SRVF – Volume 2 – Capítulo 8



Eu disse ao meu pai para deixar tudo comigo, mas não conseguia pensar em mais nada. Criar contramedidas para alguém como o primeiro-ministro era muito difícil e minha cabeça simplesmente parou de raciocinar. Para fugir da realidade, convidei o Vaine para pescar comigo.

— O que há de errado?

— Oh, nada está errado. Algo parece errado?

— Parece. É como da vez com a Iris.

E não é que ele acertou? — Iris e eu estávamos tendo férias terríveis. Pensar que o primeiro-ministro viria ao território, fazia o meu estômago doer. Era só em momentos assim que os peixes resolviam morder.

— Tenho outra mordida.

— Outro? Esse é o quinto.

Não me lembrava de ser tão bom em pescar. Os peixes me olhavam profundamente e pensavam — Ah, ele não está prestando atenção. É hora de pegar a comida —, mas eu estava de olho, afinal, vim aqui justamente para isso.

— Oh, outra mordida.

— De novo?

Vaine estava sendo esmagado por mim em sua própria especialidade. 

O que é isso? — Me perguntei. A sorte sempre estava ao meu lado quando confrontava inimigos poderosos tinha sido sempre assim, mas desta vez não sentia vontade de comemorar essa vitória sobre ele. Embora não era como se eu celebrasse esse tipo de coisa com frequência. Em verdade, eu vim pescar apenas para fugir da realidade, mas acabei pegando 10 peixes.

 

◇◇◇



O dia do julgamento final chegou e meu pai e eu estávamos com uma terrível dor de estômago naquele dia. Como não queria causar problemas para Iris e Vaine, pedi ao Lotson-san para levá-los até outra cidade, longe da mansão.

Um servo anunciou a chegada dos convidados, embora esta frase pareceu mais uma sentença de morte para a dupla pai-filho, e finalmente o primeiro-ministro entrou na sala.

A pessoa tinha um corpo muito magro e olhar determinado como os de Eliza, afinal eram pai e filha. Ele mostrava-se um senhor de idade muito atraente, então, eu poderia dizer com plena confiança que ele era a definição da palavra “Elegância”.

Atrás dele estava Marl. Sua chegada apenas arruinou a atmosfera da sala. Ele estava esfregando as mãos como um comerciante pronto para fazer negócios. Sua atitude não era  idêntica a de antes, mas, ainda assim tinha uma cara de porco.

— Bem-vindo. Por favor, sente-se.

Os dois sentaram antes que meu pai terminasse de falar. O pai de Eliza se portava com eminência, mas também tinha elegância em seus atos, não me causando desconforto com isso. Já o lorde Marl sorria como o Diabo e era deselegante como sempre.
— Toral Helan, já faz algum tempo, não é? Nós nos encontramos várias vezes na Capital, mas esta é a primeira vez que nos vemos cara à cara desde a escola, não é?

— Sim. Deauville-sama conversou comigo apenas algumas vezes nos tempos de escola, mas, apesar disso, nós víamos frequentemente.

Meu pai ficou completamente absorvido pela atmosfera e deu à eles a vantagem. Porém, não era como se eu pudesse dizer qualquer coisa sobre isso e eu mesmo fui também absorvido. Nós podíamos já estar perdendo essa batalha e a esse ritmo, acabaríamos concordando com qualquer coisa que dissessem.

— No entanto, quando vi o seu território, Toral, é lindo como sempre. As reformas e o avanço que você fez como senhor desta terra são realmente impressionantes. Você é o exemplo perfeito de como um Lorde deveria agir e gostaria que os demais seguissem o seu exemplo.

— Oh, não, eu não fiz quase nada. Meu filho é quem lidera as reformas e avanços em nosso domínio. Ele é verdadeiramente a jóia do meu coração.

— Oh, é assim? A pessoa que está ao seu lado, é seu filho…? Kururi, correto?

— Sim, me chamo Kururi Helan, sua excelência. — Dirigindo-se à mim de repente, acabei me apresentando por reflexo e por algum motivo, ele ficou me encarando os olhos. 

Se olhar para mim o fará mudar de ideia, por favor continue. Mas, se isso não irá mudar em absolutamente nada, por favor pare, meu estômago está começando a doer.

— Minha filha Eliza e Kururi são colegas de classe. Assim, ouvi muito a partir dela sobre você.

Ele ouviu muito sobre mim de Eliza… Oh, nós perdemos. Então ele ouviu sobre aquele incidente, hein? Bem, parece que é o fim de nossa família. Eu realmente sinto muito, pai!

— Humm, Senpai? O senhor poderia por favor passar para o tópico principal? — Marl mudou o tópico de volta para o evento principal.

Jurei por Deus, quando eu tivesse a chance, iria fazê-lo lamentar por esse dia. Este era o sentimento que estava percorrendo em minhas veias.

— Oh, sim, eu não tenho muito tempo livre nesse momento e gostaria de me banhar em suas famosas fontes termais, mas ainda tenho trabalho à fazer na Capital. O tópico central seria?

Meu pai e eu engolimos em seco. — Está tudo bem! Foi exatamente para isso que me tornei um ferreiro. Eu estava aguardando o dia em que nós cairíamos em ruína, então aprendi ferraria para que pudesse alimentar minha família como um ferreiro. — Com esse tipo de pensamento, consegui manter a calma.

— Ouvi dizer que você agrediu o meu Kouhai no outro dia, Toral.

— Sim, eu sinto muito por isso. Eu estou refletindo sobre meus atos.

Meu pai se levantou e inclinou a sua cabeça para Ayan Deauville. Ao ver meu pai assim, também inclinei minha cabeça para ele.

— Muito bem, não seja violento, Toral, você já não é mais jovem. Nós todos somos da mesma escola e nos conhecemos muito bem. Às vezes é bom resolver as coisas em um duelo, mas esses dias acabaram para nós.

— Sim, é como você diz.

— Sim, os tempos de quando éramos estudantes chegaram ao fim a muito tempo atrás. Se eu pudesse falar com o meu punho agora, eu faria, mas já que estamos todos em posições de poder, devemos ter o cuidado de não criar conflito entre nós. Agora, por favor, peça desculpas ao Marl e pague as despesas médicas.

— Sim, Lorde Marl, meu filho e eu sentimos muito pelo que aconteceu no outro dia e lhe pagaremos as despesas médicas.

— Ótimo. Essa é a atitude que nós cavalheiros devemos tomar. Agora, já que foi apenas um soco, vamos deixar no passado o que já foi passado.

Marl, o porco, estava sorrindo por que ao lado se encontrava um leão. O fato de eu ter que baixar minha cabeça para esse cara era nojento, mas se isso salvasse minha família eu faria isso. É frustrante, mas abaixarei a cabeça na esperança de que isso era tudo o que seria necessário para apaziguar o primeiro-ministro.

— Desde que Toral pediu desculpas, estamos acabados com este caso, certo Marl?

— Sim. Senpai, o senhor é confiável como sempre. — Marl esfregou as mãos novamente.

Espero que ele acabe queimando suas digitais.

— Ok, então irei retornar para a Capital, Marl.

O primeiro-ministro se levantou e bateu palmas para sinalizar que a discussão havia terminado. Até que o pai de Eliza era um homem bastante razoável, não é?

— EHHHHHHH!!!!!????? — Meu pai, Marl e até mesmo eu, ficávamos surpresos com o desenvolvimento dos acontecimentos e a afirmação do primeiro-ministro. A questão que todos nós tínhamos eram as mesmas: “Acabou? Foi só isso?”

— Senpai, o que você quer dizer com “fim”? — Marl, o culpado do incidente, manifestou sua reclamação.

— Sim, terminamos aqui. Não há mais nada a fazer, então vou voltar para a Capital.

— Por quê? Essa discussão ainda não acabou, Senpai. Se terminar aqui, então, ter lhe chamado não faria sentido.

— O que é agora? Você já recebeu um sincero pedido de desculpas de Toral. Não terminamos aqui?
— Não, Senpai. Eu nunca me importei com o pedido de desculpas. Eu não ligo para honra ou coisas assim. Eu só me preocupo com… — Marl parou de falar quando a expressão de Ayan Deauville mudou.

 

 

 

 

O ambiente na sala mudou completamente para uma atmosfera cheia de raiva e hostilidade. Como esperado da pessoa que subiu para a posição mais alta mesmo sem ser da realeza. A aura criada por ele fez com que todos nós ficassemos paralisados.

— Pense na minha posição.

— Sua posição, você não é a pessoa mais bem classificada no reino, além do próprio Rei?

— Não, há alguém mais alto. — Ele apontou o dedo indicador para o céu.

Com um sério olhar, Ayan Deauville fez Marl calar sua boca em definitivo. O primeiro-ministro deixou a sala com passos longos e firmes. Um servo nosso o levou para fora. Marl, já que ele não podia mais fazer nada, também saiu.

Eu e meu pai olhamos para a porta por um tempo. Nós dois sentimos como se a tempestade viesse e saísse sem causar nenhum dano. Olhamos um para o outro e começamos a rir de alívio.

— Você quer vê-los sair?

Eu concordei com a ideia do meu pai e fui vê-los.

Quando saí da mansão, as duas carruagens já haviam partido. Fui a um lugar onde ainda pudesse vê-las irem embora. Parecia que nós, pai e filho, tínhamos mais semelhanças do que eu imaginava.

— Eles foram embora.

— Sim.

— Você acha que Helan está a salvo?

— Sim, eu acho que está.

— Kururi, eu já posso ir relaxar na fonte?

— Sim. Claro, pai.

Desta vez, vejo meu pai em sua carruagem e dei outro suspiro de alívio.

Quando estava voltando para a mansão, vi a figura de uma pessoa que não deveria estar aqui no jardim. Ela tinha cabelos bonitos e era o pináculo da beleza em si. Possuía também, olhos afiados que, estranhamente, pareciam meigos para mim. Essa linda mulher acenou quando fui até ela.

— Eliza.

— É um prazer revê-lo, Kururi-sama.

 


Tradutor: Rudeus Greyrat | Revisor: Ma-chan


Se você gostou deste capítulo, CLIQUE AQUI, solucione o Captcha e aguarde

por 5 segundos, assim estará apoiando o tradutor e a equipe de revisores!



Fontes
Cores