A Voz das Estrelas Brasileira

Autor(a): Thalles Roberto


Volume 1 – Arco 1

Capítulo 3: Aquele que Voa – A Seleção ③

Ainda confuso pela assustadora sequência de acontecimentos, Norman aceitou a mão estendida da garota. Os dois saíram do prédio onde o caos teve seu início, passaram pelo pátio no qual tinham se encontrado pela primeira vez horas atrás e adentraram o bloco vizinho.

Enquanto o jovem machucado sentia os batimentos cardíacos próximos de explodirem o peito, a companhia avançava com certa tranquilidade. Mesmo sendo perseguidos por um maníaco, não demonstrava aflição no semblante.

Ele não fazia ideia sobre por onde começar as perguntas. A falta de habilidade em dialogar unida ao extremo nervosismo o impedia de questionar qualquer assunto com base na lógica. Em silêncio, seguiu o caminhar plácido da garota até chegarem no elevador.

— Qual... seu nome? – ele perguntou em um murmúrio.

A ação foi tão repentina que, pela primeira vez, ela ergueu as sobrancelhas em surpresa. Apertou o botão do elevador e, antes de respondê-lo, soltou uma fraca risada.

— Então essa é sua primeira pergunta? – Ela repetiu o gesto com os fios laterais do cabelo, os colocando acima da orelha. – Me chamo Layla. Você deve ser o Norman, certo?

“Até meu nome ela sabe”, pensou acuado conforme as portas do transporte se abriam, pronto para os receber no andar inicial.

A garota de nome Layla entrou primeiro. Apesar da hesitação em acompanhá-la, o garoto não se enxergava numa posição onde boas escolhas além daquela existiam.

Depois de dizer todas aquelas frases enigmáticas no primeiro encontro, agora prometeu que o ajudaria a escapar do perigo...

Martelando as incongruências na cabeça, ele buscou coragem a fim de adentrar o elevador. Ao se juntar a ela, recebeu um gesto positivo de cabeça em agradecimento. A própria apertou o botão que indicava o terraço.

As portas se fecharam logo na sequência, um suave som procedido por um leve solavanco indicou que a máquina iniciou a subida. Sozinhos no espaço claustrofóbico, buscaram se encarar.

Perante o silêncio, o rapaz abriu a boca:

— O que está acontecendo? Quem é aquele cara?... – Executou uma breve pausa antes de concluir. – Quem é você?

Após enfim adquirir firmeza no intuito de enunciar as três indagações mais importantes, experimentou um calafrio estranho arrepiar seu corpo. Não sabia se era efeito da adrenalina, o fato de ter conseguido falar com uma desconhecida ou então aqueles olhos azuis que pareciam penetrar sua alma.

Layla não deixou de fitá-lo nem por um segundo, parecia analisar todas as suas características somente pelo semblante inseguro. Enquanto o indicador dos andares seguia subindo, se aproximou dele com dois simples passos.

O ar místico que parecia irradiar de sua presença o envolveu por completo. No espaço estreito, encontravam-se muito próximos. Por conta da pequena diferença de altura, a jovem esticou um pouco as pernas na tentativa de igualar a posição dos rostos, rentes um ao outro.

Levou a mão enfaixada até a testa do acompanhante e tocou o local onde ele sentia as dores desde cedo. Uma sensação arrepiante lhe percorreu a espinha, não moveu um músculo durante o contato.

De certa maneira, trazia-lhe um toque de familiaridade.

— Como eu imaginei... você é o Marcado de Altair – ela murmurou.

— Marcado?... – Ele arregalou os olhos sem entender nada.

— Você foi escolhido pelas estrelas. Assim como eu.

Quando ela retirou os dedos de sua testa, Norman pôde retomar a respiração branda, a sensação congelante começava a diminuir. Permaneceu sem palavras até o elevador alcançar o andar selecionado. Nenhuma das três indagações foi respondida e novas acabavam de surgir.

As portas se abriram trazendo a brisa fria da madrugada para dentro do transporte. Ainda inseguro, experimentou o cabelo menear com a repentina ação do vento e foi tomado pela friagem rapidamente.

— Venha. Iremos derrotá-lo daqui.

A alva foi a primeira a sair do elevador. Com um tom de voz confiante, caminhou despreocupada pelo terraço vazio, onde apenas vigas metálicas nas laterais faziam presença.

O rapaz a acompanhou sem retirar os dedos da própria testa. Não sentia nada de diferente ali, portanto tinha dúvidas sobre a decisão da garota em escolher aquele exato lugar para delegar seu toque. Além do mais, também não compreendia a seleção da área hospitalar...

— Acho que temos algum tempo... sobre suas três perguntas, irei respondê-las de forma resumida. Primeiro, “o que está acontecendo?”. – Se virou a ele e ergueu o indicador. – Você é um dos Marcados escolhidos para a Seleção Estelar.

— Seleção... Estelar?

— Trata-se de um evento entre diferentes escolhidos pelo Rei Celestial para que tomem seu trono após sua breve retirada. Basicamente, uma batalha de todos contra todos em busca do título de Rei.

“Mas... que merda!?”, ele não sabia se ria daquela resposta ou se entrava em pânico de vez.

Tudo aparentava ser muito fantasioso, mas a expressão da jovem nívea não indicava algum traço de mentira em suas palavras. Para piorar restavam certas evidências a favor da explicação, como o brilho irradiado da testa e os tremores misteriosos durante a perseguição.

Logo, ela ergueu o dedo médio e prosseguiu:

— Segundo, “quem é aquele cara?”. Ele é outro escolhido para a seleção, ou seja, um marcado. Todos possuem um símbolo referente a constelação da estrela na qual lhe foi entregue o Fardo. Ao utilizarem suas habilidades, essas irradiam um brilho forte...

Quando a segunda explicação ganhou o complementou, ele lembrou do momento em que quase foi esfaqueado pelo indivíduo mascarado. O chutou na barriga, conseguiu se levantar para correr e, à medida que se encontrava prestes a atravessar o corredor...

“A mão dele...”, um brilho intenso emanou pelo dorso de sua mão, após retirar a luva com os dentes. Agravando todo o encaixe das peças, assim que tocou o solo... a poderosa vibração ocorreu.

Tão logo a possibilidade de rir daquelas respostas foi descartada, só foi capaz de engolir em seco. A ficha custava a cair, porém não dispunha de nada além de frases óbvias para a retrucar. Desejava rejeitar tudo ao alcance dos olhos, queria que tudo fosse apenas um sonho. Seria a melhor sensação do mundo despertar de novo na cama do hospital... ou melhor, na cama de sua casa.

Mas a realidade o puxou de volta quando a alva estava próxima de erguer o anelar. Antecipando a ação da companheira, o som do elevador tocou e as portas se abriram. Norman virou o rosto lentamente, o corpo inteiro parecia tremer de frio.

Contudo, não era frio.

Era medo.

O indivíduo mascarado surgiu detrás das portas automáticas e avançou os primeiros passos sobre o terraço.

A resposta para a terceira pergunta foi embora junta ao vento.

— Chegou a hora. Esta será nossa primeira batalha, Norman.

O garoto sequer pôde escutar as palavras de Layla, tamanha a aflição que lhe invadia. Conforme o perseguidor prosseguia a passos lentos, o escopo recuava aos poucos. Foi assim até notar a ausência de espaço para continuar.

Daquele momento em diante, somente duas opções viáveis surgiram: ou permanecia ali e enfrentava o perigo ou cairia de uma altura colossal rumo a morte. Qual delas escolhesse, sua vida estaria em risco.

O adversário portava uma faca e parecia ter algum tipo de poder bizarro que causava tremores a seu bel-prazer. Comparado a isso, ele não tinha nada...

Foi ao pensar nesse infortúnio que um flash muito veloz correu por sua cabeça. Toda a tremedeira cessou, substituída pela completa paralisia. Os olhos verdes pareciam ter perdido a luz durante esses ínfimos segundos; novamente a sensação de tempo congelado o assolou.

Um formigamento induziu o deslocamento de seu braço direito, que levantou até conseguir enxergar a palma cheia de cicatrizes defronte o rosto. De alguma maneira, sentia uma energia invisível a rodear... possuía certa semelhança com a aura mística exalada pela jovem ao lado, mas era diferente.

Era quente.

Todo o singelo átimo foi interrompido quando o adversário se agachou e levou a mão sem luva a tocar o solo. O brilho branco-amarelado surgiu no dorso do membro, a exemplo da ocasião anterior. Na sequência, um terremoto poderoso chacoalhou o edifício.

Tal ocorrência pegou o alvo de surpresa. Ele se enxergou próximo da queda no abismo mortal, portanto agachou as pernas em busca de manter-se a salvo. Assim que o abalo findou, o mascarado avançou contra a menina no objetivo de acertá-la com a faca.

Carregado por um impulso desconhecido, Norman moveu o corpo para defendê-la. Teve sucesso em impedir o empalamento ao usar a tala do braço esquerdo em movimento defensivo. No entanto o impacto gerado pelo choque entre os dois trouxe suas costas a empurrá-la.

A noção repentina lhe despertou um arrepio indescritível. Virou o rosto por cima do ombro e apenas pôde enxergar o corpo da companheira ser levado pela gravidade.

Por um segundo, tudo se tornou monocromático.

“Então... vai acabar assim?”, a pergunta atípica preencheu sua mente. Ele jogou o adversário para trás e virou-se por completo na tentativa de segurar o braço de Layla. Estava muito distante. Não a alcançou. “Por quê? Porque eu...?”

As memórias borradas, responsáveis pela emissão de ruídos de estática, retornaram em um turbilhão. Ao passo que a enxergava cair rumo a morte, as vistas esgazeadas perto de despejarem rios de lágrimas guardadas há dias, aqueles fragmentos esbranquiçados começaram a ganhar vida.

“Eu não...”, naquele breve impulso, a pintura do momento que precedeu o desmaio na floresta há três dias se livrou das correntes. “Não irei... me arrepender de novo!”

Liberte-se.

Mais uma vez a voz estranha ecoou pelas paredes da cabeça dolorida. A exemplo da imagem recém-despertada nas memórias trancafiadas, experimentou uma energia calorosa coordenar os próprios movimentos.

O brilho alvo voltou a irradiar de sua testa, a visão marejada retornou àquele instante e devolveu as cores ao cenário. A primeira cena que contemplou foi a da garota nívea paralisada no ar. Uma aura tão alabastrina quanto o cabelo dela parecia lhe rodear enquanto flutuava despreocupada.

— Confesso que... isso é mais desconfortável do que eu imaginei que seria.

As palavras serenas, despreocupadas, permitiram ao garoto agir da melhor forma possível. Mesmo sem compreender o que estava acontecendo diante dos olhos oscilantes, parecia saber a forma exata de proceder.

Sem se deixar levar por espanto ou euforia, trouxe com cuidado o braço esticado na direção do próprio torso. A jovem foi puxada o suficiente para que pudesse alcançar sua mão. Os dois se seguraram e, segundos depois, ela pôde ser puxada de volta ao terraço sã e salva.

Apesar de ter conseguido resgatá-la, o confronto ainda não tinha terminado. O mascarado se recuperou do baque sofrido ao lado e tentou atingi-los com o facão. Tendo decidido não mais se arrepender, ele seguiu o coração abalado por meio de um pensamento sagaz.

Pegou na mão da menina e desviou do ataque seguinte.

Os dois correram em direção ao elevador.

— O que está fazendo? – ela indagou.

— Vamos fugir daqui!...

— Se fugir, ele voltará a lhe perseguir. Temos que matá-lo aqui e agora.

Antes que pudesse responder, uma nova agitação, tão acentuada quanto a anterior, impediu o prosseguimento da dupla. Eles caíram no chão juntos, o efeito impetuoso não os permitiria levantar de novo.

“Isso é ruim”, ela pensou com os olhos semicerrados, era a primeira vez que demonstrava algum tipo de aflição diante dos acontecimentos. Isso fez o acompanhante entender o perigo que seria deixá-lo vivo naquele hospital.

De qualquer forma, não tinha coragem para matar uma pessoa. Embora fosse ameaçado pelo adversário, tal possibilidade jamais passou pela cabeça. Tirar a vida de outrem...

— Se continuar desse jeito, todo o prédio irá desmoronar...

O comedido sussurro dela adentrou os ouvidos do rapaz como se fosse uma leve descarga elétrica.

Mesmo perante o outro risco, não conseguia se imaginar matando aquele homem. A quantidade crível de opções possíveis a fim de resolver aquela ocorrência tornava-se cada vez mais escassa.

Fale comigo... meu filho.

De novo as trancas impostas nas próprias memórias começavam a ceder. A voz familiar de uma mulher, ainda com algumas interferências estranhas, ecoou em sua mente.

Estou... bem, mãe... apenas me... deixe em paz...

Aquele diálogo retornava a si como se mil agulhas o perfurassem ao mesmo tempo. Rangeu os dentes por ter remetido a tal ocasião, mesmo que de maneira vaga e involuntária. A resposta final, responsável por fazer sua mãe virar as costas e não falar mais com ele...

Para sempre.

Não tinha como voltar. O passado não podia ser modificado. A dura realidade que mascarava o presente lhe obrigou a tomar uma decisão. Não iria mais se arrepender. Estava decidido a seguir em frente rumo a um novo destino, até então inalcançável.

A dor promoveria o crescimento. Perdas não seriam em vão.

Mas, naquela hora, tomou liberdade para ser egoísta. Renegaria qualquer outra perda em prol de completar a própria resolução. Em frente, sem olhar para trás, talvez pudesse encontrar uma luz no fim daquele túnel obscuro.

A mesma luz alva, que irradiou na altura da testa.

Diante de Layla, no intuito de protegê-la, o jovem moveu a mão direita em direção aos elementos metálicos deitados na lateral do terraço. Conforme o tremor causado pelo mascarado piorava a ponto de fazer as estruturas do prédio hospitalar rangerem, realizou um novo pedido.

“Por favor... mãe, pai... irmão... me emprestem suas forças!"

Contraindo os dedos como podia, se esforçou ao máximo em prol de repetir o feito de minutos atrás, quando salvou a parceira da queda fatal.

“Dessa vez eu... irei me libertar!”, como uma resposta à voz misteriosa que sussurrou em sua cabeça, conseguir mover os pilares com a força do pensamento.

Os pesados objetos foram lançados na direção do mascarado, sem lhe oferecer oportunidades para desviar. Ele soltou a mão do chão fazendo o abalo intenso cessar, mas já era tarde. Todas as pesadas estruturas caíram por cima dele, praticamente o soterrando sob o aço.

Após alguns segundos de silêncio, meramente entrecortado pela brisa fria da madrugada, Norman e Layla puderam recuperar o equilíbrio a fim de se aproximar das diversas vigas. Com algumas dificuldades por conta das dores no corpo, o garoto quase caiu de volta ao chão.

Ela segurou e carregou o aliado a passos curtos na direção da área bagunçada. Próximos do destino, puderam enxergar o perseguidor desmaiado abaixo de algumas das estruturas foscas; boa parte das demais tinham sido derrubadas apenas ao redor de seu corpo.

Perceberam que ainda estava vivo, apesar de bastante ferido. A respiração mostrava-se pesada, a máscara tinha sido destruída e revelava a face ensanguentada do homem com barba rala.

A única pergunta que preenchia a mente do jovem paciente agora era: o que fazer?

O deixando livre da ajuda, a nívea se agachou até tocar o dorso da mão direita do adversário, onde residia sua marca. Diferente dele, ela já parecia ter a resposta definitiva ao semicerrar os olhos e murmurar:

— Constelação da Ursa Menor... ele era o Marcado de Polaris.

Mesmo debilitado, Norman pôde enxergar a composição do símbolo. Era, de fato, a constelação indicada por ela. O asterismo mostrava o retângulo de quatro estrelas, onde mais quatro eram puxadas em uma linha levemente curvilínea. A maior e mais brilhante delas era a última dessa fila: Polaris, a Estrela Polar.

— Que você descanse com as estrelas...

Um brilho azul surgiu na altura do peito de Layla, tão intenso que era capaz de iluminar todas as vigas aglomeradas. A marca no dorso do inimigo se desfez aos poucos, sendo seguido pelo próprio.

Apesar de assustado, o rapaz experimentou certo fascínio defronte a cena. Inseguro só por pensar na hipótese de tirar a vida de alguma pessoa, pôde observar uma forma bela e indolor de fazê-lo, por mais irônico que fosse. Não sabia se seria capaz de repetir aquele processo que geralmente só contemplaria em filmes, desenhos ou quadrinhos.

Contudo permitiu-se a sentir certo alívio.

Quando contemplou a face leve da pálida à sua frente, não se conteve em exalar um fraco suspiro. Permaneceu quieto até uma dor arrepiante o atingir da cabeça aos pés, levando sua consciência ao breu de novo.

Foi tudo muito rápido. Conforme sucumbia pelo extremo cansaço, pôde observar o céu estrelado mais uma vez. Caiu no chão frio e fechou os olhos.

A insônia parecia ter sido derrotada.

 

★★★

 

Norman despertou na manhã seguinte sem sentir qualquer incômodo pelo corpo. Levantou-se da cama e enxergou o sol adentrar as janelas abertas, onde uma fraca brisa fazia as cortinas dançarem em ondulações suaves.

O corte no rosto estava coberto por um curativo, assim como o lado esquerdo da testa. Ali estava sua marca, a prova de que tinha sido escolhido pelas estrelas...

Todos os acontecimentos da madrugada ainda soavam como um sonho distante para ele. Se puxasse um pouco mais, inseria o acidente que vitimou sua família na equação...

Desde então, não se encaixava na nova realidade. Sequer tinha forças para chorar, sequer podia imaginar como seria a vida dali em diante. Contudo a decisão que tomou não seria esquecida.

Ele seguiria em frente. Sem olhar para trás, continuaria avançando rumo a um novo futuro.

Foi com esses pensamentos calorosos em mente que se despediu das enfermeiras e do doutor, responsáveis por cuidar dele pelos quatro longos dias naquele leito.

“Ninguém falou nada sobre o ocorrido de madrugada”, pensou conforme caminhava com seus poucos pertences pelos corredores. “Tudo aquilo foi real? Não, eu sei que foi, mas... é estranho”, desceu o elevador até o térreo.

Desde o instante no qual conseguiu derrotar o adversário até desmaiar, não se lembrava de mais nada. Somente despertou no quarto como se nada tivesse acontecido. As únicas provas eram aqueles curativos nas duas áreas específicas da face cansada.

Já eram suficientes.

Agora, ele precisaria enfrentar um novo desafio ao sair daquele hospital.

Mas...

— Oh, parabéns pela alta.

A garota de cabelos brancos, dessa vez soltos até a metade das costas, ainda estava ali. Os olhos azul-escuros, tão densos quanto o céu noturno, os observavam na saída do hospital juntos a um leve sorriso.

Como se fosse guiado pelo destino, mais uma vez se encontrava com Layla. Os dois parados, frente a frente, cruzavam os olhares dissemelhantes a exemplo da madrugada passada.

A partir daquele dia, a voz das estrelas iria guiá-los até o fim de suas vidas.



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