TER – Capítulo 110 – Sombras de conspiração



(??? A): “Hey! Cê reconhece isto?”

(??? B): “Be-bem…”

(??? A): “Esta é maldita e estúpida receita que você me deu!”

Nós nos aproximamos do orfanato para investigar um de nossos concorrentes, mas nós fomos imediatamente recebidos por uma série de gritos assim que chegamos.

Os berros que vinham de dentro do local eram excessivamente altos. Nós facilmente podíamos ouvi-los de fora da parede de pedra cercando a construção. Nossa curiosidade conseguiu levar a melhor sobre nós e espiamos da entrada, assim, nós conseguimos entender exatamente o que estava acontecendo.

(??? A): “Eu não vou te deixar escapar dizendo que você não se lembra desta maldita receita”

(??? B): “Y-yeah, eu entendi. Eu realmente me lembro, essa é a receita que você me obrigou a te dar. Você disse que nos deixaria em paz se eu a entregasse”

(??? A): “Você é uma maldita retardada? Eu te disse para me entregar a receita da sopa que você usa na maldita competição em todos os malditos anos”

(??? B): “Eu-eu fiz isso”

Parecia que o orfanato estava sendo hostilizado por um típico aprendiz de agiota. Eles mencionaram uma receita algumas vezes, então parecia que eles estavam falando de algo relacionado com a competição.

O capanga que estava gritando a pleno pulmões parecia ser o seu típico delinquente.

Uma única mulher se posicionava entre ele e as crianças, como se estivesse as protegendo. Ela parecia ser de meia-idade e estava vestindo um robe sobre sua figura excessivamente fina.

(Homem): “Cê acha que pode escapar me entregando este pedaço de merda incompleto? Não há nenhuma quantidade precisa, tudo o que você escreveu aqui foram malditas suposições”

(Mulher): “Mas é assim que eu normalmente preparo ela…”

(Homem): “Hah? Cale sua maldita boca. Você e eu sabemos que não há nenhuma chance de você passar nas preliminares com isso. Esta merda basicamente só diz que você jogou um monte de vegetais baratos e aleatórios dentro da porcaria de uma panela. Quem diabos você acha que está tentando enganar vadia?”

(Mulher): “Essa realmente é a forma como eu a preparo! Eu normalmente não uso nenhum tipo de instrumento de medição. Eu só faço estimativas!”

Parecia que o pedaço de papel que o marginal estava balançando continha a receita da sopa que era a assinatura do orfanato. Eu estava bem certo que ele usou algum tipo de método desleal para colocar suas mãos nela, mas, de qualquer forma, ele estava reclamando que a receita carecia de sua plenitude. E, honestamente, ele tecnicamente estava certo. A receita realmente não tinha muita coisa escrita.

Contudo, a mulher não estava mentindo. Ela esteve dizendo verdade a ele desde o início.

Ela simplesmente nunca pensou exatamente em quanto de cada ingrediente ela usava, mas ela conseguiu alcançar o quarto lugar no último ano apesar disso. Eu tinha que dizer que a sensação de dissonância dessa situação realmente me deixou curioso, e assim, eu a avaliei, só para descobrir que ela, Io, era tão incrível quando alguém poderia ser quando se tratava de culinária. Ela tinha a Culinária no Lv9, uma habilidade que aumentava seu paladar, e, mais importante, proteção divina do Deus da Cozinha. Em outras palavras, ela foi escolhida por ninguém menos do que o Deus que governava o reino da comida.

Para ela, o ato de aproximar as medidas era provavelmente semelhante a outras pessoas meticulosamente calculando exatamente o que era preciso em determinado momento, exceto que isso era feito em tempo real. Ou seja, ela provavelmente só seguiu sua intuição enquanto ocasionalmente experimentava seu prato. Através do método já mencionado, ela extraía de seus ingredientes o melhor sabor possível, independentemente de suas qualidades. Esse era um conceito brilhante, mas não era algo que o delinquente diante de nós poderia entender.

(Homem): “Eu já te disse para parar com essa merda!”

Eeee, yup. Já imaginava.

[Fran]: (“Mestre. Vou ajudar”)

(Mestre): “Não bata muito forte nele, tudo bem?”

[Fran]: (“Nn. Entendido”)

Fran usou magia para silenciar a área, saltou sobre o muro e ficou atrás do marginal sem alertá-lo.

(Homem): “Escute aqui, voc… charhgh!”

Ela desferiu seu pé na parte de trás da cabeça dele e fez seus olhos girarem para trás. O marginal foi instantaneamente privado de sua consciência.

Espere, ela não disse que entendia que não deveria ser tão violenta assim? Eu juro que eu a disse isso e que ela concordou. Eu juro…

(Mestre): “Hey, um, Fran? O que aconteceu com não bater muito forte nele?”

[Fran]: (“Nn? Não matei. Nem cortei”)

Er, eu acho que será melhor definir o conceito de “muito forte” da próxima vez. Oh, bem, que seja. O que está feito está feito.

(Io): “Eu-eu-eu não sei quem você é, mas muito obrigada por sua ajuda!”

Io nos agradeceu repetidamente antes de finalmente se acalmar, ponto em que nós a perguntamos exatamente o que tinha acontecido.

(Io): “Nós também não estamos realmente certos…”

Io parecia não entender muito sobre os eventos que aconteceram, porém, ela ainda deu o seu melhor para nos dizer tudo o que sabia. Felizmente, suas palavras foram o bastante para nos dar uma ideia geral sobre a situação.

Tudo começou alguns anos atrás. O Lorde de |Barbola| subitamente parou de financiar o orfanato por razões desconhecidas, e desde então, eles têm sofrido financeiramente por culpa da falta de rendimentos sustentáveis. Eles estavam em uma situação tão ruim que tinham dificuldade até para juntar dinheiro o bastante para permitir que as crianças comessem todos os dias.

Eles pediram que o Lorde mudasse seu posicionamento várias vezes, mas, ele nunca concordou em restabelecer o financiamento deles. Mais tarde, o orfanato recebeu um Mercador que, aparentemente, foi apresentado pelo Lorde citado anteriormente. Ele estava disposto a emprestar dinheiro a eles a uma taxa de juros baixa, mas isso também acabou não funcionando.

(Io): “O Mercador se recusou a mudar a data do pagamento, e disse que era impossível alterar isso, mas a data era irrealista demais. Não havia como nós conseguirmos trezentos mil Gorudo em apenas meio ano…nós queríamos pedir a ele que estendesse o prazo, mas nós nunca fomos capazes de descobrir seu paradeiro”

(Fran): “Nn? Incapaz de descobrir o paradeiro?”

(Io): “O Diretor fez o seu melhor para tentar localizar o Mercador, mas nunca fomos capazes de descobrir onde ele estava. Acabamos descobrindo que ele não estava registrado na Guilda dos Mercadores de |Barbola|

Okay, yeah, se isso não era suspeito, então eu não sei o que seria. Na verdade, estava bem óbvio que eles simplesmente foram usados e explorados desde o início. Quero dizer, eles receberam a oferta de um empréstimo bem razoável com uma taxa de juros baixa justamente quando eles mais precisavam. Além disso, eles foram obrigados a pagar o empréstimo dentro de um intervalo de tempo impossível. O Mercador obviamente queria algo além do dinheiro, e eles provavelmente acabariam dizendo que ele não recebeu o pagamento mesmo se eles juntassem o valor.

Honestamente, essa era uma situação bem clichê. A única diferença era que eles estavam exigindo a receita da sopa, ao contrário das coisas mais comuns, como a propriedade do orfanato ou as crianças.

(Fran): “Esse delinquente. Subordinado do Mercador?”

(Io): “Eu acho que sim. Ele nos disse para entregá-lo a receita ao invés de os pagarmos em meio ano”

Okay, é, parece que isto provavelmente tem algo a ver com o concurso de culinária. Mas preparar algo tão grande não exigiria muita preparação? Eles basicamente só escolheram o valor de trezentos mil Gorudo sem nenhum motivo aparente. No entanto, eu acho que a maioria dos Chefs não acharia trezentos mil um valor tão alto considerando que eles provavelmente investiriam mais do que isso durante toda a competição.

Quero dizer, tudo bem, isso pode ser justificado, mas por que apenas a receita? Eles não poderiam apenas forçar o orfanato a não participar?

Yeahhhh, eu não entendi isso. Eu meio que queria interrogar o marginal que tínhamos em mãos, porém, essa provavelmente não seria a melhor das ideias. Usar violência iria, no final das contas, trazer mais problemas para o orfanato, assiiiiiim, yeah, vamos esquecer disso.

Fazer isso depois de arrastá-lo para outro lugar também não funcionaria. Eu realmente queria evitar virar alvo de algum tipo de organização clandestina esquisita.

[Fran]: (“Mestre. O que fazer com o capanga?”)

(Mestre): “Hmmm. Bom, não podemos apenas abandoná-lo sem dizer nada, portanto, vamos brincar um pouco com a cabeça dele”

[Fran]: (“Nn!”)

O fato de que ele não viu Fran se esgueirando nos deu mais do que apenas algumas opções. Nós tínhamos tudo que precisávamos para lidar com esta situação da forma que desejássemos.

(Mestre): “Muito bem, tenha certeza de seguir o plano”

(Fran): “Nn. Cura

(Homem): “Huh?”

(Fran): “Acordou?”

(Homem): “Ugh… o que aconteceu?”

(Fran): “Desmaiou durante a conversa”

(Homem): “Eu desmaiei?”

(Fran): “Nn. Aventureira. Estava passando por acaso, testemunhei seu desmaio. Usei Magia de Cura para ajudar”

O plano que criamos era fingir que não tínhamos nenhuma relação com o homem desabando. Na verdade, nós queríamos fazê-lo sentir que o ajudamos.

(Homem): “Desculpe, parece que eu te causei alguns problemas”

(Fran): “Desmaiando repentinamente. Sinal de doença séria. Se desmaia enquanto fala, pode ser estágio final”

(Homem): “Sé-sério? Você está falando a verdade?”

(Fran): “Nn. Preciso partir agora. Pode ser melhor descansar um pouco”

(Homem): “Y-yeah, você está certa”

(Fran): “Boa ideia”

(Homem): “H-hey, seus merdinhas! Eu vô sair fora agora, mas não pensem que eu não vou voltar! Você me deve uma receita, maldita!”

Eu consegui projetar os efeitos do Princípio da Falsidade nas palavras de Fran porque ela tinha me equipado. Honestamente, eu estava bastante surpreso por isso realmente funcionar.

Fran era mesmo ruim atuando, mas os efeitos da habilidade, combinados com o fato de que ele ainda estava atordoado, o fizeram acabar acreditando nela com sinceridade. Ele deu ao orfanato um último grito zangado antes de finalmente se virar e coxear seu caminho para a entrada.

(Mestre): “Urushi, siga ele”

[Urushi]: (“Growl”)

No mínimo, com Urushi seguindo o homem por aí, ele seria capaz de memorizar o cheiro dele. Se tivéssemos sorte, ele seria capaz de descobrir quem eram os companheiros do homem, e, se fôssemos realmente sortudos, nós poderíamos até conseguir descobrir a identidade do misterioso agiota. Em todo o caso, ainda era uma situação de ganha-ganha, já que marcar o cheiro do homem nos permitiria rastrear suas ações e preveni-lo de fazer algo durante a competição.


Cinco minutos se passaram.

(Io): “Muito obrigada por tudo o que você fez por nós. Você tem certeza que não quer mais nada?”

(Fran): “Nn”

Fran estava atualmente dentro do orfanato. Io perguntou se ela não queria nada como recompensa por ajudá-los, e assim, a Aventureira pediu para experimentar algumas das sopas mais famosas do orfanato, o que a cuidadora respondeu com um okay.

(Fran): “Obrigada”

A pessoa em questão não pensava que a sopa era realmente suficiente como agradecimento, já que ela era basicamente feita apenas dos vegetais mais baratos. Mas, apesar desse fato, ela era deliciosa, tão deliciosa que até fez a expressão de Fran mudar.

(Mestre): “Como está?”

Eu perguntei a Fran a questão apesar de saber a resposta que ela daria. Seu rosto estava distorcido no que só poderia ser descrito como frustração.

[Fran]: (“Delicioso”)

(Mestre): “Melhor do que a sopa que eu faço?”

[Fran]: (“Nn… o caldo da sopa extraído perfeitamente. Sabor miraculoso”)

Eu tinha que concordar que o sabor da sopa parecia ser o trabalho de algum tipo de milagre. Não era como nenhum dos pratos que vimos nos outros restaurantes. Ela era composta de vegetais baratos, água de fonte e sal. Isso foi tudo. Nada mais, nada menos. Eu fiz Fran fazer uma dupla verificação ao perguntar a ela, e acabamos descobrindo que ela realmente não usou nem mesmo pimenta. Ainda assim, ela tinha um sabor melhor do que o que eu fazia. Puta merda. Ela era simplesmente fantástica. Ela era provavelmente a Chef mais talentosa de |Barbola|.

(Fran): “Participando do Rei da Culinária?”

(Io): “Esse é o plano”

(Fran): “Vai usar esta sopa?”

(Io): “Sim, eu vou. O povo de |Barbola| é muito gentil. Eles sabem quantos problemas nós temos em nossas finanças, então eles estão dispostos até a pagar o valor de dez Gorudo por uma única tigela. Eu estou realmente grata pelas ações deles, os rendimentos que obtemos com a competição têm nos ajudado. Nós provavelmente não teríamos durado tanto se não contássemos com a generosidade de todos…”

Ela não tinha muita confiança e parecia acreditar que essas pessoas só compravam sua sopa como uma forma de doação. Bem, quer dizer, eu não poderia dizer que a simpatia não desempenhava um papel nas vendas da sopa, mas, honestamente, a sopa venderia muito bem sem isso. Ou melhor, bastava olhar para como Fran reagiu. Ela estava tão boa que fez com que suas emoções se conflitassem com a frustração.

Sua faixa de preço era a mesma que a nossa, mas cada tigela a renderia muito mais do que nosso lucro com cada porção de pão de curry, considerando a discrepância no custo de nossos ingredientes. Ela estaria ganhando algo muito além de apenas um Gorudo por venda. Seu quarto lugar foi legitimamente merecido.

Uma magra garota com sardas se aproximou de nós enquanto Fran terminava sua sopa. Ela a apresentou um pequeno prato com um único biscoito em cima dele.

(Fran): “O que é isso?”

(Garota): “Ele deveria ser o meu petisco, mas eu vou te dar porque você ajudou a Srta. Io. Obrigada onee-chan”

Ela empurrou o biscoito na direção de Fran enquanto sorria timidamente. Ela provavelmente queria isso para ela mesma, mesmo assim, ela estava disposta a dá-lo.

Que boa garota ela era! Quero dizer, ela não chegava aos pés de Fran, mas ela ainda era realmente uma boa menina!

Fran dividiu o biscoito com a garota e o comeu enquanto esfregava gentilmente a cabeça dela. Fran sempre era tratada como uma criança, então ela parecia realmente feliz por alguém olhar para ela como algo nas linhas de uma irmã mais velha.

Tudo bem, quer saber de uma coisa? Eu cheguei a uma conclusão. O Lorde de |Barbola| é um pedaço de merda. Ele acabou abandonando as crianças mais adoráveis da cidade. Como ele se atreve a suspender o fundo delas!?

(Mestre): “Eu acho que está na hora de nós entrarmos em contato com ela”

[Fran]: (“Nn. Concordo”)

A Guilda tinha a capacidade de rapidamente enviar mensagens para outas filiais, assim, nós deveríamos ser capazes de entrar em contato com a filial de |Aressa| bem facilmente.

(Fran): “Não ficará em silêncio. Amanda, esse tipo de pessoa”

(Mestre): “Yup, vamos fazer o que pudermos por eles”

E assim, nós deixamos o orfanato, mas não antes de deixarmos alguns itens que compramos em |Aressa| e |Dharz|. Nós os demos grãos, batatas, carne seca e peixe seco, coisas que durariam bastante tempo, mesmo se você só as mantivesse guardadas. A quantidade que tínhamos em mãos era bem limitada, mas, felizmente, isso foi o bastante para animar seus dias e permiti-los comer pratos mais saudáveis e deliciosos.


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