VM – Capítulo 116 – N°1.



“Bom dia.” Tyler falou para um auditório cheio de crianças.

Não eram crianças propriamente dito, elas estavam na faixa dos 12 aos 14 anos, então eram pré-adolecentes. A maioria delas estava nos 12, mas quem se importa? Tyler ia fazer 71 anos e quando se chega nessa idade, você tende a chamar qualquer pessoa com menos de 25 anos de criança.

Todas elas eram filhas de pessoas importantes como nobres, militares, comerciantes ou até aventureiros famosos. Tyler quis começar com eles, pois todos já tinham uma boa base de ensino em casa, não era o ideal, mas, pelo menos, já sabiam ler e escrever. Como ainda demoraria um pouco até todos estarem familiarizados com o inglês, era bom que soubessem ler e escrever no seu idioma.

“Eu quero que todos se sintam bem-vindos, eu vou explicar quem eu sou e o motivo de todos estarem aqui hoje.” Tyler começou a falar.

Em nenhuma das cerimônias ou banquetes que ele participou haviam pessoas com aquelas faixas de idade, é claro que os pais delas os informaram quem era ele, contudo ver alguém e ouvir falar são duas coisas totalmente diferentes.

Aquelas crianças estavam um tanto nervosas, ninguém tinha lhes explicado os reais motivos de estarem nesse lugar tão estranho. Sim, esse auditório era dentro do instituto, então tudo nele era moderno.

As poltronas acolchoadas, o piso de carpete, o telão do data show, o microfone, o ar-condicionado e até as luzes artificiais. Criavam um ambiente surreal, era muito além da imaginação delas.

“Não pensem muito sobre as coisas ao redor de vocês.” Tyler sorriu. “Aqui nada mais é do que uma escola. Como alguns de vocês já sabem meu nome é Tyler Newman, eu sou o príncipe herdeiro do nosso Imperador Otaviano.” Ele informou.

“Outra coisa que vocês também já devem saber é sobre minha origem. Eu não sou desse mundo.” Tyler deixou claro. “Mesmo essa escola que não se parece em nada com o que vocês conhecem veio do mesmo mundo que eu.”

Depois de uma ou outra inquietação por parte das crianças ele continuou. “Bom, até agora eu só expliquei quem eu sou e não o motivo de vocês estarem aqui. Eu tenho muito conhecimento para dar e há muito para se fazer por nosso jovem império. Eu vou transmitir para cada um os conhecimentos para mudar o nosso mundo, de onde eu venho nós temos um ditado popular, ‘Uma imagem vale mais que mil palavras’, então olhem isso.”

Tyler apagou as luzes e começou um vídeo. Nesse vídeo havia um compilado de várias pessoas exercendo profissões diferentes. Engenheiros construindo pontes e arranha-céus, médicos em operações de parto, agricultores dirigindo tratores em grandes plantações, operários em grandes metalúrgicas, professores, linhas de produção de automóveis, aviões e etc. Esse vídeo era na verdade um compilado de como era a vida em um mundo moderno.

“Cada um será ensinado com muito empenho por mim e pelos sábios, e quando já souberem o que querem para o futuro, podem estudar mais especificamente sobre o assunto.”

Excitados, ninguém respondeu nada. Agora um mundo totalmente novo tinha se aberto para eles.

“Eu pessoalmente vou entrevistar cada um de vocês, e ver se realmente vocês têm a capacidade de estarem aqui.”

***

Tyler tinha preparado alguns testes bem simples para medir o QI dessas crianças. Ele não poderia usar um clássico que já vinha pronto por dois motivos, o primeiro é que nenhuma delas sabia ler em inglês e o segundo é que mesmo se ele ditasse as perguntas, elas eram sobre um mundo totalmente diferente.

Sendo assim ele optou por pequenos exercícios de raciocínio lógico. Cada criança entrava em uma sala e dizia sua idade e nome, depois disso Tyler lhe dava uma torre de Hanói.

A torre de Hanói é muito simples, e são apenas três torres de madeira e três discos de diferentes tamanhos. O objetivo do jogo é muito simples, você tem apenas que transferir a torre de um extremo para o outro com o mínimo de movimentos possíveis, movendo um disco de cada vez e nunca botando um de tamanho maior sobre um menor.

Para realizar com perfeição são necessários 7 movimentos. Para Tyler qualquer criança daqui que fizesse em menos de 12 ele já consideraria um número bom, afinal elas estavam nervosas e tudo era novo para elas.

Fora a torre Tyler ainda tinha outros testes como tangram e quebra-cabeças de madeiras.

Cada criança que entrava tinha o tempo cronometrado e além dos próprios testes ele levava em conta as atitudes da mesma. Se ela lidava bem com a pressão e o nervosismo ou até se eram educadas ao se reportar aos mais velhos.

Depois da última criança passar pela porta, Tyler ficou um pouco decepcionado. Pelos seus critérios, somente umas 75 delas passariam. E infelizmente nenhuma era excepcional.

“Está cansado mestre?” Thoran perguntou.

“Nem tanto.” Tyler suspirou, talvez decepcionado fosse a palavra melhor.

Toc… Toc…

Thoran se levantou e abriu a porta do escritório. “Eu pedi um café para o senhor, espero que não se importe.”

“Não.” Tyler respondeu.

Uma garota pálida entrou segurando uma bandeja, ela caminhou até a mesa e a deixou.

“Obrigado.” Tyler agradeceu.

Tímida ela apenas acenou a cabeça, ela parecia estar meio nervosa, olhou um pouco a sala e depois saiu.

“Quem é essa?” Tyler levou a xícara aos lábios e perguntou.

“A sobrinha da senhora que o senhor empregou quando ainda estava em Mil, todos os seus empregados vieram para cá, ela deve ter vindo com a tia.” Thoran respondeu.

“Sei, ela cresceu…” Tyler franziu o cenho, ele não tinha reconhecido ela logo de cara, ela parecia ter engordado uns 20 quilos e crescido outros 10 centímetros.

“É mesmo.” Thoran também notou.

“Bom, seja como for, vamos trabalhar. Vá até a vila e comece a acolher as crianças.”

Tyler tinha feito uma vila que serviria de dormitório para os estudantes, ela era feita de tijolos e era feita toda nos moldes da terra. Cada casa tinha banheiro, luz elétrica e água encanada.

“Certo, então eu vou indo.” Thoran pegou a lista com os nomes dos que passaram no teste e se foi.

Tyler fez mais algumas anotações e foi embora, quando estava saindo ele pegou a bandeja e foi entregar na cozinha. Quando chegou lá ele viu duas mulheres lá, a tia e a garota, a tia parecia estar assando pães e a menina estava brincando com a farinha, desenhado na mesa.

Tyler não quis interromper e apenas entrou para entregar a bandeja. Quando ele olhou para menina ele ficou paralisado por alguns instantes.

A menina tinha desenhado a torre de Hanói na farinha e ficava murmurando baixinho enquanto movia levemente os dedos.

Ela estava tão concentrada que nem percebeu Tyler. Depois de uns 20 segundos ela começou desenhar os movimentos e completou a torre no outro lado.

“7, dá para fazer menos?” Ela se perguntou.

Apagando tudo e recomeçando a menina tentou melhorar o jogo.

“7 é a combinação perfeita.” Tyler falou tirando a menina do seu mundinho.

“Ahhh!” Ela gritou.

“Não se preocupe, você está de parabéns.” Ele elogiou.

“Desculpe-me, não era a minha intenção.” Ela falou com a voz baixa.

“Eu não estou zangado com isso.” Tyler tentou tranquilizá-la. “Como você soube desse jogo?”

“Eu ouvi as outras crianças conversando. E quando fui a sala do senhor eu fiquei curiosa.” A menina tinha grandes e brilhantes olhos verdes que pareciam prontos para chorar a qualquer momento.

“Bom, quer tentar outros?” Ele quis saber.

“Humm…” Ela parecia incerta então olhou para a tia que já tinha notado a conversa.

“Pode ir.” A tia autorizou.

***

“Agora tente esse.” Tyler falou de novo, ele já tinha feito uns 10 testes com a menina.

“Certo.” Ela respondeu animada.

Narja tinha um hábito de mexer as pontas dos dedos e murmurar baixinho antes de tentar resolver o quebra-cabeças, Tyler notou que ela sempre tentava resolvê-lo na mente, antes de tentar de verdade. Parecia que dava certo, pois quase sempre ela conseguia de primeira.

“Quantos anos você tem?” Tyler perguntou.

“14.” Ela respondeu.

Tyler lembrou-se da primeira vez que a viu, ela era uma menina magra e pálida, muito abaixo do peso. E mesmo agora ela ainda parecia bem mais jovem do que alguém que deveria ter 14 anos de idade.

“Que estudar aqui?” Ele perguntou.

“Sim!” Ela foi rápida.

“Melhor, eu quero ser o seu mestre em tempo integral. Eu quero que você venha morar comigo, eu vou te ensinar tudo o que sei.” Tyler agora estava mais animado que a menina, para ele, ela era um diamante bruto que ele acabara de encontrar.

“E minha tia?” Ela perguntou.

“Você vai vê-la sempre, mas vai morar comigo agora, além disso eu vou dar um salário e uma casa boa para ela.” Ele respondeu

“Posso conversar com ela?” Narja perguntou.

“Sim.”

Ouvindo essas palavras ela correu para a cozinha onde a tia estava.

Tyler não deu muita importância e começou a arrumar seus papéis para ir embora. Antes de sair ele ouviu uma batida na porta. “Entre.”

“Eu vou!” A menina respondeu ofegante, parecia que ela tinha corrido ida e volta para perguntar a sua tia.

“Bom, fique com ela por uns dias, minha casa ficará pronta logo e depois você irá morar comigo.”


Autor: Lion | Editor: Bczeulli | QC: Delongas



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