Uma breve história da tradução por entre as eras: No Século XVI (4)


Boa noite queridos e almejados leitores desta seita. Aqui vos trago a quarta parte que descreve como fora a tradução no século XVI e como neste mesmo século tantos acontecimentos sucederam-se para chegar ao que é hoje. Ademas, gostaria que comentassem sobre o que estão achando dos artigos esperando eu, realmente, que estejam gostando, pois aqui faço uma contribuição ao mundo da tradução. Então… até o próximo artigo.


[PARTE 3]

[PARTE 5]


Literatura não acadêmica continuou a depender de adaptação. La Plêiade da França, os poetas Tudor da Inglaterra e os tradutores Elisabetanos adaptaram temas de Horácio, Ovídio, Petrarca e escritores do Latim moderno, enquanto criavam um novo estilo poético baseado nesses modelos. Os poetas Ingleses e os tradutores queriam promover uma nova audiência — criada pela ascensão da classe média e o desenvolvimento da impressão — com “obras como se os próprios autores originais estivessem escrevendo, como se estivessem escrevendo na Inglaterra naquele tempo” (Wikipédia).

O “Novo Testamento de Tyndale” (1525) é considerado como a primeira grande tradução Tudor, em homenagem a William Tyndale, o erudito Inglês quem foi o principal tradutor do livro. Esta tradução também foi a primeira tradução da Bíblia feita diretamente do Hebraico e de textos em Grego. Logo após traduzir todo o Novo Testamento, Tyndale começou com o Velho Testamento e traduziu metade dele. Tyndale também se tornou um protagonista na Reforma Protestante antes de ser-lhe impetrado uma sentença de morte pela posse sem autorização das Escrituras em Inglês. A “Bíblia de Tyndale” foi finalizada por um dos assistentes de Tyndale. Seu trabalho tornou-se a primeira grande tradução de larga escala em Inglês como o resultado dos novos avanços da arte da impressão.

Martinho Lutero, um professor alemão de Teologia, foi a figura mais proeminente da Reforma Protestante, e traduziu a Bíblia ao Alemão quase no final de sua vida. Ele foi o primeiro europeu a afirmar que só é possível traduzir satisfatoriamente algo apenas para sua língua de origem, uma declaração ousada que se tornou, dois séculos depois, uma norma. A publicação da “Bíblia de Lutero” também contribuiu significantemente ao desenvolvimento do Alemão Moderno.

Juntamente com a “Bíblia de Lutero” em Alemão (1522 a 1534), duas outras relevantes traduções foram feitas: a “Bíblia de Jakub Wujek” (Biblia Jakuba Wujka) em Polonês (1535) e a “Bíblia King James” em Inglês (de 1604 a 1611), deixando relevantes efeitos na religião, língua e cultura das respectivas nações. As disparidades em palavras cruciais e passagens contribuíram, em certa medida, à divisão do Cristianismo Ocidental entre Catolicismo Romano e Protestantismo, sendo como foco principal da Reforma Protestante eliminar a corrupção na Igreja Católica Romana.

Durante o mesmo período, a Bíblia foi igualmente traduzida em Holandês, Francês, Espanhol, Checo e Esloveno. A Bíblia em Holandês foi publicada em 1526 por Jacob van Lisevelt. A Bíblia em Francês foi publicada em 1528 por Jacques Lefevre d’Étaples (Jacobus Faber Stapulensis). A Bíblia em Espanhol (“Biblia del oso”) foi publicada em 1569 por Casiodoro de Reina. A Bíblia em Esloveno foi publicada em 1584 por Jurij Dalmatn. A Bíblia em Checo (“Bible kralická”) foi um trabalho coletivo impresso entre 1579 e 1593.

Todas essas traduções foram a força motriz no uso das línguas vernáculas na Europa Cristã, e contribuíram no desenvolvimento das línguas Europeias Modernas.


Traduzido e Adaptado por: Enxarcado   |   Revisor: Enxarcado


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Bibliografia

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[1803] Ignacy Krasicki. “O tłumaczeniu ksiąg” (On Translating Books). In “Dzieła wierszem i prozą” (Works in Verse and Prose).

[1813] Friedrich Schleiermacher. “Über die verschiedenen Methoden des Übersetzens” (“On the Different Methods of Translating”). Lecture.

[1959] Roman Jakobston. “On Linguistic Aspects of Translation”. Essay.

[1969] Eugene A. Nida & Charles R. Taber. “The Theory and Practice of Translation, with Special Reference to Bible Translating”. Brill, Leiden.

[1972] James S. Holmes. “The Name and Nature of Translation Studies”. In “Translated! Papers on Literary Translation and Translation Studies”. Rodopi, Amsterdam, 1972-88.

[1979] Louis G. Kelly. “The True Interpreter. A History of Translation Theory and Practice in the West”. St. Martin’s Press, New York.

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[1990] Amparo Hurtado Albir. “La notion de fidélité en traduction” (The Idea of Faithfulness in Translation). Didier Érudition, Paris.

[2003] Umberto Eco. “Mouse or Rat? Translation as Negotiation”. Phoenix, London.

[2008] Lawrence Venuti. “The Translator’s Invisibility: A History of Translation” (2nd edition, first edition 1995). Routledge, London.

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[2012] Jean Delisle & Judith Woodsworth. “Translators through History”. John Benjamins, Amsterdam.

[2016] Claudio Galderisi & Jean-Jacques Vincensini. “La fabrique de la traduction” (The Translation Making). Brepols Publishers, Turnhout, Belgium.


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