Volume 2

Capítulo 122: O LIMIAR DAS VOZES ANTIGAS

Nas bordas da Tempestade Cisca que nunca cessava, três figuras distintas observavam um pequeno ponto distante do topo de um morro do deserto. 

A primeira figura tinha um corpo robusto, de torso largo e musculatura pesada. Sua pele parecia barro cozido, com rachaduras profundas, como se ele estivesse sempre prestes a se desfazer em poeira. Seu rosto queimado e deformado por radiação lhe dava uma aparência de estátua quebrada. 

Seus olhos estavam quase fechados. Mas ele os abriu parcialmente, e eram cinzentos e foscos, nublados como cerâmica.

Usava uma armadura improvisada de placas cerâmicas, quebradas e refeitas inúmeras vezes. As placas eram presas ao corpo por tiras de couro cru.

A cerâmica tinha cor de barro queimado com claras rachaduras, fazendo surgir os panos grossos e escuros, que evitavam o atrito da cerâmica com a pele. Em torno da cintura, havia uma faixa com pequenas bolsas de pano.

Não havia armas em suas mãos, exceto enormes manoplas feitas de barro, endurecidas pelo tempo.

O ar ao seu redor era denso, como se a terra estivesse ouvindo.

A figura à sua direita era um contraste claro e abrupto de tudo que ele representava. 

Este usava roupas simples, de cores suaves. O tecido parecia velho, gasto, remendado dezenas de vezes como se tivesse… séculos de existência. Era franzino e miúdo em comparação com o outro, como um corvo pequeno diante de uma enorme montanha.

O manto curto que cobria seus ombros pareciam grandes demais para ele — quase infantil. Mas tinha uma textura antiga.

Sua calça era justa e amarrada na canela por tiras de pano. Na cabeça, um pesado capuz cobria metade do rosto, revelando uma pele clara. Ele trazia junto ao peito um livro preso por uma tira de couro. No seu braço direito — o que segurava o livro — havia pequenas cicatrizes circulares, como marcas de tempo queimado.

Estes eram, respectivamente, Yegar, O Mudo de Barro, e Ashvai, O Jovem Sem Fim.

Ambos faziam parte do estranho e seleto grupo de Naor, O Sussurrante, chamados por ele de Esquecidos da Areia.

Suas presenças eram como a convicção forte e firme da areia. Não havia hesitação. Não havia modéstia. Eles faziam o que precisava ser feito.

E antes de mais nada, havia uma terceira figura, um pouco mais afastado, observando o ponto junto a eles.

Sobre sua cabeça havia um capuz de tecido áspero, leve como poeira comprimida. Tinha costuras tortas com runas riscadas à carvão. Sua borda tinha pequenas franjas que se moviam como se respirassem.

Ele vestia uma armadura que parecia ter sido moldada pelo próprio deserto. O peitoral, feito de uma liga metálica flexível entrelaçada com fragmentos de cerâmica, ajustava-se ao corpo como se respirasse com ele. Dourado queimado, com sulcos que lembravam ondas de areia, carregava pequenas runas de proteção que cintilavam sob a luz inexistente, como lembranças de uma força contida.

A capa, leve e tingida com pigmentos naturais do deserto, esvoaçava atrás dele a cada lufada de vento renovada, dançando com o ar quente e lembrando que não estava sozinho. No interior, uma tonalidade quase prateada refletia o pouco brilho do horizonte, dando à peça um toque etéreo e distante.

Caneleiras e grevas, feitas de cerâmica endurecida e tiras de couro flexível, protegiam pernas e pés sem impedir a movimentação. Cada impacto reverberava firme, mas leve, como se a própria areia sustentasse seus passos. Nos braços, protetores e luvas seguiam a mesma lógica: linhas curvas que lembrava ondas de poeira, símbolos gravados nos punhos e uma flexibilidade que permitia golpes precisos e manuseio de qualquer objeto.

As botas, de couro endurecido com placas de cerâmica nas laterais, eram gastas nas pontas pelo tempo e pela travessia das dunas, mas firmes nas solas, cravadas para dar tração em qualquer terreno.

Na cintura, uma espada repousava em uma bainha de ébano escuro, polida até refletir sombras distorcidas do deserto. Linhas de fino prata percorriam a madeira, formando ondas que lembravam o vento soprando sobre dunas, dando a impressão de movimento mesmo quando imóvel. Pequenos entalhes em forma de pétalas de flores noturnas surgiam na extremidade da bainha, lembrando que até nas trevas há beleza.

O protetor era circular, feito de ferro negro levemente acetinado, gravado com padrões que lembravam galáxias em espiral — estrelas, cometas e linhas de energia cruzando de forma quase mística. Era pesado o suficiente para equilibrar o golpe, mas delicado na aparência, uma peça de arte e combate ao mesmo tempo.

O cabo tinha uma textura de couro entrelaçado com fios de prata, firme e antiderrapante, permitindo que cada movimento fluísse com precisão. Pequenos pingentes de metal pendiam no final, cada um gravado com runas de vento e proteção.

O deserto respirou em volta dele, como se reconhecesse algo antigo naquela silhueta.

No lado oposto à espada, repousava uma ampulheta com tiras de couro amarradas ao vidro rachado e irregular, com símbolos claramente sulcados à mão; no interior, estava preenchida por areia cinza-azulada que começou a brilhar em tons frios quando o sujeito a tocou levemente por baixo da capa. Mesmo parada, a areia flutuava levemente.

O sujeito inclinou a cabeça e olhou para as duas figuras. Ele levou o braço direito ao capuz, baixando e revelando seu rosto.

Era um jovem de pele tez e olhos negros como mil corvos. Seus longos cabelos negros estavam presos em um rabo de cavalo adequado. Havia uma cicatriz horizontal acima do olho esquerdo, branca e antiga. Ela coçou levemente, como se recordasse o momento de seu nascimento.

Mas ele lembrava. Kai Stone nunca esquecia.

Ele levou a mão esquerda ao pomo de Vento Noturno — que esbanjava o novo visual — e franziu a testa, caminhando para se aproximar dos Esquecidos. Seus passos eram seguros, mesmo no chão traidor do deserto infinito.

Pequenos cordões e talismãs pendiam da capa e dos braços, lembranças de proteção e memória criadas pelos Esquecidos.

Nada disso era estética. Seus trajes e a completa mudança em Tirise tinham um propósito único e revelador, que faziam Kai ficar pesaroso e pensativo sobre o futuro.

Cada detalhe falava de disciplina, beleza e poder contidos. Sua roupa não era apenas uma defesa física, era resistência, identidade e laço espiritual. Ao vestir tudo, Kai poderia estar pronto. E ele estava imponente, ágil e conectado ao passado que carregava, consciente de cada escolha que ainda precisava enfrentar. Estava, acima de tudo, concentrado. 

Kai estava… mudado, de fato. Muita coisa acontecera, é claro.

Cinco meses se passaram desde o momento em que Liorah pronunciou aquelas palavras mordazes… e ele viu a queda.

Desde então, Kai e Naor seguiram para o Entrelugar, buscando aprofundar o desejo de Kai de se opor à Voragem.

Mas o tempo era seu inimigo, e muita coisa estava em jogo. O fim já tinha começado, afinal.

E para poder lidar com as duas coisas ao mesmo tempo, Kai e os Esquecidos desenvolveram não somente uma maneira de evitar a Voragem por enquanto; pelo menos até que eles pudessem afastar o mal imposto por Abeeku.

As roupas, proteções, cordões e talismãs eram uma maneira de evitar o pior: o toque insidioso da Voragem. Kai era um soldado excepcional e necessário neste porvir, e tudo que pudessem fazer, deveria ser feito.

A ampulheta que repousava em sua cintura, o capuz que repousava sobre seus ombros, a pulseira trançada de fibras de vegetais secas com ossos curvos e queimados e um caco de espelho guardado em um de seus bolsos eram todos Artefatos Anti-Voragem criados pessoalmente pelos Esquecidos. 

Cada um recebera um nome e um motivo específico. Cada um carregava uma vontade inata.

O primeiro era a Ampulheta do Vento Partilhado, criado por Naor. Tinha a função de distorcer o fluxo espiritual de Kai, dificultando que a Voragem Inominável sincroniza-se com ele.

Feita de vidros antigos de cacos de janelas de templos queimados nas capitais caídas, Naor fundiu com areia do deserto que “cantava” durante tempestades de areia. Durante três luas, soprou sobre o vidro com seu próprio fôlego ritmado em versos, encantando a areia para que se movesse ao contrário do tempo.

Quando Kai ativava — através de uma técnica de mente clara —, a areia agia sozinha, emitindo um sussurro áspero que interferia na conexão da Voragem com sua mente e corpo.

Quando ele a tocou levemente e sua areia brilhou, havia acabado de ativá-la.

É claro que algo assim exigia um limite. O uso excessivo pararia a areia completamente, deixando a ampulheta inútil por um tempo. Kai tinha aprendido a usá-la a cada poucos intervalos de tempo.

A areia contra o vidro soou como dentes rangendo.

O Segundo Artefato era a Pulseira dos Três Ecos.

Fora criada por Azbai, o Cego Que Dança.

Sua função era bastante interessante, Kai pressupôs. Ela criava camadas de emoções falsas, confundindo a Voragem e desviando a atenção de Kai.

A pulseira projetava emoções ecoadas — cansaço, raiva, calma; confundindo a Voragem, que não sabia identificar o que era real.

Contudo, seu uso em excesso deixava Kai confuso, sem saber distinguir suas próprias emoções. E como era uma pulseira, ficando em contato direto com a sua pele, ele a colocara sobre o tecido que ficava sob o protetor o do braço. Pelo menos assim não estava ativada o tempo todo. 

A pulseira parecia ouvir antes de responder.

O Terceiro Artefato era o Capuz da Lembrança Silenciosa.

Mizrah, a Queimada do Poente, tingiu um tecido áspero com sucos de escaravelhos e flores do deserto sob o pôr do sol. Cada fio foi beijado por ares quentes e secos, absorvendo o calor da lembrança e a frieza da ausência de memória.

Pelo menos era assim que Naor havia descrito.

Sua função era silenciar temporariamente memórias dolorosas, impedindo que a Voragem as usasse como alavanca. Era como se ao vestir, as memórias que a Voragem tentava explorar tornassem-se cinzas emocionais, invisíveis para ela.

Existia um viés: Kai nunca esquecia de nada, mas ele podia silenciar temporariamente.

Claro, não era adequado ser usado por muito tempo, sob o risco de deixar Kai emocionalmente apático.

Mesmo agora, sua apatia se apresentava por indiferença. Ele estava, não por querer, desprovido de qualquer emoções humanas. Seus olhos negros estavam opacos e distantes.

A cada uso, havia esse sopro gélido internamente que casava com o estado de Kai. Eram arrepios contundentes.

E por último, mas não menos importante, o Caco de Espelho de Zaraan.
Yegar o criou fundindo barro do deserto com fragmentos de cristal de antigos templos. E era apenas isso. O homem não dera detalhes para Naor — e nem pareceu inclinado a isso depois.

Kai apenas sabia que o Caco obrigava a Voragem a se manifestar fisicamente, tornando-a vulnerável temporariamente.

Ele não sabia muita coisa, afinal, nunca havia a usado de verdade. Ele a segurou uma vez, e isso lhe deu calafrios… porque sua superfície refletiu “fantasmas”, deixando ele confuso e um pouco perdido.

Devia ser usado em último caso. Ele não queria saber o que isso poderia causar se usado em excesso — ou mesmo que em pequenos momentos.

Kai suspirou, refletindo que estes eram apenas tapa buracos temporários, e a verdadeira razão de usá-los era porque seu tempo era precioso e pequeno.

O treinamento com Naor fora interrompido e adiantado às pressas. Ele havia evoluído, mas não o bastante.

Se aproximando dos Esquecidos, sua mente estava distante, na missão que Naor e o restante de seu grupo precisavam concluir.

No fim, tendo êxito ou não, eles só poderiam dizer que tinha valido a pena caso o próprio grupo de Kai fosse vitorioso aqui.

O palco principal estava sendo montado, e as peças de Abeeku estavam se movendo. Ele sabia o que precisava ser feito, e muito provavelmente tinha uma vantagem por causa de sua habilidade.

Afinal, Kai guardava para si a forte convicção de que o Imperador conseguia ter vislumbres do futuro.

Isso era um oponente duro, como tentar esmurrar a ponta de uma faca.

Mas os Esquecidos se sentiam esperançosos. Tudo dependia disso, afinal. Esperança.

Kai e seu grupo precisavam conseguir pequenas vitórias como essa. E, por isso, eles necessitavam tanto de uma boa performance aqui.

Suspirando pesado, ele se aproximou dos outros dois.

Yegar lançou um olhar cauteloso para ele, visualizando dos pés à cabeça. O homem era duas vezes maior, e mesmo assim havia uma espécie de respeito em relação a Kai.

Talvez fosse por ter dado cabo de um Espírito da Terra…, ou sobre o que eles tinham visto em Fireas?

De fato… haviam passado lá, em direção à atual localização.

Os Esquecidos observaram as ruínas de Umabel… e pode-se dizer que algo mudou neles.

Kai não sabia, nem ligava. Estava mortalmente apático, e nada parecia prender muito sua atenção ou interesse… era isso que o capuz fazia e o que fez Naor ficar cauteloso.

Mas não precisava temer, pois Kai, mais do que ninguém, sabia seu lugar no mundo e o que precisava ser feito. Isso se sobrepunha a qualquer apatia emocional. 

Ashvai suspirou enquanto revirava os olhos por baixo do capuz. Ele olhou para Kai e depois para o ponto distante. 

Um silêncio se estendeu enquanto o vento lambia suas botas e uivava duna abaixo.

A luz da lua iluminava tudo abaixo, e não havia mais nada que se comparasse à ela, exceto um único ponto distante e fantasmagórico.

O vento mudou de direção. Trazia calor demais, presságios demais. Um gosto amargo de ferro na boca.

Uma cidade bem distante queimava, e o som de vozes em balbúrdia era trazido até eles pelo vento.

Kai franziu a testa, refletindo mentalmente.

O que será que está acontecendo?

Sim… era uma dúvida genuína.

Essa era uma das cidades distantes, cuja profanação, no princípio da Queda, primeiro tocou. Fora feita, anos depois, de Colônia por Abeeku.

— Como se chama? — Indagou Kai, franzindo o nariz.

Ashvai se mexeu, inclinando a cabeça, e se virou lentamente para ele. Não disse nada por um tempo, mas tornou a encarar a cidade distante. O fogo berrava, e a fumaça subia aos céus. 

O vento uivou, trazendo suas vozes irascíveis e exacerbadas. Estavam animadas. E davam nojo.

Lyvas — disse o Jovem Sem Fim. — A Perdição Incólume.

Kai assentiu, recordando o nome. Fazendo-o se fixar em sua mente. Fazendo-o ganhar um novo propósito. Tudo dependia de Lyvas, afinal.

E seu papel era simples, até.

— Quantos Kawa Kale? — Perguntou. Ele já sabia todas as informações necessárias, mas queria repassar tudo, a fim de não deixar nada perdido.

Ashvai suspirou. Ele apertou o livro junto ao peito, os nós de seus dedos ficando brancos.

— Noventa e dois. — Ele se virou para Kai. — Oitenta e cinco são soldados comuns, quatro Raqib e três Dubaats.

Kai assentiu. Essa era a hierarquia oficial dos soldados Kawa Kale. Raqib eram acima dos soldados comuns, e Dubaats acima desses outros dois.

Aqueles que ele havia enfrentado eram soldados comuns. Hoje não teriam tanta sorte, no entanto.

— Algum ministro? — Indagou.

Ashvai se virou. Kai podia sentir seu olhar profundo e irritado. Ele não caía nas graças do jovem. Não sabia o motivo. Nem tinha vontade de saber.

— Duvida de mim? — perguntou, inclinando a cabeça.

Kai suspirou. Estava cansado disso. Yegar também pareceu, pois lançou um olhar sondador para o Jovem Sem Fim.

— É necessário ter certeza — disse Kai, lentamente.

Ashvai olhou para o Mudo de Barro, e se virou para a cidade, avaliando-a novamente. Ele gostava de ficar em silêncio. E isso irritava Kai.

— Nenhum. — disse. 

Kai balançou a cabeça levemente.

— Bom. — disse, satisfeito. — Assim é bom.

Ashvai olhou para ele novamente e inclinou a cabeça para trás, seus olhos profundos e cor de mel cristalizado avaliaram todo o rosto apático e indiferente de Kai. Havia certa pena, e um sorriso de desdém surgiu. 

— A coragem torna os fracos em ímpios. Mas a tolice eleva a moral dos afetados. — Ele apertou mais seu livro. — A arrogância precede a queda, lembre-se.

Kai ouviu isso com ouvidos surdos. Ele já havia aprendido a ignorar as farpas de Ashvai, e isso parecia ser o conduíte perfeito para a irritação do mais novo.

Esse ar de sábio não lhe caía bem, e Kai já não ligava tanto para ele. 

Yegar lançou um olhar de soslaio para Kai, querendo decifrar suas emoções.

Kai, por sua vez, olhou para a lua, seus olhos gravando o contorno da esfera lentamente distante. Parecia etérea, igual à de seu plano. Era estranho.

— Não é afetação — falou ele, a voz firme. — Apenas acredito no potencial da tarefa.

Ashvai soltou uma risada irônica.

— Acha mesmo que pode derrotar tantos deles sozinho? Mal sobreviveu à dois…

Kai não sentiu nada. Nem irritação. Nem orgulho. Apenas cálculo.

Assentindo, ele apertou o cabo de Tirise até que seus dedos ficassem dormentes, e a espada zumbiu — ela estava lentamente voltando à reagir ao seu toque. Isso era bom. Era familiar. Era adequado. 

— Sozinho? Haha! Decerto que não. — disse, com uma risada rouca e os olhos apertados. — Mas que tal nós? Acho que damos conta, hã?!

Ele inclinou a cabeça para Yegar dando um toque no peitoral de sua armadura com o nó dos dedos. Um sorriso igualmente afetado surgiu em seu rosto. Mas isso era uma bela encenação. Kai não conseguia sequer ligar para uma resposta adequada que fizesse Ashvai bufar. 

Yegar, que não era muito de sorrir ou de demonstrar qualquer outra emoção, apertou as sobrancelhas e ergueu o punho, dando duas batidas leves no próprio peito. Isso era um sim.

Satisfeito com a resposta, Kai se virou, ignorando o bufo irritado de Ashvai e caminhou morrinho abaixo. 

— Vamos. É hora de libertar alguns escravos e mandar esses desgraçados Kawa Kale para o inferno.

A areia se ergueu, como se fosse junto.

 

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