TER – Capítulo 207 – A Tribo dos Gatos-Negros e a Deusa


Voltamos até Rumina logo depois que terminei de conversar com a Deusa.

— Estou feliz que vocês dois tenham evoluído e permaneçam saudáveis.

Eu ainda tinha que ativar a habilidade Ocultar Evolução que acabara de adquirir, então Rumina foi capaz de descobrir que Fran havia evoluído no mesmo instante.

— Nn. Obrigada.

— E parece que sua evolução veio com uma surpresa muito agradável…

Rumina parou e permaneceu em silêncio por alguns segundos enquanto olhava para Fran. Suas emoções eram claras pelo olhar em seu rosto. Ela estava ao mesmo tempo satisfeita e chocada.

— Eu… eu falhei em sequer imaginar a possibilidade de você se tornar uma Tigresa-Negra-Celestial.

Sendo sincero, eu, como um não homem-fera, não entendi o quanto significava evoluir para um Tigre-Negro-Celestial e, portanto, não tive a sensação de impacto que deveria ter acompanhado a ascensão de Fran, mesmo depois de perceber que Rumina começara a lançar um olhar manso e respeitoso a jovem Gata-Negra.

Pensar um pouco mais no assunto me fez perceber que ela se tornara o material das lendas, em especial porque até a própria Rumina era apenas uma Tigresa-Negra comum.

“Então, o que exatamente é preciso fazer para evoluir para um Tigre-Negro-Celestial?”

— Hmm… parece que me tornei capaz de explicar as circunstâncias de Fran, dada a evolução dela.

Verdade, me lembro da Deusa mencionando isso.

— Gatos-Negros devem atender a três requisitos para evoluir para um Tigre-Negro-Celestial. Os dois primeiros são numéricos e estão relacionados aos atributos de agilidade e magia em particular. O terceiro é a capacidade de usar Magia do Relâmpago.

Equipar-me permitiu que Fran cumprisse todas as condições necessárias, especialmente vendo como minha Compartilhar Habilidades fazia com que minhas habilidades fossem tratadas como se fossem suas.

— Nunca suspeitei que você cumprisse todas as condições necessárias, apesar da minha consciência das habilidades do Mestre. Ou melhor, não esperava que as condições levassem em consideração os bônus fornecidos pelas habilidades dele. Acredito que você, Fran, seja a primeira Tigresa-Negra-Celestial a não pertencer à linhagem real.

“Isso é sério?”

— Com certeza é. Ouso dizer que vocês dois se encontrando não foi nada menos que um milagre.

“Foi isso o que a Deusa disse.”

— Você ouviu isso da deusa!? Isso significa que você a conheceu!?

Mais uma vez, fiquei um pouco confuso por causa de como Rumina acabou se aproximando de Fran com o rosto tingido pelo choque. Mas eu consegui entender um pouco a situação depois de pensar nisso. Rumina era uma Mestra do Calabouço e, portanto, uma das familiares da Deusa do Caos. Em outras palavras, não havia nenhuma razão para ela não ser uma crente devota.

— Eu não. Só o Mestre.

— Mes-Mestre, você poderia dar mais detalhes!?

Embora eu estivesse ciente de suas circunstâncias, eu não entendi por que ouvir sobre a minha conversa com a deusa tinha deixado a Tigresa-Negra tão empolgado e animada.

Sério, que diabos foi isso? Eu esperava que Rumina se ressentisse da Deusa do Caos, já que ela parecia ser a responsável pela maldição que afligia a Tribo dos Gatos-Negros nos últimos 500 anos. Ela administrou uma punição coletiva que envolveu praticamente todos os membros da tribo, apesar do fato de que muitos deles não mereciam ser responsabilizados. Na realidade, a decisão parecia ter sido tomada e decretada pela antiga família real.

Decidi pedir uma pequena explicação a Rumina, o que a fez mudar para uma expressão que era muito mais difícil de ler.

— Admito ter alimentado o pensamento em pelo menos uma ocasião… no entanto, é preciso considerar que os deuses diferem muito de nós, mortais.

Alguns deuses, como o Deus da natureza, eram tão fundamentalmente diferentes das raças que não toleravam suas ações. Como resultado, as punições e retribuições concedidas por deuses como o Deus da Natureza eram consideradas duras e injustas com frequência.

Lembro-me de ouvir menção de coisas assim na Terra e, portanto, sendo sincero, não fiquei tão surpreso com isso. Ouvi muitas histórias de pessoas que consideravam os deuses irracionais porque as duas partes não eram capazes de chegar a nenhum tipo de entendimento mútuo. Era natural que deuses diferentes tivessem padrões diferentes, e que muitos desses padrões variariam daqueles que os mortais consideravam razoáveis.

— A Deusa do Caos é uma das deusas mais compreensivas, pois compartilha muitas semelhanças com as raças mortais.

Que diabos isso deveria significar?

— Foi ela quem privou os Gatos-Negros de sua capacidade de evoluir e apagou todas as memórias de suas evoluções.

“Não foi ela apenas oprimindo vocês?”

— Eu acredito que foi o oposto.

Ao que parecia, a Deusa do Caos havia feito muito pela Tribo dos Gatos-Negros como um todo. Muitos dos outros deuses exigiram que toda a raça fosse eliminada, mas ela conseguiu convencê-los a negociar. Ou seja, ela conseguiu que os outros deuses concordassem com um compromisso que permitia que eles sobrevivessem em troca de um julgamento difícil e o apagamento de toda e qualquer lembrança relacionada à antiga glória da Tribo dos Gatos-Negros.

— Os deuses se comunicaram mal e não se entenderam bem. Eles roubaram apenas as memórias das raças dos não homens-fera. Os poucos Gatos-Negros que haviam evitado a retribuição dos deuses ainda conheciam seus métodos de evolução. Da mesma forma, o mesmo se aplicava a todas as outras raças de Homens-Fera. Assim, a Tribo dos Gatos-Negros se viu capaz de transmitir seu conhecimento através de obras da literatura.

“Então, como todo esse conhecimento e essas coisas acabaram se perdendo entre o passado e o agora?”

— Na verdade, isso foi resultado das ações perpetradas pelo novo Lorde das Feras e seus subordinados, os Gatos-Azuis. Eles roubaram e apagaram toda a literatura e registros que puderam enquanto vendiam os membros da Tribo dos Gatos-Negros para a escravidão. Eles proibiram o ato de divulgar qualquer informação relacionada aos métodos evolutivos dos Gatos-Negros e, ao fazer isso, impediram que os membros recém-nascidos de nossa tribo os aprendessem. A passagem do tempo amplificou os efeitos de suas proibições e, por fim, eliminou a própria noção de que nós, os Gatos-Negros, éramos capazes de evoluir.

“Tudo bem, eu entendi. Posso entender perfeitamente por que você odeia o Senhor das Feras e os Gatos-Azuis, e isso tudo faz sentido para mim, mas, ainda há uma coisa que eu não entendo. Como você não se ressente dos Deuses pelo que eles fizeram? É sério. A Punição Divina que eles lançaram contra vocês é a principal razão pela qual vocês acabaram se transformando em escravos pelos últimos 500 anos.

— Também não entendo.

Fran concordou comigo, pois acabara de aprender tudo o que aconteceu, mas Rumina, que sabia muito mais do que nós, não.

— Desfazer o selo do Deus Maligno e, assim, pôr em perigo o mundo inteiro é um ato que não merece nada menos do que a completa e total destruição de nossa tribo. Se tivesse a opção, eu preferiria descrever o período de tempo decorrido como meros 500 anos, em oposição a “pelos últimos 500 anos”.

Não foi até Rumina mencionar a destruição literal do mundo inteiro que eu percebi o peso do pecado da Tribo dos Gatos-Negros, e um pouco mais de reflexão me levou a perceber que 500 anos não eram tanto tempo aqui, considerando que havia elfos e outras raças.

— Também me atreveria a afirmar que nós, como tribo, merecíamos perder o acesso ao trono e descer à escravidão. Nosso comportamento não foi nada menos que tirânico, como evidenciado por nossa queda. Teríamos sido ajudados por muitas tribos se fôssemos governantes razoáveis e amados por nosso povo. Tenho pena dos membros modernos de nossa tribo, lamento a necessidade de que eles levem os pecados de seus ancestrais, mas, mesmo assim, guardo apenas um pouquinho de ressentimento dos deuses.

Ela, ao contrário de nós, não sentia que os deuses estavam errados. Na verdade, ela parecia se sentir muito grata pela Deusa do Caos ter conseguido impedir que os outros deuses levassem a Tribo dos Gatos-Negros à extinção.

— Acredito que isso deve funcionar para responder às suas perguntas. Agora você estaria disposto a detalhar as palavras da Deusa?

Achei que não fazia nenhum sentido em esconder tudo de Rumina, então decidi contar a ela o que me disseram.

Mesmo assim, metade das coisas que a Deusa me disse eram algo que ela já sabia, então eu meio que esperava que a conversa acabasse girando em torno da evolução e o fato de que a Deusa havia eliminado minha habilidade de Despertar.

“A parte estranha é que nós que já derrotamos algo que deveria ter contado como um Ser Maligno rank A no passado…”

Não havia como Rynford não ser pelo menos uma ameaça classificada como rank A, e tínhamos 100% de certeza de que o matamos. Fran não conseguir evoluir apesar disso não fazia muito sentido.

— Esse foi um ato que você realizou com a ajuda de outras pessoas?

“Sim, tivemos alguns outros aventureiros nos ajudando.”

— Acredito que esse seja o motivo. A condição permite que apenas um único indivíduo evolua. Assim, a maldição só deve ser desfeita no caso de alguém trabalhar para derrotar um Ser Maligno de rank A de forma individual.

Em outras palavras, qualquer pessoa que quisesse evoluir teria que completar as condições do julgamento sem nenhuma ajuda.

Rumina inclinou a cabeça de repente e pediu desculpas a Fran enquanto eu mudava de assunto e expunha os pecados da Tribo dos Gatos-Negros.

— Eu sinto muito.

— Nn?

— Eu já tive um papel semelhante ao de uma das conselheiras da família real. Apesar da minha posição, não consegui convencer os membros da família real a cessarem suas ações, mas, ao fazer isso, provocou o descontentamento deles. Assim, fui removida de meu posto. Não consegui recuperar minha honra. Eu me tornei uma aventureira e depois uma Mestra do Calabouço. Desde então, apenas vivi e nada mais.

— Não é sua culpa.

— Isso não é verdade, nem um pouco! Teria sido possível convencê-los a mudar de ideia!

O fracasso de Rumina claramente a estava incomodando, e isso devia estar em sua mente durante os últimos 500 anos. Eu poderia dizer que ela estava se culpando, que ela achava que era sua culpa, e não dos deuses, que a Tribo dos Gatos-Negros foi forçada a sofrer.

Isso explicaria por que ela estava tão ansiosa e disposta a se machucar para ajudar Fran a evoluir. Ela com certeza tinha gostado de Fran, mas isso não era tudo. Ela também queria redimir-se.

— Gostaria… também de me desculpar por colocar você em risco.

Ouvir-me descrever minha conversa com a Deusa fez com que ela emitisse outro pedido de desculpas com o rosto empalidecido. Parecia que ela estava preocupada com o fato de termos conseguido provocar a ira dos deuses.

— Não é sua culpa. Tenho certeza.

— Isso não é verdade. Minhas considerações foram superficiais demais.

O olhar em seu rosto era muito sincero.

— Não me importo de enfrentar minha própria morte, mas arriscar a sua é um erro que apenas minha vida não seria suficiente para corrigir.

— Rumina, morrer não está permitido.

Fran olhou para Rumina com uma expressão de dor no rosto. Só de pensar na Tigresa-Negra um dia partindo e desaparecendo a fez começar a se sentir triste.

— Não havia mais nada que eu pudesse ter feito por você.

— Não precisa fazer nada.

— Eu…

— Ficar ao meu lado, mais do que suficiente.

Fran falou em um tom de voz suave, mas claro, quando ela se agarrou a Rumina, a abraçou e enterrou o rosto no peito da mulher.

A Gata-Negra mais velha dirigiu um olhar um pouco perturbado para Fran, mas ela acabou acariciando as costas da garota de qualquer maneira.

— Lembro que Kiara disse essas mesmas palavras antes.

— Nn.

— É quase como se nada tivesse mudado, apesar da passagem de mais de 50 anos.

Ambas as partes acabaram sorrindo sem jeito assim que se acalmaram. Nenhuma das duas parecia acostumada aos papéis que assumiram de repente; Fran não estava acostumada a ser mimada, enquanto Rumina não estava acostumada a ser amada.

A mulher estava um pouco cansada, então acabou se sentando e recostando-se na cadeira depois que se elas separaram.

“Ó, é verdade, Rumina, como você está se sentindo?”

Lembrei-me da Deusa dizendo algo sobre como Rumina havia esgotado suas energias ou algo assim. Ela provavelmente estava se esforçando muito.

— Não vai demorar muito para eu me recuperar. No entanto, precisarei de uma quantidade significativa de tempo para recuperar o poder que estava armazenando como mestra deste calabouço.

O calabouço acabaria sendo mais fácil de lidar, mas isso não era um problema, já que Dias estava fazendo um monte de coisas para garantir que ela não fosse morta.

— Eu estaria mais preocupada com vocês do que comigo. Felizmente, parece que a habilidade que a deusa lhe concedeu deve permitir que você permaneça livre em suas atividades.

“Tenho certeza de que não há muito com o que se preocupar do nosso lado.”

— Mestre, estou certo em meu entendimento de que as restrições da Deusa foram aplicadas a você, mas não a Fran?

“Sim, basicamente foi isso.”

— Eu acredito que isso, por sua vez, significa que Fran tem permissão para compartilhar informações relacionadas aos métodos evolutivos da Tribo dos Gatos-Negros.

“Ó, você também?”

— Certamente.

“Mas você tem certeza que está tudo bem? Ela meio que burlou o sistema.”

A conclusão de Rumina foi uma que eu cheguei também, mas não tinha 100% de certeza se ela teria permissão ou não para falar sobre isso.

— Duvido muito que a Deusa tenha ignorado a possibilidade de Fran divulgar a informação que você recebeu. Ela fez alguma menção específica a ações que não lhe eram permitidas?

“De modo algum.”

— Não posso afirmar que sou capaz de entender os pensamentos dos deuses. Entretanto, acredito que você tem permissão para falar de qualquer fato que eles não o restrinjam explicitamente de transmitir em situações semelhantes às que temos em mãos. Sua capacidade de discutir o assunto comigo deve servir como evidência suficiente para provar minha hipótese.

Eu não sabia dizer se éramos capazes ou não de discutir o tópico porque o sistema simplesmente funcionava dessa maneira, ou se era porque a Deusa do Caos havia decidido permitir isso por boa vontade, mas, de qualquer maneira, parecia que nos foi permitido transmitir um fato que tinha uma boa chance de mergulhar o mundo no caos se não tivéssemos cuidado com a forma como o transmitiríamos.

— Seria benéfico para você desviar sua atenção dos deuses e, em vez disso, focar nos outros homens-fera. É provável que o Lorde das Feras e os Gatos-Azuis que o servem prestem atenção em vocês, caso espalhem esse conhecimento.

Sua conjectura parecia bastante plausível. Tínhamos que ter cuidado com as pessoas com quem compartilharíamos isso. A situação mais ideal seria espalhar os detalhes por meio de uma rede de informações inacessível a todos, exceto aos Gatos-Negros.

“Existe alguma comunidade exclusiva de Gatos-Negros para a qual possamos tentar espalhar a notícia?”

— Deve haver várias dentro do País dos Homens-Fera. No entanto, duvido muito que você encontre algo mais do que uma favela ou vila composta apenas de escravos.

Eu queria muito dar uma olhada na Nação dos Homens-Fera, mas senti que era perigoso demais para valer a pena a visita.

— Vocês estão planejando visitá-la? Acredito que você mencionou a existência de um Ferreiro Divino.

“Nah. O risco não vale a pena.”

— Mas pode aprender mais sobre o Mestre.

“Não importa. Há apenas uma pequena chance de o ferreiro poder me dizer algo sobre mim. Eu não posso ver como assumir esse risco poderia valer a pena, considerando a quantidade de perigo que isso acarretaria.”

— Mas!

“Está tudo bem. Não se preocupe com isso. Em seu devido tempo, colocaremos nossas mãos em mais pistas sobre minha identidade, e tenho certeza de que há maneiras melhores de contar aos outros Gatos-Negros sobre o que eles precisam fazer para evoluírem.”

— Nn…

Mais uma vez, eu queria mesmo visitar o local, mas não valia a pena.


Ou pelo menos era o que eu pensava na época. Minha opinião mudou quando soubemos que o Líder dos Homens-Feras estava de fato trabalhando para o benefício da Tribo dos Gatos-Negros. Ou seja, ele estava eliminando grupos de Gatos-Azuis e libertava qualquer Gato-Negro escravizado que encontrasse.

Quase era possível dizer que ele poderia muito bem ter sido criado por um Gato-Negro.

Mais tarde, contamos a Rumina o que havia acontecido com Kiara.

Parecia que ela ainda lamentava o que pensava ser o destino da Gata-Negra, ao ouvir as novidades, ela se derramou em lágrimas. Ela se agarrou a Fran, que estava dando um tapinha no ombro da mulher, e soluçou no peito perfeitamente plano da menina.

Vários minutos se passaram antes que ela por fim se levantasse, o rosto vermelho como um tomate.

— Peço desculpas, fui tomada pela emoção.

“Bem, pelo menos, parece ter sido uma emoção positiva.”

— As informações que vocês me forneceram foram mesmo as notícias mais maravilhosas que já ouvi e, por isso, os agradeço.

De forma óbvia, Rumina não havia superado o fato de ter falhado em deter o Lorde das Feras 500 anos atrás, mas pelo menos conseguiu tirar toda aquele peso sobre Kiara dos ombros. Graças a isso, ela conseguiu esboçar um sorriso feliz.

— O alinhamento do Rei dos Homens-Fera talvez indique que agora você é capaz de disseminar informações sobre os métodos evolutivos da Tribo dos Gatos-Negros.

— Nn.

A verdade é que contamos a Aurel há muito tempo o que aprendemos. Na verdade, eu não estava tão disposto a contar a ele porque temia os deuses e sua ira. Fran, no entanto, não conseguiu se conter e acabou abrindo o bico.

Como resultado, eu passei a conversa toda preocupado com a possibilidade de a Deusa do Caos apareceria de repente e provocar uma tempestade de destruição.

Eu valorizava a segurança de Fran acima de tudo, mas ela não sentia o mesmo. Ela valorizava sua tribo muito mais do que sua vida e, portanto, não consegui detê-la.

Por sorte, os deuses não consideraram nossas ações dignas de qualquer tipo de retribuição e não apareceram.

Na realidade, a reunião acabou sendo benéfica, pois Aurel prometeu nos ajudar a espalhar a notícia, fazendo uso da rede de informações dos homens-fera. Parecia que todos os homens-fera deste continente acabariam aprendendo a verdade se tudo desse certo.

— E presumo que seu recém-adquirido conhecimento mudou sua opinião sobre se você deseja visitar a Nação dos Homens-Fera?

“Com certeza. Tudo o que precisamos fazer agora é tentar descobrir se o Lorde das Feras sabe ou não algo sobre o Ferreiro Divino que estamos procurando.”

Eu esperava que ele soubesse de quem estávamos falando, mas você nunca poderia ter certeza, dado que os Ferreiros Divinos eram mais ou menos lendas vivas. Era possível que a pessoa que procurávamos tivesse se escondido em algum lugar distante da sociedade.

— Parece que você não tem escolha a não ser vencer as três primeiras rodadas por todos os meios possíveis.

— Deixe comigo. Ganharei e perguntarei muito sobre Kiara e a Tribo dos Gatos-Negros. Também terei permissão para visitar a Nação dos Homens-Fera.

— Você estaria disposta a entregar uma lembrancinha a Kiara em meu nome?

— Deixe comigo.

“Considere feito.”

Parecia que tínhamos acabado de assumir um compromisso de seguir para a Nação dos Homens-Fera, com o nosso único obstáculo sendo a necessidade de vencer a terceira rodada.

Eu estava bastante confiante de que o objetivo que definimos era um que poderíamos alcançar. Tínhamos experimentado bastante com o Despertar ao longo dos últimos dias e, ao fazer isso, aprendemos o quão poderosa poderia ser essa ferramenta.

Uma grande parte dos dados que coletamos foram aqueles relacionados ao Ímpeto do Relâmpago Brilhante de Fran.

Havia riscos de que Rumina se certificou de nos informar, mas, apesar disso, suas recompensas a tornaram uma habilidade ridiculamente boa. Isso nos deu um impulso tão grande na velocidade que nos permitiria competir com os ranks A.

O Raio Negro que envolvia o corpo de Fran também era poderosíssimo. A enorme quantidade de destruição que isso causava era nada menos que absurda, ele poderia levar um Alto-Ogro à beira da morte com apenas um único toque. Além disso, ele também possuía a capacidade de perfurar armaduras e qualquer outra coisa que funcionasse com um efeito semelhante.

Relâmpago já era um elemento focado na negação das defesas do alvo, pois permaneceria perfeitamente eficaz diante de metais e outros materiais condutores. O Relâmpago Negro levou esse conceito um passo adiante e nos permitiu ignorar quase que por completo a pele dura que algumas feras demoníacas costumavam ter. Ambos os bônus eram passivos e aplicados a todos os ataques de Fran, a menos que tomássemos a decisão consciente de negá-los.

O uso da habilidade devoraria aos poucos a saúde e a mana de Fran, mas os custos eram, na minha opinião, insignificantes. O poder de fogo que ele trouxe era tão imenso que me tornou incapaz de imaginar um inimigo capaz de receber de frente seus ataques.

Conversar com Rumina também nos permitiu descobrir quais habilidades seria melhor aumentar o nível.

— Tentarei pelo menos vencer a terceira rodada.

“Mas nem é preciso dizer que nosso objetivo, é claro…”

— Vitória!

“Com certeza! Vamos ganhar essa merda e depois visitar Kiara de cabeça erguida!”

— Nn!


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