TER – Capítulo 168 – Ímpeto do Relâmpago


— Ímpeto do Relâmpago!

Fran voou; o ataque que seguiu o grito de Rumina a lançou por incríveis 30 metros. Seu corpo afundou e quebrou a parede, apesar de ela parecer ser feita de um material muito duro.

Puta merda! Que diabos acabou de acontecer!? O ataque foi tão rápido que não pude ver nada!

Não fazia ideia de como tudo aconteceu, mas Rumina estava agora parada exatamente onde Fran estava há apenas um momento. Nós, por outro lado, saímos voando. Quer dizer, senti que fomos atingidos por algo, mas não pude dizer o que foi esse algo.

Alguns momentos após receber o ataque, eu por fim comecei a processar a informação pertinente a isso. O nome do ataque, o fato de que senti um leve choque assim que Rumina colidiu conosco, e a marca de queimadura soltando fumaça no peito de Fran, tudo apontava para o fato de que ela nos atacou com algo baseado no elemento do relâmpago.

“Fran! Você está bem?”

Ugh… Cura.

Fran tossiu um pouco de sangue como prova de que seus órgãos internos sofreram um grande dano. Por sorte, parecia que ela ainda continuava viva e animada.

Rumina seguiu ao pé da letra sua própria declaração. Ela causou um enorme ferimento, mas Fran conseguiu sobreviver a isso. Parecia que ela só usou este ataque porque estava convencida do fato de que a garota seria capaz de suportá-lo.

— Você está bem? Eu acidentalmente coloquei um pouco mais de força no ataque por fazer muito tempo desde que tive a chance de aproveitar uma batalha como esta.

Embora parecesse que ela exagerou um pouco.

— Eu só planejei lançar você para trás.

Rumina correu e usou uma poção em Fran.

Puxa, mas que diabos foi aquele negócio de Ímpeto do Relâmpago? Ele foi tão rápido que eu não podia nem dizer.

Isso, contudo, não significava que eu não fazia qualquer ideia de sua identidade. O termo Habilidade Inata surgiu em minha mente, apesar do fato de que não tinha confirmação se ela usou mesmo uma habilidade. As palavras de Rumina sobre desejar mostrar a Fran o que estava por vir, que ela iria mostrar seu poder como uma Tigresa-Negra. Em outras palavras, o ataque que ela acabou de exibir seria logicamente uma habilidade inata de um Tigre-Negro.

Embora não tenha conseguido observar, eu ao menos aprendi que o epítome da força ainda estava muito longe.


— É uma pena, mas não devo te manter prisioneira comigo pela eternidade.

Rumina falou com Fran, cujos ferimentos foram curados, em um tom repleto de lamentação.

A jovem Gata-Negra parecia sentir o mesmo, enquanto seu olhar se voltava para baixo sentindo solidão. No entanto, seus sentimentos ficavam atrás de seu objetivo. Era fundamental para sua missão que ela voltasse para o mundo exterior para que pudesse descobrir mais sobre a evolução. Ainda estávamos apostando na possibilidade de conseguirmos algumas dicas de Aurel, considerando que ele chegou até a nos pedir para realizar tudo isto.

Quer dizer, não pensava que ele nos enviando para cá era apenas uma coincidência, já que ele conhecia Rumina. Ele próprio também evoluiu, assim, imaginei que não havia como ele não saber que ela era alguém que evoluiu. Ele também sabia que Fran era uma Gata-Negra. Junte todos esses fatores e você tem algo que poderia possivelmente indicar um tipo de situação predeterminada.

Na verdade, quase parecia como se ele tivesse agido com o objetivo de que Fran e Rumina se conhecessem. Fazia sentido ele saber de algo envolvendo a evolução da Tribo dos Gatos-Negros, ou pelo menos algo que pudesse nos ajudar.

— O dispositivo de teletransporte deixado na sala do Chefão ainda não foi desativado. Entrar nele te permitirá voltar para a entrada do calabouço.

— Podemos nos encontrar de novo no futuro?

— Hahaha. Isso seria algo que adoraria. Devo preparar tudo para que você tenha a oportunidade de me visitar apenas por visitar a sala do Chefão.

— Nn. Entendido.

Rumina bagunçou o cabelo de Fran, o que fez os olhos da garota mais jovem se apertarem e suas orelhas se contorceram com a alegria.


“Você tem certeza que está tudo pronto?”

“Nn.”

As duas enrolaram por cerca de dez ou mais minutos porque estavam muito relutantes em se separar. Eu mesmo pensei que estava tudo bem para as duas aproveitarem um pouco mais de tempo juntas, mas a própria Fran decidiu que estava na hora de ir. Ela se despediu de Rumina e começou a voltar para a sala do Chefão.

— Adeus.

— Nn.

Fran se virou várias vezes, mas, eventualmente, conseguiu se fazer partir, ainda que estivesse olhando de volta para a direção de Rumina.

— Tchau, tchau.

— Um caminho para seu objetivo definitivamente existe. Ele é estreito e cheio de obstáculos, mas não é um que você será incapaz de atravessar, contanto que persevere.

— Nn!

Rumina deu a ela um último grito de encorajamento assim que a luz do círculo de teletransporte nos envolveu e nos levou de volta para a superfície.

A entrada do calabouço parecia a mesma de alguns dias atrás.

“Acho que também podemos visitar Aurel e contar a ele o que fizemos.”

Tentamos deixar a fortaleza que cercava o local com o objetivo de seguir nosso caminho para a mansão de Aurel, mas fomos incapazes de fazer isso por sermos quase imediatamente cercados pelos guardas e aventureiros na área.

Ao que tudo indicava, os aventureiros do lado de fora do calabouço notaram que nos teleportamos, e na mesma hora começaram a espalhar as notícias.

— Caramba! Parece que ela voltou inteira.

— Você acabou de se teletransportar, não foi? Isso não quer dizer que você derrotou o chefão?

— Tenho mesmo que admitir. Essa é a garota que acabou com aqueles ladrões sujos.

— Você planeja continuar sozinha? Porque meu grupo ficaria feliz em ter você.

— Ela se sentiria muito mais feliz em nossa equipe. Temos muito mais garotas do que vocês.

Puta merda. Todos estavam agindo como se nos amassem.

Parecia que derrotar o chefão, e por extensão nos teleportar de volta para a cidade, era um tipo de símbolo de status, um ato que conquistava o respeito dos aventureiros de Ulmut. Isto era ainda mais verdadeiro se o calabouço em questão fosse o do leste, vendo como ele era muito mais difícil do que o outro.

O fato de que ela era jovem e atuava sozinha, excluindo o auxílio de Urushi, apenas fazia sua conquista brilhar ainda mais.

Os mais de dez aventureiros nos bombardearam com suas perguntas e comentários. As respostas que ela os deu fez seus olhos brilharem enquanto eles aumentavam suas vozes com entusiasmo. Mesmo veteranos calejados muito mais velhos do que ela estavam a observando com admiração. Pensei que essa era uma cena bastante engraçada, mas Fran parecia feliz, então estava tudo bem.

— Você entrou no meio de uma horda de Altos-Ogros sozinha?

— Uoa, não posso acreditar que você conseguiu desarmar aquela armadilha!

— Com o que o chefão parecia?

Um certo monte de músculos correu em nossa direção e libertou Fran do massacre pouco após ele começar.

— Tá legal pessoal, chega de perguntas.

— Erza.

— Faz tanto tempo desde que te vi! Estava tão preocupada porque você nunca voltava do calabouço.

— Nn. Estava treinando.

— Eu sei, mas eu não podia evitar de ficar preocupada.

Os olhos de Erza umedeceram enquanto ele contorcia seu corpo para frente e para trás. Parecia que ele realmente estava preocupado com ela. Quer dizer, eu estava grato por ele estar, mas, sendo sincero, não podia suportar quão desagradáveis suas ações eram.

— E tenho certeza que você está exausta pela luta com o chefão, hmm-mm. Este calabouço é muito conhecido pela forma com que ele invoca chefões que estão de acordo com seu nível e funcionam contra suas fraquezas. Você é muito forte Fran, então tenho certeza que você conseguiu uma fera demoníaca cujo nível de ameaça era pelo menos C.

— Nn. Consegui uma dessas.

— Sério? Você está bem? Você não está machucada, está?

— Já me curei.

— Já? Então você se machucou mesmo? Uaaaaou, eu devia mesmo ter vindo com você. Tudo teria terminado completamente perfeito.

— Mas então não seria bom para o treinamento.

— Mhmm. Isso é verdade. Quer saber, eu realmente amo o quão estoica você é Fran. Isso é tão adorável. Ser capaz de derrotar um nível de ameaça C com apenas você e seu cãozinho significa que você é mesmooooo muito forte.

Espere, por que Erza está aqui? Isto era apenas uma coincidência, ou…

— Ei mana, Erza, você não está aqui porque tinha algo que queria falar com ela?

— Ah, verdade! Ééé, eu tenho!

Ao que parecia, isso não foi algum tipo de coincidência, pois um dos guardas que logo chamou o monte de músculos também declarou que ele na realidade pediu para ser notificado quando Fran aparecesse de volta na cidade. O citado guarda também o lembrou que ele devia ter algum tipo de assunto importante.

— Ops. Desculpe, quase esqueci. Eu estava superanimada porque não vi Fran em muito tempo.

Ó Deus, por quê? Por favor, não. Por favor, nunca mais coloque sua língua para fora e pisque ao mesmo tempo.

Quer dizer, eu sabia que Erza era na verdade um cara muito atraente, mas isso era apenas nojento.

— Alguma coisa errada?

— Mhm! Isso não é algo que podemos falar em qualquer lugar, então vamos voltar para a guilda primeiro.

— Mas preciso contar a Aurel que a missão foi completa.

“Podemos fazer o Mestre da Guilda mandar a ele uma mensagem ou algo do tipo, então não deve existir nenhum problema conosco seguindo para lá primeiro.”

— Nn? Pensando bem, vou para a guilda primeiro.

— Está mesmo tudo bem? Você tem certeza que não precisa falar com o velhote primeiro?

— Sem problemas.

E assim, contamos com Erza para nos guiar de volta para a guilda.


Tradutor: Zé   |   Revisor:




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