SRVF – Volume 3 – Capítulo 1



O Território Helan finalmente voltou a ser pacífico. Pudemos passar o resto do calor do verão em um clima descontraído, no entanto, agora as férias acabaram e as aulas iriam retornar. Esse verão parecia ambos, curto e longo, com muitas reviravoltas, mas finalmente retornar à escola era algo excitante. 

Vir para o meu quarto no dormitório depois de um longo tempo, me causava uma sensação estranha, misturando nostalgia e bem-estar. Este era um quarto excelente, com muito espaço, ensolarado e um rapaz bonito em um canto… — Um rapaz bonito em um canto?

— EI, POR QUE VOCÊ ESTÁ AQUI? — Por alguma razão, Rail estava no meu quarto. 

Por que ele está aqui? Onde ele conseguiu as chaves? 
Por que ele está tomando chá e lendo um livro? 
Por que, hã!? 

— O que você quer dizer com por quê? Nós não estamos em um relacionamento?

— Que tipo de relacionamento você está falando?

— Nós até já fizemos aquilo.

— Não! Nós não fizemos! — Por que esse cara já está me aborrecendo novamente? Meu irmão, isso é muito estressante!

— Bem, vamos deixar as piadas para mais tarde. Eu vim aqui porque fui o único a não ser convidado para sua casa.

— O quê? Se queria ir era só ter ido.

— Eu sei que até mesmo o Arc foi para o seu território.

— Sim, infelizmente ele foi.

— Eliza também.

— Sim, felizmente ela foi.

— Por que não me chamou?

Esse maldito é tão irritante! E sabem o que é ainda mais chato? Ele agora está fazendo uma expressão tão triste que até me faz sentir culpado!

— Falando sério, qual o verdadeiro motivo para ter vindo aqui?

— Ah, não, foi só por isso mesmo.

Oh, certo. É o Rail afinal. Claro que não havia mais nada. Cara, estou surpreso que ele tenha conseguido entrar no meu quarto antes de mim. Realmente surpreendente. Uau!

— Apesar de não ter qualquer razão para vir, ainda assim você veio só para me irritar?

— Bingo!

Ele lambeu os lábios e me encarou diretamente nos olhos. A forma como me olhava era o mais assustador de tudo.

— Se não tem qualquer assunto a tratar, vá embora.

— Eh!?

— O quê você quer dizer com “Eh!?”? Por que ainda está aqui?

— Porque…

— Não adianta fazer beicinho, você não é fofo, vá embora já!

Rail não foi embora e continuou me fazendo perguntas. De alguma forma isso se tornou um interrogatório e ainda por cima ele passou diversas vezes a mão na minha bunda. Não sei se suas ações foram conscientes ou acidentais, mas não sou homossexual, então isso não me agradava em nada.

Enquanto o interrogatório prosseguia, o Vaine entrou na sala. Ele deu uma batida estrondosa quando chegou, mas logo foi entrando. Me pergunto quando isso se tornou normal.

— Vaine-san, você pode me ajudar aqui? O Kururi-kun quer me expulsar do quarto à força.

— A única coisa usando força aqui é a sua mão na minha bunda, solte agora!

Vaine ignorou o pedido de Rail, mas disse para apreciar com moderação e se sentou em uma cadeira.

O quê diabos você quer dizer com “aprecie com moderação”? O quê diabos você quer dizer com “aprecie com moderação”? Filho de uma acompanhante noturna de aluguel?

Vaine estava simplesmente sentado ali esperando por alguém. Obviamente, esse alguém era o Crossy.

— Já faz um bom tempo. Não vemos o Crossy desde o início das férias de verão, não é?

— Ah, sim.

Foi uma resposta monótona, mas eu sabia que ele estava ansioso para vê-lo, já que sua perna estava inquieta.

Sério Crossy, venha já. Também sinto sua falta!

— Bem, já que as coisas estão para ficar animadas, vou ficar mais um pouquinho também.

Aproveitando-se da minha distração enquanto falava com o Vaine, Rail sentou-se ao seu lado, bebeu seu chá e retomou a leitura.

— Vaine-san também esteve no Território Helan durante as férias de verão, certo?

— Ah.

— Que legal, eu não fui convidado.

— É mesmo?

— Não é horrível não convidar a pessoa que você ama durante as férias?

— VOCÊ NÃO É MINHA PESSOA AMADA!

Sério, ele não é. Ok, sério, pare de olhar para mim com essa cara antes que eu dê um soco nela.

Enquanto esperávamos pelo Crossy, preparei um pouco de chá, do melhor tipo que podia ser encontrado em Helan. Tinha um forte aroma e sabor distinto.

— Quer um pouco também, Vaine?

— Ah.

Eu então peguei dois saquinhos e preparei o chá.

— E eu?

— Nenhum para você.

— Que horrível. Primeiro, você convida Vaine para o seu território e agora também lhe dá chá. Você está me traindo?

— Ok, eu vou te dar um pouco de chá, então não envolva Vaine nessa viadagem. — Desse modo, comecei a preparar mais uma xícara de chá.
A perna de Vaine ainda continuava inquieta e o Rail repetidamente tentava tocar minha bunda, mas falhava a cada vez.

Eu me pergunto, quando poderei ter o MEU quarto, SÓ para mim? Quando poderei ter um momento relaxante no MEU quarto? — Engoli o chá furiosamente.

De qualquer forma, por que o Crossy ainda não está aqui? Pensei que nós três poderíamos treinar juntos quando voltássemos para a escola. Ele ainda não retornou?

Vaine não pensava sobre essas coisas e apenas continuava esperando.

— Ele ainda não veio, hein?

— Ah.

Agora que penso nisso, Crossy não veio para Helan embora eu o tenha convidado. Ele tinha algum tipo de plano a longo prazo?

— Ah,  Crossy-kun não virá. — Rail disse algo e Vaine e eu nos voltamos para ele.

O quê você quer dizer com Crossy não virá? Por que você sabe disso?

— Bem, ela está passando por um pouco de dificuldade no momento.

— Ela?

— Ela?

 


Tradutor: Rudeus Greyrat | Revisor: Ma-chan


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