a própria rotação para dissipar parte da energia do impacto.

Mirror não o perseguiu imediatamente, apenas o observou.

O sangue espalhado nas rachaduras do solo vibrou simultaneamente, e Seth sentiu a mudança antes de entender. O ambiente ao redor começou a responder a ela de maneira mais agressiva. Filetes vermelhos infiltrados na terra se expandiram como raízes vivas, rasgando o solo e erguendo-se em estacas irregulares.

Dessa vez ele não ergueu muralha, não criou barreiras.

O chão simplesmente afundou sob seus pés e subiu, o lançando para cima num impulso abrupto.

No ar, o vento o envolveu automaticamente, reduzindo a queda e ajustando seu ângulo. Ele girou, tentando encontrar a posição de aterrissagem, mas Mirror já estava ali.

O cotovelo dela atingiu seu abdômen com precisão, o mundo apagou por uma fração de segundo.

Então, em um instante, um segundo golpe veio nas costas, empurrando-o para baixo. Ele caiu, mas antes que atingisse o chão, a terra se elevou instintivamente para amortecer o impacto. Ainda assim, o choque reverberou por seus ossos.

Ele cuspiu sangue. Tentou levantar, mas as pernas tremiam.

— Seu corpo já passou do limite físico faz tempo — comentou Mirror enquanto caminhava em sua direção, cada passo fazendo o sangue ao redor reagir em ondas suaves. — Seu Kor ainda tem muito Etheryn, mas você ainda não aguenta muito.

Seth respirou fundo, ignorando a queimação nos pulmões. Ele avançou mesmo assim.

Não foi rápido, não foi elegante, mas foi direto.

Ele surgiu rapidamente na frente dela e desferiu um soco em direção a seu rosto, que apenas com uma mão bloqueou. Em um piscar de olhos, Seth se soltou, pulou e desferiu um chute na direção dela, que colocou o braço na frente para se defender.

Então seu terceiro golpe, veio de cima, ainda no ar tentou desferir um soco na parte de cima da cabeça dela, porém, fazendo uma asa surgir rapidamente, bloqueou o golpe. 

A cada movimento, o ambiente reagia junto com ele de forma quase orgânica. O vento empurrava levemente seus ombros, ajustando ângulos. A umidade sob os pés de Mirror alterava o atrito. Pequenas elevações no solo surgiam milimetricamente no momento exato para estabilizar seu eixo.

Ele não estava comandando aquilo conscientemente, apenas estava sincronizado, Mirror notou isso rapidamente.

O sangue de sua asa explodiu para cima, não em uma lâmina isolada, mas em dezenas delas, formando uma cúpula descendente que fechava todos os ângulos de fuga.

Sem dar qualquer chance para Seth revidar, ele viu a morte naquele momento.

Naquele momento não tentou escolher algum elemento específico, não tentou construir defesa específica. Apenas se concentrou em sobreviver e revidar, seu Kor respondeu com força total.

O ar ao redor de Seth mudou, algumas lâminas que foram em sua direção, ao chegar perto dele, derreteram ou mudaram de direção. Algumas passaram a centímetros do seu rosto. Outras cortaram seu braço e sua perna de raspão, abrindo feridas superficiais que arderam imediatamente.

Mas saiu sem nenhum ferimento grave.

Em resposta, ao cair no chão em frente a ela, seu punho atingiu o abdômen de Mirror com tudo que ainda restava.

O impacto ecoou pelo ambiente inteiro, comprimindo o ar numa onda curta. Ela foi empurrada vários metros para trás, desfazendo sua asa. Mas conseguiu se estabilizar enquanto sua asa se formou novamente.

Por um segundo, o sangue que era gerado no ambiente falhou, a pressão diminuiu.

Seth deu um passo em direção a ela, mas o mundo começou a inclinar, o som ficou distante, ele já havia chegado em seu limite a muito tempo.

Ele sentia a energia fluindo perfeitamente, mas seus músculos não respondiam com a mesma eficiência. Sua visão começou a escurecer nas bordas.

Mirror que estava distante, em um piscar de olhos, surgiu em sua frente, sem agressividade, apenas calma.

— Chega.

Dois dedos tocaram o centro de seu peito, usando seu Etheryn, fez os músculos de Seth todos relaxarem de uma vez.

A liberação de Etheryn parou, seu Kor oscilou, o resto da energia dispersou como vapor sendo dissipado pelo vento.

As pernas de Seth falharam, ele tentou manter os olhos abertos, encarando o céu artificial daquele universo de bolso, as duas luas fixas acima dele. Tentou puxar ar. Tentou forçar o corpo a obedecer.

Mas o cansaço acumulado, de micro lesões, de adaptação constante finalmente cobrou o preço. Ele caiu de joelhos, depois de lado, inconsciente.

O sangue que se espalhava no ambiente aos poucos parou. A chuva vermelha cessou, voltando a ser apenas umidade comum. O ambiente lentamente retornou à neutralidade.

Mirror ficou parada por alguns segundos, observando o corpo imóvel à sua frente.

O sangue retornou para dentro dela em fios suaves, cicatrizando os próprios cortes, recolhendo cada fragmento espalhado pelo solo. Sua respiração permaneceu estável, mas seu olhar estava diferente, menos provocativo, mais avaliativo.

Ela se aproximou e ajoelhou-se ao lado dele.

Colocou dois dedos sobre sua testa, sentindo o fluxo do Kor ainda ativo, embora extremamente exausto.

— Você não é fraco — murmurou. — Mas ainda não consegue sustentar o que faz.

Ela permaneceu ali por alguns instantes em silêncio, analisando.

O treinamento havia atingido o ponto exato que ela queria: ele já não dependia do pensamento para reagir, mas ainda pagava caro demais por isso fisicamente. Seu instinto estava desperto. Seu corpo ainda não estava pronto para acompanhá-lo.

— Espero que você realmente consiga me ajudar… Eu não quero te deixar.

Ela tocou o peito dele mais uma vez, dessa vez suavemente, estabilizando o fluxo interno para evitar danos permanentes, mas também notou que mesmo desacordado, o Etheryn de Seth não parava.

Faltava pouco tempo para eles serem mandados para fora do universo de bolso, o lugar estava calmo, assim como quando eles entraram.

Porém isso não durou muito, Mirror sentiu o clima pesar, junto de uma energia estranha vindo de Seth, era uma quantidade muito maior e pesada.

— Seth? Tá acordado? E por que cê tá liberando Etheryn?

Ela observou ele por uns instantes, mas não teve resposta, mas por um momento viu seu dedo se movendo. Então se levantou e começou a se afastar.

— Isso não tem graça!

Enquanto se afastava, ela viu os olhos de Seth se abrindo, mas rapidamente ela notou algo diferente, seus olhos estavam completamente negros, com apenas uma pequena pupila ciano, junto de uma mecha também ciano que surgiu em seu cabelo.

— Isso é…? Não… impossível…

— Eu acho que vou discordar de você Mirror, isso tem muita graça! — afirmou Seth, mas sua voz estava diferente, distorcida, era como se tivessem várias outras vozes falando ao mesmo tempo.

— Isso não é ele… O que é isso?  — sussurrou Mirror.

Seth se levantou devagar, sua postura estava diferente, estava mais relaxado, mas ao mesmo tempo agressivo. Ele olhou para Mirror, ela sentiu um frio percorrer sua espinha.

Então em um instante, ele apareceu na frente dela, ela nem mesmo notou ele se movimentando, ele apenas surgiu na frente dela.

"Quando ele chegou? Isso é realmente um Kor-Ascen? Não, parece outra coisa, parece um…"

Porém antes que pudesse terminar seus pensamentos, sentiu um forte impacto no abdômen, Seth desferiu um golpe extremamente forte, mais forte do que qualquer um que ele já havia dado.

Mirror foi jogada para longe, sangue começou a escorrer de sua boca. Mas antes que conseguisse reagir ou estabilizar, ele apareceu novamente em sua frente, dando um soco em seu queixo, a jogando para cima, na altura do topo da montanha que estavam quando entraram.

Ela sentiu sua consciência se esvair por alguns segundos, mas se recompôs.

Quando conseguiu pensar em reagir, era tarde, Seth já estava de seu lado, desferindo um chute que a jogou com tudo contra o chão, mas na direção da montanha.

O impacto foi tão forte que abriu uma cratera, Mirror não estava conseguindo reagir a aqueles movimentos.

— Que merda é essa? — disse Mirror, enquanto se levantava — Não consigo nem acompanhar ele…!

Então, ela sentiu uma enorme quantidade de Etheryn se acumulando acima dela. Quando olhou para onde vinha, viu ele, preparando uma enorme esfera, mas essa era diferente, era uma esfera totalmente negra, que parecia até um buraco negro.

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