Uma breve história da tradução por entre as eras: No Século XXI (9) (FIM)


EIS, ENTÃO, O FINAL DE TUDO MEUS CAROS — UM BRADO DE LOUVOR A TRADUÇÃO!!

Então chegamos ao fim de uma jornada cheia de novidades ainda não conhecidas por muitos e, não menos importante, de uma jornada que expôs a relevância de cada tradutor e de seu precioso trabalho. Por meio deste, gostaria de agradecer a cada tradutor e a cada revisor igualmente que usa de seu tempo disponível (ou até mesmo não disponível) para que milhares ou milhões de pessoas usufruam de alguns minutos de emoção ardente, de aventuras contagiosas, de sonhos utópicos… Muito obrigado a todos vocês!!


PARTE [8]


Como seus ancestrais, tradutores contemporâneos ajudaram substancialmente a moldar as línguas as quais haviam traduzido. Quando a língua de destino carece de termos que são achados em uma língua de origem, emprestam-se desses termos, e por meio disso enriquecem o idioma de destino com decalques da língua de origem (literalmente palavras traduzidas ou frases) e estrangeirismos (palavras incorporadas em uma outra língua sem tradução prévia).

Estudos da Tradução é, agora, uma interdisciplina acadêmica que inclui muitos campos de estudo (literatura comparativa, ciência da computação, história, linguística, filologia, filosofia, semiótica, terminologia), juntamente com a necessidade de tradutores terem que escolher uma área para se especializar (legal, econômica, técnica, científica ou tradução literária) a fim de serem adequadamente treinados.

A internet tem fomentado um mercado global para serviços de tradução, para tradução localizacional e para softwares de tradução. Tal evento tem trago diversos problemas, como falta de empregos disponíveis para alguns tradutores, trabalho freelance escasso e taxas de serviço mais baixas para outros tradutores, e com aumento da tradução voluntária não paga — incluindo tradução crowdsourced — promovida por organizações que possuem fundos suficientes para bancar diversos profissionais… mas não tradutores profissionais.

Pessoas bilíngues precisam de mais habilidades que somente duas línguas para se tornarem bons tradutores. Ser tradutor é uma profissão, e tal implica em um conhecimento profundo de uma dada disciplina. Enquanto isso era óbvio na Idade Média e até mesmo depois, hoje, aparentemente, é muito menos.

Após serem considerados eruditos tal como os autores, acadêmicos e pesquisadores por inteiros dois milênios, muitos tradutores tornaram-se invisíveis no século XXI, com seus nomes sendo frequentemente esquecidos em comunicados de imprensa e em capas de livros, e às vezes sendo esquecidos até mesmo em artigos e livros do qual passaram dias, semanas ou até meses traduzindo.

Apesar das onipresentes ferramentas MT (machine translation ou tradução de máquina) e CAT (computer-assisted translation, ou tradução assistida por computador ou “memória de tradução”) que deveriam acelerar o processo de tradução, alguns tradutores ainda querem ser comparados à artistas, não apenas pela precária vida que levam, mas igualmente pelo ofício, conhecimento, dedicação e paixão que põem em seus trabalhos.


Muitos tradutores e outros linguistas foram entrevistados em “Livros e artigos entre fronteiras e idiomas (1990–2015)“, também disponível em Francês e em Espanhol.


Traduzido e Adaptado por: Enxarcado   |   Revisor: Enxarcado


[PARTE 8]


Bibliografia

[1772] Ignacy Krasicki. “O przekładaniu ksiąg” (On the Translation of Books). In the newspaper “Monitor”, no. 1.[1791] Alexander Tytler. “Essay on the Principles of Translation”. London.

[1803] Ignacy Krasicki. “O tłumaczeniu ksiąg” (On Translating Books). In “Dzieła wierszem i prozą” (Works in Verse and Prose).

[1813] Friedrich Schleiermacher. “Über die verschiedenen Methoden des Übersetzens” (“On the Different Methods of Translating”). Lecture.

[1959] Roman Jakobston. “On Linguistic Aspects of Translation”. Essay.

[1969] Eugene A. Nida & Charles R. Taber. “The Theory and Practice of Translation, with Special Reference to Bible Translating”. Brill, Leiden.

[1972] James S. Holmes. “The Name and Nature of Translation Studies”. In “Translated! Papers on Literary Translation and Translation Studies”. Rodopi, Amsterdam, 1972-88.

[1979] Louis G. Kelly. “The True Interpreter. A History of Translation Theory and Practice in the West”. St. Martin’s Press, New York.

[1983] Christopher Kasparek. “The Translator’s Endless Toil”. In “The Polish Review”, vol. XXVIII, no. 2.

[1986] J.M. Cohen. “Translation”. In “Encyclopedia Americana”. Grolier, New York, vol. 27.

[1990] Amparo Hurtado Albir. “La notion de fidélité en traduction” (The Idea of Faithfulness in Translation). Didier Érudition, Paris.

[2003] Umberto Eco. “Mouse or Rat? Translation as Negotiation”. Phoenix, London.

[2008] Lawrence Venuti. “The Translator’s Invisibility: A History of Translation” (2nd edition, first edition 1995). Routledge, London.

[2009] Mona Baker & Gabriela Saldanha. “Routledge Encyclopedia of Translation Studies” (2nd edition). Routledge, London.

[2012] Jean Delisle & Judith Woodsworth. “Translators through History”. John Benjamins, Amsterdam.

[2016] Claudio Galderisi & Jean-Jacques Vincensini. “La fabrique de la traduction” (The Translation Making). Brepols Publishers, Turnhout, Belgium.


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