SRVF – Volume 6 – Capítulo 7


Eliza, O velho Moran e eu,  sentamos em volta da mesa tomamos o chá que Petel nos serviu.

— Então, em outras palavras, agora tudo está nas mãos do Jovem Mestre.

— Acho que não temos escolha. De acordo com a história de Harp, apenas alguém que carrega o sangue de Helan será capaz de quebrar a maldição, nari.

— Portanto, Kururi-sama é realmente o salvador da lenda.  Estou realmente impressionada.

“Eu  pensei…  que seria algo mais como, ‘Vamos trabalhar juntos!’, mas não parece que estão jogando tudo para cima de mim?  Estou me sentindo meio que abandonado!”

— Com isso, nossa participação termina aqui. Petel, Eliza-sama, por que não desfrutamos de uma pequena disputa em um jogo de tabuleiro?

— Mas que excelente idéia, nari!  Eu não irei perder, nari!

— Suponho que não tenhamos escolha.  Mostrarei a vocês dois a verdadeira força de uma jovem dama.

“…ELES ESTÃO REALMENTE JOGANDO TUDO PARA CIMA DE MIM???”

— Deixando a brincadeira de lado… sobre o seu treinamento, Jovem Mestre. A minha perspectiva é que o senhor levará um mês para completá-lo com as minhas instruções.

— Vou te ajudar também, nari! Não subestime todo o tempo que dediquei na minha investigação, nari! Com a minha ajuda, levaremos apenas 3 semanas, nari!

— Fufufu, vocês não estão esquecendo de mim? Vou mostrar aqui e agora o segredo de como a minha família produziu tantos exemplares de indivíduos perfeitos ao longo das gerações. Vejamos… Acho que serão duas semanas. Em duas semanas, Kururi-sama será capaz de terminar seu treinamento com a minha ajuda!

“E-ei, o que é que tá rolando aqui???”

— Duas semanas!? Ah, que estimativa maravilhosa! Sendo assim, acredito que ainda tenhamos bastante tempo antes que o território seque e morra completamente… Nesse caso, por que não temos uma pequena partida enquanto isso?

— Eu definitivamente, definitivamente não irei perder, nari!

— Suponho que devo mostrar aos senhores que estou em um nível completamente diferente.

“Que se dane, vou treinar sozinho mesmo…”

 

 

◇◇◇

 

 

Livro de Magia, Volume 5.

Ao sair da cabana, sentei-me na sombra de uma árvore, assim eu poderia dar uma olhada no livro novamente. Depois de conhecer a história por trás daquele livro, ele tinha um peso muito maior para mim agora. Não apenas fisicamente falando, mas também o peso das emoções passadas de tantas gerações que lutaram para proteger o território. Eu já tinha lido a introdução do livro. Ela sozinha deixava claro porque apenas este volume havia sido escondido por todo esse tempo.

A intenção dos volumes 1 ao 4 era desenvolver as habilidades de Feiticeiro que carregasse as mesmas propriedades do redemoinho em sua magia. Entretanto, o processo criado por Helan também estava repleto de feitiços com utilidades universais. Isso explicava porque mesmo pessoas sem a propriedade do redemoinho haviam lido eles por tantas gerações. Dessa forma, os quatro volumes circularam livremente pelo território, sendo fácil para o velho Moran e os outros os acharem quando ainda eram jovens.

O problema estava no quinto livro. Seu conteúdo era algo necessário apenas para quem tivesse concluído os processos dos outros quatro volumes e carregasse a propriedade do redemoinho. Tudo isso para conseguir quebrar a maldição.

O futuro era algo incerto e apenas um número limitado de pessoas precisariam deste livro. Assim, quando as próprias memórias sobre a existência da maldição começaram a desaparecer, este livro foi deixado nas sombras da história. Se não fosse por pessoas como Harp, Petel e o velho Moran, talvez ele nunca tivesse visto a luz do sol outra vez, mas agora, este livro emitia uma forte presença através de suas páginas, como se o destino o houvesse guiado até o presente momento.

“Tu que completastes os quatro volumes, de certo, o redemoinho tornou-se ativo outra vez.”

De repente, tal sentença apareceu enquanto eu lia. Recentemente isso tem sido algo que tenho experimentado muitas e muitas vezes. Devorar a abundante magia contida em gemas mágicas, absorvendo a magia dos outros e então o despertar. Tudo isso já havia acontecido, então continuei a estudar o conteúdo das páginas.

Em algum momento, a minha concentração foi interrompida. Notei que os arredores se tornaram estranhamente quietos e nenhum som vinha da cabana de Petel.

Quem sabe… aquela coisa de uma partida de tabuleiro tenha sido só uma desculpa e eles estejam me dando algum tempo para estudar esse livro em paz!”

— HAHAHAHA! Parece que eu venci afinal, nari!

“…Ou ao menos era o que eu queria acreditar.”

Graças ao tempo livre, consegui ter uma boa noção do conteúdo do livro. Tinha um monte de detalhes, mas de maneira geral, era preciso quatro passos para completar o feitiço:

  1. Abrir seu redemoinho para absorver a magia dos outros.
  2. Obter uma quantidade imensa de energia pura.
  3. Despejá-la toda de uma vez.
  4. Absorver a energia mágica que possui a propriedade da morte.

E é isso.

Com relação aos itens um e dois, eu já tinha experiência com eles. O despertar que tive foi descrito no livro. Doenças e feridas seriam curadas, e eu obteria uma quantidade massiva enorme de poder mágico.

Os únicos que restavam eram os passos três e quatro.

Despejá-la toda de uma vez. Aparentemente, depois que comecei a estudar os livros mágicos, meu redemoinho foi se abrindo gradualmente. O que eu precisava fazer agora era liberar todo o poder acumulado até o presente momento… Só em pensar nisso já me causava um frio na espinha. Quanto poder eu teria acumulado até hoje? Não havia nada mais assustador do que isso.

Falando em assustador, o último passo da lista também preenchia essa descrição: “Absorver a energia mágica que possui a propriedade da morte”. Isso significa que irei morrer? De volta na academia, tive uma aula sobre como membros do sindicato do crime usavam magia com propriedade da morte para cometer assassinatos. Entretanto, foram criadas leis extremamente restritas para desincentivar o seu uso e nenhum feitiço do tipo seria de acesso ao público. Seria um desafio e tanto achar alguém capaz de usar algo assim.

Eu precisaria da ajuda daqueles três viciados em jogos, para isso seria importante contar a eles o que descobri e tudo que havia me acontecido até hoje.

Depois explicar a questão de que todo o poder que acumulei precisava ser expelido e sobre a absorção de magia com propriedade da morte, fiquei grato ao ver como Eliza se mostrou sensibilizada com o meu problema.

— Sinto-me tão envergonhada em levar a sério um mero jogo… enquanto você estava pesquisando algo tão importante…

Vocês estavam mesmo jogando!?”

— Ao invés de implorar para participar também, o senhor decidiu dedicar seu tempo livre estudando como quebrar a maldição. Estou realmente tocado em como o senhor amadureceu, Jovem Mestre.

É claro que eu amadureci!”

— A nossa partida foi bastante proveitosa, nari. Mas este garoto que se parece com a Harp, também usou seu tempo para algo proveitoso, nari.

Também proveitoso!? Passar a tarde jogando ou buscar uma forma de lidar com a maldição possuem o mesmo peso???”

— No entanto, isso é algo muito interessante.

— De fato, nari. Realmente, não é tão ruim poder viver por tanto tempo, nari. Nunca imaginei que meus longos anos de pesquisa seriam um dia uteis de tal maneira, nari.

Os dois velhos começaram a se vangloriar sobre suas descobertas um para o outro, cheios de confiança. Enquanto eu não tinha idéia de como dar o primeiro passo nos itens três e quatro, os dois pareciam já saber a resposta.

 


Tradutor: Rudeus Greyrat | Revisor: Ma-chan


Se você gostou deste capítulo, CLIQUE AQUI, solucione o Captcha e aguarde

por 5 segundos, assim estará apoiando o tradutor e a equipe de revisores!



Fontes
Cores