WCC – Capítulo 18 – Um Viajante [Artless]



Os dois pais de Isotta eram [Artless]. Se uma usuária de artes divinas ficasse grávida com uma criança [artless], ela normalmente optava por um aborto, ou, se uma criança nascesse, ela era dada para pais [artless] adotarem ela. Igualmente, se um [artless] concebesse uma criança abençoada por um dos deuses, haviam vários casos da criança sendo dada para usuários de habilidade adotarem ela.

No caso de Isotta, os pais dela foram incapazes de achar qualquer usuário de habilidades para adotarem ela. No que os pais dela estavam vivendo nas periferias da cidade, eles acreditavam que ela seria aceita na sociedade dos usuários de habilidade no que ela se tornasse uma adulta, e eles criaram ela na cidade satélite dos [artless]

No que Isotta era a única com cabelo e olhos verdes entre as crianças loiras, não era fácil para ela se misturar, então ela cresceu sendo levemente introvertida. (NT: Loiro é uma péssima palavra para falar branco, mas é o que aconteceu… os loiros de verdade seriam usuários de terra, creio eu)

No sistema social, até a criança se tornar adulta, ela era tratada de acordo com o status social de seus pais. No caso de uma criança abençoada for cuidada pelos pais [artless], ao se tornar adulta, somente a criança recebia os benefícios de acordo com a bênção que ele/ela recebeu dos deuses. Assim que ela alcançou uma idade que a permitia se alistar às corps de deus divinas, Isotta se juntou às corps para ser capaz de apoiar seus envelhecidos pais.

Ela foi selecionada como um membro da corps do deus da escuridão, e com isso seu pagamento subiu também. Ela pretendia usar o dinheiro para seus pais, ambos que se tornaram incapazes de trabalharem nos campos depois de sofrerem feridas num acidente. De qualquer forma, as corps de deus dos guardas do palácio/cavaleiros reais eram uma organização para os elites deste sistema social.

Apesar dela ser um dos membros, pode ser apenas temporário no que ela obteve essa posição por pura sorte porque ela era a única usuária de artes de vento do tipo de comunicação presente na hora que os membros estavam sendo selecionados.

Isotta estava se sentindo desconfortável, ela tinha medo que ela seria forçada a resignar da corps do deus da escuridão se o fato que ela vivia com os [artless] fosse conhecido. Enquanto eles estavam falando na frente da casa dela, a mente de Isotta estava girando no que ela pensava sobre seus pais e sobre o que aconteceria depois que ela convidasse Yuusuke para dentro. Finalmente, ela se decidiu a se abrir sobre isso.

“Então é desse jeito.” (Yuusuke)

Yuusuke terminou falando. (“Como eu penei, esta pessoa é levemente diferente.”), Isotta quase não conseguia ficar de pé devido à tensão e desconforto, mas depois de olhar para Yuusuke, ela sentiu que ele era de algum modo diferente das outras pessoas no palácio.

“Heee, então você é um viajante…” (Yuusuke)

Os pais de Isotta convidaram ele para entrar e Yuusuke aceitou a oferta. Depois de se desculpar por entrar na casa deles, ele começou a ouvir a história do homem ferido.

Ele foi carregado para dentro da casa depois de levar graves feridas não muito antes de Yuusuke ter recebido um chamado oficial para servir o palácio. Ele se feriu enquanto tentava proteger a fazenda de moof do ataque de bestas demônio. Ele se chamou Shinra, um viajante [artless] que estava vagando por diferentes países.

Os pais de Isotta não tinham dinheiro o suficiente para chamar um usuário de artes d’água do tipo de cura para curar este homem. Ainda mais, nenhum usuário de artes d’água estaria interessado em viajar até o distrito dos [artless] para curar algum viajante suspeito. Os pais de Isotta ofereceram à Shinra para ficar na casa deles enquanto ele se recuperava de suas feridas e o viajante aceitou o convite deles.

Neste mundo viajantes não eram algo raro de se ver. Contudo, um [artless] viajando sozinho era algo que podia ser chamado de um pouco estranho. Para piorar, ele estava levando uma espada. Ao menos em Fonclanc, com a exceção de caçar, os [artless] quase nunca seguravam quaisquer armas, então para os moradores locais este cara só causaria suspeitas.

“Essa espada é real?” (Yuusuke)

“… Ah, mas claro. Você está tão cético sobre mim no fim das contas?” (Shinra)

Shinra assumiu que Yuusuke estava cauteloso sobre ele estar armado. Afinal, usuários de artes divinas consideravam os [artless] sendo uma existência sem poder [que permanecem sem poder não importa o que eles façam]. Tal noção era especialmente forte em Fonclanc onde um sistema de casta era presente.

Então, a questão de um [artless] armado assim viajando na capital não pode ser ignorada por um guarda do palácio/cavaleiro real de Fonclanc, sem mencionar um de elite que está sendo aplaudido como um herói… mas-

“Não é isso. É só que eu não tinha visto uma espada assim antes.” (Yuusuke)

Shinra duvidou de Yuusuke que estava fascinado pela espada estranha. De um jeito ou de outro, Yuusuke não demonstrou sinais de investigar ele, nem ele conseguia sentir um tipo de aura diferente do que ele se lembrava de antes quando uma pessoa tinha alguns de seus capangas escondidos por perto.

Nesta hora, a mãe de Isotta trouxe algum chá dizendo “obrigada por sempre cuidar da minha filha. Por favor aproveite este chá como um gesto de nossa apreciação”.

“Ah, obrigado.” (Yuusuke)

Yuusuke segurou a xícara e bebeu o chá. Vendo isto, as dúvidas de Shinra viraram interesse no que ele observou Yuusuke aproveitando o chá. O cara diante dele curvou sua cabeça para uma velha mulher [artless], além do mais ele bebeu o chá de aparência barata, oferecido por uma [artless], sem qualquer hesitação. Shinra não podia achar qualquer traço de descriminação nas ações de Yuusuke. Quase não haviam usuários de artes divinas que não demonstrasse algum tipo de supremacia contra os [artless].

“… Posso dar uma olhada nela?” (Yuusuke)

Shinra entregou a greatsword, que ele tinha deixado contra a parede, para Yuusuke. Vendo uma espada real pela primeira vez, Yuusuke alegremente aceitou a espada. Era uma espada de dois metros de comprimento de duas mãos e seu peso seguia sua aparência. (NT: Greatsword é uma forma de classificar espadas, se for ver, que eu não conheço uma tradução que eu goste.)

“Hmm? Está quebrada?” (Yuusuke)

“Hmm, você entendeu isso só de segurar ela?” (Shinra)

Yuusuke abriu o menu de customização imediatamente depois de tocar a espada e confirmou que a espada estava quebrada por volta do meio da lâmina. Os materiais para fazê-la eram de uma classe mais alta até do que aqueles usados na cunhagem de shoukas – era uma greatsword prateada. Yuusuke também notou que a lâmina tinha um monte de pontos sobrando em parâmetros de batalha na janela de customização. (NT: Aqui está o nome da moeda de cristais, vou usar o nome… sim, ainda estou indeciso se uso de vez ou não)

“Esta espada, você quebrou ela na batalha com aquelas bestas que atacaram a fazenda?” (Yuusuke)

“Não… antes de eu ter entrado no reino de Fonclanc, eu vaguei pelo território de Blue Garden. A espada se quebrou quando eu tive que lutar com aqueles caras.” (Shinra)

Ele viajou através de Blue Garden, principalmente pelas florestas, tentando evitar as estradas principais o quanto ele possivelmente podia. Enquanto viajava pela borda do país, ele encontrou um pequeno grupo de força de trabalho que pareciam ser os culpados por danificar a espada. Isotta ouviu o conto dele, com olhos arregalados de espanto no que Yuusuke propôs arrumar a espada.

“Você se importa se eu arrumar ela? Parece já ser uma espada de boa qualidade, mas eu acho que eu posso adicionar alguns encantamentos nela.” (Yuusuke)

Isotta ficou espantada no que ela ouviu a conversa deles, incapaz de ignorar a miríade de dicas sobre as origens deste viajante misterioso. Yuusuke, contudo, não demonstrou emoções negativas e isso atiçou ainda mais o interesse de Shinra.

Qualquer um segurando uma posição militar, depois de ouvir este conto, seria lembrado de [um certo lugar] que Yuusuke não conhecia ainda. Porque Shinra não sabia de Yuusuke, ele aceitou a ignorância de Yuusuke como tolerância profunda. Enquanto não era necessariamente um erro, isso era um mal entendido.

Sabendo que o Herói de Gear Hawk estava diante dele e querendo ver seu poder em primeira mão, Shinra permitiu Yuusuke à reparar a espada.

Yuusuke mexeu no menu de customização por um tempo, e depois de olhar pelas opções de customização disponíveis, Yuusuke perguntou uma variedade de questões para Shinra.

“É mesmo… para matar um humano, eu acho que a espada deveria ser mais leve, mas se fosse se tornar muito leve, seu poder ficaria por sua vez duvidoso.” (Shinra)

De acordo com Shinra, era problemático se a lâmina fosse focada demais em matar, então ele pediu para deixar as propriedades ofensivas inalteradas. Ao invés do potencial de matar, ele queria que os potenciais de luta da lâmina fossem maximizados, então ele pediu para colocar o parâmetro de resistência da lâmina o mais alto possível.

Ainda mais, a espada ganhou um buff de velocidade da ataque, e, levando em consideração que o viajante é uma pessoa sozinha, também foi encantada com recuperação de força e efeitos de cura.

Shinra viu Yuusuke, que estava movendo seu dedo no ar diante de uma espada quebrada enquanto perguntava várias perguntas sobre o estilo e preferências de batalha dele, como um usuário de artes divinas do tipo artesão que usava tal conversa para permitir que o freguês relaxasse enquanto movia seu dedo como um meio de aumentar sua concentração.

Para esses artesãos, as questões em si não possuem qualquer sentido substancial. Arrumar uma espada quebrada requeria um monte de concentração que o homem diante dele provavelmente alcançava conversando. Agora que ele pensou nisso, o próprio artesão de artes divina que fez para ele esta lâmina também era uma pessoa muito falante que só parou de falar quando ele tinha que ser extremamente cuidadoso.

“Hmm, isto deve servir… Executar!” (Yuusuke)

A greatsword prateada foi envolta em luz. Isotta já estava acostumada com esta luz e via a customização com uma expressão de [que bela luz] em seu rosto, enquanto seus pais estavam fascinados pelos efeitos luminosos.

Shinra, tendo viajado por vários países e visto várias artes divinas, também viu um efeito desses pela primeira vez. Depois de um tempo, a luz se apagou, deixando apenas as partículas brilhantes flutuando no ar e a greatsword com uma bela lâmina prateada deitada no chão.

“Eu adicionei um efeito de cura só por precaução. Eu acho que isso também deve ser capaz de curar suas feridas atuais.” (Yuuske)

“Efeito de cura?” (Shinra)

Duvidando das palavras de Yuusuke, Shinra pegou a espada. No momento que ele tocou ela, Shinra sentiu poder surgindo por todo seu corpo e suas feridas repentinamente ficaram quentes e começaram a coçar.

“Isto é…” (Shinra)

Desamarrando a bandagem, Shinra viu que suas feridas que iam das costas até o peito pelo lado, estavam lentamente se fechando. O efeito de cura era comparável à um usuário de artes d’água habilidoso do tipo de cura, mas Shinra não pôde esconder seu espanto por sua valorizada espada mostrar um efeito desses.

“Primeiramente, como pedido eu deixei o poder de ataque inalterado, depois eu modifiquei a velocidade de ataque e estamina.” (Yuusuke)

“Como pedido…” (Shinra)

Yuusuke propôs que Shinra testasse as melhorias na espada no que ele estava inspecionando as condições da lâmina. Mas primeiro, a espada foi dada para os pais de Isotta, para que as feridas deles pudessem ser curadas também. Em seguida Yuusuke foi para fora e, localizando um pedaço adequado de terra, começou a customizar o chão para criar um boneco de treino.

No meio tempo, Shinra estava praticando com a espada para deixar seu corpo acostumado com o buff de velocidade de ataque. A lâmina obviamente não se tornou mais leve, e ainda assim ele era capaz de balançar ela muito mais rápido.

“O boneco de treino está feito”, informou Yuusuke, no que ele começou a mostrar algo que parecia com um golem de terra. Ele era feito de solo, mas era duro como pedra. Shinra ficou alarmado pela aparição repentina do boneco de treino, mas no que ele queria confirmar a força de sua espada, ele perguntou, “posso testar minha espada naquilo?”

“Claro. A espada era bem dura para começar, então não devem haver quaisquer problemas.” (Yuusuke)

Recebendo a afirmação de Yuusuke que não tinha como esta espada perder o fio ou quebrar, Shinra estava só meio convencido no que ele encarou os espantalhos feitos de terra e pedra.

Os bonecos de treino foram alinhados numa formação triangular. Shinra abaixou suas costas e instantaneamente cortou dois deles. Os restos separados giraram no ar pelo poder do corte.

“Wow! Incrível!” (Yuusuke)

“… Isso me surpreendeu. A velocidade da espada foi ótima.” (Shinra)

Checando se havia qualquer dano à lâmina da espada, Shinra não pôde conter seu sorriso no que ele ficou maravilhado com seu próprio reflexo na espada. Isotta se escondeu atrás das costas de Yuusuke depois de presenciar este sorriso forte, levemente selvagem.

Depois de maravilhar sua lâmina por um tempo, Shinra retornou ela para sua bainha, agradecendo Yuusuke, e perguntou uma questão como que confirmando algo.

“Eu sou grato à você de todo meu coração. Ainda assim, fazendo tanto… para um estranho como eu… está tudo bem com você? Afinal eu sou um [artless].” (Shinra)

“Aaah. Eu não sou uma pessoa para ter preconceito com os outros assim. Você ajudou os pais da minha subordinada. Isto é um gesto de gratidão. Você aceitará, não vai?” (Yuusuke)

Yuusuke também pediu para manter o fato dele sendo capaz de conceder vários efeitos especiais para itens com ele mesmo. Um sorriso de uma pessoa aproveitando algo das profundezas de seu coração, lembrando o sorriso de Violet, apareceu no rosto de Shinra no que ele entendeu que Yuusuke não estava mentindo.

“Você é um usuário de artes divinas interessante. Eu sou Shinra Trueyard de Gazzeta. Eu me tornarei sua força um dia.” (Shinra) (NT: Eu não acho que era essa intenção, mas é possível traduzir o sobrenome para algo como “Milha/Quintal/Jardim Sincero”… eu acho que não deve ter sido a intenção, mas tá aí)

Yuusuke apertou firmemente a mão direita de Shinra, que ele ofereceu depois de dizer seus cumprimentos. Shinra continuou a analisar o cara em que ele se interessou, no que Yuusuke respondeu ao aperto de mão que ele viu como uma ação ordinária.

***

Observando a vista de uma rua de Sanc Adiet que estava sendo gradualmente envolvida pela noite, Yuusuke seguiu para a estação dos guardas junto de Isotta. Tendo tido sua espada arrumada e corpo curado, Shinra disse que ele continuará com suas jornadas depois de passar a noite na cidade.

“Parando para pensar nisso, as pessoas do distrito dos [artless] interagiram normalmente com você, Isotta.” (Yuusuke)

“Sim, eu sou… é porque eu estava vivendo lá desde que eu era pequena.” (Isotta)

Yuusuke perguntou se haviam quaisquer outros guardas que eram próximos com os [artless]. Isotta respondeu isso silenciosamente sacudindo sua cabeça.

“Porque todo mundo… teme os guardas. Toda vez que usuários de artes divinas são envolvidos, isso sempre significa problema.” (Isotta)

“Eles estão sempre numa desvantagem?” (Yuusuke)

Isotta acenou, balançando seu curto cabelo verde.

“Hmmm…” (Yuusuke)

O sistema de casta que era baseado na fé nos quatro grandes deuses. A maioria das pessoas eram capazes de usar as artes divinas como um sinal de proteção de qualquer dos deuses e as pessoas que não conseguiam usar artes divinas eram pensadas como não tendo sido abençoadas por quaisquer dos deuses.

Por causa da questão de casta estar profundamente enraizada na religião do país, aumentar o status das pessoas [artless] era um problema muito difícil. Ainda assim, este problema e o problema dos guardas não realizando seus deveres eram questões completamente diferentes. Yuusuke acreditava que esse problema… o controle de crimes não tinha nada a ver com ser usuários de artes divinas ou [artless].

“Não importa que diferenças sociais eles tenham, ninguém deve fazer nas coxas quando a segurança ou ordem pública está envolvida.” (Yuusuke)

“Capitão…?” (Isotta)

Então Yuusuke ficou concentrado em pensar num jeito de diminuir o abismo entre as pessoas.


Tradução: Thyros



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