Classroom of The Elite Japonesa

Tradução: slag

Revisão: slag


Ano 1 - Volume 10

Capítulo 2: Votação em Sala de Aula

NO DIA SEGUINTE, terça-feira, 2 de março, Chabashira entrou na sala logo após o sinal tocar para o início da aula da manhã. Era uma cena que víamos todos os dias, e meus colegas estavam completamente tranquilos. Ontem, ela havia anunciado os resultados das provas, informando que todos nós havíamos passado no exame de fim de ano. E ainda restavam alguns dias antes do exame especial final do ano, que começaria em 8 de março. Não havia motivo para ninguém estar nervoso, então aquele clima relaxado era apenas natural.

No entanto, Chabashira estava com uma expressão extraordinariamente sombria ao subir ao pódio. Ela transmitia uma sensação de tensão e ansiedade — sentimentos que logo começaram a se espalhar entre os alunos também.

— Hum… aconteceu alguma coisa?

Hirata, sempre priorizando a harmonia da classe, tomou a iniciativa de falar. Ela não respondeu de imediato, permanecendo em silêncio, quase como se estivesse relutante em dizer qualquer coisa. No passado, ela sempre começava a explicar sem piedade qualquer prova que enfrentaríamos, por mais dura que fosse. Diante disso, não demorou para que os alunos percebessem que havia algo estranho naquela situação.

— Há algo que preciso dizer a todos vocês.

Ela finalmente abriu a boca para falar. Sua expressão continuava tão severa quanto sempre, mas a tensão em sua voz dava a impressão de que estava se esforçando ao máximo para conseguir dizer aquelas palavras.

— Como informei ontem, o exame especial final do primeiro ano começará no dia 8 de março. Após concluí-lo, vocês serão promovidos ao segundo ano. Esse sempre foi o procedimento nos anos anteriores.

Chabashira se virou, pegou um pedaço de giz e levou a mão até o quadro-negro.

— No entanto, este ano as coisas serão um pouco diferentes dos anos anteriores.

— Diferentes? — perguntou Hirata, percebendo que havia algo errado.

— Mesmo após a realização das provas finais de fim de ano, nem um único aluno foi expulso este ano. Chegar a este ponto sem nenhuma expulsão nunca aconteceu antes na história desta escola.

— Isso só quer dizer que somos muito bons, não é? — disse Ike, interrompendo.
Mas não parecia que ele deveria estar comemorando. Se Chabashira estivesse agindo como de costume, provavelmente já o teria advertido severamente para não se empolgar demais.

— Isso mesmo. E a escola também reconhece isso. Normalmente, poderíamos dizer que seria algo a ser comemorado. Até mesmo nós, do corpo docente, esperamos que o maior número possível de alunos chegue à formatura. No entanto, é preciso dizer que problemas surgem quando as coisas não saem conforme o planejado.

A forma como ela disse aquilo soou estranha. Hirata e minha vizinha, Horikita, também perceberam algo incomum em sua escolha de palavras.

— A senhora parece incomodada… como se o fato de ninguém ter sido expulso até agora fosse um problema.

— Não é isso. Mas às vezes acontecem coisas que eu não esperava — respondeu ela.

Ela havia dito que aquilo normalmente seria motivo de comemoração, mas seu tom era grave. Horikita então falou, como se tentasse afastar aquele pressentimento.

— O que está tentando dizer? Que há algo de errado conosco?

Mas nada do que disséssemos mudaria o que Chabashira estava prestes a nos contar. Ela não tinha liberdade para agir como quisesse. Era uma funcionária da escola. Seu único papel era transmitir suas instruções para nós.

— A escola decidiu que, considerando o fato de que nenhum aluno do primeiro ano foi expulso…

As palavras pareceram ficar presas na garganta de Chabashira. Ela teve dificuldade para continuar.

— Como uma "medida para circunstâncias excepcionais", será realizado imediatamente um exame especial suplementar, com início hoje. 

Chabashira escreveu no quadro a data de hoje — terça-feira, 2 de março — junto das palavras "exame especial suplementar".

— Espera, o quê? O que é isso afinal?! Cara, outro exame especial? Isso é a pior coisa do mundo! A escola está agindo como uma criança mimada! Como ninguém foi expulso, eles estão inventando outra prova! — gritou Ike.

Chabashira simplesmente ignorou tudo o que ele disse. Os alunos não tinham o direito de se opor e, na verdade… talvez fosse ela quem estivesse sendo obrigada a nos aplicar esse teste contra a própria vontade. Ela parecia muito mais tensa do que o normal. Não estava tentando nos intimidar — era provável que a escola realmente tivesse decidido aplicar essa prova às pressas.

— Algo me diz que as coisas serão um pouco diferentes do que têm sido até agora — murmurou Horikita, em voz baixa, percebendo que não adiantava resistir.

— Apenas os alunos que forem aprovados neste exame especial poderão seguir para o exame especial do dia 8 de março — disse Chabashira, fazendo uma breve pausa após essa explicação.

— Ah, qual é! Eu não estou entendendo nada! Não acredito que vão nos dar esse exame extra só agora!

— A frustração de vocês é completamente compreensível. Este exame especial está sendo aplicado apesar de não ter sido planejado anteriormente. Embora seja apenas uma prova a mais do que as que os alunos dos anos anteriores enfrentaram, não se pode negar que isso impõe um fardo a todos vocês. Isso é algo que eu e os outros professores estamos levando muito a sério.

Os professores estavam levando isso a sério, hein? O que significava que eram especificamente os instrutores que estavam preocupados, enquanto a administração da escola talvez não se sentisse da mesma forma. Pelo menos, era uma forma de interpretar suas palavras.

Certamente, acrescentar um exame especial seria difícil para os alunos. Se fosse uma prova escrita que testasse habilidade acadêmica, teríamos que estudar ainda mais. Se fosse um exame físico, precisaríamos treinar da mesma forma. Independentemente do conteúdo da prova, obrigar os alunos a realizá-la era uma medida severa.

Ainda assim, ela não iria desaparecer, por mais que reclamássemos.

Chabashira continuou:

— O conteúdo deste exame especial é extremamente simples. A taxa de evasão também não é alta, ficando abaixo de três por cento por turma.

Uma taxa de evasão inferior a três por cento. De fato, isso parecia baixo. Mas esse exame especial suplementar certamente seria diferente de qualquer prova escrita que já tivéssemos feito até agora. Não havia necessidade de mencionar especificamente a taxa de evasão. Na verdade, essa expressão nunca havia sido usada em nenhum dos exames anteriores.

Os alunos que perceberam isso ficaram ainda mais desconfiados. Olhei para minha vizinha — que, por coincidência, também olhou para mim naquele exato momento — e nossos olhares se encontraram.

— O que foi, Ayanokoji-kun?

— Ah… nada.

— Você sabe que ficar me encarando sem motivo nenhum é meio assustador, né?

— É, acho que sim.

Decidi apenas olhar pela janela. A sala era pequena o suficiente para que eu pudesse ouvir tudo o que estava sendo dito, não importava para onde estivesse olhando.

— Que tipo de prova será essa? E o que exatamente ela vai avaliar?

— Você parece ansioso, mas, na verdade, não há com o que se preocupar. Este exame especial suplementar não tem absolutamente nada a ver com a capacidade intelectual ou física de vocês. É algo tão simples que, quando chegar a hora, qualquer um poderá fazê-lo. Isso mesmo. É tão simples quanto escrever o próprio nome na folha de prova. E há apenas três por cento de chance de você ser expulso como resultado. Concordam que é uma chance baixa? — disse Chabashira.

Ela ainda não havia abordado o ponto principal — o conteúdo real do exame.

— O nível de dificuldade não importa. Do nosso ponto de vista, até mesmo três por cento é assustador.

— É verdade. Você tem razão, Hirata. Eu entendo como esses três por cento podem assustar vocês. No entanto, se conseguem ou não reduzir esse risco depende do que fizerem no tempo que têm antes da prova de fato. Como imagino que já tenham percebido — disse Chabashira.

— Como chegaram a esse número? Pelo que está dizendo, parece uma espécie de loteria. É isso? — perguntou Hirata.

As chances de alguém da nossa turma ser expulso eram altas. Chabashira mencionara casualmente a taxa de três por cento, mas o peso que esse exame colocaria sobre os alunos era maior do que podiam imaginar. Hirata, percebendo isso imediatamente, pressionou-a.

— Por favor, diga-nos. Que tipo de prova será essa?

— O título deste exame especial é: "Votação em Classe".

— Votação… em Classe?

Chabashira escreveu o título do exame no quadro-negro.

— Agora explicarei as regras deste exame especial. A partir de hoje, vocês terão quatro dias para avaliar seus colegas. Deverão escolher três alunos que acreditam merecer elogios e três que acreditam merecer críticas, e então registrar seus votos no sábado. É só isso.

Então os alunos avaliariam uns aos outros? Pensando de forma simples, estudantes como Hirata e Kushida receberiam muitos votos e ficariam no topo. Por outro lado, aqueles considerados irritantes ou que pareciam estar prejudicando a turma afundariam para o final da lista. O fato de a prova ser realizada no sábado — que originalmente seria um dia de folga — deixava clara a urgência da situação. Ainda assim, com base no que Chabashira disse—

— S-Só isso? É só isso mesmo?

— Só isso. Eu não disse? É uma prova simples.

— Espera… como se determina aprovação ou reprovação — uma boa ou má pontuação — com uma prova dessas?

— Vou explicar essa parte agora.

Apertando ainda mais o giz, Chabashira continuou a escrever.

— O cerne deste exame especial é o número de votos de elogio e de crítica que cada aluno receberá como resultado da votação. O aluno no topo — em outras palavras, aquele que receber mais votos de elogio — receberá uma recompensa especial. Essa recompensa não será em pontos privados, mas sim um "Ponto de Proteção". Trata-se de um novo sistema.

Nunca havíamos ouvido falar desse tipo de ponto antes. Naturalmente, a atenção de todos foi imediatamente despertada.

— No improvável caso de vocês estarem sujeitos à expulsão no futuro, os Pontos de Proteção permitirão reverter essa decisão. Mesmo que falhem em uma prova, eles permitirão anular questões que tenham errado, de acordo com a quantidade de pontos que possuírem. No entanto, esses pontos não podem ser transferidos para outras pessoas.

Não seria exagero dizer que todos na sala estavam mais chocados do que jamais haviam estado antes.

— Tenho certeza de que todos entendem o quão poderosos esses pontos são. Em termos comparativos, eles valem cerca de vinte milhões de pontos privados. Claro, se você for um aluno excelente e não tiver medo de ser expulso, talvez não os considere tão valiosos — explicou ela.

Isso provavelmente não era verdade. Não importava quem fosse, qualquer pessoa desejaria ter a capacidade de anular uma expulsão. Não havia um único aluno que não acolheria esse poder. Era uma recompensa extravagante.

Na verdade… extravagante demais.

Dependendo de como fossem usados, esses Pontos de Proteção poderiam se tornar uma arma incrivelmente perigosa. E, considerando o quão valiosa era a recompensa, estava claro que a penalidade sofrida por quem ficasse em último lugar também seria significativa.

— Então isso quer dizer que algo ruim vai acontecer com os três últimos colocados…? — perguntou Hirata, ansioso.

— Não necessariamente. Neste caso, apenas um aluno — aquele que receber o maior número de votos de crítica em toda a turma — sofrerá a penalidade. Os demais não serão punidos, independentemente de quantos votos de crítica recebam. Afinal, o objetivo deste exame especial suplementar é eleger um aluno para liderar e outro para ficar em último lugar.

— Que tipo de penalidade?

— Este exame especial suplementar não é como os que vocês tiveram até agora. Há um aspecto, em particular, que é diferente — e é que esta prova está sendo realizada para resolver o problema da falta de evasões. Esse é o propósito para o qual foi criada — explicou Chabashira.

Exatamente. O que os alunos realmente deveriam temer era o motivo pelo qual esse exame estava sendo aplicado. Se essa prova existia porque ninguém havia sido expulso até agora, então—

— Este exame especial é, como eu expliquei, bastante fácil. Não é uma prova difícil, independentemente de vocês terem notas ruins ou serem fracos em esportes. Mas, então, por que a escola preparou uma recompensa tão extraordinária quanto os Pontos de Proteção? Porque esta é uma prova na qual provavelmente será impossível avançar sem que alguém seja expulso.

Chabashira se virou e olhou para todos nós, um por um.

— Isso mesmo. O aluno que ficar em último lugar… será expulso desta escola.

Se havia votação, haveria resultados. E, se havia resultados, alguém ficaria em primeiro lugar e alguém em último. E quem ficasse em último seria expulso. O desfecho era inevitável. Não importava se a turma fosse excepcional ou medíocre — o resultado seria o mesmo. A única diferença seria quem.

Então é esse o tipo de prova, hein?

Frustrada pela falta de alunos sendo expulsos, a escola decidiu aplicar esse exame suplementar. Era uma prova que precisava necessariamente resultar na expulsão de alguém — caso contrário, não haveria motivo para realizá-la. Mas a pessoa que me veio à mente foi ninguém menos que o pai de Sakayanagi, o presidente do conselho. Não era possível julgar completamente alguém após apenas um encontro, mas ele não parecia o tipo de pessoa que implementaria um exame tão absurdo.

— E-Eu não estou entendendo muito bem, sensei. A-A senhora está dizendo que, se alguém ficar em último lugar… essa pessoa vai ser expulsa?

— Correto. Por assim dizer, essa pessoa estará na berlinda. Mas não se preocupem. A turma como um todo não será penalizada mesmo que alguém seja expulso desta vez. Essa é a natureza deste exame — respondeu Chabashira.

Isso era claramente diferente dos exames especiais que havíamos enfrentado até agora. Embora a probabilidade de expulsão variasse de aluno para aluno, normalmente havia uma chance igual de todos evitarem a expulsão juntos. Desta vez, porém, o exame foi projetado para garantir que alguém fosse sacrificado. Essa era a tal "medida para circunstâncias excepcionais" preparada pela escola.

Era justamente por estarem forçando uma expulsão que estavam nos oferecendo algo como os Pontos de Proteção. Ainda assim, o risco que estavam nos impondo era desproporcionalmente alto.

— Vocês provavelmente acham isso absurdo. Como professora de vocês, eu também acho. Mas a decisão já foi tomada, e não há nada que possamos fazer para lutar contra ela. Não temos escolha a não ser seguir as regras e realizar este exame especial — disse Chabashira.

— Sério…?

Uma nuvem sombria pairou sobre nossa turma, que mal havia conseguido sobreviver aos exames finais de fim de ano. Neste fim de semana, um de nós desapareceria.

— O tempo até o dia da votação é limitado, então permitam-me continuar explicando as regras. O número de votos de elogio e de crítica que cada aluno receber será divulgado ao final do exame, assim como o resultado da turma como um todo. No entanto, não será revelado quem votou em quem. A votação será anônima — disse Chabashira.

Eles precisavam tornar a votação anônima para aplicar esse exame. Deixando os votos de elogio de lado, a questão de quem deu votos de crítica a quem certamente se tornaria um problema por muito tempo depois.

— Continuando. Um voto de elogio e um voto de crítica se anulam. Se alguém receber dez votos de crítica e trinta de elogio, ficará com um saldo positivo de vinte. Independentemente de serem votos de elogio ou de crítica, vocês não podem votar em si mesmos. Também não é permitido votar mais de uma vez na mesma pessoa.

— E se nos abstivermos…? Poderíamos, por exemplo, enviar apenas votos de elogio?

— Não. Naturalmente, isso não é permitido. Vocês devem preencher três nomes para votos de elogio e três para votos de crítica. Além disso, mesmo que faltem à escola no dia do exame especial por estarem doentes, ainda assim terão de votar — respondeu Chabashira.

Isso significava que não poderíamos deixar as cédulas em branco nem nos abster. Vários alunos pareciam profundamente perturbados. Esse exame certamente representava uma ameaça real para aqueles que esperavam receber muitos votos de crítica. Os alunos que haviam chegado até aqui apoiando-se no esforço dos outros deviam estar sentindo ainda mais pressão agora.

— Não, ainda é cedo demais para cairmos em desespero — disse Hirata, oferecendo palavras de conforto a Ike e aos outros, tentando acalmá-los. — A sensei disse que era "provavelmente" impossível. Isso significa que deve haver alguma brecha.

Nos exames anteriores, Chabashira sempre escolhia suas palavras de forma a nos dar pistas de como sobreviver. Mas como isso funcionaria desta vez? O "provavelmente" em sua fala parecia indicar que havia um número limitado de métodos que poderíamos usar.

— Não é fácil, mas certamente existe um método para evitar a expulsão — disse Horikita.

— O-O que você quer dizer, Horikita?

— Se precisamos escolher três pessoas para receber votos de elogio e três para receber votos de crítica, então, desde que consigamos controlar a votação fazendo com que todos da turma ajam em conjunto, poderíamos basicamente anular tudo. Assim, tanto os alunos que receberiam apenas elogios quanto os que receberiam apenas críticas terminariam com zero. Se fizermos isso, ninguém ficaria em último lugar. Estou errada?

— E-Entendi, faz sentido! Boa, Suzune!

Seria possível, se todos cooperassem. Mas, se apenas uma pessoa se tornasse traidora, o aluno alvo dessa traição seria empurrado rumo à expulsão. Além disso, havia uma recompensa tentadora esperando por quem ficasse no topo, na forma dos Pontos de Proteção. Pessoas como Kushida, que odiavam Horikita, poderiam ser um problema.

Seria possível compensar isso ajustando o plano? Se Kushida fosse instruída a votar com crítica em Horikita, talvez fosse possível evitar o perigo até certo ponto. Como o total final de votos seria divulgado depois, isso provavelmente ajudaria a identificar quem tivesse traído. Não podíamos nos apunhalar pelas costas por capricho.

— O que Horikita disse agora sobre controlar a votação seria inútil — afirmou Chabashira.

— Como assim?

— Se ninguém for selecionado para o primeiro e o último lugar neste exame, os resultados serão rejeitados. Seja intencionalmente ou por acidente, se o resultado final mostrar que todos receberam um total de zero, uma nova votação será realizada. Em outras palavras, o exame será repetido indefinidamente até que se decida quem será expulso.

A rota de fuga que os alunos procuravam desesperadamente havia acabado de ser bloqueada.

— Espere, isso não é… meio estranho? Se realmente acabarmos com um total de zero após escolhermos em quem votar com elogios e críticas, então votaríamos da mesma forma na segunda vez, produzindo o mesmo resultado. Se anularem os resultados à força, não dá para dizer que eles se baseiam em uma avaliação justa — retrucou Horikita.

— Horikita, seu raciocínio está correto. Se vocês chegassem a um total de zero por coincidência, de fato seria contraditório obrigá-los a votar novamente. Mas pense nisso de forma realista. Em um teste em que se pede que escolham alguém para ficar em primeiro e alguém para ficar em último, seria extremamente improvável que, por acaso, todos terminassem com zero votos. Não?

A resposta de Chabashira também fazia muito sentido. Um resultado em que todos terminassem com zero votos não aconteceria a menos que a votação fosse intencionalmente organizada para isso.

— Então, o que acontece se duas ou mais pessoas empatarem em primeiro ou último lugar?

Esse era um desfecho bastante provável.

— Haverá uma votação de desempate. Se mesmo assim o voto permanecer dividido e não for possível chegar a uma decisão, a escola utilizará um método especial que foi desenvolvido para resolver o empate. Não posso explicar qual é esse método neste momento — disse Chabashira.

Então ela só revelaria isso caso a votação terminasse empatada? As chances de um impasse assim eram bem baixas.

— Não há necessidade de se preocupar com isso. Na verdade, as chances de chegar a um desempate são praticamente zero — acrescentou Chabashira, compartilhando da mesma opinião que eu.

— Por quê? Acho que é algo bem possível.

— Bem, isso acontece porque… no que diz respeito aos votos de elogio, também pediremos que vocês votem em alunos de fora da sua turma.

— Fora da nossa turma?

— Vocês deverão escolher um aluno que considerem digno de elogio entre as outras três turmas. Naturalmente, cada um desses votos também contará como um voto de elogio. Em outras palavras, no improvável caso de um aluno ser detestado por toda a sua turma, mas ser bem-visto por todos nas outras classes, é perfeitamente possível que ele termine com cerca de oitenta votos de elogio, mesmo após subtrair os votos de crítica recebidos de sua própria turma — explicou ela.

Isso era bastante incomum. Significava que, teoricamente, alguém poderia garantir mais de cem votos de elogio, o que certamente diminuía — e muito — as chances de empate. Agora, o panorama geral desse exame suplementar finalmente estava claro.

Exame Suplementar – Votação em Classe

CONTEÚDO DO EXAME:
O exame consiste em uma votação, na qual os alunos de cada turma deverão registrar três votos de elogio e três votos de crítica.

REGRA 1:
Votos de elogio e votos de crítica se anulam. Votos de Elogio − Votos de Crítica = Resultado Final.

REGRA 2:
Os alunos não podem votar em si mesmos, independentemente de serem votos de elogio ou de crítica.

REGRA 3:
Não é permitido votar mais de uma vez na mesma pessoa, deixar a cédula em branco e/ou se abster da votação em nenhuma circunstância.

REGRA 4:
O exame será repetido quantas vezes forem necessárias até que sejam definidos um primeiro e um último lugar. O aluno que ficar em último será expulso.

REGRA 5:
Cada aluno também deverá registrar separadamente um voto de elogio para um estudante de uma das outras três turmas. Esse voto é obrigatório.

Era isso. Esses eram os detalhes do exame suplementar. Não havia dúvida de que era simples e direto — mas também era o exame mais cruel que já havíamos enfrentado até então. Alguém da nossa turma, e alguém de cada uma das outras turmas, desapareceria neste fim de semana.

Mas…

— Sensei, por que a senhora disse que seria "provavelmente" impossível? Pelo que estou ouvindo, não parece haver nenhuma brecha.

— Exatamente. Não há. No entanto, existem variáveis em jogo. Tenho certeza de que isso já passou pela cabeça de vocês, mas as coisas mudam quando se utilizam pontos privados — respondeu ela.

— A senhora está dizendo que podemos resolver uma expulsão com pontos?

— Vinte milhões de pontos. Se conseguirem reunir essa quantia, a escola não terá escolha a não ser revogar a expulsão.

Então foi por isso que ela havia dito "provavelmente", hein? Como a transferência de pontos privados não era restrita, a negociação se tornava uma estratégia viável. Em outras palavras, a capacidade de comprar votos de elogio com dinheiro era reconhecida como uma habilidade em si — e éramos livres para fazer isso.

A escola basicamente estava nos dizendo para utilizar quaisquer habilidades que desejássemos. As capacidades que demonstramos ao longo do último ano. O poder financeiro que acumulamos nos exames. Talvez até mesmo aquilo que se poderia chamar de trabalho em equipe, por meio das nossas amizades.

— E-Espere um pouco. Vinte milhões de pontos, isso é…

— É impossível, mesmo que todos os pontos da Turma C sejam reunidos. No entanto, vocês podem conseguir pontos de outras turmas ou pedir ajuda aos alunos veteranos. Se fizerem isso, não é uma quantia impossível.

Era verdade que poderíamos, realisticamente, acumular essa quantia transferindo pontos entre turmas ou até entre séries. No entanto, reunir o suficiente para proteger uma única pessoa da Turma C seria difícil. Havia grandes chances de que nem mesmo a Turma A ou a Turma B conseguissem juntar tanto, mesmo unindo seus pontos. E, ainda que conseguissem, era duvidoso que realmente usassem tudo isso para proteger apenas um aluno. Sacrificar toda a riqueza acumulada até agora seria um movimento extremamente arriscado.

— Esse é o único método que vocês podem usar para se defender. Deixem-me dizer isto: é absolutamente impossível encontrar brechas nas regras estabelecidas pela escola de qualquer outra forma. Agora, o resto cabe a vocês avaliar e decidir — disse Chabashira, encerrando seu discurso justamente quando a aula terminou.

Assim que nossa professora saiu de vista, os alunos sucumbiram ao desespero.

— O que a gente faz?! O que a gente faz?! Cara, esse é o pior exame de todos, não é?!

— Vocês podem calar a boca?!

— Como assim calar a boca?! Você provavelmente está pensando em me dar votos de crítica, não está?!

Garotos e garotas começaram a trocar gritos e provocações, transformando rapidamente a sala em um caos, com ambos os lados em alerta.

— Que cena lamentável — zombou um dos rapazes, observando a discussão. Era ninguém menos que Koenji Rokusuke, o aluno mais excêntrico da nossa turma. — Francamente, não adianta espernear agora, não acham?

— E como é que você, justamente você, está tão calmo assim? Tem ideia de quantos problemas já causou para o resto da turma até agora? — disse Sudou, pressionando Koenji.

Era verdade que a natureza caprichosa de Koenji já havia complicado as coisas para a turma inúmeras vezes até então.

— Você se retirou egoisticamente tanto do teste da ilha desabitada quanto do festival esportivo, lembra?

Os olhares da turma se voltaram para eles. Os mais fracos de espírito, que não queriam ser expulsos, já começavam a procurar alguém para servir de bode expiatório.

— Parece que quem não entende esta situação é você, RedHair-boy — disse Koenji, cruzando as pernas e apoiando-as sobre a mesa. — Você parece achar que aquilo que desenvolveu ao longo deste último ano é a chave para este exame especial.

— E é mesmo! — rebateu Sudou.

— Não, não é. Este exame especial está focado nos próximos dois anos.

Koenji rejeitou completamente a opinião de Sudou. Não — a opinião da turma inteira.

— Hã? Do que você está falando…? — disse Sudou, sem entender. Provavelmente achava que aquilo era apenas mais uma das excentricidades habituais de Koenji.

— Não percebe? Este teste especial é, literalmente, um caso excepcional. Normalmente, uma turma que tem um aluno expulso sofre penalidades severas, não é? No entanto, desta vez, não há qualquer penalidade. Em outras palavras, esta é uma excelente oportunidade para remover um aluno desnecessário — explicou Koenji.

— Então isso só faz de você um alvo ainda maior, Encrenqueiro-san! — retrucou Sudou.

— Não. Eu não serei um alvo.

— Hã? …E o que te faz ter tanta certeza disso?

— Ora, porque sou bastante superior — declarou Koenji, com uma ousadia esmagadora e sem qualquer hesitação. Sudou recuou diante de sua confiança inabalável.

— Sempre fiquei entre os melhores da turma nas provas escritas. Na verdade, entre os melhores de toda a série. Inclusive, fiquei em segundo lugar por uma margem mínima no exame final de fim de ano. Claro, se eu realmente me empenhasse, conseguir o primeiro lugar não seria problema algum. Você também entende que supero você em capacidade física, não entende? — acrescentou Koenji, exibindo o alcance do próprio potencial.

— S-Sim, e daí? Não adianta nada se você não leva nada a sério!

— Concordo. Nesse caso, como dizem, vou "virar uma nova página". A começar por este exame, passarei a ser um aluno útil, alguém que contribui com a turma nos diversos exames e afins. Não acha que isso seria um benefício significativo para a nossa classe? — disse Koenji.

— Q-Quê…? Quem é que acreditaria numa coisa dessas?! Eu sou muito mais útil para a turma do que você! — gritou Sudou.

Ele tinha toda a razão em dizer isso. Eu não tinha motivo algum para acreditar no que Koenji acabara de afirmar — e nenhum dos outros alunos tinha. Na verdade, era impossível imaginá-lo começando a levar as coisas a sério justo agora, a partir deste exame. Sinceramente, era bem provável que nada mudasse. Se ele conseguisse passar por esta prova, era óbvio que voltaria a levar sua vida despreocupada, fazendo o que bem entendesse.

— Muito bem, então permita-me inverter a pergunta. O que você acabou de dizer — que é mais útil do que eu — é algo em que todos aqui acreditam? — perguntou Koenji, dirigindo-se não apenas a Sudou, mas à turma inteira. — Na verdade, suponho que não seja apenas o RedHair-boy. Não há garantia alguma de que um aluno que não foi útil até agora se torne útil no futuro, há? Você pode fazer quantas afirmações quiser, como eu acabei de fazer. Mas o que realmente precisa é de habilidade oculta. Se não tiver isso, não conseguirá convencer ninguém.

A ideia de que alunos sem habilidade precisam se esforçar para mudar. A ideia de que alunos com habilidade também precisam se esforçar para mudar. Koenji estava dizendo que, embora essas duas afirmações soassem semelhantes, na verdade eram completamente diferentes.

Ele parecia certo de que não receberia votos de crítica e acabaria em último lugar. Se fosse o caso, parecia até estar recebendo esse exame suplementar de braços abertos. Mas isso não significava que estivesse totalmente fora de perigo. Dependendo de como as coisas se desenrolassem, havia um risco real de acumular votos de crítica. Para o bem ou para o mal, ele estava sendo direto demais.

Mas, sendo totalmente honesto, eu concordava com Koenji. Se considerássemos a turma como um todo, precisávamos tomar uma decisão clara sobre esse exame suplementar. Não era um concurso de popularidade — era uma oportunidade de identificar e eliminar um aluno desnecessário pelo bem da classe.

Os exames que havíamos feito até agora provavelmente já haviam expulsado alunos que possuíam alguma habilidade excepcional, mas também tinham fraquezas que acabaram sendo decisivas. Em termos mais simples, bastava olhar para Sudou, que naquele momento discutia com Koenji. Embora fosse abençoado com grande capacidade física, seu desempenho acadêmico estava entre os piores da turma. Na verdade, ele quase havia sido expulso uma vez por causa disso.

Mas, com a ajuda de Horikita, Sudou começou a compensar gradualmente essas deficiências. Como resultado, passou a demonstrar seu valor como um recurso para a turma.

Como Sudou, a maioria das pessoas possuía pontos fortes e fracos. Mas também havia mais do que alguns que não tinham pontos fortes dignos de nota. Eram marcados apenas por suas fraquezas — e da pior forma possível.

Todo ser humano tem potencial para crescer. Mas as pessoas florescem em momentos diferentes, e algumas simplesmente têm menos margem de crescimento desde o início. Era exatamente por isso que precisávamos aproveitar ao máximo esse exame. Infelizmente, parecia que Koenji era o único na nossa turma que havia chegado a essa conclusão.

— Ah, cala a boca, Koenji. Você só está falando um monte de besteira. Eu acho que quem é desnecessário aqui é você. E nada vai me fazer mudar de ideia.

— Mesmo que seus amigos mais próximos sejam incompetentes?

— Incompetentes? …Você está mesmo chamando meus amigos de incompetentes? Vai se ferrar! — Sudou bateu na mesa de Koenji e lançou-lhe um olhar feroz.

— Sim, foi exatamente isso que fiz. Imagino que seja tudo, então. Se deseja decidir por si mesmo, fique à vontade, mas nesse caso… bem, tenho certeza de que, com eles aqui, nossa turma continuará sendo um fracasso. Verdadeiramente defeituosa.

Koenji, completamente imperturbável, passou a mão pelos cabelos com naturalidade. Seus comentários provocativos haviam irritado Sudou.

— Escuta aqui, seu—

— Acalmem-se, vocês dois. Precisamos conversar com calma. Certo? — disse Hirata, interrompendo.

Quantas vezes Hirata já havia intervido e assumido o papel de mediador daquela forma? Era uma cena à qual já estávamos acostumados. No entanto, Sudou não demonstrava nenhum sinal de estar se acalmando.

— Como assim se acalmar, Hirata? Quero dizer, você vai ficar bem, não vai? Você nunca ficaria em último — disse Ike.

— Bem…

O que Ike disse atingiu Hirata em cheio. Era verdade que ele havia contribuído muito para a turma ao longo do último ano. As palavras de alguém que provavelmente estava na posição mais segura nesse exame dificilmente tocariam os outros alunos.

— Bem, eu… eu não sei o que pode acontecer comigo — disse Hirata, negando o que Ike havia afirmado. Suas palavras, porém, não chegaram até Sudou.

— Ouviu isso, Kanji? O Hirata disse que não sabe o que vai acontecer com ele.

— Sem chance, cara. O Hirata-sama é o único seguro aqui.

Yamauchi e Ike trocaram sorrisos irônicos, que pareciam expressar mais resignação do que irritação. E o que diziam era compreensível. Provavelmente não havia ninguém ali que acreditasse que Hirata pudesse ser expulso. Mesmo que recebesse alguns votos de crítica, com certeza ganharia votos de elogio suficientes para se manter seguro.

— Mas…

Hirata tentou falar várias vezes, mas as palavras simplesmente não saíam. Além disso, o exame especial acabara de ser anunciado. Com a turma ainda tomada pela confusão, ninguém estava pronto para ouvir calmamente o que ele tinha a dizer.

— Vamos continuar nossa conversa, Koenji — disse Sudou.

— Não tenho mais nada a dizer a você — respondeu Koenji.

— Pois eu tenho um monte de coisas para dizer a você — retrucou Sudou, pressionando-o mais uma vez. Ele não iria recuar. A única pessoa capaz de detê-lo agora era…

— Já chega, Sudou-kun.

— Ugh…

Horikita havia se pronunciado, assumindo a autoridade.

— Não se empolgue só porque suas notas — de certa forma — melhoraram.

— Não, não é isso, é que…

— Silêncio.

— Tá bom.

Com apenas algumas palavras, ela assumiu completo controle sobre Sudou. Em seguida, ordenou que ele voltasse ao seu lugar e se afastasse de Koenji.

— Obrigado pela ajuda, Horikita-san.

— Não foi nada demais. Pelo menos, comparado ao exame — respondeu ela.

Depois de dizer isso, Horikita se afastou de Koenji e retornou ao próprio lugar.

— Bom trabalho ao lidar com isso — comentei.

— Foi um transtorno desnecessário — suspirou ela, sentando-se. — Mas… esta realmente é uma situação complicada. Apesar de toda a instabilidade até agora, nós nos unimos e trabalhamos juntos. E, mesmo assim, estão nos forçando a expulsar alguém. É simplesmente… Injusto.

— Injusto, é?

Claro, eu entendia por que ela sentia necessidade de reclamar.

— Você não acha?

— Bem, nunca houve garantias desde o início. Nem desde o momento em que entramos aqui.

— Sim, suponho que você tenha razão. Este exame foi apenas uma reação impulsiva por parte da escola. Ainda assim, acho isso absurdo — respondeu ela.

— É, realmente parece uma retaliação pelo fato de ninguém ter sido expulso até agora — acrescentei.

Era razoável sentir insatisfação com isso, como Horikita sentia. De qualquer forma, eu não podia permanecer totalmente à margem neste exame. Todos na turma enfrentavam um certo risco de expulsão. Na verdade, como alguém que ocupava uma posição baixa na hierarquia da classe, havia uma preocupação real de que eu recebesse vários votos de crítica. Se quisesse evitar isso, o melhor seria mover todas as peças o quanto antes.

— Sinceramente, não consigo aceitar este exame, mas… — murmurou Horikita.

Apesar de estar falando baixo, pude perceber uma espécie de determinação feroz em sua expressão. O clima inquietante continuou a pairar pela sala enquanto seguíamos com as aulas da manhã.

*

 

Durante o intervalo para o almoço, o Grupo Ayanokoji se reuniu no café para conversar enquanto comíamos.

— Ah, cara, isso é a pior coisa de todas, não é? Não acredito que vão fazer a gente expulsar alguém da escola. Não faço ideia do que a escola está pensando — disse Haruka, soltando um longo suspiro enquanto mexia o canudo na bebida.

Keisei foi o primeiro a responder.

— Concordo. Mas, para mim, o mais imperdoável é o fato de que os colegas de classe tenham que lutar entre si. É o completo oposto dos exames que tivemos até agora, que exigiam cooperação da nossa parte. É simplesmente absurdo.

— Pois é. Não importa que tipo de exame tenhamos enfrentado até agora, sempre estivemos competindo contra as outras turmas — disse Akito, concordando com Keisei.

— Tudo porque ninguém foi expulso ainda… Parece até que estão fazendo isso por despeito.

Durante as aulas da manhã, todos pareciam ansiosos, incapazes de se acalmar com o passar do tempo. Muitos alunos estavam compreensivelmente insatisfeitos com o exame suplementar, que consideravam completamente absurdo por parte da escola. Provavelmente, outros grupos de alunos estavam dizendo exatamente as mesmas coisas que nós naquele momento.

— Será que realmente existe algum tipo de truque secreto nisso? Yukimuu, você é inteligente. Não consegue pensar em alguma coisa?

— Ah… não? Quer dizer, a sugestão inicial da Horikita, de controlar os votos, é praticamente tudo o que temos. Acho que a estratégia de distribuir os votos de forma equilibrada é a única opção disponível. Mas, com base no que a Chabashira-sensei nos disse, isso parece impossível. Embora possamos dizer que este exame suplementar é egoísta, não podemos simplesmente ignorar as regras — respondeu Keisei.

Não era surpreendente que Keisei não tivesse encontrado uma solução, mesmo após pensar seriamente sobre o assunto. Não importava como abordássemos o problema — desta vez, todas as rotas de fuga pareciam bloqueadas.

— Eu pensei que a escola também não quisesse que ninguém fosse expulso. Pelo menos, foi o que eu imaginei. Mas agora parece que não é bem assim.

— Então isso significa que a escola realmente quer… expulsar pessoas, né? — disse Haruka. Por um instante, pareceu haver um lampejo de esperança em seus olhos, mas logo sua expressão se tornou sombria.

— É melhor não sermos otimistas demais desta vez. Provavelmente vamos sofrer consequências bem severas.

Consequências severas — ou seja, alguém da nossa turma seria expulso. Esse era o futuro inevitável que nos aguardava.

— Então isso significa que até alguém do nosso grupo pode desaparecer neste fim de semana — disse Airi, que permanecera em silêncio até então. Sua voz soava ansiosa, enquanto balançava levemente a cabeça, como se não quisesse sequer imaginar esse futuro.

— Keisei, deve haver algo que possamos fazer além de apenas esperar pela prova, não é? — perguntou Akito, esperando ouvir algo que aliviasse sua ansiedade. Keisei assentiu e olhou para cada membro do grupo.

— Você tem razão, Akito. Há algo que podemos fazer para evitar a expulsão. Então, aqui vai uma sugestão: que tal votarmos como um time… e votarmos uns nos outros?

— Votar uns nos outros? Você quer dizer escrever os nomes uns dos outros nos votos de elogio?

— Sim. Quero dizer, não consigo imaginar que algum de nós vá liderar a votação em termos de elogios. Mas acho que é uma boa ideia trabalharmos juntos para evitar o cenário improvável de ficarmos em último lugar.

Mesmo com apenas nós cinco trabalhando juntos, cada um poderia receber três votos de elogio. O importante era que, ao fazer isso, poderíamos anular três votos de crítica.

— M-Mas isso realmente está certo? Não deveríamos escolher as pessoas que contribuíram para a turma…? E a sensei disse que era inútil tentar controlar a votação… — disse a honesta Airi, visivelmente nervosa.

— Bem, um certo grau de votação em bloco é inevitável. Tenho certeza de que a Chabashira-sensei e os outros alunos sabem disso. Além disso, mesmo que nós não façamos isso, outros grupos certamente farão. Ao votar em grupo, vocês podem coordenar seus votos de crítica e atingir uma única pessoa. Na verdade, só o nosso grupo poderia concentrar até cinco votos de crítica em um único aluno — explicou Keisei.

— Cinco votos… Isso já é um grande impacto neste teste. E, se for um grupo maior, não seria difícil coordenar dez ou vinte votos, certo?

— Exatamente. Isso significa que, quanto melhor for sua posição na turma, mais fácil será esta batalha.

Isso mesmo. Esse era um dos pontos-chave deste exame. Alunos com maior prestígio dentro da hierarquia da turma teriam mais facilidade para atrair votos. Aqueles mais influentes e expressivos também poderiam obter uma vantagem considerável simplesmente organizando um ataque em grupo contra um aluno específico.

— Concordo com a ideia de nos protegermos dentro do nosso grupo. Não quero que nenhum de nós vá embora — disse, apoiando a sugestão de Keisei.

— E-Eu também — acrescentou Airi logo em seguida, concordando.

— Então está decidido — disse Keisei, assentindo ao perceber que a decisão havia sido unânime.

— Espera aí, só um segundo. Tem algo que eu quero perguntar — disse Akito. Embora tivesse concordado com a estratégia de Keisei, aparentemente havia algo que o incomodava. — Não vai ter gente formando grupos maiores que o nosso?

— Com certeza vai ter. Aliás, as chances de isso acontecer são altas — respondeu Keisei, assentindo, plenamente consciente do perigo. Se ele tivesse sugerido que nós mesmos formássemos um grupo grande, eu teria que ter barrado a ideia. Nestas circunstâncias, seria um péssimo movimento.

— Então a gente não deveria se mexer cedo também? Falar com outros alunos?

— Não… Na verdade, acho melhor não fazermos nada que mexa com o equilíbrio até o exame acabar. Não devemos causar atrito com ninguém da turma, seja quem for. Vamos evitar formar um grupo maior — disse Keisei.

— Então, basicamente… você está dizendo que não devemos fazer nada que nos faça chamar atenção, para não virarmos alvo.

Se chamasse atenção de forma descuidada, você poderia virar um alvo com facilidade — como Sudou ou Koenji.

— Além disso, é óbvio que o nosso grupo não está realmente preparado para executar uma estratégia dessas.

— É… faz sentido.

Keisei decidiu que deveríamos evitar formar um grupo grande. Felizmente, todos no grupo — Haruka inclusive — se convenceram com o raciocínio dele. Isso eliminava a possibilidade de algum deles acabar se envolvendo em alguma estratégia precipitada e sair perdendo, o que me deixou aliviado.

— Mas, pessoalmente, acho que, se alguém convidar vocês para entrar em outro grupo, tudo bem aceitar. Isso é uma estratégia bem importante para evitar que os votos de crítica se concentrem em vocês.

Mesmo que tivéssemos decidido direcionar nossos votos de elogio dentro do Grupo Ayanokoji, ainda assim seriam apenas três votos por pessoa. Se desse para evitar votos de crítica entrando em outro grupo, melhor ainda.

— Mas isso não vai ser meio difícil? Quer dizer… a gente é justamente um grupo de pessoas que não consegue fazer esse tipo de coisa.

Haruka parecia dizer que foi justamente porque nenhum de nós se encaixava em outros grupos que acabamos formando este. Keisei provavelmente já tinha levado isso em conta ao sugerir aquilo.

Se algum de nós recebesse um convite desses, aceitar seria inteligente. Mas, embora pudesse ser a resposta "certa", também havia risco. Se você começasse a se enturmar com todo mundo, poderia acabar sendo visto como falso — alguém desesperado para ser amigo de todos — e isso poderia se voltar contra você. E, claro, também não seria tão fácil encontrar grupos dispostos a aceitar qualquer um.

— Com só três votos, eu com certeza… Bem, não… na verdade, não, né…? Eu… eu não sou útil para a turma em nada, então… então talvez todo mundo use os votos de crítica em mim… — disse Airi, preocupada em virar um alvo.

Se a turma inteira concentrasse os votos de crítica em uma única pessoa, haveria pouco que ela pudesse fazer para se defender. Hirata ou Kushida talvez conseguissem votos de elogio suficientes para superar os de crítica, mas…

Não. Nem isso era garantido. A essência deste exame era quantos grupos você conseguia formar e quantos votos conseguia consolidar. Era melhor assumir que pouquíssimos alunos receberiam votos com base em uma avaliação legítima.

— Não se preocupe tanto, Airi. Você não vai aguentar até o fim se começar a se desesperar agora.

— S-Sim… — A expressão de Airi escureceu, mostrando que ela ainda não conseguia deixar de ficar ansiosa. Havia, sem dúvida, muitas desvantagens em ter uma personalidade tão tímida num teste como esse.

— Aff, isso é horríííível… A gente tem que antagonizar os próprios colegas e ficar na defensiva com todo mundo.

— É. Mas este exame é assim mesmo. Não tem o que fazer.

— Você vai simplesmente aceitar? Assim, do nada, Kiyopon?

— Não é que eu queira só ficar parado e aceitar. É que eu acho que não temos escolha — respondi.

Haruka assentiu, parecendo um pouco impressionada, e murmurou para si mesma:

— Ele é tão maduro…

— Ah, e falando nisso… eu acabei de notar agora, mas olha só aquilo — acrescentou, apontando para trás de mim e de Keisei.

Quando nos viramos, vimos um garoto da Turma D. Ele destoava tanto do ambiente que ficava ainda mais fácil de enxergar. Provavelmente foi assim que Haruka o notou.

— Tem algo meio esquisito nessa situação toda. E tem algo estranho acontecendo com o Ryuen-kun também — disse ela.

— Ele era um rei pomposo, autoproclamado, e agora foi humilhado para todo mundo ver. Só isso — zombou Keisei. O tom dele foi tão duro que me fez pensar se ele não tinha uma antipatia específica por gente como Ryuen.

Nada disso era realmente surpreendente, considerando as táticas de Ryuen e a forma como ele vinha tratando as outras turmas até agora. E eu também tinha certeza de que ele não sentia arrependimento algum pela situação atual — e nem estava sofrendo de verdade.

— Mas, tipo… esse exame vai ser bem pesado pro Ryuen-kun, não vai? — perguntou Haruka, desconfiada.

Keisei assentiu.

"Pesado" não é bem a palavra. Eu diria "sem esperança", não acha? Ele fez o que quis esse tempo todo. O egoísmo dele torna inevitável que receba votos de crítica.

Akito concordou com a opinião de Keisei.

— Deve dar a sensação de que foi tudo meio inútil, né? Quer dizer, ele pode acabar sendo expulso justamente da turma que ele controlava.

— Mesmo assim… vocês não acham que ele parece meio calmo? Ele está ali sozinho, lendo um livro… Se eu estivesse no lugar dele, acho que estaria chorando sem parar… — Airi olhou para Haruka, confusa.

— Mas você não acha que ele é esse tipo de cara? — disse Haruka. — Sabe… do tipo teimoso demais pra desistir? Além disso, neste exame, não faz sentido lutar se você está sozinho e todo mundo te odeia. Ele provavelmente vai aguentar firme, de cabeça erguida até o fim. Não acham?

A análise dela não parecia errada. Mas a verdade era que, se Ryuen não fizesse nada, as chances de ele ser expulso eram altas.

— Miyacchi, vai lá e fala com o Ryuen-kun. Pergunta como ele está agora.

— Não dá pra eu simplesmente chegar lá e perguntar…

Apesar da postura calma, não mudava o fato de que Ryuen ainda escondia presas afiadas. Era inevitável se perguntar quais seriam as consequências de brincar com ele sem cuidado.

— Para de encarar tanto ele — disse Akito.

— Tááá bom — respondeu Haruka, levantando as mãos, em rendição, diante do aviso de Akito.

— Enfim, voltando a falar da Turma C. Como você acha que devemos encarar o que o Koenji disse? — perguntou Akito, dirigindo-se a Keisei.

Keisei provavelmente já estava pensando nisso, porque respondeu quase de imediato.

— Você quer dizer aquela história de que só fica quem tem habilidade? Ele tem um ponto, eu admito. Mas, ainda assim, acho que o Koenji, em especial, é um aluno desnecessário. Ele vive deixando a turma toda agitada. Pra ser sincero, ele me dá medo.

Keisei não gostava de correr riscos. Vendo as coisas do ponto de vista dele, Koenji era exatamente o tipo de pessoa impossível de prever.

— Além disso… bem, isso pode soar um pouco cruel, mas eu não sinto exatamente pena do Koenji. Ele provavelmente vai ser um dos nomes mais fáceis de escrever nos votos de crítica. E vocês?

— Acho que você pode ter razão. Se a gente realmente tiver que escolher um nome, talvez seja melhor já ter alguém em mente em quem não vamos hesitar quando a hora chegar.

— É… mas, mesmo o Koenji-kun sendo uma pessoa bem estranha, ele sempre tira notas incríveis, não é? Eu acho que ele contribui para a turma muito mais do que eu — disse Airi, falando em defesa de Koenji, embora ainda parecesse ansiosa.

— Sempre que anunciam os resultados das provas, eu penso: "Uau… o Keisei-kun e o Koenji-kun são mesmo incríveis…"

— Ei, Airi, assim não dá. Se você não tomar uma decisão numa hora dessas, só vai acabar sofrendo mais depois, sabe?

— Eu sei, mas… — Ainda assim, Airi demonstrava uma resistência forte à ideia de simplesmente votar alguém para fora.

— Bom, de qualquer forma, acho que o Koenji-kun é a nossa escolha. Podemos concordar com isso? — disse Haruka.

— Não tenho objeções — respondeu Akito.

Haruka então olhou para Keisei, perguntando com os olhos: "Isso é um bom plano?"

— Por enquanto, sim. Como precisamos escolher três pessoas de qualquer jeito, dá para ajustar os votos dependendo da situação — disse Keisei.

Assim, os membros do Grupo Ayanokoji decidiram, ao menos provisoriamente, usar seus votos de crítica em Koenji. Nossas opiniões variavam — alguns achavam que precisávamos dele, outros discordavam. Para mim, Koenji era arriscado. Seus caprichos podiam causar um impacto negativo enorme na turma.

Mas… também não havia dúvida de que ele tinha talento suficiente para compensar isso. Se um dia Koenji encarasse um teste ou tarefa com seriedade total, poderia alcançar quase qualquer coisa. Mesmo sem eu ter visto o limite de suas habilidades, eu tinha certeza de que ele era capaz disso.

— Bem, eu não odeio ele nem nada, mas… para o bem ou para o mal, o Koenji é uma incógnita.

Parecia ser em parte por isso que Akito estava convencido de votar nele com crítica. Koenji simplesmente destoava do resto. Ou melhor: era alguém que você não conseguia medir, por mais que se falasse a respeito dele.

— Fora isso… tem o Ike-kun, o Yamauchi-kun e o Sudou-kun. Esses três parecem ser os principais alvos de votos de crítica, não parecem?

— Sim. Eu diria que esses três e o Koenji são, neste momento, os candidatos mais prováveis à expulsão. Mas não consigo imaginar que vão ficar sentados esperando quietos até o dia do exame. Eles provavelmente vão tentar formar um grupo grande para conseguir votos de elogio e evitar o máximo possível de votos de crítica.

— E não é como se nós estivéssemos totalmente seguros, né.

Era isso. A prova já tinha começado. Era uma batalha para fazer aliados e, ao mesmo tempo, estabelecer um inimigo em comum.

— Uau… com a conversa que a gente está tendo agora, é difícil acreditar que, até hoje de manhã, todo mundo na turma estava de boa, como se fosse um time — disse Akito, soltando um suspiro frustrado ao pensar no que vinha pela frente. — Já cansei disso.

Haruka pareceu ter pensado em algo, porque voltou a olhar para Ryuen.

— Ainda tem vários candidatos à expulsão. Talvez fosse melhor se todo mundo tivesse uma chance de evitar isso.

Era justamente por entender a situação atual da Turma C que Haruka percebia o quanto a situação de Ryuen, na Turma D, era difícil. Não importava o tipo de pessoa que você fosse: se todos estivessem contra você, não havia o que fazer.

— Ei, Miyacchi, Yukimuu. Se vocês estivessem no lugar do Ryuen-kun, o que fariam? — perguntou ela.

— Provavelmente não adiantaria nada. Quer dizer, se a turma inteira está contra você, nem faz sentido lutar. Se fosse comigo, eu desistiria — disse Akito, admitindo que jogaria a toalha na hora.

Keisei pensou seriamente na pergunta de Haruka, mas, depois de um tempo, apenas balançou a cabeça.

— Nada.

— Nada? E se ele, tipo… ameaçasse todo mundo da turma?

— Isso só teria o efeito contrário.

Se alguma coisa, provavelmente já havia alunos esperando que Ryuen fizesse exatamente isso. Qualquer um que fosse ameaçado não teria a menor hesitação em usar votos de crítica nele.

— Então, nesse caso… e se ele tentasse conseguir votos de elogio cedendo para as outras turmas? — sugeriu Haruka.

— Se o Ryuen te pedisse, você usaria seus votos de elogio nele? — perguntou Keisei.

— Hã? Não… duvido.

— Então está aí — respondeu Keisei, assentindo. — Acho que a maioria chegaria à mesma conclusão, porque sabe como o Ryuen é. Não deve ter muitos excêntricos por aí dispostos a ajudar um cara desses.

— Tá, e se ele subornasse os colegas para comprar votos?

— Mesmo que o Ryuen tenha juntado muitos pontos, não consigo imaginar que ele tenha o suficiente para comprar muitos votos. Ele não só fez muitos inimigos — ele também ganhou a reputação de ser um adversário extremamente problemático. Eu não vejo os colegas dele vendendo votos por pouco — disse Keisei.

— Mas ele não tem chance de conseguir votos de elogio das outras turmas, então?

— Eu não acho. Como alguém de outra turma, você não sente que seria mais fácil enfrentar a Turma D sem o Ryuen? — perguntou Keisei.

— Ah… sim, você pode estar certo. Era assustador não saber o que ele faria depois.

E era exatamente por isso que Ryuen estava nessa situação. Ele tinha se tornado apenas um fardo, arrastando a Turma D para baixo. Até poderia tentar reunir votos de elogio para evitar a expulsão, mas, como até as outras turmas o viam como um inimigo perigoso e incômodo, muita gente queria que ele desaparecesse. Não havia grande vantagem para ninguém — nem dentro nem fora da turma — em manter por perto alguém que poderia virar uma ameaça no futuro.

Alguns alunos talvez estivessem se perguntando o que o futuro reservava.

Alguns talvez até acreditassem que Ryuen poderia se tornar o salvador da turma deles. Mas, pelo que dava para ver, era seguro dizer que esse tipo de gente era minoria.

Mesmo que ele convencesse vários alunos a fechar acordos e trocarem votos de elogio entre si, seria muito difícil verificar se realmente cumpriram a palavra. Como os votos eram anônimos, bastava ao menos um voto de elogio "passar" para qualquer um mentir e dizer que fez a sua parte. E, no improvável caso de Ryuen querer contestar, alegando que foi enganado, já seria tarde demais — ele já teria sido expulso. Claro, antes mesmo de chegar nesse ponto, ainda restava a pergunta: quem, por vontade própria, escolheria fazer um acordo com Ryuen?

— Então… ele está completamente ferrado, né?

— Eu acho que ele está fazendo o possível para se manter calmo. Ele não deve querer ser expulso, mas ficar desesperado e perder o controle só ia parecer patético.

— É… acho que é verdade. Seria vergonhoso para alguém que já foi "rei".

Era uma pena, mas a expulsão de Ryuen parecia certa. Claro, se ele resolvesse lutar com todas as forças, a história poderia acabar de outro jeito. Mas…

Bem, por mais que debatêssemos, provavelmente não chegaríamos a nenhuma resposta. O que Ryuen realmente pensava sobre tudo isso era algo que só ele sabia.

— Nesse caso, por que não vemos por nós mesmos? — disse uma voz próxima ao meu ouvido.

Era Horikita. Ela segurava uma sacola plástica, da qual espiava o sanduíche que estava comendo no almoço.

— Ver? Ver o quê? — perguntou Akito, confuso com a escolha de palavras dela, ou talvez percebendo que havia algo estranho.

— O que o Ryuen-kun está pensando agora. O que está passando pela cabeça dele. A única forma de saber com certeza é falar com ele — disse Horikita.

— Eu não faria isso. Seria como cutucar um vespeiro.

Ninguém queria se aproximar de Ryuen.

— Bem, tudo bem então. Esqueçam — disse Horikita.

— Não há motivo para se envolver com o Ryuen agora. Ele não tem nada a ver com a gente neste exame.

— Suponho que sim. É verdade que ele não tem nada a ver conosco. Mas pode ser útil para mim — respondeu Horikita.

Ela fez uma breve pausa e, talvez porque eu não tenha me levantado para acompanhá-la, saiu sozinha.

— O que ela quis dizer com "pode ser útil"…?

Keisei e Akito balançaram a cabeça, sem entender.

— Ei… isso não é meio perigoso? Vocês não acham que a Horikita-san pode estar em perigo? — perguntou Haruka.

— Eu também acho… Kiyotaka-kun — disse Airi.

— É. Vou dar uma olhada.

Não achei que algo fosse acontecer, mas provavelmente seria melhor se ela tivesse alguém por perto, só por precaução. Para o bem ou para o mal, Horikita era o tipo de pessoa que não media palavras. Akito se levantou para ir comigo, mas eu o impedi de vir e segui atrás dela.

— Sobre o que você pretende falar com o Ryuen? — perguntei.

— Pensei que ele pudesse me dar alguma pista útil.

Uma pista útil? Eu não conseguia imaginar o que Horikita esperava obter de Ryuen. Mas, ao vê-la agir assim, presumi que tivesse algo em mente.

— A Sakura-san e os outros pediram para você ficar de olho em mim?

— Sim.

— Eu sabia.

O ritmo de Horikita não diminuiu enquanto trocávamos aquelas breves palavras. Pouco depois, chegamos até onde Ryuen estava sentado. Ele certamente havia notado nossa presença, mas seus olhos continuaram fixos no livro em suas mãos. Pelas páginas abertas, parecia ser algum tipo de romance literário.

— Você está bem relaxado, Ryuen-kun — disse Horikita.

— Ora, vejam só quem é. Suzune, não é? E parece que trouxe seu fiel seguidor.

Ele fechou o livro de repente, com um toc. Pelo adesivo, dava para ver que era da biblioteca. Nem precisava dizer que, quando falou em "seguidor", estava se referindo a mim.

Ryuen lançou um breve olhar em minha direção, mas logo desviou. Em seguida, voltou sua atenção para Horikita.

— E o que você quer comigo?

Eu me perguntei por que Horikita estava disposta a correr o risco de se aproximar de Ryuen.

— Vou direto ao ponto. O que você pretende fazer neste exame especial?

— Não há muito que eu possa fazer, então não vou fazer nada — respondeu ele.

— Então você está dizendo que… está preparado para aceitar a expulsão?

Se deixasse as coisas como estavam, a expulsão de Ryuen seria, sem dúvida, inevitável.

— Sou um alvo fácil para minha turma. Num exame em que alguém precisa ser expulso, ninguém quer lidar com o ressentimento de quem for descartado. Mas eu sou um caso especial — disse Ryuen.

Ele abriu o livro novamente e voltou a olhar para baixo, talvez por achar que aquela conversa não valia a pena. Ao que tudo indicava, ele estava mesmo disposto a deixar a escola. A aceitar ser expulso.

— Tenho certeza de que vão votar com críticas em você. Muitos alunos provavelmente vão se sentir culpados por isso, mas, comparativamente, votar em você será um fardo emocional muito menor do que votar em outros estudantes. Se você realmente pretende aceitar sua expulsão, então não direi nada… e imagino que não serei a única. Tenho certeza de que há muitas pessoas nas Turmas B e A que desejam vê-lo fora daqui. Para o bem ou para o mal, você foi longe demais, e não há ninguém que vá lhe estender a mão — disse Horikita, atingindo Ryuen com a verdade.

A verdade machuca mais quando você já está ciente dela. Mas não parecia machucar Ryuen nem um pouco. Ele a compreendia e aceitava plenamente.

— Você provavelmente está certa. A Turma D não tem chance de vencer depois que eu sair. Como minha inimiga, a decisão mais lógica seria me esmagar aqui e agora — disse Ryuen.

Em vez de reagir de forma negativa, ele parecia encarar aquilo positivamente.

— Você tem uma opinião muito elevada sobre si mesmo. Isso é bem típico de você, Ryuen-kun. Ainda assim, você foi rebaixado para a Turma D por não ter habilidade como líder. Não é verdade? — disse Horikita.

— Heheheh. Sem dúvida.

A Turma D havia sido uma ditadura governada pelo punho de ferro de Ryuen. Agora que esse sistema havia ruído e eles tinham sido rebaixados para o último lugar, suas chances de recuperação diminuíam. No entanto, os planos de Ryuen nunca estiveram presos à classificação da turma. Estar na Turma D ou na Turma A não fazia diferença — se tivesse pontos privados suficientes, era possível reverter a situação e vencer.

Era exatamente por isso que ele não se incomodava com as críticas pela queda da Turma D. Estar na Turma A podia ter suas vantagens, mas não valia tanto assim. A estratégia de Ryuen ia além disso. Era uma tática de batalha interessante, mas também tinha falhas. Ele mantinha os colegas sob controle pela força, em vez de buscar compreensão. Estava tão focado no futuro que perdeu de vista o próprio presente. Foi isso que levou à sua derrota e à situação atual.

— Parece que você e eu nunca vamos nos entender, não importa o quanto conversemos — disse Horikita.

— Parece mesmo. Satisfeita? — respondeu Ryuen.

Mesmo ouvindo toda a conversa, eu ainda não conseguia entender o que Horikita queria descobrir.

— Bem, hoje pode ser a última vez que falarei com você, então posso fazer só mais uma pergunta?

Ao que parecia, ela finalmente chegaria ao ponto. O que estaria esperando ouvir que pudesse servir como uma pista útil?

— Você está em uma situação mais desesperadora do que qualquer outra pessoa agora. Se decidisse enfrentar este exame seriamente… conseguiria sobreviver sem ser expulso?

Horikita lançou-lhe um olhar penetrante ao fazer essa pergunta. Era como se estivesse exigindo que ele a encarasse e respondesse. Então era por isso que ela quis falar com Ryuen, mesmo sem ter motivo para se envolver com ele. Queria saber como ele sobreviveria a uma situação praticamente inevitável, em que havia noventa e nove por cento de chance de ser expulso.

— Que pergunta idiota. É óbvio que conseguiria — respondeu Ryuen, sem hesitar por um segundo. Ele parecia totalmente confiante de que sobreviveria, se quisesse. Ao encarar Horikita, não havia a menor dúvida em seus olhos.

— Mesmo que esteja blefando, isso ainda é impressionante. Só consigo sentir confiança vindo de você — disse Horikita.

— Satisfeita agora? Ou quer que eu lhe ensine meu plano secreto para sobreviver?

— Não é necessário. Você e eu estamos em posições diferentes.

— Sim, suponho que sim.

— Obrigada. Sinto que minha determinação se fortaleceu um pouco, graças a você.

— Sua determinação? — perguntou Ryuen.

Horikita assentiu.

— Alguém certamente será expulso neste exame suplementar. Esse é um destino do qual não podemos escapar. Nesse caso, precisamos tomar a decisão correta sobre quem será expulso. Você entende o peso das palavras que estou dizendo agora?

Ryuen sorriu, sem responder com um sim ou não.

— Seus esforços podem fazer com que o resto da sua turma se afaste de você.

— Se isso acontecer, então suponho que apenas significará que eu não era tão qualificada assim.

— Nossa, que fraqueza. Tudo o que estou ouvindo é blefe.

— Tch…

Mesmo mantendo a calma, Ryuen atravessou a fachada composta de Horikita. Não — mais do que atravessar, ele a quebrou.

— Você está tentando ganhar confiança falando comigo… Mas sua confiança, sua determinação… tudo isso ainda é só aparência.

As palavras dele começaram a agitá-la.

— A única parte difícil disso é cortar alguém fora — acrescentou Ryuen.

— Eu consigo. Desde que entrei nesta escola, nunca tive misericórdia com alunos que atrasavam a turma — respondeu Horikita.

— Não, você não consegue.

— O que… O que você sabe sobre mim? — rebateu Horikita.

— Tive bastante tempo para observá-la ao longo deste último ano. Sei praticamente tudo sobre você. Além disso, consigo ver a fraqueza escondida por trás das palavras que saem da sua boca — disse Ryuen.

Horikita não tinha chance de vencer esse duelo de palavras. O modo descuidado como dissera: "Sinto que minha determinação se fortaleceu um pouco, graças a você." O breve silêncio antes de afirmar: "Eu consigo." Ryuen foi rápido em perceber coisas às quais os outros não dariam atenção. Horikita havia revelado sua fraqueza sem sequer perceber. Era ele quem controlava o fluxo da conversa.

— Você já está presa a uma complacência entediante. É a sua turma. Não há como ser fria o suficiente para tomar uma decisão difícil agora. Quem consegue fazer isso são pessoas como eu, que não têm apego à turma, ou como Sakayanagi, que veem os colegas apenas como peões — disse Ryuen.

Os relacionamentos que você constrói com seus colegas depois de fazer amigos são completamente diferentes dos que tinha antes disso. Certamente, Horikita não teria hesitado em fazer algo assim quando entrou na escola. Ela até mesmo aceitou a ideia de expulsar Sudou quando ele falhou em uma prova. Mas será que poderia expulsá-lo agora?

Se essa pergunta fosse feita com sinceridade, a resposta seria: não. Relacionamentos estão sempre mudando.

— Você fala com tanta confiança, mas no fim das contas não tem nenhum plano para sair dessa, tem? — disse Horikita.

— Por que você acha isso? — perguntou Ryuen.

— Você realmente perdeu para seus colegas de classe? Ou foi derrotado por alguém de fora…? — disse Horikita, lançando um rápido olhar para mim antes de voltar imediatamente sua atenção para Ryuen. — De qualquer forma, você vai simplesmente aceitar que perdeu e deixar que te expulsem em silêncio?

Ela estava tentando provocá-lo. Mas Ryuen apenas ouviu em silêncio.

— É como uma recompensa para o Ishizaki, o cara que me derrotou. Por isso vou aceitar isso em silêncio. É uma oportunidade que o resto da Turma D não deveria desperdiçar. E, claro, isso inclui você também. Não deveria deixar essa chance passar — disse ele com um sorriso, voltando os olhos para o livro.

— Suponho que sim. Nesse caso, vou ter que ficar de olho nos meus colegas da Turma C para garantir que não desperdicem seus votos de elogio em você, mesmo que seja por engano. Claro, mesmo que eu não fizesse nada, não é como se fossem votar em você de qualquer forma — disse Horikita.

Ela se virou para sair, e eu a segui. O olhar de Ryuen permaneceu fixo no livro, sem sequer se dar ao trabalho de nos acompanhar.

Horikita parecia ao mesmo tempo calma e irritada enquanto se afastava.

— Ele está cheio de arrogância. Um mentiroso completo. Não há absolutamente nada que ele possa fazer, mas mesmo assim tenta manter as aparências, como se estivesse se exibindo. Não importa o quanto se esforce, isso não vai impedir que seja expulso.

— Não sei não. Talvez ele realmente tenha alguma forma de sair dessa — respondi.

— É impossível. Não importa como se analise a situação, não há como o Ryuen-kun evitar a expulsão. Mesmo que pedisse desculpas agora e tentasse agir como um ser humano decente, isso não mudaria o número de votos de crítica que certamente vai receber. E também não lhe daria mais votos de elogio.

— É, uma estratégia direta assim realmente não funcionaria.

— Mas também seria inútil se ele tentasse subornar alguém ou recorrer a ameaças. Você mesmo disse isso antes, não disse?

É verdade. Ela provavelmente tinha nos ouvido.

— Ou talvez você consiga entender o que o Ryuen-kun está pensando? Sobre como evitar ser expulso?

— Não. Não faço ideia.

Tentei calcular as possibilidades e considerar as variáveis mentalmente, mas ainda assim não consegui ver nenhum método confiável para que Ryuen sobrevivesse na situação atual. Faltava-lhe uma peça essencial, algo indispensável para sua sobrevivência.

— Então está resolvido — disse Horikita.

Ela deixou o café, ainda com um ar de mau humor. Por um instante, voltei-me para olhar Ryuen.

O que teria acontecido se nossos caminhos tivessem se cruzado mais cedo…?

— Não, isso é só especulação inútil. Ainda mais agora.

Não havia motivo para continuar pensando em um aluno que estava prestes a deixar a escola. Decidi parar e voltar para o meu grupo.

*

 

Naquela noite, recebi uma ligação de Kei. Era, em grande parte, sobre o exame especial.

— Ei, então… o que eu deveria fazer nesse exame?

— Você já começou a formar um grupo, não é? Com as pessoas ao seu redor?

— Sim. Já tenho algumas. Tem sete garotas no meu grupo.

Kei mencionou o nome das outras seis. Eram as garotas com quem ela costumava andar.

— Afinal, todo mundo está com medo de ser expulso. E, bem… para ser sincera, não faço ideia de quantas pessoas me odeiam.

— Não seria estranho se você recebesse alguns votos de crítica.

— Ei… você não devia dizer uma coisa dessas, mesmo que seja mentira?! — retrucou Kei, irritada.

— É melhor manter um perfil discreto por enquanto, para não atrair atenção negativa. Se você se destacar demais de forma ruim, pode acabar se tornando candidata à expulsão.

— Entendi. Vou tomar cuidado para não irritar ninguém — respondeu Kei.

— Ótimo. Na verdade, o fato de você ter terminado com o Hirata pode até jogar a seu favor.

— Hã?

— O Hirata é muito popular entre as garotas. Se vocês ainda estivessem juntos, alguns alunos poderiam estar planejando… tirá-la do caminho e forçar o término, te expulsando — expliquei.

— Nossa, que assustador. Mas faz sentido…

Era justamente por a votação ser anônima que algumas pessoas poderiam tomar decisões ousadas.

— Mas você deve estar bem, né? Quer dizer, você não se destaca muito. E suas notas são bem medianas — disse Kei.

Aos olhos de muitos colegas, não havia nada de particularmente digno de elogio em mim. Mas também não havia nada que merecesse crítica.

— Às vezes, não se destacar é uma coisa boa.

— Mas você não acha que pode receber um voto do Sudou-kun? No sentido de eliminar um rival, já que ele disputa a Horikita-san com você. Embora isso possa ser só uma suposição egoísta da parte dele — disse Kei.

— Pode ser.

Como todos precisavam escrever três nomes, era provável que todo mundo recebesse um ou dois votos de crítica. Não valia a pena se preocupar com isso agora.

— Mas aqueles três idiotas e o Koenji-kun são os que estão em mais perigo na nossa turma agora, não são? — perguntou Kei. Pelo visto, o grupo dela teve uma conversa parecida com a nossa.

— São os mais prováveis, mas ainda não sabemos o que vai acontecer. Ainda assim, o Koenji não está numa posição muito boa.

— Ele não parece o tipo de pessoa que tentaria formar um grupo para controlar os votos.

— É.

Ike, Yamauchi e Sudou certamente formariam um grupo para se apoiarem. Já Koenji estava completamente isolado e sem defesa. Ele também fazia inimigos com facilidade, graças à sua atitude arrogante. E ainda havia discutido com Sudou na frente de todos no dia em que o exame foi anunciado. Aquilo certamente havia prejudicado sua situação.

— Então, o que você vai fazer? Em quem pretende usar seus votos de crítica? — perguntou Kei.

— Ainda não pensei muito sobre isso. Mas, basicamente, pretendo escolher as pessoas que não serão úteis para a turma no futuro.

— É uma abordagem bem racional. Bem a sua cara, Kiyotaka.

Considerando que alguém seria expulso, era a única forma que eu tinha de tomar uma decisão.

— Ah, mas… você não está pensando em pessoas como eu, está? — disse Kei.

— Você é uma parte importante da turma. Não tem como eu fazer isso.

— E-Eu entendo. Bem, isso é óbvio — respondeu ela, soando um pouco envergonhada e surpresa.

— Se você notar qualquer coisa — alunos sendo isolados ou alguém começando a parecer um candidato forte à expulsão — me avise. É difícil para mim conseguir esse tipo de informação.

— Certo.

Encerrei a ligação com Kei.

Eu disse que escolheria pessoas que não fossem úteis para a turma daqui em diante, mas isso era, no máximo, apenas minha opinião pessoal. Enquanto eu não estivesse diretamente envolvido com a turma, não tinha intenção de me aprofundar na manipulação dos votos. No fim, vários grupos acabariam entrando em choque neste exame, e eu pretendia aceitar calmamente qualquer que fosse o resultado disso.

Claro, seria outra história se eu fosse o alvo.

Ainda assim, como Kei havia dito antes, a probabilidade de Ike, Yamauchi ou Sudou serem expulsos era alta. E também havia Koenji. Se voltássemos nossa atenção para as garotas, talvez pudéssemos dizer que aquelas com notas baixas, como Inogashira, Satou e Airi, também não estavam completamente seguras.

No entanto, o fato de que os grupos continuavam a se formar significava que os votos provavelmente seriam distribuídos por motivos além das notas. Solitários como Koenji e pessoas tímidas com poucos amigos, como Airi, provavelmente seriam alvos fáceis.

— O que será que vai acontecer? — murmurei.

Decidi observar como os votos estavam sendo distribuídos e me preparar para qualquer eventualidade, enquanto continuava reunindo o máximo de informações possível.

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora