Setes – Volume 9 – Capítulo 11 – A Quarta Facção


A Quarta Facção

 

Eu decidi realizar uma enorme alteração ao nosso objetivo.

(Merda, se a Princesa de Lorphys não fosse tão ruim nós teríamos simplesmente obtido vitória para o lado de Lorphys.)

Lorphys, que havia encontrado mithril no Labirinto.

Zayin, que clamava que isso era um presente para eles da Deusa.

Era isso que o começo da guerra se parecia para os olhos públicos.

Mas aí, um terceiro país… o reino de Selva aparece.

Olhando para os numerosos pedaços de informação.

O Príncipe de Selva, e a Princesa de Lorphys… uma filha única, estavam noivos.

A Donzela Sagrada de Zayin era uma antiga filha nobre de Selva.

O país tinha conexões com ambos os lados, e ainda assim essa terceira potência não mostrava um único movimento na superfície dessa guerra. Essa era Selva.

Na sala de estar do solar que Novem havia comprado, e que estava no meio das renovações para nos receber.

Eu me sentava em uma cadeira defronte a uma mesa, e falava com as vozes na Joia:

— Eles são suspeitos não importa como se veja, mas podemos realmente fazer qualquer coisa sobre esse terceiro país?

Diante de minha voz, ouvi uma resposta da Joia que havia colocado na mesa. Era o Sexto.

『Relaxe. A sorte te abençoou com um número de cartas para jogar. Uma antiga Donzela Sagrada, um antigo Sumo Sacerdote, uma Cavaleira de Lorphys… e uma antiga candidata a Donzela Sagrada. Pense sobre a informação que chega, e escolha para onde você deveria estar fazendo sua mira.』

Para onde deveríamos levar o resultado da guerra? Esse era um problema muito duro para mim.

Nisso, senti uma presença, peguei a Joia em minhas mãos, a pendurei em torno do meu pescoço, e fechei minha boca.

O Terceiro falou:

『Minha nossa, ela já está aqui.』

Ouvi alguns passos gradualmente se aproximando. Virei minha cadeira na direção da porta, enquanto uma batida de certa forma violenta veio de lá.

— Pode entrar.

Quando falei isso, a porta foi aberta bruscamente à força.

Entrando na sala estava uma Shannon sem fôlego. Sua respiração estava por todo lado, enquanto ela se virava para mim, e abria sua boca.

A princípio, sua voz nem mesmo sairia como ela desejasse, então após um pequeno período de silêncio:

— Lyle… há visitas para você.

Vendo seu rosto cansado, eu sorri.

— Oh, entendo. Essa mansão realmente é vasta.

Eu ri e me levantei, enquanto a Shannon, que estava recebendo um pouco de remédio por sua falta de exercícios, me encarava com ressentimento.

— Então apenas vende isso logo! Eu estou com medo demais para dormir à noite, e mesmo assim ninguém sequer traz a ideia de vender isso! As pessoas chamam isso aqui de casa assombrada, sabia!?

Nós compramos uma famosa casa assombrada em Beim, mas alguns dias já haviam se passado desde a primeira vez que cheguei aqui. Nada particularmente estranho havia acontecido.

Tenho certeza que os rumores apenas levaram a embelezamentos.

De acordo com a Novem, havia um calabouço no porão, então talvez essa fosse a causa de algum rumor.

— Mesmo assim, a Alette-san se move rápido.

Trouxe a Shannon junto, e deixei a sala. Tinha a sensação de que ela estava se mantendo estranhamente perto de mim, mas isso deve ser por ela estar assustada para ficar sozinha na mansão.

Quando a distância reduzida dificultou a caminhada, o Sexto falou:

『Lyle, segure a mão dela.』

Pensei que seria melhor do que tentar me mover com essa estranha proximidade, então estendi minha mão para ela.

Ela ponderou um pouco, antes de pegá-la. Então caminhamos pelo corredor juntos, e fomos rumo à sala preparada para convidados.

Após pensar por um longo tempo, Shannon falou:

— T-tenho certeza que você está assustado, então não me importo em segurar sua mão, okay!

Ela disse isso, então…

— Sim, sim, muito obrigado.

Quando ofereci uma resposta desanimada, ela começou a reclamar em voz baixa. Eu as escutei, enquanto pensava sobre como prosseguir as conversas com a Alette-san.

(Pois bem, como Lorphys nos tratará?)

Caminhando pelo corredor, com a luz do sol correndo pelas janelas, eu me preocupava por nosso futuro.

A sala de visitas da mansão.

Sentado em um sofá, com uma mesa entre nós, eu me defrontava com a Alette-san.

Diagonalmente atrás dela, seu ajudante se colocava com esplêndida postura, Mônica tomava a mesma posição atrás de mim enquanto terminava de colocar o chá.

Eu realmente me perguntava por que a empregada estava ficando no fundo.

(Ela definitivamente está enganada quanto a algo.)

Reclamando um pouco sobre a Mônica, eu estava prestes a começar as conversas com a Alette-san. Entretanto, ela foi a primeira a abrir sua boca.

— Eu ouvi que você contratou o Creit. Será que você está pretendendo participar na próxima guerra.

Eu dei um gole em meu chá, vi ela olhando para baixo, e assenti.

— Se você estiver no nosso lado, seremos colegas. Você receberá algum tratamento favorável. Mas se você estiver na facção inimiga, nós não mostraremos misericórdia nenhuma no campo de batalha.

Ela soava bastante calma, mas sua atmosfera podia ser considerada cortante.

— Nós estaremos nos juntando. E se estiver questionando em que facção estaremos, estou pensando em participar em minha própria quarta facção pessoal. Como lhe parece?

O copo em suas mãos parou, e ela dirigiu sua visão para mim. Eu continuei com minhas explicações.

— Na viagem de retorno de um pedido, nós pegamos uma mercadoria enorme. Isso acabou nos levando a aceitar um pedido pessoal, mas neste caso, ao invés de nos prendermos a qualquer lado, ela fez os prospectos de formar uma quarta facção serem mais favoráveis.

Quando falei isso com um sorriso, Alette-san fez uma expressão séria.

— Nós e Zayin… é um problema de dois países, não é?

Isso. Foi isso o que pensei a princípio. Mas essa terceira facção estava por trás de Lorphys, esperando eles ficarem enfraquecidos, ou talvez serem apagados completamente.

Eu…

— Vamos pular os detalhezinhos. A princípio eu estava pensando em participar no lado de Lorphys. Mas isso me fez ansioso demais. A Princesa Real… Eu não quero ser a pessoa a dizer, mas é terrível, bastante.

… Quando falei isso, a expressão do ajudante se afiou.

Alette-san levantou sua mão para acalmá-lo.

— … Parece que você ouviu um ou dois rumores estranhos, mas nossa Princesa Real é alguém bela e sábia. A atual guerra é um sofrimento enorme em seu coração. “Se isso nos deixar evadir a guerra, então apenas abra mão do mithril”, ela disse. Se for pelo bem de seu povo, então ela não lamentaria a perda de fortuna.

Lorphys havia perdido seu Rei e Rainha, enquanto a Princesa era apenas uma criança.

Eles eram um pequeno país, e tinham suas famílias secundárias com reivindicação ao trono, mas a Princesa Real foi aquela nomeada como sucessora. Entretanto, ela ainda havia de ser coroada como Rainha.

Ela estava em uma posição duvidosa.

Esse era o atual estado de Lorphys.

Alette-san confirmou comigo os detalhes da terceira facção:

— Muito bem. Lyle-kun, parece que você acredita que já há uma terceira facção, mas onde eles vão aparecer? Eu definitivamente gostaria de ouvir isso. Ouvi que você usou negociantes de informação para coletar uma quantidade considerável de inteligência, afinal.

Ela tinha a informação de que eu estava coletando informações.

É verdade que eu realmente não me importei em esconder o fato quando coletei.

— … Estou pensando em Selva como terceira facção. Eles virão quando Lorphys estiver exausta a certo ponto. Ou eles darão a martelada final no prego do caixão, ou oferecerão alguma ajuda condescendente. Eu ainda não sei qual.

Alette-san soltou um suspiro.

Seu ajudante estava prestes a dizer algo, mas ela acenou sua mão desdenhosamente para calá-lo. Olhando para mim, ela drenou o que restava em seu copo de chá, e abriu sua boca.

Enquanto Mônica movia-se para reencher para ela.

— Isso mesmo. Selva também está se movendo. Mas estamos tentando fazer algo antes que possam se mover. Parece que você investigou um pouco, mas enfiar sua cabeça demais vai reduzir seu tempo de vida.

Essas palavras poderiam ser consideradas como uma ameaça, mas dei de ombros, sentei-me mais fundo no sofá, e continuei minha parte:

— Eu gostaria de fazer alguns pedidos. Um encontro com a Princesa Herdeira de Lorphys. A antiga Donzela Sagrada de Zayin, Thelma-san, e o ex-Sumo Sacerdote Gastone-san. Finalmente, a ex candidata a Donzela Sagrada Aura-san. Eu gostaria de um encontro para os três.

Diante de minhas palavras, Alette-san fez uma expressão de surpresa.

— Essa seria a facção moderada de Zayin. Um achado e tanto… Entendo, você pegou um pacote ultraje mais uma vez. Se deixá-los conosco, nós ficaremos consideravelmente gratos.

Sacudi minha cabeça.

— Eu já aceitei o pedido deles. E nós faremos eles se esconderem por um tempo.

— O que você planeja fazer ao se encontrar? Você estará ajudando nosso lado, imagino?

Diante das palavras da Alette-san, eu assenti:

— Eu quero que Lorphys esteja do lado dos vencedores. E Zayin tem muita coisa pelo qual responder. Eles deveriam sofrer um pouco. E enquanto estamos nisso, eu gostaria de baixar a bola de Selva um pouco.

Alette-san fez uma expressão perplexa.

— … Por isso, eu agradeço. Mas o que exatamente é o seu objetivo? Está tentando criar uma brigada mercenária? Ao invés de ter sucesso, tenho a sensação de que a possibilidade de falhar é maior nesse caso.

Eu dirigi um sorriso a ela.

— Oh, nós venceremos. E as preparações para isso, este encontro. Eu ajudarei Lorphys, e os liderarei à vitória na guerra vindoura. Bem, haverá dois países no lado vencedor, todavia.

— Dois países?

Quando ela falou isso, falei com um sorriso:

— Então o que você fará? Um encontro entre nós e vossa alteza será possível?

Fazendo uma expressão em conflito, Alette-san…

— Tudo o que posso fazer é relatar. Eu não estou em posição de tomar uma decisão. Pode ser o caso de que uma ordem virá para capturá-los a todo custo.

Vendo-a dar uma risada destemida, eu falei:

— E quando chegar a isso, eu estarei simplesmente indo para o lado de Zayin.

Quando a Alette-san deixou a mansão, eu iniciei os preparos seguintes.

O saguão no primeiro andar tinha bastante espaço, e estaríamos realizando um encontro inaugural ali.

Nós apressadamente nos movemos para fazê-la apresentável, colocamos mesas, e pusemos comida e birra.

Novem e Mônica prepararam pratos um após o outro, enquanto a Miranda, Aria e Clara os traziam.

May parecia que iria colocar as mãos na comida, então a Shannon estava ficando de olho nela.

E a Eva…

— Está tudo bem se eu cantar uma cançãozinha, não é?

— Tudo bem. Uma que eleve o espírito seria boa.

No saguão que havia preparado, eu ouvia os detalhes da canção da Eva. A fim de animar as coisas, pedi a ela para cantar.

— … Eu não gosto de como não sou o ato principal, mas imagino que está tudo bem desde que eu possa cantar. Quantos podemos esperar?

Ela parecia insatisfeita, mas vendo o número de mesas enfileiradas, ela acabou perguntando isso.

— Ah, é mesmo. Eu nunca te disse. Você estava fora fazendo compras, e ajudou a preparar os trajes.

Então enquanto todos estavam ocupados se preparando, eu informei a Eva:

— Aqueles vindo desta vez são o grupo do Creit-san, e outros aventureiros esperando saltar a bordo dessa história. Conhecidos do Creit-san também. Grupos pequenos, e aqueles previamente Cavaleiros de outros países também viriam. Falando em escala, por volta de cem, talvez?

Nós raspamos tudo o que pudemos, e presentemente, esse era nosso limite.

— … Então você reuniu cem? Está indo puxar briga com Zayin enquanto pega o poder de Lorphys emprestado? Mesmo se você planejar dirigir uma pequena força com táticas, você estará lutando só com esses números?

Eu sorri:

— Não se preocupe. Isso inclui suporte, então aqueles que realmente podem lutar são menos que a metade disso. Os equipamentos não chegarão a tempo, então dessa vez vai contar cerca de trinta pessoas.

Eva parecia desconcertada enquanto me olhava. Os inimigos numeravam dezenas de milhares, então era inevitável. Porque com isso, conosco inclusos, estaríamos trazendo uma força de cerca de quarenta.

Eu entendo o porquê de ela sentir que eu estava fazendo pouco disto.

— E-está tudo bem. Acredite em mim. Apesar das aparências, eu sou um homem que não faz o impossível.

Ela soltou um leve suspiro enquanto dizia o seguinte:

— Eu preferiria se você tivesse dito isso com uma expressão cheia de confiança. Como aquela que você tinha não muito tempo atrás. Bem, eu decidi seguir junto, então não irei me opor. E se você tiver sucesso, não há dúvidas de que será uma história de heróis. Só me deixe adicionar isso, mas por favor não morra antes de se confessar. Eu realmente estou aguardando ansiosamente por isso.

Quando ela me provocou no final, senti meu rosto se avermelhar, e desviei meus olhos.

E a Thelma-san e Aura-san vieram até nós.

Elas vestiam os trajes feitos à mão pela Mônica, criando uma atmosfera e tanto. Vestindo esses vestidos brancos que pareciam estar aderidos em seus corpos, ambas pareciam envergonhadas.

A Aura-san…

— Ei, o que essa sua empregada está pensando!? Roupas assim mostram linhas demais… além do mais, ela chamou nossas roupas normais de inclementes!

Vendo o que a Mônica havia posto na Thelma-san e na Aura-san… assim como no resto das virgens consagradas, eu tinha um único pensamento.

“Colocar as virgens em uniformes de freiras… ela definitivamente está confusa sobre algo.”

Mas quando falei isso para ela, a mesma meramente respondeu com um “é você quem não entende”. E quando ela fez trajes para o Sumo Sacerdote Gastone-san e para as garotas, todos eram bastante chamativos.

Thelma-san falou de modo tímido.

— Esse daqui é um pouco embaraçoso demais. Não tem nada para cobrir por cima?

Vendo-a inquieta, a Eva..

— Não está tudo bem? Ele mal mostra qualquer pele de verdade. Eu mesma teria aumentado o nível de exposição.

Uma boa porção dos trajes de palco da Eva eram bastante extremos. Não, espera, ela não tinha muitos, mas todos eles eram extremos.

Aura falou de modo irritado:

— Não arruíne a imagem da Donzela Sagrada! Aquela empregada zombou quando olhou para o meu peito!

Vendo ela cobrir seus peitos reservados com seu braço direito, eu olhei para os ornamentos em seus braços e cabeça. Tudo que a Mônica produzia era de perícia soberba.

Alguns foram comprados e trabalhados, mas o toque dela era esplêndido.

— Não, a Mônica estava com pressa, e não havia mais tempo, então não havia nada que pudéssemos fazer. E o Gastone-san parece um pouco satisfeito.

Nós dirigimos nossos olhares para o avanço do Gastone no saguão.

Vestindo os trajes que foram feitos para ele, e por serem para uso masculino, tinham pouca exposição, mas ainda era chamativo. Seu chapéu era estreito e longo, enquanto seus robes pareciam espaçosos. Ele parecia bastante satisfeito com seus trajes de Sumo Sacerdote brancos e azuis.

De acordo com o próprio, era muito mais confortável de se vestir do que o que ele normalmente colocava. Aparentemente.

(A Mônica é multiuso demais. Se ela puder terminar de modificar o Portador, nós estaremos terminados com todas as preparações. Nós teremos que correr com as preparações para o lado de Zayin.)

Então nos apressamos para preparar a festa… a assembleia inaugural, e verifiquei algo com a Thelma-san.

— Ah, desculpa por mudar de assunto, mas certifique-se de cuidar daquele assunto.

Thelma-san olhou para mim, e assentiu.

— Sem dúvidas. Em primeiro lugar, se você vai obter vitória com esse número de tropas, isso é razão o bastante para te colocar no governo. Por falar nisso, você realmente está planejando marchar para guerra com cinquenta soldados? Eu sou uma amadora nessa área, mas não acho que derrubar uma força enorme com poucos números seja tão fácil quanto os contos de fada fazem parecer.

Aura-san fixou seu olhar sobre mim.

— Quanta experiência de guerra você tem?

Seus olhos eram duvidosos, e talvez por estar vestindo um traje que detestava, ela estava descontando em mim.

Eu apertei a Joia uma vez.

— Bem, uma quantidade considerável. E não é como se eu fosse enfrentar um exército de dezenas de milhares, sabe. Eu não vou marchar no fronte principal.

Ouvindo isso, ambas, Aura-san e Thelma-san fizeram expressões de surpresa.

Apenas a Eva…

— Ei, espera aí, então mesmo se eu colocar em uma canção, não vai ser muito excitante.

Ela parecia bastante desapontada.


Tradução: Batata Yacon   |   Revisão: Delongas


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