SRVF – Volume 7 – Capítulo 3


Fazendo uso dos fundos que recebemos de Poli-san, eu montei uma ferraria na casa onde estávamos. Nesta cidade repleta de ferreiros, não seria estranho que houvesse um grande número de pessoas especializadas nessa área.

— Você realmente consegue fazer espadas, não é?

Após completarmos todos os preparativos, Eli revelou a sua descrença em mim. Depois de passar alguns dias vivendo com ela, comecei a entender um pouco melhor sobre a sua personalidade. Apesar de ser realmente uma belezinha quando permanece quieta, no momento em que resolve abrir a boca apenas palavras duras sairiam dela. No entanto, também estive ciente de que esta garota possuía um lado tsundere, portanto, aguardarei pacientemente pelo dia em que ela o mostraria, enquanto suportava suas provocações.

— Vou criar uma espada espetacular e, se quiser, posso até mesmo fazê-la única, para ser especialmente sua, Eli.

— Eh, é isso mesmo? Pois então irei aceitar a sua oferta, grande ferreiro lendário, “Kururi-san”.

“Uugh… então ela descobriu.”

Em respeito a este tal de Kururi Helan pelo qual tenho um estranho senso de rivalidade, depois de ver uma de suas obras, que fazia parte da série Kururi, tive a impressão de que poderia fazer algo no mesmo nível. De fato, a espada que terminei na ferraria do velho Barol não era nada inferior à elas. Entretanto, tendo alguém ciente de que tomei emprestado o nome da pessoa ao qual estava me opondo, causou-me um sentimento terrível de embaraço.

— Nestes últimos dias comecei a aprender várias coisas e, entre elas, a respeito de uma pessoa chamada Kururi Helan. Ao que parece, ele era uma homem capaz de criar excelentes espadas mesmo com o mais barato pedaço de sucata. Portanto, vou manter as minhas esperanças em você, meu caro “Kururi”-san.

Eli dirigia essas palavras para mim enquanto alegremente limpava as janelas. Ela era muito habilidosa em colocar pressão nas pessoas, quase fazendo com que o meu coração sucumbisse aos seus ataques quase que naturais. No entanto, eu estava certo de que um dia o seu lado tsundere iria florir. Minha confiança neste sentido era absoluta. Se continuasse a esperar, o seu “dere” seria presenteado a mim muito em breve!

De repente, alguém bateu na porta.

Por causa da inauguração, recebi alguns presentes dos outros vendedores, então fiquei imaginando o que poderia ser dessa vez enquanto abria a porta. Do outro lado, havia dois homens em pé que me cumprimentaram com um sorriso caloroso.

— Olá. Nós viemos aqui deixar a placa para a loja que você encomendou.

Uau! A placa, que poderia ser até mesmo considerada o rosto da loja, finalmente chegou!”, instruí aos dois que fixassem ela na porta principal.

Ao que parecia aqueles dois estavam bem acostumados com esse tipo de serviço, visto como eles facilmente a instalaram e vieram até nós.

— E então, o que acha?

Olhei atentamente para a placa. O nome da loja estava escrito em três cores diferentes, azul, vermelho e preto.

Ferraria Eli&Kururi.

— Uau…

Acidentalmente deixei escapar os meus pensamentos. Eli estava escrito com a tinta azul, enquanto que Kururi em vermelho. Por fim, o restante foi deixado em preto usando uma fonte chamativa.

— Fi-ficou ótima!

— Hmm, já eu acho que está… aceitável.

Em contraste a mim, Eli parecia bem calma, mas eu sabia que na verdade ela estava bem feliz. Isso era algo que notei nesses poucos dias em que estivemos juntos. Na verdade, essa garota tinha a mania de esconder suas emoções quando estava alegre e quando resolvia mentir, seus olhos iriam se fechar. Nesse momento Eli estava fazendo exatamente isso com os braços cruzados.

Havia ainda outra razão que me fazia acreditar que ela estivesse apenas tentando parecer calma. Quando Poli-san sugeriu que encomendássemos uma placa, acabamos tendo uma briga sobre quem teria o nome colocado na frente. Isso poderia soar infantil, mas para nós, era algo muito importante. No final, acabei perdendo a disputa, mas vendo sua alegria na hora que saiu vitoriosa, pude sentir como ela estava apegada à loja. Ao menos mais do que eu, se posso dizer.

Após a saída dos artesãos, nós passamos um tempo admirando a placa. Por alguma razão, uma estranha sensação de que fosse algo natural abrir uma loja começou a tomar conta de mim. Apesar de ter perdido todas as minhas memórias, um sentimento de autossatisfação, como se tivesse realizado um grande sonho, começou a brotar em meu peito. Que coisa esquisita.

— Fico imaginando que tipo de relacionamento nós tínhamos antes. — Eli fez essa pergunta enquanto ainda admirando a placa.

— …Quem sabe, rivais de negócios?

— Você não tem qualquer espírito aventureiro, não é? Estou realmente impressionada.

Então qual seria a resposta correta!? O que seria esse espírito aventureiro do qual a senhorita sabichona está falando, hã!? Explique melhor para que até um cara imaturo como eu possa entender!”

Ao retornar para dentro da loja e confirmar que todos os preparativos preliminares estavam completos, decidi forjar algumas espadas. Eu iria me concentrar e colocar tudo o que tinha para criar alguma coisa grande. Assim, para não perder para o cara de quem peguei o nome emprestado, coloquei toda a minha determinação em me tornar um incrível ferreiro. Desse modo, dediquei tudo de mim para trabalhar seriamente, mas a dona Eli, não tendo coisa melhor à fazer, veio para dentro também e sentou ao meu lado a fim de matar o tempo.

— Bora, começa logo isso aí.

Esse tipo de coisa supostamente é para se fazer sozinho, sabia? Tipo, concentrar em uma batalha interna contra si mesmo, forjando uma espada absoluta no processo! Então, ter alguém assistindo acaba com o clima, deixando as coisas bem difíceis de se fazer.”

— Darei-lhe a honra de minha companhia, então comece.

— […].

Tentei protestar a ela com um olhar sorrateiro, mas acabou não surtindo efeito. Sério, essa garota não entende nada sobre paixão masculina. No entanto, aprendi dolorosamente nos últimos dias que sairia machucado se tentasse argumentar com ela, então fiquei calado.

Essa vai ser a minha primeira espada… aquela na loja do velho Barol não deve ser levada em conta. Apesar de que muito provavelmente já forjei várias delas antes de perder a memória, mas todas essas não entrariam na conta também.”

Finalmente, a espada que faria minha grande estréia… ou supostamente deveria ser assim, mas havia alguém batendo na porta novamente. Todos os lojistas da área já tinham vindo nos cumprimentar, então poderia ser um cliente? Isso foi rápido, rápido demais! As prospectivas futuras da loja estavam subindo melhor do que o esperado.

Eli foi atender à porta.

De onde eu estava podia ouví-la recebendo calorosamente o visitante. Para falar a verdade, minha maior preocupação era se ela podia ou não receber os fregueses com aquela jeito arrogante, mas, pelo visto, não seria um problema.

Deixando essa questão nas mãos dela, decidi me focar no que podia fazer. Ou ao menos foi o que pensei de novo, mas Eli trouxe dois homens para dentro da loja.

— Um homem de cabelos ruivos… Kururi, essas pessoas provavelmente estão procurando por você.

Quando me virei para trás, o que encontrei foram dois rostos familiares. Tratava-se do velho Barol e o Aventureiro daquele dia.

— Ah, são vocês dois. Parece que nos encontramos novamente.

— É mesmo. Mais importante, então teu nome é Kururi, hein? — O velho Barol tinha um olhar surpreso.

— Ahaha, não é isso. Na verdade eu não consigo me lembrar, então peguei emprestado o nome que vocês falaram da última vez. Bem, vocês podem pensar nisso como uma oração para que eu me torne um ferreiro habilidoso como essa pessoa era.

— Ah, agora entendi. Eu achei que tu era um nobre, então fiquei surpreso. Ah, e foi mal por ter sido rude naquele dia.

Ele abaixou sua cabeça para mim e até mesmo o Aventureiro que estava ao lado dele se curvou.

— Eu me enganei pelas aparências e subestimei as suas habilidades. Depois que vi a espada que tu terminou, entendi na mesma hora que não era uma pessoa qualquer. Por favor, aceite o nosso pedido de desculpas.

— Ei, vocês não precisam esquentar com isso.

Afinal, recebi o dinheiro para comprar alguns pedaços de torta. Para mim isso nos deixava quites.

— Eu também gostaria de me desculpar. Depois de ver uma espada tão bonita, acabei  me apaixonando por ela. Se Barol-san não tivesse insistido que tinha sido você quem a terminou eu não teria acreditado. Mas no fim, a verdade é essa, não é?

Até mesmo o espadachim pediu desculpas com uma expressão séria.

— Sim, é…

Cara, isso me deixa com vergonha…”

— Por que você está fazendo esse rosto embaraçado? Seja digno e orgulhoso de si. Afinal, você é o proprietário dessa loja, não é?

Eli se aproximou de mim e deu suas palavras de encorajamento. Hã? Espera, foi impressão minha ou ela acabou de dizer que eu era o proprietário? Tentei dar uma espiada no rosto dela, porém, seus olhos estavam fechados.

Ah, já sei! Ela estava contente também, não é? Ela ficou feliz ao me ouvir ser elogiado!? Posso ter acabado de presenciar um lado meigo dela!”

— Então, tu lembra da espada da série Kururi daquele dia? Você disse que poderia consertá-la, certo?

Seguindo as palavras do velho Barol, o espadachim trouxe para mais perto o pacote que estava segurando e entregou-o a mim. Era a Amatsu, uma das espadas de nível santa da série Kururi. Assim como antes, achei que fosse uma espada maravilhosa, mas era uma pena que o seu estado continuava o mesmo de quando a vi pela última vez.

— Sim, acho que posso ajeitá-la.

— Depois de ver a espada que você completou, suas palavras se tornaram mais confiáveis do que nunca. Então, podemos lhe requisitar que conserte essa espada?

— Claro.

O espadachim colocou a mão em sua carteira, retirando dez brilhantes moedas de ouro.

— Eu quero que você repare a Amatsu e também me venda a espada que completou no outro dia por mais dez moedas de ouro Kudan. Isso seria o bastante?

“Bem, vou expressar os meus pensamentos mais sinceros sobre isso.”

Não faço a menor ideia do preço de mercado e minhas memórias sobre isso também foram completamente apagadas. Nós pedimos à Poli-san alguns fundos para abrir a loja, mas o valor estava em torno de duas moedas de ouro. Se com apenas duas conseguimos abrir uma loja como essa, então posso dizer com toda certeza que uma moeda vale uma quantia substancial. E você ainda está querendo me oferecer dez delas? Essa era uma oferta absurda que não conseguiaonsigo nem imaginar o real valor disso Se possível, eu gostaria de fazer um acordo apenas depois de descobrir quantos pedaços de torta poderia comprar com essas moedas. Assim, o preço iria com toda certeza ter um impacto mais claro no meu coração.

— Tudo bem, já entendi. Vou te oferecer 12 moedas então!

Enquanto ainda estava perplexo, imaginando qual seria o valor de mercado, eles se adiantaram e aumentaram a oferta em mais duas moedas de ouro.

Skill: [Negociação] foi adquirida!

— Eli, o que você acha?

Em momentos difíceis, eu só precisava contar com a ajuda da Eli. Vendo-a lidar tão rápido com as negociações nos últimos dias, decidi que dependeria mais dela.

— Se você estivesse requisitando o mesmo serviço ao ferreiro lendário, Kururi Helan, quanto estaria disposto a pagar?

— Ao lendário Kururi Helan…?

O espadachim olhou para baixo e começou a pensar. Então, olhou o velho Barol, como se estivesse pedindo sua opinião.

— Hmm, bem se fosse eu, daria tudo que tinha só pra ver as habilidades dele. Isso seria umas 20 moedas de ouro Kudan. Se num tô enganado, isso é mais ou menos quanto vale a Amatsu, né?

— Está certo, então pagarei as 20 moedas de ouro aqui e agora! Com isso, eu gostaria de comprar a espada nova e requisitar a manutenção da Amatsu.

— É isso o que ele está dizendo. Portanto eu peço que você, o proprietário, faça a decisão final.

Pelo visto, depender da Eli foi a escolha certa. Além disso, a sua consideração por mim era assim tão alta?

Não só os nossos ganhos foram elevados como ela ainda conseguiu para mim um serviço à mesma altura que o lendário ferreiro Kururi Helan. O desafio aumentou um bocado também, mas, mais do que qualquer coisa,  a chance de superar aquela pessoa me trazia uma enorme alegria. Assim, decidi que daria o melhor de mim em reparar a espada diante de mim.

— Tudo bem! Vou aceitar esta oferta como o primeiro trabalho da Ferraria Eli&Kururi!

“Eu mal posso esperar para saber quantos pedaços de torta nós conseguiremos comprar com essas vinte moedas de ouro! Bem, agora vou concentrar todos os meus nervos em reparar a espada!”

Eli preparou dois assentos. Um para o velho Barol e outro para o espadachim, já que ambos queriam me ver trabalhar. Ela inclusive ficou de pé atrás deles, olhando nessa direção. E assim, finalmente comecei o reparo seguindo a minha intuição.

Esta espada criada por Kururi Helan era realmente admirável, não mostrando inicialmente qualquer falha aos meus olhos. No entanto, conforme comecei a trabalhar, diversos erros foram surgindo e, enquanto os corrigia, prossegui agilmente com o serviço.

Estranhamente, consegui imaginar até mesmo a posição que o Kururi estava quando havia forjado sua espada. Como se dois amigos estivessem juntos dele, em um quarto, enquanto terminava a espada no meio de todo aquele barulho. Essa era uma situação realmente caótica, só de pensar que ele foi capaz de criar uma espada tão boa ainda assim, fez com que a minha admiração por sua habilidade crescesse mais um pouco.

Eliminando os defeitos que ele deixou passar durante aquela situação, fui capaz de trazer de volta a Amatsu em um estado ainda melhor do que originalmente possuía. O velho Barol, o Espadachim e até mesmo a Eli olharam para a espada com as bocas amplamente abertas.

— Um balanço… “cada um de seus balanços valia uma moeda de ouro”, foi isso que um certo nobre disse ao assistir o manejo de uma das espadas da série Kururi… Realmente, eu sinto como se fosse algo assim.

— É, não duvido nada. Se eu posso ver isso com só 20 moedas de ouro, então tá é muito barato.

Os dois ficaram profundamente comovidos e foram incapazes de deixar a nossa loja durante um tempo. No final, já era noite quando partiram. Eles foram os únicos fregueses que tivemos naquele dia, mas os nossos ganhos tinham sido tão altos que o meu humor estava ótimo. E o mais importante: “Você é realmente incrível, Kururi. Acho que vou começar a mostrar um pouquinho mais de respeito daqui para frente”.

Fui capaz de ver o lado “dere” da Eli, então hoje o dia foi espetacular!

 


Tradutor: Rudeus Greyrat | Revisor: Ma-chan


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