TER – Capítulo 158 – O misterioso Mestre do Calabouço


“Desculpe?”

“Pelo quê?”

“Aceitei o pedido sem perguntar.”

“Ó, isso? Admito que estou um pouco preocupado com isso, mas estou nesse jogo tanto tempo quanto você.”

“Nn.”

“Parece que você gostou daquele velhote, eh?”

“Aquele velhote. Evoluído.”

“Sério?”

“Homem-Cão-Branco evoluído. Homem-Lobo-Branco.”

“Mas ele não se chamou de Homem-Cão-Branco?”

Eu podia jurar que ele se apresentou como “Wijaht Aurel, um Homem-Cão-Branco”.

“Homem-Cão-Branco ainda é Homem-Cão-Branco após a evolução. Apenas variação de Homem-Lobo-Branco.”

“Ó, então é assim que funciona? Então você ainda será tecnicamente uma Gata-Negra mesmo depois de evoluir?”

“Nn. Ainda algum tipo de Gata-Negra.”

“Puxa, estou honestamente surpreso que você notou.”

“Posso dizer porque também sou mulher-fera.”

“É assim que funciona?”

“Nn. É assim que funciona.”

Foi por causa de seus instintos, ou talvez algum tipo de traço da raça?

“Preciso perguntar sobre evolução. Foi por isso que aceitei pedido.”

“Ah, entendi. Então esse foi o motivo.”

— Nn.

— Hmmm? Você disse alguma coisa?

— Nada.

— De verdade?

Deixamos a mansão de Aurel e seguimos na direção da Guilda dos Aventureiros. Nós ainda estávamos com Erza, e assim, naturalmente, tomamos um de seus atalhos.

Pulamos de telhado em telhado como um grupo de coelhos e assustamos as pessoas que estavam no meio da tarefa de estender suas roupas limpas.

Nosso propósito era simples. Estávamos seguindo para a Guilda com o objetivo de preencher o pedido de Aurel de modo formal. Se não fizéssemos isso, essa missão acabaria como algo nas linhas de um favor pessoal, ao invés de algo que passou pela guilda e foi processado.

Ao que tudo indicava, qualquer coisa envolvendo a entrega de um item para um Mestre do Calabouço seria automaticamente qualificado como um pedido de rank D ou maior, assim, Erza recomendou que registrássemos isso para que pudéssemos adicionar esse pedido em nossa lista de missões completas.

Além disso, havia o fato de que qualquer coisa que envolvesse um encontro com um Mestre do Calabouço era meio que um negócio sério. Dessa forma, reportar e notificar o Mestre da Guilda com antecedência seria de nosso melhor interesse.

— Eu mesma nunca tive a oportunidade de conhecer os Mestres dos Calabouços, sabia?

— De verdade?

— Mhmm. Os Mestres dos Calabouços se isolam, então você pode não conseguir encontra-los mesmo nas profundezas dos calabouços. O Mestre da Guilda é a única pessoa capaz de encontra-los em 100% das vezes.

Muito bem então, parece que este nosso pedido é um negócio ainda maio do que imaginei.

“Ah, bem. Nós meio que já aceitamos, então vamos juntar nossas cabeças para descobrir alguma forma de encontrar nosso alvo.”

Eu também parei para pensar sobre as intenções reais de Aurel. Por que ele chegou ao ponto de pedir isto a Fran em particular?

Acho que devemos começar a procurar por alguma informação sobre o Mestre do Calabouço. O fato de que ele é capaz de negociar significa que sabemos com certeza que ele pertence a uma raça capaz de falar, mas, sendo sincero, essa é a extensão de nosso conhecimento.


Conseguimos na mesma hora um momento do tempo de Dias. Se reunir com o Mestre da Guilda dessa forma não era algo que aconteceria normalmente. As coisas só foram tranquilas assim porque, por sorte, estávamos na companhia de Erza.

Ao que parecia, Erza querendo falar com o Mestre da Guilda era uma prioridade acima de todas as outras.

— Uouuuu. Estou surpreso por você estar aqui.

— Bem, não estou sempre fora de casa. Você precisa de alguma coisa?

— Não exatamente. Fran é a pessoa que precisa de algo.

— Ó?

— Nn.

Fran logo disse a Dias sobre o pedido que Aurel fez a ela.

Ou melhor, ela começou com o fato de que o velho homem-cão queria vê-la, e contou tudo entre isso e ela recebendo o pedido, com particular ênfase sobre as bebidas que foram servidas a ela.

— Ah, então você conheceu Aurel.

— Conhecido?

— Bem, a cidade não é o que eu chamaria de grande, então sim, eu o conheço. Embora eu esteja bastante surpreso em ver que ele te fez um pedido.

— Eu mesma não consegui descobrir as intenções do Vovô Aurel. Você tem alguma pista Mestre da Guilda?

— Hmm… Aurel também, hã?

— Nn?

— Nada, não se preocupe com isso. Vou confirmar sua missão, mas com isso, também te darei alguns avisos. Antes de mais nada há o fato de que você está absolutamente proibida de ferir o Mestre do Calabouço. Machuca-lo é um crime que merece algo muito pior do que apenas a pena de morte.

— Eu sei.

Ele nos deu um aviso beeeem extremo. Era possível para o Mestre do Calabouço destruir Ulmut completamente se o irritássemos. Mesmo assim, não planejávamos ataca-lo, dessa forma, pelo menos isso não seria um problema.

— Você também deve manter em mente o fato de que pode acabar não conseguindo se encontrar com o Mestre do Calabouço.

— Sei disso também.

— Bom.

— Nn.

— Outra coisa é que ela é um pouco difícil de agradar. Tente não irritá-la se você quiser se encontrar com ela.

— Ela?

O Mestre do Calabouço é uma garota?

— Oops, isso é algo que você deve ver com seus próprios olhos, não algo que eu devo te falar sem qualquer cuidado.

— Entendido.

Tentamos descobrir algumas coisas sobre o Mestre do Calabouço do Leste um pouco mais tarde, mas não descobrimos nada.

Tudo sobre o Mestre do Calabouço parecia ser confidencial. Os únicos pedaços de conhecimento que acabamos encontrando foi o fato de que ela era fêmea e o fato de era capaz de falar.

Imaginei que poderíamos encontrar algumas pistas se procurássemos coisas sobre o Mestre do Calabouço do Oeste, mas isso também não produziu nenhum resultado. Mais uma vez, tudo o que descobrimos foi que o Mestre do Calabouço do Oeste também era fêmea.

Uma parte da falta de conhecimento parecia vir do fato de que muitos poucos percorreram todo o caminho até as profundezas dos calabouços. E ainda menos conseguiram se encontrar com os Mestres dos Calabouços.

“Bom, acho que ir às cegas é a única opção que temos.”

Quer dizer, já estávamos planejando entrar nas profundezas do Calabouço do Leste, então, tanto faz.


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