WCC – Capítulo 2 – Cabelo Preto



Com um leve som, um maço de flores caíram nos pés da garota. Frutas lala seguiram, caindo nas flores e rolando embora. Nos seus arregalados olhos brancos, um reflexo de um homem, acenando suas mãos enquanto murmurava algo podia ser visto. A garota correu embora, gritando, seu rosto congelado em medo.

“Ah, espere um pouco…”

Tendo alcançado a saída da estrutura que guardava a sala de pedra, Yuusuke encontrou uma garota com cabelo branco puro… e essa garota fugiu correndo… gritando…

“Mesmo quando eu só queria falar com ela…?”

Ele se sentiu levemente perplexo enquanto pegava o maço de flores e as coisas que pareciam frutas que ela derrubou. Elas pareciam idênticas às oferendas na sala de pedra.

“Então aquela garota veio aqui para trazer oferendas, eh?”

“Ela não me confundiu com o demônio para quem foi ofertado este robe, confundiu?” pensou Yuusuke depois de lembrar da estátua ameaçadora. Ele estava levemente preocupado sobre sua aparência, mas, pelo menos, ele não parecia com a estátua monstro-humana no altar. “Talvez eu só pareça com uma pessoa suspeita?”

“Uhm.”

Yuusuke gemeu enquanto checava seus arredores. Era um lugar quieto, cercado por árvores de algum modo altas. As árvores cresceram tão densas que a floresta em si se tornou escura e o outro lado da floresta não era visível.

Parecia que a estrutura com a sala de pedra era localizada numa pequena clareira cercada pela floresta. De certo modo parecia austera e carregava uma sensação similar com o terreno de um templo Xintoísta. Um pequeno caminho, parecendo mais com a trilha de um animal, continuava entre as árvores na direção em que a garota correu.

“Devo tentar ir lá?”

Depois de decidir que não tinha sentido permanecer aqui, Yuusuke tentou ir pelo pequeno caminho. Jogado em algum lugar desconhecido por um repentino fenômeno sobrenatural, ele estava atualmente no meio de outra situação anormal e era incapaz de falar com qualquer um que pudesse explicar qualquer coisa para ele.

Porque de uma garota, parecendo mais uma criança, veio aqui sozinha mais cedo, ele esperava que este lugar não fosse perigoso.

***

“Professor! Professor Zeshald!!” (NT: Eu tenho minhas dúvidas se ele é um sensei ou hakase, por isso que não estou usando em japonês…)

“Hmm?”

Zeshald, andando no pequeno caminho em direção do templo, não conseguia compreender a aparição de Sun, que estava fugindo da floresta.

Ela correu como se ela estivesse sendo perseguida por alguém, pulou em Zeshald e se pendurou nos braços dele. No que Zeshald acariciou o cabelo de Sun para acalmá-la, ele perguntou se ela teve problemas com malfeitores da cidade de novo.

“O que aconteceu?”

“Professor! Um deus Maligno… um deus preto Maligno saiu do templo!”

“… Deus Maligno, você diz?”

Pensando no que podia ter acontecido, Zeshald ergueu seus olhos em direção ao caminho, levando para a floresta, examinando a figura do homem que havia aparecido nele.

“Preto… não me diga?”

Com ombros tremendo, a garota assustada se virou para olhar e, depois de confirmar a presença de uma [pessoa com o cabelo preto], se escondeu atrás das costas de Zeshald. Usuários de artes divinas, pessoas capazes de usar as artes divinas, tinham seus cabelos e pupilas coloridas de acordo com o Deus de quem eles receberam suas bênçãos.

Os [usuários de artes de fogo] haviam recebido as bênçãos do deus do Fogo Volnar e carregavam a cor vermelha.

Os [usuários de artes de água] haviam recebido as bênçãos do deus d’Água Shalnas e carregavam a cor azul.

Os [usuários de artes de terra] haviam recebido as bênçãos do deus da Terra Zalnar e carregavam a cor amarela.

Os [usuários de artes de vento] haviam recebido as bênçãos do deus do Vento Fyolnar e carregavam a cor verde.

Os [sem poder] que não haviam recebido a bênção de qualquer dos quatro grandes Deuses carregavam a cor branca. O [preto] era a cor de [calamidade] usada para retratar o deus Maligno. Logo, as estátuas do deus Maligno nos templos dos sem poder eram consequentemente pintadas de preto e poderiam haver aqueles que queriam parcialmente tomar aquela imagem.

Ao menos Zeshald não havia visto uma pessoa com cabelo ou pupilas pretas nem uma vez durante seus longos 52 anos, incluindo mais de 30 anos que ele passou viajando por vários países, pesquisando o deus Maligno.

Ativando a arte divina que ele possuía, Zeshald andou levemente para frente para poder proteger Sun da pessoa com o cabelo preto.

“Você, quem é você?”

Yuusuke hesitou em como responder a pessoa idosa que parecia estar em alerta, protegendo a garota de antes atrás das costas dele e, sem qualquer traço de medo em seu rosto, pediu para ele se identificar. Ele não demonstrava hostilidade mas era difícil dizer se ele era um amigo.

“Uhmmm, meu nome é Tagami Yuusuke, eu sou um japonês. Diga, você sequer entende o que eu estou dizendo?”

“Sim, nós estamos ambos falando a mesma língua. Seu nome é [Tagami Yuusuke], certo? E [Japonês], é esse o nome da sua tribo?

O homem, que questionava Yuusuke e falava a mesma língua, parecia preferir comunicação ao invés de violência. Depois de explicar o nome de “Japão”, Yuusuke falou sobre as coisas misteriosas que ocorreram com o corpo dele.

Ele falou sobre o chamado da [voz], seguido por aparecer num lugar completamente desconhecido e recuperando sua consciência num templo em seguida. Yuusuke vocalizou sua preocupação que, se uma pessoa normal ouvisse isso, ele iria pensar de Yuusuke como um louco delirante – nada disso trouxe um sorriso ao rosto de Zeshald.

[“Tagami Yuusuke… um homem que apareceu do templo dos Sem Deus poderia na verdade ser o deus Maligno em si. Ainda mais se ele diz que ele foi chamado de outro mundo.”]

“Sua história é muito interessante de fato, mas o deus Maligno…”

“Ah, eu vivi entre humanos normais.”

“Mm, mas você foi sequer chamado de deus Maligno?”

“Não! Isso é… Apenas a voz disso ISSO. Eu sou realmente apenas uma pessoa normal.”

Sun estava se escondendo atrás das costas do velho homem durante a conversa inteira entre Yuusuke e Zeshald.

“Então, você realmente trouxe calamidade à este mundo?”

“Ao invés disso, eu quero dizer que eu sou aquele que experienciou a calamidade…”

Depois de ouvir a história de Yuusuke e decidindo que ele não é uma pessoa perigosa, Zeshald decidiu acompanhar o jovem garoto até a vila Rufk. Sun estava visivelmente pálida e sua cabeça estava tremendo, então Zeshald havia convencido ela ao dizer “Este homem não é perigoso” e persuadiu ela à retornar para a vila na frente deles.

Enquanto andavam na estrada rural, eles conversaram sobre porque Yuusuke era chamado como um deus Maligno e porque Zeshald pensou que ele podia trazer a tona uma calamidade. Apesar de falar durante todo o caminho, a discussão trouxe mais questões do que respostas.

“Há doenças que não podemos curar. Se o contágio se espalha, nós chamamos isso de calamidade.”

“Você parece perfeitamente saudável.”

Normalmente insocial, Yuusuke achou um assunto inusitado de interesse e abriu seu coração enquanto discutia isso com Zeshald. Seu parceiro, afinal, era um amigável e razoável velho camarada que deu à Yuusuke um senso de segurança.

Zeshald falou de coração aberto com Yuusuke, que, apesar de ter sido jogado sozinho numa terra estranha, não estava desorientado e agiu calmamente desde o começo, por fora, mas por dentro ele estava cuidadoso para não se deixar levar e abaixar sua guarda.

“Ainda, essas roupas… você consegue fazer algo para fazer elas parecerem mais compridas?”

Yuusuke suspirou de vergonha por parecer uma pessoa dos tempos antigos enquanto vestia as roupas que foram deixadas como uma oferenda. Já pelas (olhando para) as roupas de Zeshald, ele estava vestindo calças que cabiam folgadas, feitas de pano grosso que estava enfiado em botas marrons. Acima da cintura ele estava vestindo uma camisa branca de aparência confortável coberta por um casaco que parecia mais um manto.

As roupas pareciam aquelas que um nobre da idade média vestiria nos países ocidentais, mas ainda elas pareciam [ordinárias]. Andando atrás de um homem assim enquanto vestido como uma pessoa dos tempos antigos dava uma sensação de algum modo vergonhosa de fato.

“Se eu pudesse ao menos vestir calças ordinárias e uma camisa…”

Yuusuke disse isso enquanto ele estava pegando suas roupas, mas então ele repentinamente parou. Depois de perceber isso, Zeshald, que estava andando 2-3 passos na frente de Yuusuke, se virou. Depois de ver o jovem de pé embasbacado e encarando algo, Zeshald ficou ainda mais cauteloso.

“O que houve?”

“Eu… Eu estou sonhando…”

“Hoho, então nós somos as pessoas, vivendo dentro do seu sonho?”

Yuusuke calmamente recebeu a resposta franca de Zeshald no que ele continuou a encarar embasbacado algo na frente dele. Ou, para ser mais preciso, era uma imagem. Na frente dos olhos dele havia uma imagem básica que continha um menu com um simples layout. (NT: Esse básica era wireframe, mas enfim)

Era o menu de [Criação de Item – Sistema de Customização] – um elemento especial do jogo que ele estava jogando logo antes de ser chamado pela voz misteriosa. Na janela de customização, Yuusuke viu um modelo 3D giratório da vestimenta que ele estava agora vestindo.

Então Yuusuke recordou algo.

“Oh, é isso! A campainha lá trás era o som que você ouvia quando você tocava um item customizável naquele jogo.”

Zeshald inclinou sua cabeça enquanto observava Yuusuke falando consigo mesmo.

“Hmm, eu não consigo entender metade do que você está falando. Você se lembrou de algo?”

“Ah, por favor me dê um momento.”

Enquanto olhava para o espantado Zeshald, Yuusuke processou o item no menu, que ele apenas podia ver.

Ele rudemente customizou a cor e a forma das roupas. Haviam outras barras deslizantes para habilidades e parâmetros do item, mas Yuusuke operou apenas as barras deslizantes necessárias. Uma a uma, quase idêntico àquele jogo, ele podia configurar precisamente todas propriedades do item.

[“Não há pontos de customização, isso significa que eu posso mexer com o item o quanto eu quiser? Isso não é trapacear?”)

Com seus olhos focados em algo invisível, murmurando palavras desconhecidas enquanto movia seus dedos no ar, Yuusuke pareceu muito suspeito, mas ainda, Zeshald sentiu um poder lembrando aquele de uma arte divina emanando do jovem homem.

“O que você está fazendo, Tagami Yuusuke?”

Porque as roupas oferecidas haviam muito pano, Yuusuke dividiu elas numa camisa e um par de calças, e então mudou suas formas respectivamente. No jogo, jogadores podiam remodelar roupas, vendidas pelos NPC, do jeito que eles quisessem e podiam ter seus personagens vestindo isso.

Incidentalmente, ele também alguma roupa íntima. Sendo incapaz de decidir a posição, ele não conseguia sossegar.

“Ok, isto deve resolver… … Executar!”

Estando imerso na tela de customização, Yuusuke, com medo disto ser apenas um sonho, hesitou por um momento, mas, tendo decidido que acordar como se nada tivesse acontecido não seria uma coisa tão ruim, ele pressionou o botão “Executar” na tela.

Yuusuke foi cercado por uma luz morna.

“?!”

“Hey, você! …”

As roupas oferecidas se transformaram numa camisa cinza, um par de calças pretas e cueca verde.

“Kyaaaaaaa!!”

O grito da garota ressoou no momento em que a luz desapareceu. Sun, com seu cabelo branco balançando no vento, correu embora enquanto cobria seu rosto, vermelha de vergonha. No momento que a luz envolveu Yuusuke, Sun, estando preocupada, voltou para procurar por Zeshald. Ela estava encarando na luz enquanto procurava pelo símbolo do deus Maligno…

“Ah…”

“Ela fugiu gritando de novo”, suspirou Yuusuke, de pé no meio da estrada rural, cercado pela abundante vegetação.

“Ah, verdade. Se você customizar o equipamento que você está usando, ele é desequipado no processo. Hahahaha…”

Zeshald, tendo testemunhado o poder comparável com artes divinas, perguntou à Yuusuke, que estava rindo uma risada sem emoção, e estava lentamente recolhendo as roupas espalhadas do chão… no meio tempo, Sun estava correndo de volta para vila.

“O que foi isso agora pouco? Eu não sabia de uma arte divina que te permite instantaneamente remodelar roupas.”

“Arte divina?”

Zeshald estava agora ainda mais convencido que o jovem, que havia virado sua cabeça de lado em confusão, não era uma pessoa deste mundo. Ele pretendia apenas levar ele para vila, mas, depois de conversar com ele sobre os costumes deste mundo, ele decidiu permitir ele se acalmar na vila e então ouvir sua história em detalhe.

“Hmm, o que eu devo lhe ensinar primeiro?”


Tradutor: Thyros



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