SRVF – Volume 3 – Capítulo 2



— Não diga bobagens, Crossy é um homem. — Eu corrigi Rail, mas estava curioso sobre essa história dele não ser capaz de voltar. Por hora, iria corrigir o engano de nosso futuro médico.

— Não, Crossy é uma garota e, além disso, uma Princesa.

— O que? — O que diabos esse cara está dizendo? 

— Uma Princesa?

— Sim, pode ser de um pequeno país, mas ainda assim uma Princesa. Ela foi temporariamente exilada para o nosso reino devido a algum tipo de conflito interno… O quê? Vocês ficaram juntos por tanto tempo, mas não sabiam?

— Hmm… Sim…

Minha boca estava tão aberta que poderia bater no chão a qualquer hora.

— Está falando sério?
— É claro.

Eu olhei para o Vaine, que também ficou surpreso. Parecia que ele estava tentando dizer alguma coisa, mas nenhum som saiu, no entanto, eu era capaz de compreender os movimentos de seus lábios e o que ele dizia era — WHAT HEEELLLLL!!!

Crossy era uma garota. Quero dizer, fizemos várias coisas juntos, a toquei aqui e ali tantas vezes… — Isso não seria assédio sexual!? Mas mais importante, ela é uma Princesa!!!

Eu sabia que ela fazia muitas coisas de forma elegante e tinha uma aura real… Mas, fala sério… Cara, isso só me surpreendeu!

— O que vocês vão fazer?

— O que você quer dizer com “o que nós vamos fazer”? — Eu realmente não entendi o significado da pergunta.

— Bem, eu disse que ela voltou para seu país. Vocês não serão capazes de vê-la a menos se forem lá.

— É assim mesmo?

— Claro. Ela é uma Princesa e não poderá mais vir à escola.

— Mas, você sabe, hoje temos…

— Cabule.

Ah sim, havia essa opção. Cara, quando eu me tornei tão puritano ao ponto da ideia de cabular aula nem aparecer na minha cabeça?

— O que devemos fazer, Vaine, hein? — Perguntei mesmo sabendo a resposta. 

— Vamos lá, Kururi.

Tudo bem, vamos lá!! — Mal chegamos na escola e já saímos novamente. Os dias na carruagem junto ao Vaine continuaram e eu estava muito contente por estar com ele, mas por algum motivo, o Rail veio também. De certa forma, três caras em uma carruagem não era uma boa sensação.

Eu me pergunto, como Crossy se sentia quando estava conosco.
Não adiantava pensar nisso agora, mas essa era a única coisa em que eu conseguia fazer na carruagem. Quando nós três saíamos para treinar, eu me divertia muito e acho que era o mesmo para ela. O Vaine podia não estar falando muito agora, mas tenho certeza que ele estava pensando na mesma coisa.

— Kururi, o que você vai dizer quando chegarmos lá?

— Eu não sei.

Antes eu poderia falar com ela normalmente, mas depois de considerar sua posição e seu segredo, simplesmente não sei mais o que fazer.

Demorou duas semanas para chegarmos até o país onde Crossy vivia. O lugar era bastante rural, mas a área perto da Capital foi bem agitada. Ouvi dizer que o forte do país era a pesca e pelo que podia ver, não havia muitas coisas aqui, mesmo assim, as pessoas pareciam alegres.

Quando chegamos ao Palácio, o Rail havia mexeu os pauzinhos e nos permitiram entrar imediatamente. Eu pretendia apenas invadir e aparecer do nada como algum tipo de herói, mas, depois de reconsiderar, achei que seria muito imprudente. 

Fomos levados ao quarto de hóspedes, onde nos ofereceram comida e livros para aguardarmos, mas não conseguia me manter calmo, até que a porta se abriu e Crossy apareceu. Ela estava usando um lindo vestido e a maquiagem em seu rosto combinava perfeitamente com ela.

— Crossy!!!

— Shishou! Vaine! …Quem é esse outro cara?

Ela não sabia sobre o Rail, mas ele sabia sobre seu segredo. Esse cara é realmente assustador!

— Oh, não se preocupe com ele, mas fiquei surpreso com você.

— Sim, sinto muito por isso. Foi uma situação complicada.

— Ah, está tudo bem, estou feliz que você esteja segura.

— Sim, a situação mudou e tive que voltar. Durante as férias eu já havia abandonado a academia, mas me senti arrependido por não poder dizer adeus a vocês. Sou muito grato que tenham vindo me visitar.

Crossy levantou o vestido e se curvou como uma Princesa… Como uma Princesa, acho que ele, digo ela é realmente…. — De alguma forma, nesse momento me convenci e me entristeci pelo fato de não poderíamos mais nos ver.

— Hmm. Shishou, aquele cara está zangado? — Crossy sussurrou para mim perguntando porque o Vaine ainda não disse uma palavra.

Quando olhei para trás, ele olhava pela janela o sol distante. — Chegue mais perto Vaine, você não queria ver a Crossy?

— Vaine. — O chamei, mas ele continuou de costas.

— Eu estou bem. — A forma como me respondeu foi exatamente igual à que ele fazia com estranhos. Um tom hilário e sem o menor afeto.

— Vaine, você tem certeza? Esta pode ser a última vez nos vemos.

Ele continuou em silêncio, mas seus ombros caíram. Acredito que o Vaine tinha várias coisas que queria dizer, mas o que o estaria impedindo?

 

 

— Shishou, me desculpe, mas não tenho muito tempo agora.

— Você já vai?

— Eu sinto muito, mas há um monte de problemas por causa das disputas internas no país. Assim, tenho muitos negócios para atender, mas por favor, aproveite a sua estadia. Posso não acompanhá-los, mas com certeza virei dizer adeus quando partirem.

— Entendo, você tem seus problemas. Embora eu queria que pudéssemos conversar mais.

— Sim, eu também queria conversar mais… — Vaine, a quem ela era mais próxima não disse uma palavra, deixando-a com o coração pesado.

No final, ele não disse uma palavra. Ficamos com sentimentos de desamparo e inutilidade naquele dia e decidimos que, depois dessa noite, voltaríamos para Kudan. Eu pensei em várias coisas naquela noite, mas não ser capaz de ver a Crossy me deixou bastante aborrecido. Tinha certeza de que o Vaine sentia o mesmo, mas, porque não disse nada? Estava convicto de que se fosse ele, poderia persuadí-la. 

— Kururi-kun, não consegue dormir?

O Rail também estava acordado e o Vaine havia saído para uma caminhada. Aparentemente, nenhum de nós conseguia dormir.

— Sim, não consigo.

— Devo cantar uma canção de ninar para você?

— Não, obrigado.

— Um abraço?

— Não, obrigado.

— Quer usar meu braço como travesseiro?

— Boa noite, Rail.

— Eh?

Eu ignorei aquela estupidez e fui dormir. Felizmente, meus pensamentos se aquietaram.

— Ei, Kururi-kun, tem alguém de quem você gosta?

Eu joguei um travesseiro em seu rosto e ele finalmente ficou quieto. Foi uma noite horrível.

 


Tradutor: Rudeus Greyrat | Revisor: Ma-chan


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