Volume 1

Capítulo 10: O Obrigado Forçado

Já no refeitório, Diego demorou um pouco mais para se acostumar com o lugar do que os outros andares. 

A primeira coisa que notou foi os vários alunos com aparências estranhas. Tinha orelhas de animais na cabeça, patas no lugar de pernas, mãos peludas e muitas outras variedades. 

Embora chocado com a visão, decidiu fingir que tudo aquilo não era novidade e continuou a explorar o refeitório.

De todos os locais que fora naquele imenso prédio, aquele era o mais comum. O elevador se abria bem em frente a um imenso mar de cadeiras e mesas espalhadas por todos os cantos. Haviam alguns pisos e níveis, muito parecidos com o da biblioteca, embora mais simples; sem as sacadas ornamentadas ou vigas douradas.

Ao contrário de suas expectativas, a comida não vinha até a sua mesa através de poderes, ou uma garçonete parecida com a Ângela. Para ter acesso à comida, o rapaz teve de enfrentar uma fila enquanto segurava sua bandeja e aturar os cochichos e olhares curiosos para sua cicatriz.

Ainda que aquela maneira de receber comida lhe lembrasse muito uma prisão — isso graças aos inúmeros filmes que adorava assistir no cinema, ou na loja de televisores do Sr. Walter — ficou surpreso ao ver a incrível variedade de alimentos.

A mulher que ficava na cantina era quem botava a comida, porém era o aluno quem decidia o prato. O problema era que havia tanta comida que ele mal sabia o que escolher. Tinha de tudo e tantas coisas mais que o rapaz ficou confuso.

Ouvia a torto e a direita os alunos falarem: 

— Quero lasanha hoje. 

Ou :

— Acho que hoje eu vou de macarrão. Mas põe salada, eu tô de dieta,

Na sua vez escolheu o máximo que sua bandeja cabia. 

Ansioso para comer, andou até o meio do refeitório. Entretanto, notou que todas as mesas já estavam ocupadas. Sua única salvação foi uma mais a frente. Infelizmente outras pessoas pegaram o lugar. 

Até haviam vagas onde ele podia se sentar, porém como não conhecia ninguém, julgou que seria melhor ficar sozinho.

Não demorou muito e ele achou uma mesa mais ao canto. Lá estava Tiago, sentado sozinho. Era um pouco triste aquela visão. Diego respirou fundo e foi até lá — no mínimo tinha de arranjar uma forma de iniciar uma conversa com aquele loiro; ou talvez só estivesse querendo se sentar logo e saborear a comida ainda quente.

Quando se sentou, achou melhor que não tivesse feito. Tiago comia sem pressa, por isso Diego acabou terminando sua refeição primeiro. Foi o silêncio mais desconfortável que já passou. 

— Então… — começou Diego, causando uma reação engraçada em Tiago, que parecia ter tomado um choque por falarem com ele. — Você é bem inteligente. Eu nunca soube responder uma pergunta do meu tio.

— Ah. Obrigado.  

Ele voltou a degustar sua comida, matando a conversa por completo naquele momento. Assim que Diego balançou os ombros em um sinal para si mesmo que dizia: “É, eu tentei”, Tiago perguntou:

— O que o senhor Monte costuma perguntar?

Agora foi Diego quem fez uma reação engraçada. Depois ficou animado com a interação.

— Não lembro direito. Eu sempre durmo nas aulas dele. Só lembro de umas linguás estranhas, historias sem sentido e umas estruturas que não fazem sentido também.

— Estruturas com superfícies não euclidianas?

Diego não entendeu o que Tiago havia dito.

— É um estudo avançado das Teorias dos Números Arquitetônicos. Só estudamos isso no sexto ano. Então não é tão fácil assim. Faz sentido você não ter entendido.

— Ah... tá. Eu sabia disso.

Diego voltou começou a encarar seu reflexo na bandeja. Tiago ficou brincando com a comida enquanto franzia a testa e as bochechas ficavam cada vez mais rosadas.

— Murdock, eu não recomendo que você faça isso. Dormir na sala de aula, digo. As irmãs Sienna anotaram o seu nome no caderno delas e enviaram para o professor. Talvez você ganhe uma advertência por isso.

O uso do sobrenome pegou Diego desprevenido. Demorou um pouco para entender que falava com ele.

— Quê? Como assim? Por quê?

— Porque você dormiu, na sala de aula. E além disso, elas gostam do Lupim, o garoto que você brigou. E todos sabem que você arranjou briga com eles.

— Eu não arranjei briga! Eu te ajudei!

O grito chamou a atenção de algumas pessoas a volta. Tiago corou ainda mais.

— Não ajudou! Agora eles vão vir para cima de mim mais agressivos ainda! Fora que se você tivesse ficado quieto teria se mantido longe de problemas também.

— Eu iria deixar te baterem!?

— Bem, estava tudo sobre controle até você chegar.

— Claro que não estava! Você estava apanhando feito um cachorro. Ah! Quer saber, da próxima vez que você tiver com problemas eu vou passar longe.

Dessa vez, até mesmo as pessoas mais distantes podiam ouvir a discussão acontecendo entre os dois.

— Ó-ótimo! Eu não precisava da sua ajuda mesmo! Posso me virar muito bem sozinho.

— Claro! Com certeza pode. Por que não aproveita e chama o seu pai para resolver a briga? Como ele é tão importante, tenho certeza que consegue resolver os problemas do bebezão ingrato dele.

Tiago olhou para Diego com a boca aberta. Depois se levantou, pegou sua bandeja e saiu pisando forte no chão, bufando de raiva. Talvez tivesse feito melhor em ficar quieto.

Durante a tarde, tudo que se seguiu foram olhares e mais cochichos a respeito do que acontecera no refeitório. Diego teve tempo de explorar um pouco mais os terrenos do Craveiro enquanto pensava nas besteiras que disse.

Uma hora esbarrou sem querer nos Baderneiros. Todos os três. Não aconteceu nenhuma morte, já que tudo que fizeram de mais ameaçador foi passar o dedo na garganta, indicando a morte do rapaz. Bruno, no entanto, permanecia tão abobalhado com a vida que nem prestou atenção no que os amigos faziam.

Mais tarde, um rapaz moreno e mais velho chamado Rodrigo entregou a Diego o programa de aulas. As últimas aulas daquele dia seriam de uma matéria chamada Pratica dos Mistérios, na sala 73 - D. 

Para poder entrar na sala, Diego e os outros alunos subiam uma escada até acessar uma porta e ao atravessarem o arco, tinham de descer as escadas. Após a escalada e a descida, Diego teve de se sentar novamente ao lado de Tiago, embora o loiro não quisesse nem olhar para o rapaz.

Diego tentou prestar atenção na matéria, que era dirigida por uma mulher baixinha, de cabelos verdes e bastante enrugada: Professora Domingues. Diego acabou pegando no sono e dormindo em menos de 10 minutos de aula.

 

 

— Acorde, senhor Murdock! Acorde logo!

A voz insistente e aguda vinha da pequena professora Domingues. O rapaz esfregou os olhos mais uma vez e notou estar sozinho, de novo. Pelo visto nenhum dos alunos tinha se dado o trabalho de acordá-lo, tão pouco Tiago

— Já está na hora de sair. Melhor você ir logo ou então vão trancar você aqui dentro! 

— Tá… — Mal-humorado, Diego pegou suas coisas e saiu da sala, escalando as escadas e descendo elas mais uma vez. Sempre com cuidado para não cair de costas no chão e quebrar o pescoço. O exercício fez sua preguiça ir embora.

Quando desceu do segundo andar para a saída, pensou que nunca mais voltaria ali. Achava que nem tinha se divertido tanto assim. Ao menos, quando chegasse em casa pediria desculpas a Ângela. 

Após dormir tanto na sala e causar tantas confusões, imaginou que era melhor dessa forma. Ao menos poderia ficar na grande casa número 6, na rua Castilha, enquanto seu tio estava em uma missão na França, bem longe dele.

Atravessou a porta de vidro, que outrora quase se jogara nela, e percorreu até as escadas. 

Antes de descer a calçada alta que dava acesso à porta de entrada, Diego pôde ver mais a frente um grupo de crianças reunidas, formando um círculo e fazendo torcida. No meio desse círculo, estavam três pessoas: Léo, Mini e Tiago. 

Não era o melhor momento para se estressar. Afinal de contas o loiro nem mesmo tinha lhe agradecido. Deveria deixar de lado, como disse que faria e seguir seu caminho de volta ao grande portão negro.

— O que faz aqui, cachorro? Hyahaha! — riu Mini. 

Foi impossível evitar. Diego havia se lançado em direção ao círculo e agora encarava, com raiva, Mini e Léo.  Ele olhou para Tiago, que permanecia no chão completamente sujo. Aquilo deixou Diego muito mais irritado. O rapaz fechou os punhos.

— Ei! Ei! Veio salvar o dia de novo, cachorrinho? Tenho que te avisar, tu não vai conseguir dar um soco em mim. Quem sabe na próxima vida?

— Hyaha! Ouviu isso? Sai fora, vira-la...

Mini se calou, porque o punho de Diego acertou sua boca. A menina deu um passo para trás. Um novo soco acertou seu nariz. Ela quase caiu, mas foi segura pelos cabelos. Enquanto gemia de dor, Diego deu um soco no pescoço da menina. Ela caiu no chão, tossindo e tentando respirar. A mão cobrindo a garganta. 

Todos ao redor ficaram com os olhos completamente saltados e em silêncio. Apenas viam a menina agonizando no chão, sem ajudar. A visão da plateia ia de uma garota chorando no chão, debatendo-se, para Diego, enfurecido.

Diego se virou e começou a ir em direção a Léo, que parecia pasmo com a visão. 

— E-ei! P-pera aí, pera aí, pera aí! Deixa eu só falar uma coisa antes… Calma lá, eu só quero dizer que...

O rapaz da cicatriz chegou perto o suficiente para dar um soco. Assim que começou a inclinar o corpo, Léo disse: 

— Agora você me vê…

O soco de Diego atravessou a cabeça de Léo, mas logo o rapaz desapareceu. Então levou um forte golpe no ouvido que fez o rapaz da cicatriz titubear para o lado enquanto ouvia um insistente zumbido. 

— Agora não vê mais — riu Léo, de braços abertos e o mesmo sorriso debochado de sempre. 

Diego ainda não fazia ideia de como o rapaz conseguia desaparecer e reaparecer, porém não ia deixar isso impedi-lo. Levantou a guarda e encarou o seu oponente furioso. 

— Vira-lata! — gritou Mini, com uma voz estranha, meio embargada. 

Quando Diego olhou, tomou um susto. Mini estava em pé, os olhos manchados com a maquiagem preta e, o detalhe mais importante, as enormes garras negras que se projetavam de seus dedos, afiadas e prontas para lhe cortar em dois. Isso o lembrou de seu sonho, a besta contra o bárbaro.

— Ei! Se eu fosse você eu saía correndo — riu Léo. — Mas por sorte eu não sou.

Mini foi correndo na direção de Diego. O rapaz tentou recuar, mas era quase impossível desviar daquelas garras enormes. Por diversas vezes Diego teve de se defender com seu braço esquerdo, acumulando novas cicatrizes para sua coleção. 

Os alunos ao redor gritavam coisas como:

— Vai cachorro! Você consegue! Para de lutar igual uma garota!

— Vai Mini! Mostra pra ele como se faz!

— Aposto que o terno dele não tem recuperação!

Diego tinha mais preocupações do que seu terno, ou formas eficientes de luta. Tentava com todas as forças não ter o braço decepado ou ser apunhalado no coração com aquelas lâminas.

Para sua infelicidade, antes que pudesse pensar mais, acabou tropeçando nos próprios pés e caiu de costas no chão. Mini se jogou em cima dele, as lâminas apontadas para seu rosto. Para sua sorte, elas pararam por ali, a centímetros de furar seu olho. 

— Ei! Ei! Já chega, Mini! — dizia Léo, segurando a menina em um abraço apertado, fazendo muito esforço para mantê-la presa. — Vamos! Deixa isso pra lá ou a gente vai ter mais problemas do que aqueles chicletes embaixo das mesas!

— Não! Eu vou matar esse garoto! Como ele tem coragem de puxar meu cabelo duas vezes hoje! 

A visão era muito parecida com a de uma pessoa tentando por um gato desesperado dentro da banheira. 

— Pensa... só um… segundo! Pensa na bosta que ia dar pra teu pai… garota

Quanto mais ele falava, mais ela esperneava. Diego decidiu arrastar um pouco mais para longe, por segurança. Acabou indo parar ao lado de Tiago, que como ele, permanecia assustado com toda a situação.

— Tá! Tá! Que tal essa: Pensa no Gabriel, Mini! Pensa no Gabizinho!

Então, imediatamente, ela parou, embora ainda parecesse irritada. 

— Tá bom… Agora me solta! — Ela deu um pisão no pé de Léo que fez ele gemer e saltar de dor. — Mas se esse cachorro me bater de novo, eu juro que mato ele! 

Ela pegou uma mochila jogada ali no chão e saiu com a expressão zangada, pisando forte no chão e mexendo na garganta para lá e para cá. Os alunos deram passagem para ela e quando começaram a olhar de mais, a menina xingou todos com muita raiva. Isso fez o círculo de crianças curiosas começar a se dissipar. 

— Pode deixar. 

Léo fez continência e depois voltou a rir. Foi até um canto, onde estava sua mochila e depois de mais algumas piadas sem graça voltou a atenção para Diego. 

— Essa menina é nervosa, mas é só falar do Gabizinho dela que tudo fica tranquilo. Aliás, cachorro. De nada. Fica me devendo essa. 

Com um sorriso debochado de sempre e uma piscadinha para Diego, Léo seguiu seu caminho em direção a um dos prédios. 

— Por que ele disse de nada? Eu tinha tudo sob controle! 

Tiago revirou os olhos. 

Claro que estava.

Então ele se virou e começou a pegar suas coisas que estavam espalhadas pelo chão.

— Mas por que eles estavam de novo no teu pé? Foi por minha causa? 

— Para a falar a verdade, não. Eles já estavam planejando isso. Hoje os monitores foram chamados para uma reunião com os diretores. Lá no quinto andar. Então não tinha perigo para eles causarem um tumulto aqui na frente. Ao menos por alguns minutos.

Diego ficou irritado de pensar que aquela cobra não aparecera ali. Mas Tiago disse que ela geralmente não se aproximava muito do prédio principal. Depois de ajudar o loiro a pegar suas coisas do chão, eles se despediram, timidamente, e Tiago seguiu seu caminho para o lado contrario dos outros alunos. 

Assim que o rapaz da cicatriz ia se virar para ir embora, acabou pisando em algo que fez seu pé derrapar um pouco. Era de Tiago, um colar parecido com o seu, com exceção do barbante que dourado como ouro. A pedrinha não era fosca, a cor era a mesma da cor dos olhos da professora Rúnica.

Vermelho-violeta.

 

 

Enquanto trilhava até o portão, sentia a brisa em seu pescoço, apreciava a bela paisagem do sol se pondo e os belos e extensos jardins do Craveiro. Desejou do fundo do coração que ninguém em sua casa soubessem de suas infrações. Certamente seria obrigado a fazer mais do que aqueles treinos horrorosos.

Repentinamente, algo muito estranho aconteceu. 

Sua barriga começou a arder. Seu peito parecia em chamas. Uma raiva estranha começava a crescer dentro de sua cabeça. Não parecia ser sua. O rapaz titubeou, depois parou no meio da estrada. Estava sozinho, então teria de se virar com as dores.

Aquietou-se, os olhos fechados. Gradualmente a sensação de raiva foi passando. Quando finalmente julgou que seria uma boa ideia abrir os olhos, o que sentiu foi medo.

Viu um brilho distante logo atrás de uma enorme árvore no meio de um jardim. O sol amarelado batia em uma figura quase impossível de decifrar. Entretanto, Diego reconheceu a silhueta. 

Tinha chifres ondulados projetados da cabeça, garras enormes no lugar dos dedos, patas que mais pareciam as de uma cabra. O negrume causado pela sombra da árvore cobria toda sua cor, menos as dos olhos. Distantes, eram apenas pequenos brilhos amarelos e ferozes, mas que ainda carregavam uma ameaçadora energia assassina.

O palpitar de seu coração fez o rapaz respirar com dificuldade. Respirou freneticamente e começou a transpirar como se tivesse corrido uma maratona. Deu alguns passos para trás, assustado. E se assustou mais ainda quando esbarrou em algo grande e macio.

— Hur… Cuidado. Você está bem?

Era a gigante voz abobalhada de Bruno, um dos Baderneiros. Diego não se importou com as velhas diferenças, segurou sua mão e tentou arrastar o grandalhão para longe dali. Bruno, porém, não se mexia.

— E-Ei… O que foi?

— V-v-você não tá vendo aquilo? 

Assim que Diego apontou para a árvore onde estava a criatura, notou que não havia nada ali exceto a mesma arvore de sempre.

— Hur… Vendo o quê?

Ofegante, o rapaz tentou abrir a boca para falar algo. Quando viu que estava agindo de uma maneira mais desengonçada que Bruno, decidiu que era melhor guardar o que vira para si. Enxugou o suor da testa com a manga rasgada do terno, coisa que Bruno notou.

— Isso foi a Mini?

— O que? Isso? Foi. Acabei irritando ela.

Diego se impressionou com a própria resposta. Era como se ele tivesse feito algo de errado, quando, em sua mente, só tentou fazer o que era justo.

— Hur… Sinto muito. Mas não fica com raiva dela. Ela não é má.

— Jura?! Ela quase me matou, sabia?

— Verdade? — O grandalhão arregalou os olhos. — Hur… Sinto muito. O papai não vai ficar feliz.

O raaz da cicatriz parou um segundo para pensar numa hipótese. Bruno era grande e tinha orelhas de urso na cabeça. Quem mais era grande, um pouco bobalhão e lembrava muito um urso? Então Diego teve uma incrível iluminação.

— Espera, você é filho do senhor Bjorn?

— Hur… Você conhece nosso pai?

Diego congelou.

— Nosso? — perguntou, apreensivo com a resposta.

— Mini é irmã minha.

De todas as pessoas que Diego poderia irritar, Max Bjorn não era uma delas. Tinha o tratado tão bem. Achava desconfortante o fato da filha de uma pessoa tão gentil ser tão agressiva. 

Embora quisesse ver Mini sofrer algum tipo de castigo, não queria nenhum boato dizendo que Diego havia socado a garganta de ninguem.

— Ah, tá. Então... eu tava brincando. Ela não me fez nada, não. Eu só tive uma briga com ela, mas não foi nada de mais. Não precisa contar nada para seu pai.

— Mesmo?

— Sim, sim. Agora, vamos sair logo daqui. Você vai voltar para pegar suas coisas?

— Não. Eu vou para o meu quarto. — E apontou para um prédio que ficava próximo ao principal. — Fica lá dentro.

— Ah! Sim. Você mora aqui. Entendi.

Diego ficou um pouco desconcertado, porque não queria voltar até o portão sozinho desde que vira aquele monstro outra vez.

— Hur… Você não vem? Para o dormitório. — Bruno apontou mais uma vez para o prédio. — Todos os alunos dormem lá. O papai já deve ter colocado suas coisas lá. Ele é ótimo segurança, o papai.

Bruno soltou um grande sorriso bobo para Diego. De início, o rapaz com a cicatriz ficou meio incomodado, depois até que gostou do sorriso. Mas no fim, não conseguiu se controlar. Acabou rindo.

Enquanto os dois caminhavam para o dormitório, o rapaz pensava em como o seu dia foi cheio: duas brigas em um único dia, uma aventura escalando o prédio, alguns novos amigos e se não fosse por Léo este seria o fim de suas aventuras na terra.

— Obrigado — disse, voltando ao seu mau-humor habitual.

Bruno ficou um tanto confuso, mas decidiu não perguntar.



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