TER – Capítulo 108 – 〈Kobold Maligno〉



(Fran): “Mestre, logo ali. Muitas pessoas”

(Mestre): “Parece que eles estão indo para |Barbola|

(Fran): “Mas… algo estranho”

Nós avistamos algumas carruagens ao longo da estrada em nosso caminho de volta para a cidade.

Essa cena era completamente normal. Hoje era o dia do Banquete Lunar, e nós estávamos apenas a uma hora de distância da cidade. Não seria surpreendente encontrar carruagens levando aldeões que estavam procurando um pouco de diversão na cidade.

Nós ainda estávamos muito longe das já mencionadas carruagens, então não podíamos ver muito de seus detalhes. Nós podíamos, contudo, dizer que algo não parecia certo. Eu podia jurar ter escutado um ou dois gritos.

(Mestre): “Hmmm… eu acho que eles podem estar sendo atacados por Feras Demoníacas

Se aproximando um pouco mais, eu percebi que meu palpite anterior estava correto. As carruagens estavam sendo perseguidas e atacadas por Kobolds.

(Mestre): “Urushi, voe até lá o mais rápido que você puder!”

(Urushi): “Woof!”

Disparar pelo ar nos permitiu ter uma visão muito melhor do que estava acontecendo. Em suma, quatro Aventureiros estavam enfrentando a investida dos Kobolds com tudo o que tinham.

(Aventureiro A): “Não desista Dregg!”

(Aventureiro B): “Continue assim! Os aldeões vão estar condenados se fizermos besteira aqui!”

(Aventureiro C): “Não deixem essas coisas malditas passarem, mesmo que isto custe suas vidas!”

(Aventureiro D): “Eu sei! Eu já sei! De forma alguma eu os deixaria passar até que as carruagens já estejam longe o suficiente!”

(Aventureiro A): “É isso mesmo!”

Os Aventureiros saltaram das carruagens para melhor combater seus agressores ao enfrentá-los diretamente. Todos os quatro estavam claramente arriscando suas vidas na esperança de permitir que as cinco carruagens que eles acompanhavam escapassem. Nenhum dos quatro parecia desejar recuar ou fugir, apesar do fato de que alguns deles já tinham sofrido vários ferimentos sérios.

Droga, eles são extremamente viris.

(Fran): “Vou ajudar”

(Mestre): “Vá em frente. O líder inimigo deve ser… aquele logo ali”

 

Nome: Kobold Maligno
Raça: Fera Demoníaca Ser Maligno
Status: Level 20
HP: 139 MP: 72
Força Física: 66 Resistência: 71
Agilidade: 78 Inteligência: 28
Mágica: 41 Destreza: 54
HABILIDADES
‖Intimidação‖ Lv4 ‖Comandante‖ Lv3 ‖Técnicas com Garra‖ Lv3 ‖Habilidades com Garra‖ Lv3 ‖Salto‖ Lv4 ‖Manipulação de Vigor
HABILIDADES INERENTES
‖Arte do Mal‖ Lv3
TÍTULOS
Vínculo com o Deus Maligno
DESCRIÇÃO
Nenhuma descrição conhecida.

 

Seu título e habilidade inata eram ambos um pouco estranhos, já que eles apontavam o fato de que o Kobold era um dos subordinados do Deus Maligno. Ou melhor, isso devia ser uma dica, vendo como o Kobold estava classificado como um Ser Maligno.

Mesmo assim, havia algo especial sobre ele? Ele tinha essas habilidades e título porque tinha mais proteção divina do Deus Maligno do que os membros comuns de sua espécie? Quero dizer, relativamente falando, seu Status era bem alto. Ele era um pouco mais forte do que o Rei Goblin que eu derrotei no passado1.

Será que eu acabaria adquirindo a Arte do Mal se eu absorvesse a [Pedra Mágica] do Kobold, e absorvê-la me ligaria automaticamente ao Deus Maligno de alguma forma? Hmm… eu não tenho certeza se testar isso poderia ser considerado como uma boa ideia…

(Mestre): “Vamos tentar evitar me fazer absorver a [Pedra Mágica] do líder dos Kobolds. Aparentemente, ele é um subordinado do Deus Maligno, então eu acho que adquirir as habilidades dele não seja uma ideia interessante”

(Fran): “Nn. Entendido”

(Mestre): “Urushi, nós vamos deixar os fracotes para você”

(Urushi): “Woof”

Fran saltou das costas de Urushi e usou a força de sua queda para dividir um dos Kobolds ao meio. Os Kobolds ficaram paralisados com o choque, mas Fran não se importou. Ela começou a ceifar fracote seguido de fracote com facilidade sem nem ao menos dar uma chance para eles se recuperarem do impacto da súbita descida dela. Urushi fez o mesmo e avançou para atravessar as linhas inimigas.

A chegada da dupla não deixou apenas os Kobolds sem palavras. Isso também aconteceu com os Aventureiros e fez eles ficarem congelados.

Não era preciso dizer que os Kobolds não representavam nenhuma ameaça, mas Fran se recusou a mostrá-los piedade. Sem hesitação, ela escolheu invocar Explosão Infernal, o feitiço mais poderoso em nosso arsenal.

(Kobold Maligno): “Roooahhhrghh!”

Eu estava de guarda porque estava preocupado com os efeitos da proteção divina do Deus Maligno, mas minha ansiedade acabou se provando sem sentido. No fim, o Kobold Maligno ainda era apenas um Kobold; a Explosão Infernal o torrou e o transformou em nada além de um cadáver fumegante em questão de segundos. Nós conseguimos pegar sua [Pedra Mágica], mas, de novo, eu não achava uma boa ideia absorve-la, então eu apenas a joguei no Armazenamento.

Os Kobolds restantes imediatamente se espalharam ao perderem seu comandante. A espécie como um todo era naturalmente bem tímida, mas parecia que com um líder forte, eles eram levados a agir de uma forma um pouco mais ambiciosa. Perder o citado líder fez com que eles imediatamente recuperassem sua covardia usual e fugissem. Oh, bem, que seja. Eles eram bem fracos, mas, honestamente, persegui-los e mata-los era uma tediosa perda de tempo, então nós nos abstivemos.

Todos os quatro Aventureiros continuaram congelados durante toda a batalha que durou cerca de dois minutos. Parecia que eles ainda tinham que acabar de processar os eventos que acabaram de acontecer. Eles eram incapazes de reconhecer que uma garota e um Lobo desceram do céu, derrotaram os inimigos que eles estavam sofrendo para enfrentar, e até os fizeram correr com os rabos entre as pernas.

(Fran):Zona de Cura

Foi só depois que Fran começou a tratar as feridas deles que eles finalmente conseguiram dar algum tipo de resposta.

(Aventureiro A): “Wa, wahh?”

(Aventureiro B): “Estamos sendo curados?”

(Aventureiro C): “O-obrigado, você realmente nos salvou”

(Aventureiro D): “O que diabos acabou de acontecer?”

Aparentemente, os quatro eram todos integrantes de um grupo com o nome Ventos de Cedros2. O apelido deles se originou do fato de sua base de operações estar localizada na |Vila Cedros|, um pequeno povoado das proximidades.

Eles nos contaram sua longa e chata história emocional de quão duro eles trabalharam e a extensão de seus esforços para se tornarem verdadeiros Aventureiros antes de finalmente se assentarem em |Cedros|. Honestamente, eu não estava nenhum pouco interessado, então toda esta história entrou por um ouvido e saiu pelo outro.

O que eu entendi da história deles foi que eles eram tão gratos aos aldeões, que estavam até dispostos a arriscar suas vidas para protegê-los, independentemente de que tipo de ferimentos eles sofressem no processo. Eu não me importei nenhum um pouco com o flashback deles, mas eu, honestamente, apreciei suas ações pela forma tão másculo que eles agiram.

Todos os quatro Aventureiros se revezaram agradecendo Fran e apertando a mão dela. Eles ofereceram dar a ela cada um dos corpos dos Kobolds, apesar do fato dos monstros valerem uma boa quantia para eles, considerando seus Ranks. Eu tinha que dizer, eles eram pessoas muito boas, mesmo que eles parecessem meio esquisitos pela forma como cercaram Fran enquanto a agradeciam exageradamente.

Quer dizer, brindes são brindes, e eu gostava de brindes, mas nós acabamos recusando a oferta deles pelo tempo que isso consumiria. Nós realmente não precisávamos dos Kobolds para nada, e eles não tinham tanto valor para nós, então, yeah.

As cinco carruagens que escaparam um pouco antes, rapidamente voltaram depois de notarem que os Kobolds tinham fugido. Os aldeões saíram de dentro delas e todos curvaram suas cabeças para oferecer seus agradecimentos para os quatro Aventureiros que quase morreram para salvá-los. Os dois grupos realmente pareciam ter um relacionamento excelente um com o outro.

Nós perguntamos ao chefe da aldeia algumas coisas, e comprovamos nossas expectativas. Nós estávamos certos, os aldeões dentro das carruagens estavam em seu caminho para |Barbola| para aproveitarem as festividades do Banquete Lunar.

(Chefe da Aldeia): “É muito raro para Kobolds aparecerem aqui. A estrada é bem movimentada, então eles normalmente não se aproximam, mas a maioria das pessoas já está dentro da cidade para o banquete de hoje”

Todos mais ou menos tiraram o dia de folga por causa do Banquete Lunar. A cidade estava com problemas para manter suas patrulhas usuais; a falta de Guardas a deixou com falta de pessoal.

Nós decidimos dar uma mão a eles e acompanhá-los até que chegassem a cidade. Estávamos a apenas uma hora de distância, e eu provavelmente me sentiria culpado e extremamente consciente de minha decisão se eles acabassem sendo mortos depois de termos passado pelo problema de ajudá-los uma vez.

As carruagens tinham poucos assentos, assim, ter mais dois corpos deixou as coisas um pouco apertadas, especialmente com Urushi tomando completamente o assento traseiro. Os aldeões não pareciam se incomodar com isso, já que eles já tinham visto o poder de Fran. Além disso, a maioria das pessoas na carruagem eram crianças, então não era tão ruim quanto poderia ser.

Uma das aldeãs, uma mulher na flor da idade, entregou a Fran algumas batatas desidratadas.

(Fran): “Nom, nom”

(Senhora A): “Eu gosto da forma como você come! Aqui, experimente isto também”

(Fran): “Om, nom, nom”

(Senhora B): “Que cara fofa você está fazendo. Experimente este aqui também”

(Fran): “Om, nom”

(Senhora C): “Você é tão adorável! Você é exatamente como um esquilo! Aqui, pegue mais um”

(Fran): “Nom, om, nom”

As senhoras mais velhas que estavam em nossa carruagem elogiaram Fran com vozes um pouco estridentes enquanto a observavam estufando suas bochechas.

Yup, elas têm bons olhos. Fran é super fofa.

Montar em Urushi faria desta uma viagem de meros dez minutos ou um pouco mais, porém, Fran parecia estar se divertindo. Isso, combinado com o fato de que elas acabaram nos dizendo sobre todos os tipos de coisas interessante relacionadas ao festival, fez com que montar a carruagem valesse a pena.

Os aldeões estavam planejando ficar em |Barbola| por um total de três dias. Aparentemente, seguir para a cidade por volta desta época do ano era uma prática bastante comum para qualquer um que vivia em uma aldeia na vizinhança de |Barbola|.

Uma das principais razões para essa prática era o fato de eles desejarem experimentar os produtos do concurso de culinária. Infelizmente, eles, como aldeões, não eram exatamente o que você poderia chamar de ricos. Eles não tinham muito dinheiro ou tempo, então eles só poderiam visitar um máximo de quatro barracas diferentes.

Aparentemente, Mercadores e mensageiros já tinham informado todos os trinta vilarejos próximos sobre os resultados da primeira rodada, apesar do fato de que eles só terem sido anunciados ontem. Os aldeões também já tinham escolhido as quatro barracas que eles queriam visitar; eles já tinham planejado isso com antecedência em nome da eficiência. A rapidez e o entusiasmo contido em suas ações realmente serviam como comprovante da enorme escala do evento.

(Senhora A): “Parece que Dordoros, o vencedor do último ano, não vai participar desta vez”

(Senhora B): “É porque ele foi contratado pelo |Reino de Norland|. Ele agora trabalha como o Chef real deles”

(Senhora C): “De qualquer forma, nós definitivamente vamos para A Mesa do Dragão. Eles conseguiram ficar em segundo lugar ano passado, então eles devem ser bons”

(Senhora D): “Yeah, mas não se esqueça da Churrascaria do Jeff”

(Senhora E): “Nós obviamente também vamos para A Espetaria de Frutos do Mar. Não podemos encontrar esse tipo de prato na vila, não importa onde procurarmos”

(Senhora F): “E, é claro, não precisamos dizer que vamos visitar o Orfanato de |Barbola| também, não é?”

(Fran): “Orfanato de |Barbola|?”

Fran fez uma pergunta em resposta ao item final que elas listaram. Isso realmente não parecia fazer sentido ou encaixar com o resto que foi citado.

(Senhora A): “Yup. O Chef do orfanato, Io, é realmente muito famoso por aqui. Eles realmente não usam nenhum ingrediente extravagante, mas seus pratos são sempre muito saborosos. Eles tendem a te deixar realmente relaxada”

(Senhora B): “Nós queremos mostrar ao orfanato que estamos apoiando suas ações, então nós visitamos a barraca deles todos os anos”

(Senhora C): “Você realmente tem que elogiar o Chef. Eu não entendo como eles conseguem fazer seus pratos ficarem tão saborosos!”

(Senhora D): “Não é? Eu acho que o orfanato conseguiu ficar em quarto lugar no último ano”

E assim, elas falaram e falaram e falaram mais sobre isso.

Eu fiquei bem contente por aprender sobre os participantes mais famosos da competição, porém, eu não poderia me impedir de ficar irritado por elas já terem decidido quais barracas visitariam. Aparentemente, elas não eram as únicas, essa mentalidade era muito comum. Em outras palavras, recém-chegados no concurso, como nós, estavam em uma grande desvantagem.

Mesmo assim, não era como se estivéssemos tão mal assim. Pão de curry era um produto incrível. Ele podia ser guardado por alguns dias sem qualquer problema, e ele nem precisava ser reaquecido, já que ele continuava bom mesmo frio. Nós deveríamos ser capazes de atrair pessoas procurando por um petisco ou dois entre as refeições.

(Fran): “Também participando do concurso”

(Senhora A): “Você está? Sério?”

(Fran): “Nn. Mestre entrou. Ajudando”

(Senhora B): “Você está trabalhando naquele lugar chamado O Rabo Negro? Eu me lembro que o nome do Chef é Mestre…”

O Rabo Negro era o nome que eu aleatoriamente inventei quando eles nos deram os formulários de inscrição. Parecia combinar, já que isso refletia uma propriedade compartilhada tanto por Fran quanto por Urushi.

(Fran): “Yup”

(Senhora A): “Ótimo. Que tipo de pratos vocês estão vendendo?”

(Fran): “Pão de curry”

(Senhora B): “Nunca ouvi falar disso”

(Fran): “Receita própria do Mestre. Muito saborosa, mesmo gelada. Muitos temperos. Dez Gorudo cada. Pode ser carregado facilmente. Bom para aperitivos”

As senhoras de idade foram atraídas pela propaganda de Fran e imediatamente guardaram suas palavras no coração.

(Senhora C): “Eles podem durar alguns dias sem estragar?”

(Fran): “Yup. Funciona bem para presentes”

(Senhora D): “Oh, fantástico! Isso significa que podemos comprar um monte e levá-los de volta para todos na vila”

(Senhora E): “Essa é uma excelente ideia. Nós vamos nos certificar de parar na sua barraca também”

(Fran): “Nn. Vou recebê-las de braços abertos”

Viva, mais clientes!


Tradutor:



Notas

[1] O Mestre está se referindo ao Rei Goblin que ele derrotou no capítulo 6.

[2] Os Cedros são árvores pertencentes à divisão Pinophyta, tradicionalmente incluída no grupo das gimnospérmicas. Elas são nativas de montanhas do Oeste dos Himalaias e da região do Mediterrâneo, aparecendo em altitudes de 1.500 a 3.200 metros nos Himalaias e 1.000 a 2.200 metros no Mediterrâneo.



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