Volume 1

Capítulo 9: O Opulento

Diego estava a alguns passos da professora. Viu o garoto ferido e coberto de sangue ser levado para fora da sala. Isso o deixou ainda mais irritado.

Rúnica seguia distraída em sua mesa, enquanto o rapaz da cicatriz a encarava, furioso. Notando sua aproximação, a professora, por trás dos óculos roxos, lhe lançou um olhar de nojo. 

— Pois não? 

Franzindo ainda mais a testa ele pensou no que faria. Fechou o punho com mais força e assim que começou a levantar a mão, alguém se pôs em sua frente. 

— Professora, ele não tem um lugar. 

A raiva do rapaz sumiu quase no mesmo instante. Era Tiago, que agora segurava o rapaz pelo braço. Diego tentou se livrar de seu agarrão, mas o loiro voltou a segurar suas vestes. O rapaz da cicatriz lhe encarou irritado. Tiago não retribuiu o olhar.

— Então era isso. Vejamos… Acho que ele deveria sentar...

O loiro ainda não haviam olhado para ele, apenas para a professora.

— Do meu lado tem uma cadeira vaga.

— Humpf! Eu diria que é a única cadeira disponível na sala, senhor Nebeque. — Ela deu um sorrisinho maldoso para o loiro e isso o fez olhar para baixo. — Bom, só há um lugar. Então, senhor Murdock, vá sentar lá.

“Nebeque”, pensou Diego. “O mesmo nome do diretor que tinha aquela voz calma e firme. Para ter coragem de conversar com meu tio deve ser alguém bem doido.” 

Tiago arrastou Diego consigo, ainda olhando para o chão, como se estivesse profundamente humilhado. Isso mostrou para o rapaz da cicatriz que a loucura vinha de família. Quando ele fez menção de dar meia volta para enfrentar a professora, o loiro lhe puxou com mais força.

— Não olha para ela agora — sussurrou, um tanto zangado. — Olha para o chão e anda.

Diego por fim se sentou bem ao lado de Tiago. Assim que o fez, lembrou que o loiro ainda lhe devia um obrigado. Fechou a cara e murmurou, já sentado:

— Eu teria dado um jeito naquela vaca se não fosse você me interrompendo. 

— Ah! É óbvio que daria.

Diego não gostou nada daquele tom.

— Mas você viu como ela tratou a gente!

— Quem não parece ter visto foi você. Uma professora acabou de explodir os ouvidos de alguém sem nem se mexer, e o herói acha pode dar um jeito.

Diante daqueles argumentos, o rapaz quase ficou sem o que falar. Mas sua vontade de contrariar Tiago era ainda maior.

— Eu poderia ter quebrado algo dela!

— Para ter os ouvidos explodidos também? Sem falar da advertência que faria toda a sala pegar por sua causa!

Eles continuaram discutindo baixinho e discretamente. Quem visse de fora, veria Tiago lendo um livro insistentemente enquanto murmurava, zangado, para as letras; e Diego, irritado, amaldiçoando os próprios dedos sobre a mesa.

A dupla só parou de discutir quando a professora se levantou, pigarreou e se dirigiu para toda a sala.

— Bom, como as normas sugerem, eu tenho de dar boas-vindas ao nosso novo aluno, Diego Murdock. Elizel avisou de sua chegada mais cedo.

Todos da sala começaram a se olhar e murmurar quando o nome de Elizel fora mencionado.

— O senhor Murdock é sobrinho de Elizel. Mas isso não é nada de mais, acreditem, irão notar que Murdock é tão ordinário quanto vocês.

— Eu não sou ordinário!

O rapaz ficou em pé, por trás de sua mesa, furioso. Todos o olharam.

— Além de ordinário, tem a necessidade de chamar a atenção. Deve ser mal costume por morar com um Dragão Negro. Acha que sabe de tudo. — Antes que o rapaz levantasse a voz mais uma vez, Runica estalou os dedos. — Sente-se, senhor Murdock. 

O rapaz viu tudo a sua frente contorcer. Ficou tão tonto que teve de se sentar, do contrário não faria. Quando o fez, voltou ao normal. A professora o encarava com um sorriso arrogante no olhar.

— Muito bem! Senhor Murdock, já que não se considera uma pessoa ordinária, me responda o seguinte: Qual deve ser a cor da planta que trata anemias e aumentar a força física ao mesmo tempo?

Diego olhou de um lado a outro, procurando por respostas. Todos a sua volta continuavam a lhe encarar. O único barulho que ouvia era a de Tiago batendo na mesa com as pontas dos dedos. 

— Ahm...

— Qual é a mistura das cores relacionada primeiro a base, depois a mente?

A interrupção lhe irritou um pouco. Queria ter respondido a anterior, nem que estivesse errado. Dessa vez foi mais rápido e respondeu com firmeza:

— Não sei, professora.

Todos da sala começaram a murmurar. Rúnica olhou para Diego com repugnância. Tiago continuava quieto, batendo com os dedos sobre a mesa enquanto fingia ler um livro. A sala se calou quando a professora voltou a falar. 

— Senhor Murdock, a cor dos meus olhos fica entre uma cor fria e uma cor quente. Não é nem violeta e nem vermelho. Qual é a cor?

Dessa vez a sala não ficou em murmúrios. Os alunos realmente conversavam entre si, sem medo de repreensão. Diego olhou para Tiago uma última vez e viu que agora o loiro não cutucava a mesa, mas sim o livro. 

Diego viu de relance, porém viu uma tabela de cores aberta na página que o loiro indicava. O dedo de Tiago batia em uma única cor. Quando viu, voltou a atenção para a professora, com medo de ser pego trapaceando.

— Ahm… Roxo?

— Bom chute, Murdock — disse a professora, um tanto surpresa. 

Ela se aproximou do rapaz e falou alto:

— Todo o nosso sistema de educação tem como base as cores. E o senhor chega sem saber qual é a cor de uma lavanda. Isso mostra que lhe chamar de ordinário não é incorreto. 

A professora deu as costas para ele e voltou ao quadro. Enquanto ela começava a escrever nele, o rapaz se espremia na cadeira para não pular no pescoço da professora. 

Mas de certa forma, a professora tinha razão. Até aquele momento, não sabia sobre nada do lugar, exceto que o jardim era muito colorido, havia uma cobra e pessoas com habilidades especiais. Fora isso, era um mundo totalmente desconhecido. 

Até mesmo o colar fosco que usava diferia dos outros que vira até ali.

“O colar!”, lembrou-se, balançando a cabeça com pesar. Esquecera de perguntar a Rafaela o que eram aqueles colares e o motivo para terem cores diferentes.

— Quero que façam uma redação sobre o uso correto das plantas que estudamos hoje. Mínimo de duas páginas. E claro, o exercício extra por terem bagunçado na aula.

Todos na sala bufaram e começaram a arrumar as coisas. Diego não entendeu nada, já que a aula ainda nem havia acabado.

 

D

    I

      N

         G

D

   O

      N

         G

 

Todos se levantaram com suas mochilas nas costas e saíram em fila. Diego seguiu seu novo colega, Tiago; que não parecia muito satisfeito — deduziu que fosse por não ter entendido seus sinais logo de início, ou por ter quase arrumado uma confusão com a professora.

No corredor repleto de portas estranhas, Diego voltou a ter a dúvida: Qual é a porta certa? Quando sentiu alguém puxar seu braço, olhou para frente e notou ser Tiago.

— Vem, a próxima aula é de História da Estratégia.

 

 

A porta da sala 19-W tinha um formato de ampulheta; ou o que Diego imaginou: O formato de um oito. 

Lá dentro o ambiente era muito diferente da última sala. Primeiro que no lugar de prateleiras cheias de plantas, haviam quadros enormes emoldurando mapas e grandes pinturas de batalhas. Também haviam algumas prateleiras de livros aqui e ali.

Por mais que não soubesse o motivo das salas terem aqueles números e letras tão estranhas, se divertiu encarando as gravuras. Aproveitou para se sentar ao lado do novo colega.

Notou só depois de um tempo que os outros alunos evitavam falar ou até mesmo olhar para o loiro. Algumas pessoas olhavam para Diego, porém o rapaz entendeu ser muito mais por conta de sua cicatriz.

Antes que pudesse fazer algumas perguntas a Tiago, o Prof. Nemo entrou na sala apressado, sem olhar para ninguém.

— B-bom-dia.

Embora Diego já tivesse visto a figura ao menos umas três vezes naquele dia, olhando mais próximo, notou que o homem era tão esguio que parecia um arco. A gravata borboleta da cor azul combinava com todo seu conjunto. Os cabelos grisalhos nas laterais lhe davam uma melhor aparência. Era magro, alto e usava óculos.

Ao chegar na sua mesa, o professor pegou um giz e começou a rabiscar o quadro. Estava bastante agitado, olhando da porta da sala para o quadro.

— Bem-vindos. Hoje nós vamos ver… B-bom… Vamos ver… A estratégia de que lugar… Puxa vida, qual era mesmo o tema?

Quando se virou para a turma, a mão no queixo, seus olhos percorreram toda a sala. Assim que bateram em Diego, o professor congelou. Depois deu um sorriso um tanto desengonçado.

— Ah! Você deve ser o Sr. Murdock, não? — Os alunos viraram para o rapaz. Diego apenas balançou a cabeça. — Seu tio me falou sobre você mais cedo, enquanto tomávamos café. Não me impressiona que esteja em uma sala com alunos quentes, ele bem falou que você é um rapaz agitado. Q-quer dizer, no bom sentido, claro.

Diego franziu a testa. Não sabia se o que ouvira fora um elogio. Principalmente por chamar seus outros colegas de “quentes”. O que isso significava, ele não saberia, já que, graças a Rúnica, pensava que falar com um professor era má ideia.

E para a infelicidade de Diego, toda a sua atenção foi embora quando a porta da sala se abriu e por ela entrou uma figura alta, vestida em um sobretudo preto. Do fundo do coração, desejou que não sido arrastado por Tiago até ali.

— Elizel! Ainda bem que veio. — Elizel o fitou em silêncio, o rosto enojado de sempre, os lábios espremidos. — Ahm… Entre por favor.

Fechando a porta atrás de si, encaminhou-se até a mesa do professor. Os olhos verdes, que pareciam rilhar sob a aba daquele chapéu, analisaram toda a sala. Ninguém ousou falar nada.

Para quebrar um pouco da tensão, podiam ouvir o rabisco do professor Nemo escrevendo o nome “Elizel D. Monte, O Dragão Negro” no quadro. 

Quando ele se virou, deu um tapinha tímido no ombro do homem de sobretudo e sussurrou algo em seu ouvido. Diego captou algumas palavras, embora achasse ter ouvido errado.

Depois o professor foi até duas meninas morenas gêmeas e falou com elas entre sussurros. Elas balançaram a cabeça, puxaram seus cadernos e como se fossem modelos jogaram seus cabelos loiros para o lado.

Quando o professor voltou ao seu lugar, disse para todos:

— Muito bem! Alunos. O senhor Monte vai me substituir apenas por alguns minutos, também para não incomodarmos muito ele, já que é um homem muito ocupado. Ahm… Então respeitem o nosso convidado. Sheila e Selena ficarão encarregadas de marcar todos os nomes dos alunos que bagunçarem. — Ele olhou às duas meninas e fez uma confirmação com a cabeça que dizia: “Conto com vocês”. — Então… até mais Elizel.

Saindo e deixando Elizel sozinho com toda a sala, Diego concluiu que talvez preferisse ouvidos estourados.

Após uns minutos de puro desconforto, onde Elizel fitava a todos com seu olhar sombrio e ninguém ousava fazer um único barulho, finalmente o homem pareceu ter chegado em alguma conclusão em seus pensamentos. Começou a andar por entre as cadeiras dos alunos.

— Como bem sabem, somos conhecidos formalmente como Assistentes Sociais. Entretanto, dentro dessa associação, podemos dizer que somos caçadores. O motivo, como todos já devem saber, é que nós somos os responsáveis para exterminar todas as ameaças não-terrenas, e assim para proteger os leigos. — Diego sentiu um olhar cravado nas suas costas. — Com essa introdução, quero saber o nível de entendimento dos senhores por meio das respostas que me darão. Levante a mão aquele que sabe me explicar com detalhes o que é um opulento.

Algumas pessoas levantaram a mão. Dani levantou o mais rápido que podia. Tiago também fez, porém desistiu no meio do caminho e se enterrou na própria mesa.

— Senhor Nebeque?

Imediatamente o rapaz se levantou e olhou para o quadro, sem encarar Elizel, que estava atrás de todos os alunos. 

— O-oi? Q-quer dizer… Sim, professor!

— O que é um opulento?

— Bom… Ahm. — O loiro apertou os olhos como se fosse tirar a informação do fundo de sua mente. Depois de alguns segundos, ele respondeu: — Opulento é o membro de uma unidade de elite, agentes especializados, treinados para aprisionar, examinar e eliminar qualquer tipo de criatura não-terrena.

— Correto. 

Diego olhou surpreso para Tiago. Embora ouvisse alguns alunos da sala dizendo algo como “Eu teria dito isso também”, achou impressionante que alguém tivesse respondido com tanta facilidade o seu tio.

— Nós, opulentos, somos para os Assistentes Sociais o que os militares seriam para os leigos. Uma força tarefa especializada em, em outras palavras, manter o mundo em paz. Senhor Nebeque.

— S-sim!

— Defina “leigos”.

Após mais alguns segundos de reflexão, Tiago voltou com a resposta, como se tivesse decorado a pouco tempo.

— Chamamos as pessoas que não sabem sobre nossa organização de leigos, que significa não ter conhecimento sobre determinado assunto, que expressa certa ignorância sobre algo e, ou desconhecedor.

— Correto.

Novamente, alguns murmúrios atrás de Diego diziam que aquela era fácil e que eles poderiam ter respondido. Sheila e Selena olhavam para essas pessoas e anotavam seus nomes em seus cadernos.

— As associações são separadas por territórios, e esses territórios ficam sendo observadas por um grupo de assistentes. Nós fazemos parte do Craveiro, responsável por toda a Espanha. O nosso objetivo é manter todos os leigos dentro dessa área a salvos, sem que eles saibam disso. Por isso é preciso de muito treinamento, e os mais habilidosos são os opulentos. Agora, existem diversas categorias de ameaças, o que significa que existem diferentes formas de se lidar com o assunto. A ameaça mais comum são os nocivos. Senhor Nebeque, quais são as variantes de um nocivo?

— São três: humanoides, vermes e tavões. Os humanoides são os mais comuns e são fáceis de identificar por conta da aparência e por serem bípedes ou quadrúpedes. Os vermes são difíceis de identificar, porque...

— Como se classifica o nível de força de um nocivo?

— Ah, me desculpe, professor Elizel — interrompeu Dani, se levantando da mesa e se virando para ele. — Mas suponho que como aqui é uma sala de aula, o senhor deveria fazer perguntas para outras pessoas também. Exitem outras pessoas querendo participar também.

Diego paralisou junto dos outros. Dani simplesmente não tinha a noção do perigo. Assim como Igor perdera as orelhas, agora era Dani quem perderia as pernas.

— Senhor Delta, fui informado pelos outros professores de que o senhor é muito… Participativo. Por conta disso, não vou escolher o senhor nessa ocasião. Agora sente-se e deixe o senhor Nebeque responder à pergunta.

As gêmeas começaram a rabiscar no caderno enquanto Dani voltava a se sentar nada satisfeito. Tiago, por outro lado, parecia satisfeito e um pouco vermelho de mais. Sua resposta foi no mesmo instante e carregada por um sorriso bobo.

— Verdes que são fracos, amarelos são medianos, vermelhos são fortes e azuis são muito raros, embora não necessariamente mais fortes. Os azuis em específico são mais inteligentes, o que os torna muito mais perigosos que os outros, mas não tão inteligentes quanto humanos.

— Correto. — Elizel parecia incrivelmente satisfeito. Diego não sabia se ficava impressionado com o amigo saber de tudo aquilo, ou do tio parecer menos áspero diante daquelas respostas. — Embora os verdes sejam fracos, costumam trabalhar em bando, por isso não os subestimamos. Os amarelos são tão fortes quanto leões, por isso a estratégia deve mudar. Não é tão fácil enfrentar um leão. E vermelhos e azuis só podem ser eliminados com um grupo de opulentos...

Então abriu-se a porta e de lá saiu o professor Nemo, trazendo documentos consigo. Nem demorou muito e Elizel já foi se dirigindo até a saída. 

— Já vou indo, Nemo.

— Ah! Tudo bem, mas espere. Alunos, agradeçam o senhor Elizel.

Depois de alguns plausos, Elizel meramente soltou um suspiro e dirigiu-se até a porta de saída. 

— Muito bem! Crianças. Vamos estudar História da Estratégia! Hoje vamos ver a disputa de interesses que aconteceu entre a nossa associação com a da França há muito tempo.

Os meninos suspiravam alto, menos Tiago, que parecia mais animado. As gêmeas continuavam em sua tarefa de anotar em seus cadernos, mesmo com Elizel já fora da aula. Diego não soube se a aula era boa ou não. Em pouco tempo caiu no sono. 

 

 

— Acorda aí, parceiro! Você vai ficar trancado aqui dentro. Já tá na hora de lanchar.

Acordou com um cutucão no ombro. Quando olhou, viu ser o rapaz de rosto quadrado, Lauro, e seu amigo de cabelos crespos, Dani. O rapaz da cicatriz esfregou os olhos e constatou que a sua volta não havia mais ninguém, exceto ele. Ficou um pouco aborrecido de Tiago não ter lhe acordado.

— Não é “hora de lanchar”, Lauro. É “o intervalo”. 

Achou a cena um tanto engraçada, embora Lauro não parecesse compartilhar do mesmo sentimento.

Agora que estava tão próximo, Diego notou que Lauro tinha no pescoço algumas marcas estranhas muito parecidos com as que o seu tio lhe mostrava durante as aulas em sua casa. As marcas do garoto pareciam com as de Mini.

— E onde é que fica esse intervalo ou lanche?

— No primeiro andar, parceiro. — Lauro recebeu um cutucão de Dani e uma encarada suspeita. — Ah sim, nós queria te perguntar umas coisas, cara. Bom… É bem legal que tu seja um Murdock e tudo...

— Ah! Sai da frente, se você não vai perguntar deixa que eu faço. Diego, por que você resolveu brigar com os Baderneiros? 

Diego fez um rosto de confusão e incompreensão.

— Como é?

— Os Baderneiros — reafirmou Lauro. — Saca? Aqueles três que tu atacou. O Léo, a Mini e o Bruno. 

— Eu não ataquei ninguem! Eles atacaram o Tiago. Eu só fui defender! E… Como vocês sabem disso? 

— Meu caro, Diego — disse Dani, com sinceridade. — É obvio que a notícia de uma briga se espalharia. Agora toda a escola sabe.

— A galera já até botou um apelido em ti, parceiro. Ta geral te chamando de: Vira-lata.

— Ou qualquer nome que se refira a família dos caninos. Embora eu suponho que esse não seja o nome cientifico correto...

Diego soltou um palavrão.

— A proposito, Diego, eles disseram que da próxima vez que te encontrar, vão brigar com você. 

— Mano, qual foi?! — indignou-se Lauro. — Para de ser frio, cara.

— O quê?! Eu nem falei a parte em que insinuavam mata-lo.



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