Don Quixote e Zé Chupança

Uma breve história da tradução por entre as eras: No Século XVII (5)


Bom dia caros mancebos. Aqui vos apresento mais uma das nove partes de “Uma breve história sobre a tradução por entre as eras”. Especificamente nesta parte, o autor descreve como fora a tradução no século XVII e de seus principais personagens que nela viveram. E como puderam perceber pela foto de início, já de cara mostra uma obra que ganhou extrema notoriedade na Europa naquele período.


[PARTE 6]

[PARTE 4]


O romancista espanhol Cervantes, famosamente conhecido por toda a Europa por sua obra “Don Quixote” (1605–1615), expressou sua própria opinião no processo de tradução apresentando uma metáfora um tanto desesperadora para o resultado final das traduções. De acordo com Cervantes, traduções de seu tempo — com exceção daqueles do Grego ao Latim — era semelhante a vislumbrar uma tapeçaria Flamenga, só que do seu lado inverso. Enquanto os principais detalhes artísticos da tapeçaria podiam ser reconhecidos, ao mesmo tempo, estavam sendo obscurecidos pelos fios soltos e a falta de claridade na sua parte da frente.

Don Quixote Parte Livro

Na segunda metade do século XVII, o tradutor e poeta Inglês John Dryden buscou a fala de Virgil “em palavras tal como ele iria provavelmente escrever se o mesmo fosse um homem inglês”. Mas Dryden percebeu a não necessidade de imitar a poesia Romana de forma tão sútil e concisamente. Porém, em vez disso, Alexander Pope, um tradutor contemporâneo a ele, reduziu o “paraíso selvagem” de Homer a “condição” em sua tradução da obra do poeta épico grego ao Inglês. Dryden também advertiu contra a licença da “imitação” em uma tradução adaptada: “Quando um pintor copia da vida… ele não tem privilégio para alterar características e lineamentos…”, enquanto observa que “a tradução é um tipo de desenho vindo da vida…”, comparando, assim, o tradutor com um artista nascido alguns séculos depois de Cícero.

Durante a segunda metade do século XVII, “fidelidade” e “transparência” eram melhor definidas como palavras com mesma semântica na tradução, enquanto que, muitas vezes, eram discordantes entre si. “Fidelidade” é a medida que uma tradução processa com precisão o significado do texto-fonte, sem distorções, levando em conta no cerne do próprio texto (sujeito, tipo e uso), suas qualidades literais e seu contexto histórico-social. “Transparência” é a medida que uma tradução se apresenta a um falante nativo do idioma de destino para ter sido originalmente escrito naquela língua, levando em conta a concordância gramatical, sintaxe e o idioma em si. Uma tradução “transparente” é geralmente qualificada como “idiomática”.


Traduzido e Adaptado por: Enxarcado   |   Revisor: Enxarcado


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Bibliografia

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