TER – Capítulo 162 – A sala do chefão


— Na parte mais profunda do calabouço?

“Acho que sim. O chefão deve estar do outro lado dessas portas.”

Um dia se passou desde que Fran e eu discutimos os termos de sua evolução. E desde então, nós enfim chegamos no 20º andar do calabouço, sua parte mais profunda.

Diante de nós estava uma única porta. Sua forma intimidadora era formada por uma altura de quase dez metros. Ela tinha uma propriedade que a fazia refletir energias mágicas, então não poderíamos descobrir para o que a sala nos levaria.

Podíamos sentir um pouco de sede de sangue escapando pela porta, porém, só isso não era o suficiente para identificar e extensão da força do chefão. Tudo o que isso nos dizia era que ele era nosso inimigo.

— Mestre do Calabouço dentro?

“Talvez. Meu palpite é que a resposta é sim, mas não tenho nada para confirmar isso.”

— Entendo.

“A informação que temos sobre o chefão está toda desorganizada, portanto, eu honestamente nem posso adivinhar o que iremos encontrar.”

O calabouço do leste era do tipo que não tinha um chefão definido. Ao que parecia, havia cerca de 15 chefões diferentes. Aquele que apareceria seria tipicamente o que mais se adequava ao estilo de combate dos desafiantes.

Grupos mais fracos algumas vezes seriam desafiados por chefões rank E, monstros ainda mais fracos do que os Altos-Ogros, monstros que você encontraria pelo caminho até a sala do Chefão. Equipes mais poderosas encontrariam chefões com nível de ameaça C. Em outras palavras, os chefões poderiam ser tão poderosos que acabariam ultrapassando o nível do calabouço.

Magos estudaram o calabouço e criaram uma teoria para descrever o fenômeno. A citada teoria dizia que o chefão que apareceria era na verdade baseado nas ações que o grupo tomou enquanto seguiam seu caminho através do calabouço.

Conseguimos um pouco de informação sobre os chefões mais fortes que eram conhecidos por aparecer no calabouço, só por precaução.

O número conhecido de possibilidades com rank C era três. Havia o Tigre-Dentes-de-Sabre-Tirano que enfrentei no passado1, a Hidra-Smog2, um monstro com seis cabeças cuja fumaça infligiria todos os tipos diferentes de condições de status, e o Lorde Espectral, uma criatura que invocaria e faria uso dos espíritos dos mortos.

Erza lutou com ambas as duas primeiras espécies. Amanda especificou que ela lutou com o último quando ela mesma era uma rank C. Em outras palavras, ambos os casos serviam como evidência que indivíduos mais fortes acabariam enfrentando inimigos mais poderosos.

Dias, por outro lado, parecia ser completamente poupado de todo o combate. Seu rosto servia como um passe para deixá-lo atravessar o calabouço sem ter que lutar contra um chefão.

Eu estava bem curioso quanto ao tipo de chefão que acabaríamos enfrentando. Poderíamos ir com calma se o chefão se provasse bem fraco, mas isso acabaria me deixando um pouco ofendido, já que isso indicaria que fomos reconhecidos como fracos. Mesmo assim, eu realmente preferiria que não fôssemos forçados a encarar algo poderoso demais.

Sendo sincero, estava torcendo para um rank D aparecer. Isso parecia ser o mais ideal.

Mesmo assim, não havia nenhum problema em ter um inimigo mais poderoso. O calabouço do leste de Ulmut era único no sentido que sua sala do Chefão não te trancava dentro.

Você poderia escapar, contando que o chefão não te matasse em um instante. Ao que tudo indicava, esse foi um dos termos do contrato que Dias e o Mestre do Calabouço assinaram.

Nós também poderíamos usar o Salto Dimensional para nos teleportar para longe, contanto que não houvesse nenhuma restrição relacionada a magia no local.

Planejei na mesma hora testar se poderíamos ou não nos teleportar para fora da sala do chefão. Nesse caso, imaginei que poderíamos apenas lutar contra qualquer coisa, independentemente de quão poderoso o monstro fosse, porque teríamos nosso plano de emergência.

“Tudo bem, vamos nessa.”

— Nn!

Au!

E assim, Fran deu um empurrão na porta.

Ela gemeu enquanto se abria e nos revelou o conteúdo da sala do Chefão.

— Bola?

“Parece ser uma.”

Au?

A coisa que nos esperava era o que Fran descreveu. Isso era… algum tipo de bola. Sua forma era bem irregular, então você não poderia dizer que era uma esfera perfeita, mas era com certeza algum tipo de bola.

Hmm… como posso explicar isto? O chefão parecia ser feito de um monte de enormes cascas de tartaruga costuradas juntas para formar uma bola. Ela meio que lembrava um gigantesco abacaxi preto. Seu duro exterior parecia ter cerca de 20 metros de diâmetro.

Eu honestamente não poderia dizer que diabos isso era apenas por sua aparência, mas ela parecia bastante forte.

 

Nome:

Tatuzinho3-do-Desastre

Raça:

Inseto Fera Demoníaca

Status:

Level 45

HP:

522

MP:

521

Força Física:

335

Resistência:

339

Agilidade:

412

Inteligência:

101

Mágica: 298 Destreza:

151

HABILIDADES

Pulo Aéreo Lv5 ⋯ Endurecer Lv8 ⋯ Detecção de Presença Lv5 ⋯ Regeneração Lv8 ⋯ Golpe Vibratório Lv7 ⋯ Resistência a Anormalidades Mentais Lv8 ⋯ Resistência a Status Anormais Lv8 ⋯ Ímpeto Lv9 ⋯ Resistência a Magia Lv7 ⋯ Detecção de Magia Lv5 ⋯ Emissão de Magia: Lv7 ⋯ Carapaça Reforçada ⋯ Carapaça Leve ⋯ Carapaça Endurecida ⋯ Regeneração Reforçada ⋯ Regeneração Automática de Mana ⋯ Aumento de Peso ⋯ Aumento Superior de Vitalidade

DESCRIÇÃO

Um tatuzinho que sofreu uma evolução anormal. Seu corpo é coberto por uma carapaça dura. Suas asas não o permitem voar, apesar de ele ser uma fera demoníaca do tipo inseto. Seu principal método de ataque é disparar contra seu alvo enquanto confia no peso de seu maciço corpo. Ele pode usar Emissão de Magia. É muito difícil infligir dano nele. Ele é classificado como ameaça rank C, apesar de ser quase tão poderoso quanto uma ameaça rank B em combate.

Localização da Pedra Mágica: Coração (Centro do Corpo).

 

O chefão era um nível de ameaça rank C de altíssimo nível, um inimigo de inquestionável força.

Sendo sincero, não estava muito certo se seríamos ou não capazes de causar dano na maldita coisa. A fera tinha muitas resistências e poderia até se regenerar. Por sorte, o monstro não era capaz de lançar nenhum feitiço, mas, honestamente, sua incapacidade de fazer isso era desprezível, considerando quão poderosa sua investida parecia ser.

“Fran! Urushi! Vamos com tudo!”

Começamos com um ataque preventivo. Ou seja, cada um de nós lançou um feitiço.

“Explosão Infernal!”

— Lança do Tornado!

Rrrrrrrr!

O tatuzinho se moveu em uma velocidade quase inacreditável e desviou de todas as magias em um instante ao rolar para longe.

Só observar a ação me encheu com uma sensação de repugnância. Não houve um movimento prévio nem nada do tipo. O tatuzinho simplesmente partiu da posição estacionária para um movimento súbito em velocidade superalta. Meu palpite era que ele usou sua habilidade de emitir Energia Mágica.

Esta batalha era uma que seria impossível de ser vencida, a menos que descartássemos a suposição de que coisas pesadas com corpos maciços eram lentas e desajeitadas.

— Inimigo atacando.

“Desvie!”

A Fera Demoníaca rolou em nossa direção enquanto usava sua habilidade Ímpeto. Esta devia ser a sensação de Indiana Jones sempre que ele se encontrava com uma pedra gigante. A enorme bola preta transmitia um incrível senso de pressão.

Kuh!

“Você está bem Fran!?”

— Nn… só um arranhão.

“O fato de que ele te machucou ao apenas te causar um arranhão é um problema dos infernos.”

Seus ataques de alta velocidade já eram capazes de causar muito dano por conta própria. O fato de que ele tinha acesso ao Golpe Vibratório só servia para deixar tudo ainda mais mortal. Você poderia acabar recebendo muito dano apenas por ele te arranhar.

Mais importante era o fato de que ele tinha resistência a magia. Não poderíamos feri-lo de longe ao bombardeá-lo com feitiços.

“Que pé no saco!”

— Mas é nosso primeiro inimigo poderoso em muito tempo.

“O que você quer dizer?”

— Recebi chance de ficar ainda mais forte.

Maldita maníaca por batalhas!

Mas, quer saber? Acho que isso é parte do que faz ela ser tão confiável.


Tradutor:



Notas

[1] Eventos do capítulo 11.

[2] Smog designa, em termos genéricos, nevoeiro contaminado por fumaças. O termo resulta da contração das palavras da língua inglesa “smoke” (fumaça) e “fog” (nevoeiro).

[3] Oniscidea é uma subordem da ordem Isopoda que agrupa as espécies de isópodes terrestres conhecidos pelos nomes comuns de bichos-de-conta, porquinhos-de-santo-antão, tatuzinhos, tatus-bolas, tatuzinhos-de-jardim, camarões-terrestres, tatu-bolinha ou porca-saras são os membros da subordem Oniscidea da ordem Isopoda. Atualmente conhecem-se, aproximadamente, 120 espécies no Brasil e 3.600 no mundo, encontradas em habitats variados, desde a zona litorânea até desertos, o que faz destes o grupo com maior riqueza de espécies dentre os crustáceos. Em geral não conseguem espalhar-se muito, mas podem alcançar alta densidade populacional e o ser humano os tem dispersado. São crustáceos importantes na reciclagem de nutrientes, acumulação de metais pesados e alimentação de animais, constituindo grande parte da fauna de solo e influenciando sua dinâmica. Independem do meio aquático e vivem, em geral, em ambientes úmidos e abrigados da luz.



Fontes
Cores