Uma breve história da tradução por entre as eras: No Século XX (8)


“UMA GRANDE MULHER, REALMENTE!!”


[PARTE 9]

[PARTE 7]


Aniela Zagórska, uma tradutora polonesa, traduziu para o Polonês quase que todas as obras do romancista britânico-polonês Joseph Conrad, do qual escreveu todas elas em Inglês. Na visão de Conrad, a tradução, semelhante a outras artes, inevitavelmente é envolvida escolha, e a escolha implica interpretação. Conrad posteriormente aconselharia Aniela Zagórska (que era sua sobrinha): “Não se preocupe em ser muito escrupulosa… eu devo dizer a você que, em minha opinião, é melhor que seja interpretado que traduzido… É, então, uma questão de achar as expressões equivalentes. E lá, minha cara, que peço a você que se deixe ser guiada mais por seu temperamento que por sua estrita consciência” (citado em Zdzisław Najder, “Joseph Conrad: A Life”, 2007).

Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges, um famoso escritor de “short-stories”, ensaísta e poeta Argentino, foi igualmente um notável tradutor de obras literárias do Inglês, Francês, Alemão e Inglês Antigo ou Língua Nórdica Antiga ao Espanhol. Ele traduziu — ao mesmo tempo que sutilmente modificava — as obras de William Faulkner, André Gide, Hermann Hesse, Franz Kafka, Rudyard Kipling, Edgar Allan Poe, Walt Whitman, Virginia Woolf e outros. Borges igualmente escreveu e lecionou extensivamente na arte da tradução, sustentou que a tradução pode melhorar a versão original, talvez até possa ser infiel a ele, e que, alternativa e potencialmente, traduções contraditórias do mesmo trabalho podem ser igualmente válidas.

Outros tradutores ainda conscientemente produziam traduções literais, como por exemplo, tradutores de textos religiosos, históricos, acadêmicos e científicos, que muitas vezes aderiam o mais próximo possível do texto original, às vezes até alongando os limites da língua alvo para produzir um texto não idiomático.

A segunda metade do século XX vislumbrou o nascimento de uma nova disciplina chamada “Estudos da Tradução”, tal como a criação de novos institutos especializados no ensino desta. O termo “Estudos da Tradução” foi cunhado por James S. Holmes, um poeta e tradutor de poesia, em seu seminal texto “O nome e a natureza dos Estudos da Tradução” (1972), considerado como a declaração fundacional para esta nova disciplina.

Nascido nos Estados Unidos, Holmes se mudou permanentemente para Amsterdam, Reino dos Países Baixos (Holanda), ainda jovem em idade. Enquanto escrevia sua própria poesia, igualmente traduziu muitas obras de poetas holandeses e belgas ao Inglês. Ele foi contratado como um professor associado no novo Institute of Interpreters and Translators (“Instituto de Intérpretes e Tradutores”, mais tarde sendo renomeado como Institute of Translation Studies) criado em 1964 dentro da Universidade de Amsterdam, e igualmente escreveu vários artigos influentes sobre tradução.

Da Antiguidade a meados do século XX, a interpretação era vista apenas como uma forma especializada de tradução — falada em vez de escrita — antes de se tornar uma disciplina de estudo separada. Estudos de Interpretação gradualmente se emancipavam dos Estudos da Tradução a fim de se concentrar no aspecto prático e pedagógico da interpretação. Isso também desenvolveu uma estrutura teórica interdisciplinar diferente que incluiu estudos sociológicos de intérpretes e suas condições de trabalho — embora tais estudos ainda sejam carentes de tradução hoje em dia.


Traduzido e Adaptado por: Enxarcado   |   Revisor: Enxarcado


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Bibliografia

[1772] Ignacy Krasicki. “O przekładaniu ksiąg” (On the Translation of Books). In the newspaper “Monitor”, no. 1.[1791] Alexander Tytler. “Essay on the Principles of Translation”. London.

[1803] Ignacy Krasicki. “O tłumaczeniu ksiąg” (On Translating Books). In “Dzieła wierszem i prozą” (Works in Verse and Prose).

[1813] Friedrich Schleiermacher. “Über die verschiedenen Methoden des Übersetzens” (“On the Different Methods of Translating”). Lecture.

[1959] Roman Jakobston. “On Linguistic Aspects of Translation”. Essay.

[1969] Eugene A. Nida & Charles R. Taber. “The Theory and Practice of Translation, with Special Reference to Bible Translating”. Brill, Leiden.

[1972] James S. Holmes. “The Name and Nature of Translation Studies”. In “Translated! Papers on Literary Translation and Translation Studies”. Rodopi, Amsterdam, 1972-88.

[1979] Louis G. Kelly. “The True Interpreter. A History of Translation Theory and Practice in the West”. St. Martin’s Press, New York.

[1983] Christopher Kasparek. “The Translator’s Endless Toil”. In “The Polish Review”, vol. XXVIII, no. 2.

[1986] J.M. Cohen. “Translation”. In “Encyclopedia Americana”. Grolier, New York, vol. 27.

[1990] Amparo Hurtado Albir. “La notion de fidélité en traduction” (The Idea of Faithfulness in Translation). Didier Érudition, Paris.

[2003] Umberto Eco. “Mouse or Rat? Translation as Negotiation”. Phoenix, London.

[2008] Lawrence Venuti. “The Translator’s Invisibility: A History of Translation” (2nd edition, first edition 1995). Routledge, London.

[2009] Mona Baker & Gabriela Saldanha. “Routledge Encyclopedia of Translation Studies” (2nd edition). Routledge, London.

[2012] Jean Delisle & Judith Woodsworth. “Translators through History”. John Benjamins, Amsterdam.

[2016] Claudio Galderisi & Jean-Jacques Vincensini. “La fabrique de la traduction” (The Translation Making). Brepols Publishers, Turnhout, Belgium.


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