VM – Capítulo 131 – Os 12 imortais. Parte 5.


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O Reino Central só soube que tinha perdido metade de um batalhão apenas dois dias depois, os corpos dos soldados e goblins ficaram por dois dias expostos na mata. Não era preciso ser um gênio para imaginar que as feras que viviam nos arredores fizeram uma festa com o banquete apresentado.

Quando finalmente o comandante Xandre correu com o resto de sua infantaria, ele viu uma das piores cenas da sua vida. As feras tinham rasgado os homens espalhando suas tripas por todos os lados, muitas dessas feras como os macacos gigantes tinham o hábito de comer em cima das árvores, então era fácil ver resto de soldados pendurados nos topos delas.

— Vocês viram como os soldados do reino ficaram nervosos? — Cam riu.

Eles ficaram acampados na borda da floresta, exatamente entre o caminho do batalhão e o ninho de goblins, sendo assim foi muito fácil para eles verem as mudanças nos ânimos.

No segundo dia eles viram um soldado correr a cavalo até o interior da floresta, possivelmente era um mensageiro, mais tarde ele retornou às pressas, sua fisionomia pálida entregava tudo.

— Eu acho que não vamos ter que esperar muito mais. — Juno falou.

— Eu sei, tomara que ele não peça reforço à Capital. — Cam completou.

— O comandante não pode pedir reforço, ele tem que manter as aparências, pelo pouco que vi, aqui no Reino Central eles prezam muito o status, muito mais que as habilidades do comandante em questão. — Deme tomou a frente e disse.

— Também não acho que ele vá pedir reforços, mas ele também não é de tudo incompetente. Ele vai começar a atacar os grupos de goblins que sai para caçar e depois de um tempo quando as forças do ninho forem menor, ele atacará o ninho. — Rafir deu sua opinião. — Bem, é o que eu faria.

— Será muito mais difícil pegá-los de surpresa. — Juno falou.

— Vamos esperar nossa hora, vamos dar o bote quando ele menos esperar. — Rafir falou.

Os rapazes tinham uma certa satisfação em ver a agonia da tropa, os cavaleiros iam e vinham por todos os lados em anarquia completa. O comandante claramente perdeu o foco e começou a dar ordens a eles sem muita clareza.

Na manhã do quarto dia eles viram o cortejo dos mortos voltando para a base, o moral da tropa tinha caído ao chão, mas ninguém era tolo em subestimar esses homens, todos sabem que quando alguém quer vingança, luta como um louco.

Assim como Rafir previu, o comandante entrou na floresta para caçar as patrulhas de goblins. Normalmente eles caçavam essa patrulhas com pequenas equipes de no máximo 20 homens, mas o medo de perder mais dos seus era tamanho que ele usava todo o batalhão restante para aniquilar esses simples grupos de goblins.

Por mais três dias o batalhão caçou os goblins dispersos na floresta, e apenas quando limparam toda a região, eles decidiram atacar o ninho.

— Acho que vai ser amanhã, eu ouvi dois soldados conversando no bar ontem. — Cam disse ao grupo.

— Também acho, eu já peguei uma missão na guilda para servir como desculpa. — Rafir mostrou um papel com o pedido.

— Raiz de guilho amarelo, no mínimo 100 anos. — Deme pegou o papel e leu. — Para que diabos serve guilho amarelo?

— Parece que é um estimulante. — Juno também leu o pedido. — Ótimo, agora vamos entrar na mata e pegar afrodisíacos para velhos tarados, foi exatamente por isso que eu virei um caveira. — Ele zombou.

— Não, você virou um caveira para proteger o império, não importa como. — Rafir cortou.

— Desculpe, eu não quis dizer isso. — Juno se desculpou. — Eu sei, mas você disse. Vamos nos concentrar na missão, creio que esse é o melhor disfarce que temos no momento.

— Também acho, é melhor entrarmos logo na floresta antes que fique suspeito. — Cam falou.

***

— Vermelho 1, a tropa parece estar pronta para atacar ao amanhecer. — Amarelo 1 disse pelo rádio.

— Certo, continue vigiando, vamos agir assim que eles entrarem. — Rafir passou a ordem.

O plano era bem simples, esperar o exército entrar na caverna e atacá-los por trás. Nesse tipo de situação ninguém cobriria sua retaguarda. Xandre com certeza deixaria uns 10 homens cuidando da entrada, mas uma vez lá dentro, ele continuaria seguindo em frente e não olharia suas costas.

A retaguarda seria sua parte mais fraca, todo o seu apoio e os possíveis feridos ficariam na parte de trás. O comandante nunca esperaria que dali sua morte viria.

A noite era a momento ideal para os caveiras irem caçar. Nesse mundo incursões noturnas quase não existem. Contudo, Tyler tinha treinado eles no completo oposto, mesmo sem os equipamentos de visão noturna, eles sabiam andar na escuridão como ninguém.

Mais uma vez a equipe amarela ficou responsável por monitorar toda a tropa inimiga, vestidos com trajes guile e usando as lunetas das armas, eles podiam vigiar de longe sem risco nenhum de serem descobertos.

Poucas horas depois os primeiros raios solares vieram do leste, o exército do Reino Central não perdeu tempo e entrou na caverna para limpar sua honra.

— Ele estão entrando. — Amarelo 1 avisou.

— Hora do show, rapazes não vamos decepcionar. Ave Império! — Rafir falou.

— Ave Império. — Eles retornaram.

***

— Sentinelas na mira. — Amarelo 1 informou.

— Estamos prontos, pode começar. — Rafir deu a ordem.

O próximo passo era bem simples: matar os sentinelas na entrada da caverna.

Com 3 homens na equipe amarela, restavam 9 homens para entrar na caverna. Como era de se esperar os soldados que estavam de guarda não estavam estáticos em um lugar só.

Mesmo que eles tivessem limpado a floresta nos dias anteriores, ainda sim exigia um certo nível de cuidado, então cada um estava fazendo sua rota.

O plano era tirá-los de ação das extremidades para o centro, eram 8 soldados cuidando da entrada, dois deles ficaram bem próximos e os outros 6 andaram pelos arredores.

— Equipe azul e verde, vão em frente!

Os 6 caveiras sabiam o que tinham de fazer, Tyler tinha lhes ensinado e repetido essa tática 1 milhão de vezes. Matar com facas!

Eles usariam as armas de fogo em último caso, o essencial agora era não chamar atenção. Cobertos pelas árvores e arbustos, eles se aproximaram das suas vítimas como fantasmas que eram, e mesmo quando estavam apenas a um metro de distância nenhum deles desconfiou das suas mortes iminentes.

— Cara, o comandante ficou puto, ainda bem que não sou eu lá dentro! — Um guarda falou para o amigo enquanto faziam sua rota.

— Ouvi falar que ele não comunicou a capital sobre essa perda, parece que eliminar este ninho tinha sido uma das primeiras ordens que a capital tinha dado a ele quando o transferiram para cá. — O outro respondeu.

— Sério, mas por que ele não fez isso logo? — O primeiro estava curioso.

— Matar goblins não dá dinheiro, se você é um aventureiro ainda pode pegar a recompensa, mas e nós soldados? Estamos apenas cumprindo ordens. Você não sabe o quanto nosso comandante gosta de dinheiro? — O guarda balançou a cabeça. — Importunar comerciantes dá muito mais lucro e não tem risco.

— Que cretino, eu também queria ser assim e você? — Ele perguntou ao amigo que seguia logo atrás.

— Ei, eu pergun… — Ele se virou para ver o amigo, porém não foi o que ele viu.

Na sua frente estava o que parecia ser um homem, ele usava estranhas roupas pretas e tinha o rosto todo pintado de modo que ele não poderia reconhecer suas feições. — Quem é você? — Ele perguntou colocando a mão no punho da espada para sacá-la.

O homem misterioso colocou o dedo nos lábio e depois apontou para trás dele. — Que diabos… — Não resistindo a tentação ele se virou, apenas para encontrar outro homem estranho.

Uma dor forte seguida de uma queimação absurda veio do seu coração. Em choque, o soldado levou seus olhos para o local, apenas para descobrir o punho de uma faca firmemente cravado no peito, depois disso sua vista ficou escura e ele deixou esse mundo.

— Aqui é verde 2, alvos eliminados.

— Azul 3, também acabamos por aqui.

— Amarelo 1, sua vez. — Rafir ordenou. Meio segundo depois os dois vigias caíram sem vida no chão. — Estamos entrando, fiquem frios e se lembrem do nosso treinamento.

Assim, 9 lobos entraram no meio do rebanho de ovelhas.


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas

 


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