Uma breve história da tradução por entre as eras: No Século XIX (7)


UM CHINÊS NA CAPA DE APRESENTAÇÃO? ESSE TREM SÓ PODE TER COISA BOA! SÓ PODE!


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O século XIX trouxe consigo novos padrões para precisão e estilo de tradução. Em relação a precisão, como observou J.M. Cohen, o autor do verbete “Tradução” na “Enciclopédia Americana” (1986, vol. 27), fez da apólice como “o texto, todo o texto, e nada além do texto” (exceto passagens obscenas), com a adição de notas de rodapé extensas explicativas. Em relação ao estilo, o objetivo dos Vitorianos era constantemente relembrar os leitores de que estavam lendo um clássico estrangeiro.

Uma exceção disso foi a excepcional tradução de uma seleção de poemas persas feito pelo escritor e poeta inglês Edward FitzGerald. “Rubaiyat de Omar Khayyám” (1859), apresentava uma seleção de poemas por Omar Khayyám (1048–1131), do qual, igualmente, foi Matemático e Astrônomo. A tradução de Fitzgerald, na verdade, extraiu pouco do conteúdo dos poemas persas originais, porém, esta permanece como a primeira e mais famosa tradução dos poemas de Khayyám até hoje, apesar de traduções mais recentes e precisas.

A tradução “não transparente” foi primeiramente desenvolvida pelo teólogo e filósofo alemão Friedrich Schleiermacher durante o Romantismo Alemão, antes mesmo de se tornar uma teoria dominante dois séculos depois. Em sua seminal palestra “Nos Diferentes Métodos de Tradução” (1813), Schleiermacher fez uma distinção entre métodos de tradução que direcionam “o autor ao leitor”, isto é, transparência, e aqueles que direcionam “o leitor ao autor”, ou seja, uma fidelidade extrema ao estrangeirismo da língua original. Schleiermacher era favorável a última abordagem. Sua distinção entre “domesticação” (trazendo o autor ao leitor) e “estrangeirização” (levando o leitor ao autor) inspirou proeminentes teóricos no século XX, como por exemplo, Antoine Berman e Lawrence Venuti.

Yan Fu, acadêmico e tradutor chinês, desenvolveu em 1898 sua teoria de tradução de três facetas: fidelidade, ou seja, ser fiel ao original em espirito; expressividade, quer dizer, ser acessível ao leitor alvo; e elegância, isto é, estar em formato de língua em que o leitor alvo aceite como educado (aceitável).

A teoria de tradução de Yan Fu foi baseada em sua experiência com traduções de trabalhos de Ciências Sociais do Inglês ao Chinês. Das três facetas, ele considerava a segunda como sendo a mais importante. Se o significado do texto traduzido não for acessível ao leitor, então, não haveria diferença entre ter traduzido o texto e de não ter traduzido o texto, de qualquer forma.

De acordo com Yan Fu, em razão de facilitar a compreensão, a ordem das palavras deveria ser alterada; exemplos de palavras em chinês deveriam substituir as em inglês, e até mesmo nomes próprios de pessoas deveriam ser reproduzidos em chinês. Sua teoria teve um relevante impacto mundial, porém, às vezes, era também erroneamente relacionada à tradução de obras literárias.


Traduzido e Adaptado por: Enxarcado   |   Revisor: Heilong


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Bibliografia

[1772] Ignacy Krasicki. “O przekładaniu ksiąg” (On the Translation of Books). In the newspaper “Monitor”, no. 1.[1791] Alexander Tytler. “Essay on the Principles of Translation”. London.

[1803] Ignacy Krasicki. “O tłumaczeniu ksiąg” (On Translating Books). In “Dzieła wierszem i prozą” (Works in Verse and Prose).

[1813] Friedrich Schleiermacher. “Über die verschiedenen Methoden des Übersetzens” (“On the Different Methods of Translating”). Lecture.

[1959] Roman Jakobston. “On Linguistic Aspects of Translation”. Essay.

[1969] Eugene A. Nida & Charles R. Taber. “The Theory and Practice of Translation, with Special Reference to Bible Translating”. Brill, Leiden.

[1972] James S. Holmes. “The Name and Nature of Translation Studies”. In “Translated! Papers on Literary Translation and Translation Studies”. Rodopi, Amsterdam, 1972-88.

[1979] Louis G. Kelly. “The True Interpreter. A History of Translation Theory and Practice in the West”. St. Martin’s Press, New York.

[1983] Christopher Kasparek. “The Translator’s Endless Toil”. In “The Polish Review”, vol. XXVIII, no. 2.

[1986] J.M. Cohen. “Translation”. In “Encyclopedia Americana”. Grolier, New York, vol. 27.

[1990] Amparo Hurtado Albir. “La notion de fidélité en traduction” (The Idea of Faithfulness in Translation). Didier Érudition, Paris.

[2003] Umberto Eco. “Mouse or Rat? Translation as Negotiation”. Phoenix, London.

[2008] Lawrence Venuti. “The Translator’s Invisibility: A History of Translation” (2nd edition, first edition 1995). Routledge, London.

[2009] Mona Baker & Gabriela Saldanha. “Routledge Encyclopedia of Translation Studies” (2nd edition). Routledge, London.

[2012] Jean Delisle & Judith Woodsworth. “Translators through History”. John Benjamins, Amsterdam.

[2016] Claudio Galderisi & Jean-Jacques Vincensini. “La fabrique de la traduction” (The Translation Making). Brepols Publishers, Turnhout, Belgium.


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