SRVF – Volume 2 – Capítulo 9



Depois de considerar um pouco, lembrei que o primeiro-ministro havia dito alguma coisa sobre pensar em sua posição e que existia uma pessoa acima do Rei. Mas nesse país, não haveria ninguém superior ao ele, objetivamente falando.

— Eliza, você me ajudou dizendo algo para o seu pai?

— Oh, eu não fiz nada para ajudá-lo.

— Talvez tenha dito alguma coisa sobre o Território Helan?

— Oh meu, será que falei algo? — Seu sorriso travesso já me dizia tudo. Sim, ela fez alguma coisa.

— Bem, vamos apenas deixar assim… mas obrigado, Eliza. Você me salvou.

— Oh, meu Deus , você estava com problemas de algum tipo? Eu apenas vim aqui visitar um querido amigo durante as férias de verão.

— Bem então, milady, posso ter a honra de apresentá-la aos arredores de meu belo território?

— Sim, muito obrigada.

 

 

Peguei a mão de Eliza como se fosse a coisa mais natural e a guiei até a mansão. Em meu coração eu secretamente gritei “Kyaa ~!”  depois de pensar em minhas ações, mas rapidamente fiquei calmo. 

Meu humor estava ótimo agora, então não queria que nada atrapalhasse esse momento de felicidade. De todo modo, andar de mãos dadas era algo permitido em nossa sociedade.

Convidei Eliza para a mansão e mostrei-lhe o jardim. Então lhe disse para aguardar um pouco enquanto eu ia pegar uma melancia. Cortei-a ao meio e a dividi novamente para fazer 4 pedaços na frente. Por fim, sentei-me ao lado de Eliza e lhe dei um pedaço.

— O que é isso?

— Essa é uma melancia, uma fruta fresca e muito saborosa.

— Uau, que fruta incomum. — Ela disse isso, mas logo em seguida deu uma mordida.

— Incrível, é realmente saborosa!

Eu a vi sorrir. Seu lindo sorriso estava bem diante dos meus olhos.

— Eu sei, certo?

Também dei uma mordida no meu pedaço,  estava doce e suculento.

— A propósito, o que devo fazer com as sementes?

— Ah, você faz isso. — Comecei a cuspir as sementes em minha boca.

Somente alguém profissional como eu, conseguiria cuspi-las tão longe, a ponto delas se perderem entre a vegetação ao redor.

— Essa é a maneira correta de saborear uma melancia, milady.

— Hmm… isso não é um pouco vulgar?

Agora que ela disse isso, senti que era muito vulgar.

— Certamente, não espero que uma mulher refinada como Eliza faça algo desse tipo.

Enquanto dizia isso, o som de uma semente sendo cuspida soou do meu lado.

— Sim, Eliza! Essa é a maneira correta de comer e saborear uma melancia!!!

— Eu recebi uma nota de aprovação?

— 110/100 pontos, acho que foi além da minha.

— É melhor cuspindo ainda mais longe?

— É melhor se você perdê-la de vista entre os arbustos enquanto está cuspindo.

Ela riu do meu comentário. Quando olhei para ela de relance, percebi que era linda e ficava especialmente bonita ao rir. Seus lábios umedecidos pelo suco da melancia eram mais mais atraentes do que qualquer coisa… Fingi continuar a comer enquanto secretamente olhava para ela.

Sim, ela é uma mulher verdadeiramente linda. — Acho que essa era a primeira vez que Eliza e eu conversávamos assim. Não havia mais ninguém em casa agora, estando apenas nós dois… Apenas nós dois… — Não, não, não! Não deixe que pensamentos maus entrem em sua cabeça, KURURI HELAN!

— Mas mesmo que atirar as sementes seja divertido, sinto que se elas não existissem, poderíamos desfrutar mais luxuosamente da melancia.

— Sim, mas tenho a impressão de que seria um pouco triste se fizéssemos isso.

— Oh, é mesmo? Bem, eu penso que eliminar os obstáculos é algo muito mais divertido.

Um calafrio percorreu minhas costas.

— Eliza, você vai ficar aqui por um tempo?

— Não, infelizmente eu só posso ficar aqui por hoje.

— Então deixe-me mostrar a você o que há de melhor em meu território. Tenho muito mais coisas bonitas para mostrar.

— Isso soa divertido, vamos.

Terminamos de comer a melancia e nos preparamos para sair., mas antes de irmos, decidi apresentar o Moran-jii para a Eliza. Então fomos até a Biblioteca para cumprimentá-lo.

— Este é o velho Moran. Moran, esta é Eliza Deauville, uma preciosa amiga que está visitando Helan hoje.

— Olá, é um prazer conhecê-lo. Sou Eliza Deauville. — Eliza se curvou graciosamente e cumprimentou o velho Moran.

— Bem, bem, bem, uma linda jovem veio cumprimentar este velho. — Ele levantou a cabeça do livro que estava lendo e sorriu para nós.

— O Moran-jii sabe de muitas coisas e tem me ensinado desde que eu era pequeno. Já o incomodei muitas vezes, mas ele aguentou tudo isso.

— Não, Jovem Mestre, o senhor não foi problema algum. Em verdade, você era tão comportado quanto uma garotinha.

— Moran-jii, você tem um jeito com as palavras que o faz parecer envelhecer cada vez que as diz. Deveria tomar cuidado, já não tem mais tanto tempo assim sobrando.

— Como esperado do Jovem Mestre, que jeito com as palavras, você tem a língua mais venenosa do mundo! Mas por favor não se preocupe, esse velho não morrerá até que cumpra suas ambições. — Moran então bateu no peito, mostrando que ainda tinha vigor. 

Pelo que vejo, esse velho ainda viverá até os  200 anos. — Pensando em tais coisas, senti-me aliviado.

— Senhor, os idosos devem cuidar bem da saúde e evitarem de fazer esforço excessivo.

— Sim, é exatamente como diz, senhorita Eliza. Uma mulher tão sensata e brilhante deve se casar em nosso grande Território Helan.

Elaa corou e escondeu o rosto enquanto Moran estava rindo. Parecia que os dois estavam se dando muito bem. Em apenas alguns minutos, eles começaram a se familiarizar e falar sobre a vida cotidiana. Embora Eliza pareça inacessível, na frente do velho Moran, se mostrava uma garota amável com quem se poderia conversar normalmente. Eu fiquei surpreso e também contente assistindo os dois.

Nós deixamos o velho Moran e seguimos para a ferraria do mestre Donga montados no mesmo cavalo, Eliza na frente enquanto eu segurava as rédeas. A vista era como se estivéssemos nos abraçando e isso me deixava muito animado. Ela cheirava tão bem e seu cabelo parecia liso e sedoso.

— Mestre, seu discípulo favorito voltou para visitar.

— Vá embora, seu tolo!

— Não irei! Eliza, este é o mestre Donga, que me ensinou como trabalhar com ferro e solda. Como pode ver, ele é um velho obstinado.

— Ha, eu posso ver isso.

Eliza parecia estar convencida pelas minhas palavras. Mestre como de costume, estava trabalhando duro.

— Ei, discípulo tolo, entre agora. Você quer algo para comer?

— Eliza, veja,  a técnica que ele acabou de usar é chamada de “Tsundere”.

— Tsundere?

— Sim “Tsundere”. Esta é uma técnica de alto nível que requer muita coragem e força de vontade para ser realizada. Ela envolve ser frio com alguém enquanto, no instante seguinte, ser gentil. Tem sido assim desde sempre, mas na verdade o mestre me adora.

— Hehe. Sim, posso sentir isso.

— Cale a boca, apenas entre já!

Entramos na sala e comemos os doces que o mestre ofereceu. Sou bem recebido aqui como de costume, ele realmente gostava de mim. 

— Essa é sua noiva?

Eliza novamente escondeu o rosto e, ao vê-la assim, Mestre Donga sorriu.

— Bem, não sei nada sobre as tradições dos nobres, mas também me casei quando era muito jovem. Então, se você precisar de alguma coisa para o casamento, apenas diga.

— Sim, Mestre. Tenha certeza de que virei lhe importunar.

— Além do mais, a garota que você tem aí é linda. Acho que ela vai ser uma boa mãe e esposa. Quando tiverem seus filhos no futuro, lembre-se de mostrá-los para mim.

— Com toda certeza, Mestre.

De alguma forma, nossa visita se tornou algo como “Apresentar a noiva aos meus pais”. Eu logo saí e terminei a conversa com meu mestre antes que ele pudesse dizer mais coisas desse tipo já que a Eliza estava agindo toda tímida. —  Como esperado do mestre Donga!

Depois de sairmos da ferraria, a levei para conhecer as fontes termais, mais precisamente, uma fonte muito especial cercada pelos jardins floridos.

Assim que entrei nas instalações da fonte, vi meu pai segurando garrafa do mais caro liquor disponível em Helan.

— Pai, o senhor também está aqui?

— Oh, Kururi! Sim, esse é o melhor. Estou bastante aliviado agora… Eh? Essa garota… Ela será minha futura filha? — Meu pai apontou o dedo para Eliza sem saber que se tratava filha da pessoa que quase o fez urinar nas calças hoje. 

Haha, deixe-me jogar um pouco de água fria em meu velho pai.

— Pai, esta é a filha do primeiro-ministro, Eliza Deauville.

— Ah, você… A FILHA DE AYAN-SAMA??? QUE RUDE DE MINHA PARTE. É UM PRAZER CONHECÊ-LA! — Meu pai fez uma reverência exagerada para Eliza e apertou sua mão. 

Estranho, geralmente essa seria a honra onde seu estômago doeria. Por que será!?

Meu pai fraco e inútil não tinha qualquer cautela em relação a Eliza. Pelo contrário, ele parecia se dar muito bem com ela e os dois falaram por um tempo antes que ele decidisse retornar para a mansão.

Então nós entramos na água, obviamente eu estava sozinho no banho dos homens, pensando no que havia acontecido hoje. Embora o encontro com o primeiro-ministro tenha sido difícil, fiquei feliz em poder ver a Eliza novamente e sua capacidade de se adaptar a todas as pessoas que conheceu me impressionou.

Acho que ela pode ter gostado. — Conhecer o velho Moran, meu mestre e até meu pai, que normalmente teria uma crise nervosa. Se continuassem assim, acabaríamos realmente nos casando antes do fim do dia. Em verdade, eu adoraria me casar com uma mulher tão bonita e pensei que seria um homem muito abençoado se pudesse.

 

◇◇◇



Sentindo o efeito de ficar muito tempo na água quente, saí e fiquei esperando pela Eliza na recepção. Quando ela veio, a achei ainda mais sensual do que antes e cena dela secando os cabelos com a toalha parecia especialmente erótica.

— Oh, ei, Eliza, como foi o seu primeiro banho em nossa fonte termal? — De repente, eu me senti um pouco nervoso. 

— Foi maravilhoso. Ainda há a fragrância das flores no meu corpo.

Não, você que é maravilhosa. — Mas eu não tinha coragem de falar isso.

Ela ainda estava enxugando o cabelo, por isso fiquei quieto admirando-a com meu olhar de cavalheiro. —  Não, espere, agora seria o meu olhar de pervertido.

— Quer algo para beber?

— Seria ótimo. Posso tomar chá gelado?

Eliza parecia realmente estar com sede, pois assim que lhe servi o chá e ela imediatamente o bebeu. De sua boca, uma gota escorreu ao longo do pescoço, misturando-se ao suor de sua pele, criando uma combinação bastante tentadora.

Eu lutei contra o impulso de tocar em seu cabelo inúmeras vezes até agora, então pare de me provocar! — Antes que eu percebesse, observei-a tomando o chá até o fim.

— Por favor… não me encare tanto…

Ei cara quantos anos você tem? Controle-se já! 
O que? Nunca viu uma mulher bonita antes? O que será que ela está pensando de mim? Só de imaginar me deixa deprimido…

— Graças a você pude passar um dia maravilhoso hoje. — Eliza, que terminou seu chá, começou a conversar. 

— Você gostou do meu território?

— Sim, foi muito bonito.

— Todos também te amaram, Eliza.

— Foi um prazer conhecê-los.

— Se tiver algum tempo livre, venha de novo. Sei que todo mundo ficará feliz em recebê-la.

— Sim, definitivamente voltarei. 

Quando saímos das fontes termais, chegou a hora dela retornar à capital. Me senti muito triste com isso, mas reuni forças para assisti-la partir em sua carruagem e depois voltei para casa em silêncio.

Eu me diverti muito. Agora que acabou, me pergunto por que fiz tudo isso hoje? Por que mostrei a ela todas as pessoas que me ensinaram e cuidaram de mim durante anos? Foi estranho, mas também foi bom.

Neste dia quente de verão, nós passeamos ao redor de Helan. Eliza parecia feliz e isso era tudo que importa para mim.


Tradutor: Rudeus Greyrat | Revisor: Ma-chan


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Nota: Desculpem a aleatoriedade da Ilustração para este capítulo, eu apenas pequei a página com a imagem mais bonita da Eliza e traduzi XDA Quanto a imagem abaixo, trata-se de uma ilustração do Vol 04, mas achei que ficava perfeita nesse capítulo.

 


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