Volume 2 – Arco 3
Capítulo 41 - Visitas Inesperadas
— Tchau, Mãe! Vou para a inauguração do restaurante! — gritou o garoto ao descer as escadas em alta velocidade.
— Certo, não se esforce demais! — disse Naomi, ao ver seu filho com um sorriso no rosto.
O garoto corria do quarto para o terceiro distrito, quando se sentiu observado, mas como as quartas de finais do torneio ainda estavam recentes, ele pensou que fosse comum ser reconhecido, então ignorou e continuou até chegar em seu emprego.
— Cheguei! — gritou ao bater na porta dos fundos.
— Você veio! Parece que a visita do Zane fez efeito. — disse Sachi.
— Sim! Vi que o Ethan não vai poder vir então não posso deixar o restaurante com dois a menos — entrou.
— Sobre isso não precisa se preocupar.
Assim que entrou, Toby avistou dois rostos conhecidos com o novo uniforme do restaurante. Natsumi estava no caixa e Ben estava com o uniforme de garçom, assim como Sachi.
— Vocês!
— Toby, que bom te ver! — disse Ben, que correu para abraçá-lo. — Eu e Natsumi viemos cobrir o Ethan nesses dias, mas como ela não pode andar ela vai ficar no caixa.
— Não era melhor você ficar de repouso em casa? — perguntou o garoto com sardas.
— Eu não quero ficar parada… E… Eu gosto de construções novas, principalmente as feitas pelo meu pai, então me animei… — disse desviando o olhar.
— Que bom! — Toby abriu um sorriso que a deixou tímida.
— Agora chega de papo, vamos abrir em cinco minutos e você ainda não está com o uniforme, vai colocá-lo agora! — Sachi jogou o uniforme para Toby, que foi correndo se trocar.
Por mais que fosse o primeiro dia do novo restaurante, Toby e Sachi trabalhavam como se fosse um dia comum. Por mais que o pai do garçom ainda estivesse se recuperando e não pudesse trabalhar, ambos estavam indo muito bem com a ajuda de Natsumi e Ben.
— Seus amigos estão na mesa 3, Toby. Vá atendê-los. — disse Sachi.
Toby correu até a mesa para anotar os pedidos e se surpreendeu.
— Cody e Yuki? O que vocês estão fazendo aqui em Solária ainda, vocês foram eliminados.
— Olha aqui, seu merdinha! Eu vou te mostrar com quem você tá falando!
— Acalme-se, Cody. Foi apenas uma pergunta. — exclamou Yuki. — Nós compramos as passagens de volta para segunda-feira após a final, então temos um tempo livre.
— Comprar uma passagem assim pra você eu entendo, mas pro Cody? — Toby tampou a boca pra não rir.
— OLHA AQUI, SEU MERDINHA!
— Compramos juntos, numa promoção. — Assim que Yuki explicou, Cody perdeu toda vontade de brigar e ficou cabisbaixo. — Aliás, você conseguiu utilizar muito bem o Natsu, não achei que ele poderia servir pra algo além de aumentar a temperatura corporal no frio, me surpreendeu.
— Mas… Não foi o bastante… — Toby ficou sério.
— Fracote… — disse Cody.
Os dois se encaram com raiva, até que Toby percebeu algo.
— O mentor de vocês não vai vir também?
— Bem… Não.
— É uma longa história, mas ele não era nosso mentor. Era a maldição de Geller.
— GELLER!? AQUELE QUE O ERICK FALOU!?
— Você é tão direto ao ponto, Yuki…
— Então ele te contou, bem, sim. Ele chegou a me emprestar poderes para vencer o Drake, mesmo assim não consegui.
— Você apelou!
— Nem parece que você comeu as bolinhas da Maya, né, Toby? — exclamou Ben, cutucando o garoto com sardas.
— Foi diferente!
— Não me orgulho disso, por essa razão eu vou treinar ao máximo para ser o único dono da Excalibur da Morte. — exclamou Yuki, com um olhar convicto. — Mas não conseguimos saber se ele ainda está por aí, então cuidado.
— O Erick disse que foi embora por causa de um rumor do Geller, quando ele ficar sabendo disso…
Alguém abriu a porta com força.
— YUKI SEU MALDITO!
— Ele vai querer voltar para cá… — completou Toby.
Erick entrou e pegou Yuki pela gola.
— Como você ousa usar esses poderes, onde ele está?
— Não sei, e também me arrependo, vou entender se você me odiar.
— Eu não te odeio, mas eu preciso achar aquele verme, onde ele está?
— Você prometeu que se voltasse seria pra treinar sua técnica, e não pra procurar uma maldição, esqueceu? — explicou Cody.
— Mas eu não posso ignorar que ele estava perto da gente o tempo todo! — gritou Erick.
— Eu senti a força dele, se você acha que pode vencer sem nem treinar uma misera técnica é porque não passa de um idiota que vai morrer cedo. — pontuou Yuki.
— Que técnica é essa que você vai treinar? — interrogou o garoto com sardas.
— Olha, é você, Toby! Usou muito bem o Natsu, valeu a pena te ensinar! — disse Erick.
Ele não tinha notado minha presença até agora…
— Eu consigo criar gelo, mas ainda não sei pra que isso pode ser bom. — Ele faz uma colher de gelo do nada com sua mão. — Eu iria lutar nesse torneio para tentar saber como utilizar, mas o rumor do Geller acabou com isso.
Eu não quero que se torne um líder imediatamente, quero que vá para um lugar onde consiga evoluir esse seu potencial, mas isso eu não conseguirei lhe ensinar, então procure oportunidades e evolua; A voz de Zane veio à mente de Toby.
— Eu posso te ajudar com isso.
— O quê? Você?
— Ele tem uma ótima visão sobre ataques e momentos de quando usá-los, eu só despertei o meu poder por causa dele. — exclamou Ben.
— E qual o seu poder mesmo? — perguntou Cody.
Ben colocou o braço em seus ombros e o estrangeiro desmaiou na hora.
— Também pode ser uma maneira de te devolver o favor de me ensinar o Natsu, o que acha?
— Me parece interessante — ambos ficam com um sorriso animado no rosto.
— Eu também vou ajudá-los!
— Certo, hoje de noite após o expediente nos encontramos no parque do terceiro distrito por volta das nove horas da noite! — exclamou Toby, quando dois homens adultos passam ao lado deles e um esbarra em Erick.
— Opa… Me desculpa Erick…
— Tudo bem!
Os dois homens caminham até a saída e os três garotos continuam conversando sobre o treino de noite.
— Ei! Vocês! Atendam outras mesas e saiam dessa! — gritou Natsumi, irritada.
Também queria estar nesse papo, poxa…
Cody acordou de seu desmaio e observou um rosto completamente aterrorizado de Yuki.
— Yuki? O quê aconteceu!? Nunca te vi assim! — disse Cody, preocupado.
Yuki começa a tremer e todos começam a prestar atenção.
— O que aconteceu? — interrogou Erick.
— Como aquele cara sabia seu nome, Erick? Todos aqui podem ser reconhecidos pela televisão, mas você não. Como aquele homem sabia o nome de um estrangeiro que nem apareceu?
Erick sai correndo atrás dos dois homens, mas não consegue encontrá-los.
Escondidos em um telhado, os dois conversam.
— Você tinha que dar essa dica pra eles, não é? Geller. — disse Syrus, desanimado.
— Desculpa, mas desde manhã que a maldição voltou para o meu corpo, eu sinto uma vontade descontrolada de matar de novo, provocar foi um modo de me aliviar um pouco.
— Lembre-se que não podemos chamar a atenção, pelo menos até o fim do torneio no domingo.
— Eu já não sei mais se aguentarei…
— Talvez você possa caçar hoje a noite, afinal você também ouviu, não é?
— Hoje de noite, no parque do terceiro distrito.
— Lá poderemos conversar com o garotinho de sardas. — Syrus abriu um sorriso, enquanto Geller apenas encarava suas mãos, com sede de sangue.
Depois de atender os estrangeiros de Yukiyama, Toby foi junto de Ben informar Sachi e Natsumi no caixa.
— Então quer dizer que um assassino estrangeiro está entre nós? — perguntou Natsumi.
— Sim, pelo menos parece que sim.
— Seja qual for o problema, se forem brigar por favor lutem fora do restaurante, eu até ajudo, mas não quero que meu lugarzinho seja destruído de novo! — gritou Sachi, quase aos prantos.
— Isso é sua preocupação!? — gritaram Ben e Toby indignados.
— Eu queria poder fazer algo… Mas com essas pernas aqui não vai ter como. — disse a plebeia, olhando para baixo.
— Quanto tempo até você poder estar 100%? — perguntou Toby.
— Normalmente eu demoraria 6 ou mais meses, mas como o governo paga as lesões no torneio com curandeiros especiais, devo voltar a andar em um mês e voltar totalmente ao meu normal em dois.
— Nossa, os curandeiros especiais são ótimos mesmo…
— Claro que são! Kaya é um deles! — disse Sachi, orgulhoso.
— Ele nem esconde… — reclamou Toby.
— Nem um pouco… — falou Ben.
— Zero vergonha… — exclamou Natsumi.
— Ei! Acabou o horário de almoço, vamos voltar a atender! — gritou o garçom, fingindo que nada aconteceu.
— Ben, você pode me cobrir agora? Estou muito apertado, vou ao banheiro. — Toby corre em direção ao banheiro masculino.
— Certo! Pode ir… — respondeu o garoto de cabelos esverdeados, já vendo Toby entrar no banheiro.
— Ele já foi. — falou Natsumi.
O garoto com sardas usou o mictório, quando estava acabando de utilizar, ele viu dois vultos pelo reflexo do espelho.
Do lado de fora do banheiro. Ben e Sachi ouviram três gritos desesperados vindo do banheiro e correram para ver o que havia acontecido.
Ao entrarem no banheiro, viram Toby em posição fetal no canto do banheiro assustado e do outro lado do banheiro estavam Shitzu e sua mentora Samantha.
— QUE DIABOS VOCÊS ESTÃO FAZENDO NO BANHEIRO MASCULINO? — gritou Sachi.
— BANHEIRO MASCULINO? ESSE É O FEMININO! — respondeu Samantha.
— Na verdade, é o masculino mesmo, Sam… — Shitzu apontou para a placa.
— ANTES DA REFORMA ESSE ERA O FEMININO, POR QUE DIABOS MUDARAM A ORDEM? — grita Sam.
— O que importa a ordem antiga? Como entraram aqui? — perguntou Natsumi, chegando de cadeira de rodas.
— Elas se teleportaram para cá, do nada… — suspirou Toby com as duas mãos no coração após o grande susto.
— Eu posso me teleportar para qualquer lugar que eu ja tenha pisado antes, como eu já havia vindo no banheiro feminino antes eu pensei que seria uma ótima ideia vir direto pra cá pra sair do castelo. — explicou a mentora.
Os olhos de Toby começaram a brilhar quando soube da existência desse poder.
— Mas por que vocês querem fugir do castelo? Shitzu tem que ficar presa lá até as semis — questionou Ben.
— Lá é muito chato, eu queria andar um pouco pela cidade. Vocês podem guardar esse segredo? — pediu Shitzu.
— Por mim, sem problemas. — falou Sachi.
— Por mim também — concordou Ben.
— Só não vai se meter em confusão — exclamou Natsumi.
— Perdão pela sua perna…— disse Shitzu ao olhar para a perna quebrada de Natsumi.
— Não se importe com isso, foi uma luta, isso podia acontecer.
— Certo, então. — Samantha coloca os braços nos ombros de Shitzu — Não seja vista por ninguém. Agora vou voltar para o castelo agora, enquanto isso você pode andar pela cidade, mas lembre-se que às dez da noite eu volto para cá para te buscar, combinado?
— Sim, Mestra. Obrigado por isso.
— Então, adeus para vocês. — Samantha se teleporta novamente.
— Ela podia ter escolhido outro ponto de encontro, vai voltar de noite ainda no banheiro masculino… — reclamou Sachi.
— VOCÊS VIRAM QUE LEGAL? É UM PODER DE TELEPORTE! — gritou Toby, empolgado.
— É super legal mesmo — concordou Ben.
— Ele deve ser tão apelão! Queria ter um desse! — levantou-se o garoto com sardas.
Shitzu abriu um sorriso tímido e foi embora.
Os quatro continuaram seu turno de trabalho até cerca de nove da noite, quando o restaurante fecharia naquele dia.
— Ben, você vai mesmo? Estou indo para o parque encontrar o Erick para ajudar no treinamento dele. — exclamou Toby.
— Vamos indo! — Ben terminou de trocar as roupas do restaurante pelas suas casuais novamente e correu atrás de Toby. — Tchau Sachi e Natsumi, até amanhã!
Os dois chegam nove horas em ponto no parque e percebem que Erick ainda não havia chego.
— Será que aconteceu algo com ele? Não posso ficar muito tempo, às dez horas eu tenho que voltar pra casa. — explicou Ben.
— Ele vai vir, só deve ter acontecido algum imprevisto.
O parque era mal iluminado, apenas um poste de luz iluminava bem o local e era bem onde os garotos estavam. As ruas já estavam vazias e um vento gelado começou a bater.
O único poste se apagou e deixou os garotos com medo.
— Já se passaram vinte minutos, acho que ele não vai vir, que tal irmos para ca…. — A frase de Ben foi interrompida e Toby não conseguia ver direito.
— Ben? O que aconteceu?
A luz do poste volta a funcionar e Toby vê dois homens adultos, um deles estava com a mão no ombro de Ben, que estava dentro de uma pedra de gelo.
— Quem são vocês? Larguem o Ben!
— Viemos conversar com você um pouco, esse garoto só atrapalharia. — explicou um dos homens.
— O que vocês querem conversar comigo?
— Muitas coisas, mas primeiro devemos nos apresentar, afinal não somos mal educados. — O homem de cabelos brancos com mechas vermelhas se curva como um cumprimento debochado. — Me chamo Syrus Morgan, você nós já sabemos que é Toby Burn, amiguinho da minha irmã.
— Morgan? Irmã? — diz assustado.
O homem de cabelos brancos abre um sorriso, mas logo o fecha quando vê os olhos avermelhados de seu companheiro.
— Se acalme, vamos conversar primeiro e depois você pode matar quantos quiser.
Toby viu como aquele homem de cabelos azuis claros estava olhando com sede de sangue, como se já tivesse matando o garoto com sardas em sua mente de diversas formas.
— Perdoe o meu colega aqui, ele não é muito bom socializando — disse Syrus.
O homem de cabelos claros se acalma e seus olhos vermelhos se apagam e ficam cinza.
— Me perdoe, mas você já deve me conhecer, tem um tagarela que vive espalhando meu nome por aí.
— Você é…
— Me chamo Geller, e temos muito que conversar hoje, Toby. — O brilho vermelho nos olhos aparece novamente.
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios