SRVF – Volume 7 – Capítulo 7


Indo direto ao ponto, a caçada ao Dragão da Vida foi um sucesso, mas eu gostaria de deixar claro o meu protesto de que não gostei como as coisas se desenrolaram.

O que exatamente foi do meu desagrado? Simplesmente pelo fato de que, mesmo depois de entrar na masmorra, Voltaire-san fez absolutamente NADA! Achei que ele iria liderar o caminho e se livrar dos monstros que encontrássemos. No entanto, o homem não lutou uma única vez. Ele tinha dito que não era páreo para a porcaria do dragão, mas, para mim, até monstros normais lhe trariam momentos difíceis.

Para dizer a verdade, parecia que normalmente ele entrava sozinho e ia se esgueirando até as profundezas da masmorra, sem encarar um único monstro. Para início de conversa, sua real motivação não era subjugar qualquer coisa, mas sim, explorar o local. Por causa disso, habilidades de combate eram desnecessárias.

Voltaire-san poderia passar um longo tempo sem ser notado quando estava sozinho, mas isso se mostrou muito difícil quando acompanhado por mais alguém. Dessa forma, ele estava sempre escondido atrás de mim quando entramos na masmorra.

— Kururi-san! Tenha certeza de esmagar a cabeça dos monstros do tipo inseto!

Desde cortar as cabeças até esmagá-las, tudo isso era trabalho meu. Parece que vou levar bem mais do que uma semana para esquecer a sensação repulsiva de esmagar o crânio dos bichos.

— Kururi-san! Espadas são inúteis contra monstros do tipo fantasma! Use um feitiço neles, por favor!

Não seja ridículo! Como assim ‘Use um feitiço neles, por favor’? Eu já teria feito se pudesse!”

…Bem, no final, ainda consegui fazer isso. Pelo visto, não só tive alguma experiência com esgrima, no passado, mas com magia também. É algo assustador quando não se tem nenhuma memória e eu não tinha como saber disso até tentar. Talvez, mas só talvez, fosse uma boa ideia agradecer ao Voltaire-san por isso.

De qualquer forma, por causa da sugestão dele de esmagar também a cabeça dos fantasmas, precisarei de mais 2~3 semanas para esquecer disso.

— Kururi-san! O Dragão da Vida está logo no final dessa passagem, mas tem um monstro de classe besta mítica atra—!

Saltei para cima do monstro antes que ele terminasse sua sentença. Quero dizer, vamos ter que matar, não é? Ou melhor, EU vou ter que matar, NÃO É???

Tive que sair no mano-a-mano com um monstro absurdamente enorme! Por causa disso, parti para a ignorância antes que o monstro revidasse. No final, acabei me ferindo na cabeça, mas fui capaz de matar o monstro de classe besta mística e, atrás de mim, Voltaire-san estava pulando de alegria sem um único arranhão.

Supostamente não era para ser o contrário? E depois disso eu ainda estarei fazendo a espada! Eu é que deveria estar ali atrás pulando de alegria por causa do monstro derrotado. Era para ser assim!

Bem, já que eu derrotei isso, ou melhor, já que tenho feito isso até agora…”  — Esmaguei a cabeça da besta mítica.

— Kururi-san! Finalmente chegou a hora de enfrentarmos o Dragão da Vida. O seu trabalho vai ser distraí-lo, embora o ideal seria que pudesse derrotá-lo também. Enquanto isso, vou me esconder por aí e tirar o cristal quando aparecer uma chance!

“Como eu já disse… as nossas funções… ah, esquece.” — E assim, as cortinas de minha batalha épica contra o Dragão da Vida se ergueram.

 

◇◇◇

 

Embora acabei com o meu corpo todo machucado, consegui derrotar até mesmo o Dragão da Vida. Acho que sou um cara bem forte.

Com isso, Voltaire-san extraiu das costas dele o cristal que estávamos procurando. — “Haa… com isso nossa missão está acabada”.

No final, eu também… não, a cabeça do Dragão da Vida ainda estava inteira, parecendo cheia de vida, como se não estivesse morta. A estrutura de sua face era linda, com escamas cintilando luzes. Para alguém como eu profanar tal criatura sagrada… Bem, fui lá e esmaguei isso. Sem exceções agora que cheguei tão longe.

Voltaire-san me carregou no caminho de volta e, quando deixamos a salvo a masmorra, o sol estava se pondo. Achei que levaríamos muito mais tempo do que isso, então talvez tenha sido uma exploração até que bem suave.

— Vamos voltar logo para imediatamente começar a forjar a espada!

“Isso é coisa que se diz para alguém encharcado no próprio sangue??? Sinceramente estou começando a achar que falta um pouco de sensibilidade humana nesse cara!”

Quando chegamos de volta à ferraria, encontramos a estátua de bronze de uma vaca majestosamente em pé ao lado do porco. Vendo sua figura sublime, a primeira coisa que entendi foi que teria de fazer uma espada para ela também.

Assim que entramos, Eli e Barol ficaram horrorizados ao me ver coberto de sangue. Os dois provavelmente estavam achando que a viagem seria uma coisa bem mais relaxante. Eu mesmo achei isso, então não posso falar nada deles. Eli imediatamente trouxe o kit de primeiros socorros e limpou o sangue no meu rosto e corpo.

— Você é idiota, não é!? Para se arriscar a este ponto!

— Bem, um monte de coisas inesperadas aconteceu.

— Se alguma coisa acontecesse com você… — Eli disse bem baixinho, enquanto tratava de mim com um olhar distante. — …Nossos ganhos diminuiriam, sabia?

— Ah, claro, então era isso.

— Sim, o que mais poderia ser, idiota!?

Senti que ela aplicou ainda mais força do que antes enquanto esterilizava os machucados.

Ai, aí! Nunca mais faço isso de novo, então para!”

— Amanhã eu faço uma espada para a vaca.

— Tudo bem, mas como é uma estátua maravilhosa mesmo sem isso, não precisa se apressar, ok?

Ei, isso foi a forma dela de mostrar preocupação? Ela me fez trabalhar nas espadas do porco e do guaxinim na mesma hora, então acho que pode ser o caso.”

Para Eli estar me mostrando tamanha gentileza… eu deveria estar parecendo muito mal, hein? De qualquer forma, se uma coisa dessas a faria me tratar assim, talvez me machucar de vez em quando não soava ruim.

— Kururi-san! Vou assumir que você vai terminar a Espada do Dragão da Vida ainda hoje! — Voltarie-san exclamou ao lado de Eli, que ainda estava terminando de tratar os meus ferimentos.

Bem, essa era a única coisa com que ele estava preocupado, afinal.

— Fufufufu. Voltaire-sama, será que podemos conversar um pouco lá atrás, sim? Temos alguns doces deliciosos para lhe servir também. —  Eli falou para ele com um sorriso que não parecia um sorriso.

— Eh? É mesmo? Se for só um pouco, acho que aceito. Para falar a verdade, estou até com um pouco de fome.

Desse modo, os dois desapareceram atrás da loja. Não faço ideia sobre o que iriam conversar, mas pude sentir a temperatura baixar um pouco.

 

◇◇◇

 

Pelo visto, foi exatamente como eu imaginava. Ao retornar à frente da loja, o rosto de Voltarie-san estava pálido e seus olhos tinham perdido todo aquele brilho.

— Kururi-san, não precisa ter pressa em fazer a espada. Na verdade, você pode terminá-la quando bem quiser.

“Pobre homem, pelo visto Eli teve sucesso em adestra-lo. Acho que talvez até hoje eu só tenha visto uma pequena porção do terror dela.”

— Não, está tudo bem. Eu ainda consigo me mexer, então não vai ser um problema fazer a espada agora. Fora que ainda tenho essa adrenalina toda correndo em mim, por isso, acho que o resultado vai ser muito bom.

— É-é assim mesmo!?

Uma chama de vitalidade voltou a ele, no entanto, foi imediatamente extinguida pelo olhar frio de Eli.

— …Kururi-san, não há necessidade em se sobrecarregar.

“Impecável! Ele foi impecavelmente adestrado! Bem, acho que isso já é o suficiente de punição.”

— Muuuito bem! A maior ferida já está fechada, então vou relaxar um pouquinho fazendo algumas espadas. Vamos, me dê logo esse cristal.

— S-Sim!

*Ting*

*Ting*

*Ting*

O som de metal batendo contra metal ecoou pela ferraria. O que eu seria capaz de fazer usando esse material? Voltarie-san obviamente estava bastante excitado, mas o velho Barol e Eli estavam bem curiosos também.

Uma espada diferente de qualquer outra espada” — Eu não sabia que tipo de coisas ela seria até estar terminada.

Por causa da adrenalina acumulada depois de todas aquelas batalhas na masmorra, o trabalho não me cansou em nada. O tempo foi passando rapidamente e, antes que eu percebesse, a espada feita com as escamas do Dragão da Vida estava terminada.

Fui capaz até mesmo de deixar as escamas semitransparentes, com uma coloração levemente dourada e a espada herdou essas características, dando uma impressão bastante elegante. Quando a luz refletia na lâmina, as partículas cintilavam em resposta. Não, não só cintilavam, elas se moviam também, como se estivesse vivas! Então era isso o que Voltaire-san queria dizer com o cristal estar vivo?

— Finalmente eu consegui. Agora está terminado!

Vendo a espada, o brilho retornou aos olhos de Voltarie e o mesmo quase pulou em cima dela. No entanto, parou e olhou para Eli, como se pedindo permissão.

— Vá, pode ir.

— MUITO OBRIGADO, MADAME! — Ele continuou o salto que havia iniciado.

Eu sabia que a pessoa mais ansiosa por isso era ele, então entreguei obedientemente a espada. Além disso, não poderíamos negar que o seu conhecimento sobre o cristal era o mais amplo entre nós.

Tirando um monóculo de dentro da sua bolsa, Voltaire-san se concentrou em examinar a espada, tentando desesperadamente confirmar se havia sido um sucesso.

Alguns momentos de silêncio profundo decorreram até que o homem levantou a cabeça, retornando à este mundo.

— É um sucesso… o Dragão da Vida… as escamas… ELAS ESTÃO VIVAS! TEM SANGUE DE DRAGÃO GENUÍNO CORRENDO PELA ESPADA!

“Ah, então foi um grande sucesso! Apesar de que eu mais ou menos já sabia pela sensação de quando terminei a espada.”

Voltaire-san abraçou a espada como se fosse seu próprio filho. Então olhou para a lâmina, cheio de orgulho. O vendo tão feliz assim, deu-me a sensação de que todo o trabalho duro valeu a pena.

— POS-POSSO BALANÇAR UMA VEZ!? POSSO BALANÇAR SÓ UMA VEZINHA, MADAME!? — Ele pediu a Eli, por alguma razão.

— Vá, pode ir. — E Eli deu sua permissão, também por alguma razão.

Sem a menor cerimônia, Voltaire-san balançou a espada. A impressão que foi passada por aquele movimento, deixava difícil de acreditar que aquele cara era tinha zero de habilidade em combate.

— Ah, como eu imaginava. A espada preservou dentro de si, a forte intenção do dragão. Eu, que sou incapaz de manejar uma espada, consegui fazer um balanço desses. Essa espada está mesmo viva… minha teoria estava certa…

Então era isso? Se for, está explicada a impressão que tive do balanço de agora há pouco. Caso um verdadeiro mestre espadachim manejasse essa espada, o que aconteceria? Essa perguntava me deixava animado.

— Ufa, essa foi uma experiência incrível. Bem, vou devolver a espada agora e ir embora. Conto com a sua ajuda na próxima vez.

Ele entregou a espada à mim, se curvou e caminhou em direção à saída da ferraria.

— EI, ESPERE AÍ! E SOBRE A ESPADA!? NÃO ERA ISSO QUE VOCÊ QUERIA!?

— Ah, não. Eu nem sei como usar uma espada. Tenho quase certeza de que falei que queria ao menos balançar uma vez quando fiz a solicitação…

Não, pera, uma vez já foi o suficiente???”

— Certo, agora vou indo.

“EEEEEEEEHHHHHH??? ELE REALMENTE FOI EMBORA!

— …E o que a gente faz com isso?

Olhei para a Espada do Dragão da Vida que estava na minha mão.

— Bom, acho que a nossa vaquinha já tem sua espada…

— O QUÊ!? — Tanto Eli quanto o velho Barol me deram um tapa na mesma hora.

— AQUELE VOLTAIRE PODE SER UM IDIOTA, MAS VOCÊ NÃO FICA NEM UM POUCO ATRÁS! — Disseram os dois.

— Você passou por um monte de problemas para conseguir fazer isso. Por que não fica com ela para si?

— Hmm… é, acho que você tem razão.

Decidi seguir a sugestão de Eli e ficar com a espada. Certamente essa espada viva me mostraria várias coisas diferentes a medida em que a usasse.

Desse modo, a Espada do Dragão da Vida se tornou minha.

 

◇◇◇

 

O sol já havia desaparecido no horizonte quando o velho Barol começou a se aprontar, dizendo que precisava ir. Eu lhe dei o meu agradecimento por ter tomado conta da loja o dia inteiro. Talvez fosse bom lhe presentear com alguma coisa como recompensa apropriadamente.

— Opa, quase esqueci de dizer uma coisa importante. O doutor veio aqui hoje.

— O doutor? Aquele?

— É. Ele comprou uma espada em parcelas e disse que podia vir o mais rápido que desse. Mas acho que tá sem sorte hoje.

— É, realmente estou sem. De qualquer forma, obrigado por tudo Barol-san. Tome cuidado no caminho de volta.

— Tá, vou vir amanhã de novo.

Depois de nos despedirmos, Eli e eu começamos a fechar a loja. Considerando tudo que tinha acontecido, podíamos dizer que havia sido um dia agitado. Ela inclusive tinha conseguido diminuir bastante o preço da estátua da vaca, então ambos tivemos nossas próprias conquistas.

Enquanto pensava nisso, senti a presença de alguém lá fora. Aparentemente, a pessoa estava perto da entrada. Poderia ser que ela estivesse olhando a placa? Não, provavelmente estava era impressionada com o porco e o guaxinim.

Eu realmente não queria lidar com nenhum freguês a essa hora, especialmente depois de tudo que aconteceu. Entretanto, meu desejo não se concretizou e o freguês abriu a porta. Bem, era o último do dia, então não fazia mal em dar o meu melhor em atendê-lo.

— Bem-vindo à Ferraria Eli&Kururi! — Eli e eu lhe demos às boas-vindas energicamente.

O homem que entrou tinha uma ótima aparência, do tipo que você chamaria de “Homem charmoso”. As coisas que carregava consigo era bastante simples, o deixando com a atmosfera de um viajante. Além disso, a idade dele parecia estar próxima da nossa.

— Ferraria Eli e Kururi…EH!

O freguês congelou no instante em que nos viu. Seus olhos se arregalaram e ficou se virando alternadamente entre mim e Eli, de novo e de novo. Não parecia que ele havia se apaixonado por alguma de nossas espadas ou coisa assim, considerando que estava olhando diretamente para nós dois.

— Kururi…!? Eliza-san…!?

“Bem, quem exatamente era essa pessoa que sabia o meu nome? Apesar de que ele errou o da Eli por um triz.”

Olhei para o lado e perguntei “quem é?” com o meu olhar. Ela balançou de leve, provavelmente dizendo “não faço ideia”.

— Ah! Talvez você seja o proprietário do mercantil? Os tomates estavam ótimos hoje. Seja bem-vindo à nossa loja.

— N-não, não é isso! Sou eu! Rail! Rail Rain!

Rail Rail Rain? Hmm, sinto que já ouvi isso em algum lugar.”

— Ei, é o doutor. Sabe, aquele que viaja.

— Ah, aquele.

Então a Eli se lembrou. Fora que foi ele que tinha vindo na ferraria para comprar uma espada. Espera, por acaso ele veio aqui para devolver!? NÃO FAZ ISSO, POR FAVOR!”

— O PROBLEMA NÃO É ESSE! Bem, é verdade que agora sou um doutor, mas… por que vocês não estão me reconhecendo!? Sou eu, nós somos amigos! Por onde vocês andaram durante esses três anos!?

— Hmm? Aqui… não é, Eli?

— Bem, é verdade, mas…

— Por que vocês estão agindo assim!? E como é que podem estar tão calmos!? Eu é que estou agindo estranho!? EI, SOU EU QUE ESTOU AGINDO ESTRANHO??? NÃO, A MINHA REAÇÃO É QUE É A CERTA!!!

O que aconteceu com esse cara? De repente ficou bastante tenso. Parece que ele nos conhece de alguma forma, mas não consigo dizer bem.”

 — …Eli, você poderia fazer um pouco de chá? Deve ter algum que serve como tranquilizante, certo?

— Sim, parece uma boa ideia. Apesar de que não temos nenhum que possa derrubar uma pessoa.

— Não, não, não! Eu estou completamente normal aqui!

— Querido freguês, venha para a parte de trás da loja. Qual chá seria de sua preferência, chá preto ou verde?

— …Chá preto! Mudança de planos! Agora que chegou a isso, vou ficar aqui por quanto tempo for preciso! Isso é, se me deixarem. Mas, de qualquer forma, vou querer alguma coisa para comer também!

O homem deu a impressão de ter se recuperado um pouco. Apesar de que acabou declarando que iria ficar por um bom tempo… é isso, pode ser problemático.

Mas que cliente eu fui arrumar depois de um dia cansativo…”

 


Tradutor: Rudeus Greyrat | Revisor: Asura


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