Livro 1 – Capitulo 6 – O Anel do Dragão(Parte 1)

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Com o entardecer, as nuvens rosadas que cobriam o céu deixavam um tom de vermelho por onde passavam.

“Limpar o salão dos ancestrais foi muito fácil.”

Ao deixar o salão, Linley teve que admitir que suas preparações foram exageradas, pois tinha reservado uma hora do seu tempo para uma tarefa que demorou apenas quinze minutos.

No continente Yulan, cada ano era dividido em doze meses, cada mês em trinta dias, cada dia em vinte e quatro horas e cada hora em sessenta minutos. A maioria das famílias nobres tinham um relógio de pé e podiam dizer as horas com precisão. Algumas pessoas extremamente ricas ou com alto status social possuíam relógios de pulso meticulosamente calibrados.

“O salão dos ancestrais é limpo todo o mês, então não fica muito sujo durante esse período. Logo, só preciso tirar um pouco de pó.”

“Falta um pouco menos de uma hora para o treino começar. O que devo fazer?” Entediado, Linley olhava em todas as direções.

A antiga mansão dos Baruch tinha cinco mil anos de história. E embora a ala norte da mansão fosse limpa todos os dias, os cômodos localizados na parte sul, tirando o salão dos ancestrais, eram cheios de poeira, rachaduras, capim e musgo por todo o chão e nas paredes.

“Eeeeei…” Vendo a arquitetura em ruínas, os olhos de Linley começaram a brilhar. “Vários lugares na parte de trás da mansão não são visitados a mais de um século. Será que tem algum tesouro lá?”

Depois de pensar nisso, o coração de Linley começou a bater forte.

“Se conseguir encontrar algo valioso e der para o meu pai, com certeza ele vai ficar muito feliz.” Linley respirou fundo e entrou num quarto decrépito próximo ao salão dos ancestrais. Com um pedaço grosso de madeira na mão, que usaria para retirar as teias de aranha a fim de tornar a exploração mais meticulosa, Linley avançava passo a passo com cuidado.

Um cheiro de mofo invadiu o nariz de Linley assim que entrou no quarto e aranhas eram vistas escalando suas teias grossas nos cantos das paredes, nas cortinas ornadas e na mobília.

Após olhar com atenção era possível dizer que essas cortinas eram muito antigas, mas infelizmente estavam tão rasgadas que já não tinham sequer a aparência de uma.

“Se elas não estivessem arruinadas, sem dúvida valeriam muitas moedas.” Linley, inconformado, balançava a cabeça. Ele continuou a vasculhar com atenção enquanto usava sua vareta para remover as teias do caminho.

Procurou tesouros dentro dos móveis, no chão e até por passagens secretas nas paredes.

“De acordo com os livros que li, é bem comum ter alavancas ou passagens secretas nas paredes.” Linley cutucava com cautela as paredes em busca de algum som estranho.

Ele estava se divertindo com a caça ao tesouro, porém tinha esquecido de uma coisa. Se tinha pensado nessa ideia, seu pai, avô e outros antecessores do clã Baruch, também não teriam pensado?

Esses antigos cômodos a muito tempo já haviam sido completamente vasculhados pelos antepassados do clã Baruch.
Mas no final das contas, Linley tinha apenas oito anos. Embora a rígida educação provida pelo clã o tivesse ajudado a amadurecer mais rápido, ele ainda era uma criança. Portanto não era possível que ponderasse as coisas de um ponto de vista mais amplo.

“Nada nesse quarto. Próximo…” Linley saiu do primeiro quarto e foi para o seguinte.

Havia muitos cômodos na parte de trás da mansão, já que o espaço em que Linley morava equivalia apenas a um terço da propriedade. As dimensões dos fundos eram muito maiores e Linley talvez precisasse de um dia inteiro para explorar a ala sul por completo.

“Todas essas decorações estão arruinadas. Não sobrou uma que valesse algo.” Linley saia de mais um quarto.

Ele olhou para o céu.

“É. Já está quase na hora do treino. Devo ter mais ou menos uns quinze minutos no máximo.” Ao virar a cabeça, Linley avistou um cômodo muito grande. “Vou dar uma olhada naquele grandão por uns dez minutos. Se não encontrar algo, vou direto para o treino.”

Após decidir o que fazer, ele correu em direção a última porta.

Esse antigo aposento era maior do que o salão principal da mansão. Ao entrar, Linley escaneou cuidadosamente o lugar. “Aposto que cem anos atrás essa era a sala de jantar do clã.” Presumia pelas decorações e mobília.

Um enorme e suntuoso salão.

“Primeiro, procurar no chão.”

O mesmo processo de antes. Olhando para o chão e de olhos bem abertos, Linley começou a procurar por toda a parte. Ao avistar algo interessante, ele cutucava com a vareta duas vezes e se fosse feito de pedra, deixava pra lá. Como não tinha muito tempo até o treino, agilizou as buscas.

“Hora de procurar nas paredes e cortinas, minhas últimas esperanças.” Linley fazia uma cara feia enquanto olhava pelo salão. “Anciãos do clã, espero que tenham deixado uma ou duas coisas para encontrar, mesmo que seja algo bem pequeno.”

Linley procurou com cuidado as paredes e atrás das cortinas rasgadas.

Encostados nas antigas paredes haviam algumas cômodas de madeira apodrecida com várias gavetas. Linley abriu cada uma delas, mas estavam vazias. A única coisa dentro delas? Poeira.

“Que droga!”

Depois de puxar a última, Linley teve uma amarga decepção.

“Depois de procurar por todo esse tempo, não encontrei um item valioso. Tudo o que consegui foi ficar coberto de poeira e suado.” Linley olhou frustrado para suas roupas sujas e depois, uma última vez para o salão.

“Humf. Vou embora.” Com raiva, ele então bateu sua vareta com força em um armário próximo, para extravasar a frustração acumulada devido a uma hora de exploração sem sucesso.

“Tum!” A vareta acertou em cheio.

O armário, que já era muito velho e corroído por cupins há séculos, não aguentou o impacto furioso e começou a rachar.

Quando ouviu o barulho, Linley olhou para trás em pânico. “Essa não! Vai cair!” Como havia destruído alguns móveis enquanto investigava outros cômodos, a essa altura já sabia o que estava para acontecer e rapidamente desviou para o lado.

Por fim, o armário que era o dobro do tamanho de Linley, desabou com um estrondo quando foi ao chão. Ao se quebrar em sete ou oito pedaços fez ainda mais bagunça. Mas no meio de toda essa sujeira, algo passou desapercebido por Linley.

Ao quebrar o móvel, um anel negro, que estava escondido nas prateleiras, rolou para fora e caiu no chão.

“Eca, eca!” Linley falou duas palavras enquanto escapava o mais rápido que podia da nuvem de poeira.

“Que falta de sorte! Agora meu corpo todo está coberto de poeira e aposto que o treino está para começar. Melhor tomar um banho rápido e colocar roupar limpas.” Empurrando com o braço, Linley abriu a porta e deixava o antigo salão.

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