TER – Capítulo 155 – O terror forjado por uma habilidade


Nós voltamos imediatamente para a estalagem após os funcionários da Guilda levarem Solas.

Nosso objetivo era testar o Antídoto de Efeito Colateral e avaliar seus efeitos.

— Mestre, como usar?

“Hmmm… não sei…”

Eu estava pensando em criar um doppelganger e fazê-lo beber a coisa, mas essa não parecia ser a melhor ideia, já que não havia garantia de que meu corpo principal também receberia os efeitos da poção.

“Vamos tentar goteja-la sobre minha lâmina. Ao que parece, é assim que a Poção Superior de Reparação é aplicada, então isso deve funcionar.”

Mesmo assim, eu não estava certo se a poção teria ou não algum efeito em mim, vendo como eu era uma espada.

Mas, quer saber? Tanto faz. O que de pior poderia acontecer? Nós desperdiçamos alguns Antídotos de Efeito Colateral? É, isso não seria nada demais. Que se dane, pobreza aqui vamos nós!

— Pronta.

“Muito bem, faça quando quiser. Também estou pronto.”

— Nn.

Fran abriu o frasco parecido com um tubo de ensaio e despejou seu conteúdo sobre toda a minha lâmina.

Eu podia sentir a sensação vívida do líquido fluindo por meu corpo, mas nada parecia ter acontecido, mesmo depois de alguns segundos se passarem.

“Isso não deu certo?”

O momento que duvidei da poção foi o momento em que ela finalmente mostrou seus efeitos; ela fez um som de “shwing” e começou a se infiltrar em minha lâmina.

— Mestre. Brilhando.

Au, au!

“Acho que isso significa que deve ter funcionado, não é?”

Eu logo me avaliei para verificar os efeitos da poção.

“Maravilha! Funcionou! O tempo de recarga do Tomar Habilidade deu uma boa diminuída!”

Seus 57 dias de recarga foram cortados para 37 dias.

Eu poderia agora usar a habilidade com 20 dias de antecedência, o que significa que eu poderia usa-la sem demora se usasse as outras duas poções.

Parecia que o tempo de recarga da Síntese de Doppelganger também foi completamente reiniciada. Espere, espere, espere, isso significa que a poção neutraliza todos os efeitos colaterais ao mesmo tempo? Pensando nisso, verifiquei a Autoevolução, mas não parecia que os pontos de pedra mágica consumidos pelo Liberar Potencial Latente voltaram.

Parecia que a poção iria cuidar de intervalos de recarga e coisas do tipo, mas acho que o que perdemos estava perdido. Espere, porcaria, isso quer dizer que ela pode combater os efeitos colaterais de algumas outras habilidades.

— Continuar?

“Com certeza! Pode vir!”

— Nn.

Fran usou a segunda poção e, mais uma vez, me fez ser envolvido por um véu de luz.

Exceto que… as coisas não terminaram do jeito que imaginamos.

“Hã, isso é esquisito.”

— Algo errado?

Au?

“Essa última só fez o tempo de recarga voltar para 30 dias.”

Ao que tudo indicava, o conteúdo não era consistente. Algumas vezes ele fazia mais, em outras menos. Isso tinha ligação com cada poção tendo qualidades individuais diferentes? Ou talvez fosse por causa de algum tipo de enfraquecimento dos efeitos?

Hmm, o que fazer? Podemos não ser capazes de cumprir o limite de dez dias, mesmo se usarmos nossa última poção. Quer dizer, podemos ter se a terceira terminar sendo pelo menos tão efetiva quanto a primeira, porém…

“Ah, bem, vamos usar ela mesmo assim.”

— Certeza?

“Sim, tenho.”

— Então usarei a terceira.

E assim, fizemos isso.

“Falhamos completamenteeee.”

Parecia que a diferença nos efeitos se originava nas diferenças de qualidade entre cada poção individual. A terceira era um pouco melhor do que a segunda, mas não tão boa quanto a primeira. Ela tirou 12 dias do tempo de recarga da habilidade.

Tomar Habilidade ainda passaria 18 dias na geladeira; nós com certeza não teríamos tempo.

Ó, bom, que seja. Descobrimos como os frascos funcionavam e eliminamos bastante o tempo de recarga do Tomar Habilidade, assim, para mim, isso ainda era uma vitória.

— Não preciso roubar Camaradagem Forçada.

“Por que não? Ela parece uma habilidade que pode se tornar muito conveniente.”

— Mesmo assim, não preciso. Mestre disse que o Princípio da Falsidade requer cautela e não deve ser usado com muita frequência, mas usa muito mesmo assim.

“Bom… tá legal, tem razão…”

— Mas, em geral, usa para me proteger da enganação. Não tem como evitar porque ainda sou fraca.

“Fran…”

— Camaradagem Forçada será o mesmo. Vai dizer que só será usada em tempos de necessidade, mas usará muito. Habilidades que interferem com as mentes das pessoas são assustadoras. Se lembra… nobre gordo com Princípio da Falsidade.

“Você está se referindo a Auguste Alsund1?”

Parecia que ela já tinha se esquecido do nome dele.

— Auguste, Solas, os dois tinham problemas na cabeça. Muito provavelmente por causa do uso da habilidade. Não parecia que eles podiam mais confiar em pessoas. Não quero que o Mestre use em excesso as habilidades e fique igual.

Uou, eu sou patético. Eu deveria ser o guardião de Fran, mas esta é a enésima vez que ela me repreende desta forma.

“É… você está certa. Bom ponto.”

Sou uma pessoa fraca. Eu com certeza seria derrotado pela tentação e começaria a usar a habilidade sem parar só porque ela era conveniente para mim. Provavelmente, eu inventaria desculpas o tempo todo e tentaria me justificar também. Habilidades que podem mexer com as mentes das pessoas são apavorantes. Antes de mais nada, era melhor não a ter.

“Tudo bem, vamos apenas fingir que a Camaradagem Forçada nunca existiu!”

— Nn. Boa ideia.

“Vamos verificar toda a pilhagem que conseguimos desta vez.”

— Tá bom.

Eu me ocupei enquanto organizava os itens que conseguimos para afastar o clima desconfortável que surgiu de nossa conversa anterior. Fran aceitou a sugestão e começou a examinar as coisas que eu organizei.

— Este aqui. Interessante.

“A faca? Hmm, ela tem um formato bem estranho.”

— Produto barato?

“Provavelmente, é”

Tudo voltou ao normal; conversamos enquanto olhamos os itens que tomamos de Solas.

Recebemos permissão de pegar todos os itens que Solas e seus companheiros tinham em posse, o que significa que também recebemos o direito a tudo que eles roubaram dos aventureiros que foram assassinados. Em suma, era um saque bem impressionante.

Naturalmente, decidimos vender todos os materiais para a guilda e me fazer absorver todas as pedras mágicas, apesar do fato de que todas eram de péssima qualidade.

A maioria dos equipamentos que eles tinham era bem ruim, então decidimos nos livrar deles ao impingi-los2. A maioria.

Por acaso eles tinham quatro itens mágicos. Dois eram lixo que davam aumento mínimo de status, então os ignoramos por completo. Os outros dois pareciam ser um pouco mais úteis. Um era uma tenda que tornava um pouco mais difícil para as pessoas em seu interior serem detectadas. Parecia algo que poderíamos usar se decidíssemos acampar em um calabouço ou algo do tipo. Ela não era tão grande, mas era espaçosa o bastante para abrigar Fran e Urushi, assumindo que o último estivesse em sua forma menor.

O último item era muito mais interessante do que do que os três anteriores. Era um equipamento destinado a familiares do tipo fera. Especificamente, era algo em forma de garra que você devia prender nas patas dianteiras.

Ela foi feita de tal forma que não atrapalharia nenhuma das atividades regulares do familiar. Entretanto, a fera faria as garras se estenderem se carregasse o item com magia.

 

Nome: Garra de Captura
Ataque: 230
Capacidade de Mana: 100
Durabilidade: 700
Condutividade do Poder Mágico: D+
Habilidade: Golpe Estonteante

 

Hã, isso não é ruim. O ataque do item era bem baixo, mas ele ainda era melhor do que o “nada” que ele tinha equipado no momento. Aliás, aquela habilidade Golpe Estonteante parecia ser bem decente se usada de modo correto. Parecia que isso combinaria com o estilo de bater e correr de Urushi ao reforçar seus ataques com uma condição de status negativa.

Sendo sincero, esse era um item tão bom quanto o que você poderia esperar de um calabouço rank D.

“Fran, faça Urushi equipar isso.”

— Nn. Urushi, pata.

Au!

— Sim, pata primeiro.

Au.

Fran logo amarrou o equipamento em forma de manopla de couro nas patas da frente de Urushi.

A primeira coisa que nosso companheiro lobo fez após equipar ambos os itens foi assumir uma pose imponente. Ele parecia muito orgulhoso e feliz. Seu rabo balançava para cá e para lá tão rápido que criava uma brisa gentil.

“Isso combina muito com você Urushi.”

— Parece legal.

Au, au!

“Como você se sente? Ela deixa seu caminhar mais difícil? As partes de metal são desconfortáveis?”

Latido? Au, au!

Parecia que tudo tinha se encaixado com perfeição.

“Certo! Amanhã vamos testa-la!”

— Nn!

Au!


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Notas

[1] Auguste é o nobre que Fran e o Mestre conheceram no capítulo 39 e de quem roubaram o Princípio da Falsidade.

[2] Impingir significa vender um produto por preço maior que o razoável.



Fontes
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