Setes – Volume 7 – Epílogo



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Epílogo

 

Após terminar o registro de aventureira da May, sentei-me no sofá contra uma das paredes do lobby, esperando sua forma cansada vir da aula de introdução dos novatos.

Estava sentado naquele sofá duro ao pé das escadas enquanto via um grupo de aventureiros com seus narizes levantados enquanto falavam na mesa de recepção.

Quando espichei minhas orelhas, pude ouvir algumas frases avulsas, e disso, inferi que eles haviam recebido uma penalidade.

Incapazes de completar o pedido que lhes foi dado em sua maior parte, a avaliação deles era tão baixa que ao invés de receber uma recompensa, eles tinham que pagar uma multa, aparentemente.

Mas os membros do grupo liderado pelo Erhart pareciam felizes. Achei isso espantoso, mas no momento que vi a face da mulher além deles, os mistérios se desvendaram.

Longos cabelos loiros, uma mulher de olhos cálidos com uma expressão basicamente fofa ralhava com eles. E seus gestos de bronca eram muito doces.

— Estão escutando? Confiança é a coisa mais importante para aventureiros, então vocês têm que dar o seu máximo até mesmo nas menores tarefas!

Ela levantava seu indicador e os repreendia firmemente, mas os olhos deles se direcionavam aos seus seios.

— S-sim. Eu entendo.

Esses membros do grupo escutavam as explicações dela sem a menor objeção.

Em questão de idade, acho que é mais velha que eu? Mas me pergunto por quanto.

Seus olhos verdes estavam sérios, e não havia dúvida nenhuma que ela estava verdadeiramente preocupada com o Erhart e seus comparsas.

Mas seu uniforme padrão da guilda havia sido um pouco modificado. Com ajustes para colocar mais ênfase em seu vasto busto, ela era — diferentemente da Tanya — bondosa e alegre.

E desse modo, ela continuava dando seu sermão.

— Por um tempo, eu vou gerenciar vocês pessoalmente como recepcionista exclusiva! Para começar, vamos fazer vocês cuidarem de trabalhos que podem realizar com certeza. Se não puderem pagar a multa, então desde que vocês cumpram certos pedidos, vocês até serão capazes de utilizar as instalações de alojamento da guilda.

Sem dinheiro nenhum, todos eles, com exceção de Erhart… não, até o Erhart não tinha exatamente equipamento adequado. E para com um grupo desses, ela introduziria um número de pedidos mistos.

(Ouvi que a guilda tinha seus próprios alojamentos, mas então é assim? Não é como se eles deixassem você ficar de graça.)

A recepcionista disse que eles seriam capazes de pagar a multa em parcelas, mesmo indo tão longe ao ponto de dizer que convenceria a guilda pessoalmente.

— Normalmente você teria que pagar um montante único, mas eu deixei isso escapar. Por favor paguem quando puderem. Quando terminarem com isso, estarão trabalhando um pouco mais e vão obter equipamento adequado. E até fazerem isso, caçar monstros estará proibido!

Diante das declarações animadamente furiosas, eles ofereceram sua gratidão sincera.

(Recepcionistas da guilda deveriam ter tanta autoridade assim? E espera, elas deveriam ir tão longe para início de conversa?)

Enquanto ponderava isso, a recepcionista sorriu.

— Vamos todos nos esforçar juntos.

— Sim!

Após Erhart dar sua resposta energética, os outros membros ofereceram seu acordo vigoroso. E eles se enfiaram em várias papeladas.

Olhando enquanto eles preenchiam os formulários, os longos cabelos da recepcionista caíram sobre suas orelhas, então ela usou sua mão para colocá-lo de volta no lugar. Naquele instante, ela olhou na minha direção.

Erhart e o resto não pareceram notar enquanto preenchiam seus nomes nas folhas.

Mas o olhar que ela lançou não foi… fofo de antes. Sua atmosfera também parecia mais aguçada que antes. E me olhando, ela sorriu antes de voltar ao seu trabalho mais uma vez.

Enquanto eu me levantava surpreso, ouvi passos descendo as escadas.

Saltando com alto impulso, May aterrissou antes de me chamar.

— Te fiz esperar muito?

— Eh? Não, bem… um pouco.

Levantei-me de meu assento, e levei a May para fora do lobby da guilda.

(O que exatamente foi aquilo?)

Noite.

Na Joia, eu me defrontava com o Chefe de Terceira Geração.

Dentro de seu quarto de memórias, uma cidade se expandia em nossa volta.

E na praça daquela cidadezinha, eu enfrentava sua espada de uma mão.

『Isso certamente foi suspeito. Mas eles realmente iriam tão longe para enganá-los e fazer com que fossem apagados? Mesmo eles podendo desaparecer se a guilda simplesmente deixar eles em paz!』

Ele falava enquanto balançava sua espada, repelindo minha espada e tentando enfiar um chute. Mas quando recuei, ele chutou o chão para lançar areia em mim.

Movi minhas mãos para evitar que minha visão fosse tomada, e…

— Merd-!

Antes que eu pudesse terminar a palavra, o Terceiro usou sua espada para perfurar minha perna profundamente.

Uma ilusão dele entrou em minha visão, e o Sabre que eu levantei de repente foi incapaz de impedir seu corte. Dessa vez meu braço esquerdo foi cortado.

『Hahaha, ainda ingênuo demais, Lyle.』

Indo para a fonte d’água na praça, ele chutou sua espada para o lado, e sentou-se em um banco próximo.

Após minha dor passar e meus ferimentos sumirem, fui até ele.

— Por favor, me enfrente de novo.

Quando pedi por uma revanche, ele sorriu.

『Me recuso. Você está abarrotado demais com os básicos, e como está agora, seria apenas inútil. Esgrima ensinada por instrutores, não é. Você é honesto demais, Lyle.』

O Terceiro desdenhava da minha sequência de ataques seguindo o estilo que me fora ensinado. Tendo lutado através de vários campos de batalha, e abatido monstros repetidamente, os ancestrais mantinham as formas de seus anos dourados.

Como estou, não posso me comparar a eles.

Abaixo meus olhos e cerro meu punho. Ele se dirigiu a mim:

『Lyle, é importante o bastante tentar vencer contra mim em esgrima, mas você não está esquecendo de algo? Forjar nada além da espada não te levará a lugar nenhum. Seu objetivo final é…』

— … Vencer contra a Celes. Para isso, eu precisava pelo menos de habilidade o bastante para me manter no mesmo campo de batalha.

Para vencer contra a Celes, os Ancestrais haviam pensado em um número de requisitos.

Uma força que pudesse se manter contra a Casa Walt e os exércitos de Bahnseim.

Uma pequena força de elite para combater a Celes em si.

Simplificando, nós tínhamos que criar um ambiente onde vitória fosse uma possibilidade.

O treinamento dos ancestrais era meramente uma pequena porção disso. Ainda mais se conseguíssemos fazer um aliado capaz de vencê-la em batalha, então isso se tornaria bem desnecessário.

『… Se tudo o que você fizer for derrotá-la, vai tudo cair na responsabilidade da Casa Walt. Depois dessa vitória, não haveria nada sobrando no futuro. E seus números de menos de dez não derrubarão um país. Guerra era o tipo de coisa que não fazia sentido mergulhar a menos que saiba que pode ganhar.』

A fim de vencer, os chefes passados estavam me oferecendo sua sabedoria. A fim de vencer, eu estava reunindo companheiros. Mas nesse ritmo, eu realmente me pergunto quanto tempo isso vai levar.

Notando minha impaciência, o Terceiro falou para me repreender.

『Se você estiver meia-boca em desafiá-la, então tenho certeza que a loucura dela se espalhará pelo continente. Se for fazer isso, você terá uma chance. E não almeje destruição mútua, procure por uma vitória completa. Do contrário você pode ser executado como um homem da mesma casa que ela. Isso seria o mesmo que trair as companheiras que lhe ofereceram seu auxílio.』

Sendo esse o caso, eu não sei de modo nenhum de alcançar o nível dela. E eu não tenho nenhuma força militar que se possa mencionar.

Reunir os países nos arredores para desafiar Bahnseim também será difícil.

『Impaciência não melhorarão sua taxa de sucesso. Se apressar não é sair correndo. E para começar, você deve reunir informação.』

Informação sobre outros países se reunirá em Beim.

Tendo completado meu primeiro pedido aqui, eu podia honestamente começar a trabalhar nesta cidade.

— Eu nem comecei a parte de informações.

Eu disse isso em desdém próprio, e o Terceiro fez uma cara séria.

『De qualquer jeito, mesmo se eles pensarem que Bahnseim está estranha, as nações nos arredores não pensarão em atacar. Talvez possuíssemos alguma responsabilidade em deixar o território deles crescer tanto, todavia.』

O Sexto e o Sétimo haviam feito largas contribuições para a expansão de Bahnseim.

O mesmo valia para o Terceiro, tendo salvado o país da crise.

『Lyle, quer fazer uma promessa comigo?』

— Uma promessa?

O Terceiro se levantou do banco, e pôs seu punho no meu peito.

『Você tem que olhar para o depois. Sua vida não é algo que vai terminar com a queda de uma garotinha. A ajuda que oferecemos aqui é porque queremos o futuro que virá além disso. Que linhagem Walt nos ata… isso continuará através desse futuro.』

— … O futuro, não é?

O Terceiro assentiu:

『Isso. Então eu não quero que você se resolva a uma destruição mútua.』

— … Mesmo se, por causa disso, uma enorme quantidade de vidas for perdida?

『Isso mesmo. Não seja convencido. Até uma deusa não pode salvar toda vida humana que existe. Ainda assim, pensar que um único humano pode fazer tudo isso é apenas arrogância. E não importa o quanto você se esforce, presentemente, você não será capaz de vencer contra a Celes. Isso não é nem uma aposta a esse ponto.』

Do momento que eu pensei em ir contra o país, pude ver a distância irremediavelmente enorme entre eu e a Celes. Mas do momento em que decidi seguir em frente com isso, sinto que a distância cresceu ainda mais na minha mente.

— … Eu definitivamente vencerei. Eu terei o futuro nas minhas mãos.

O Terceiro removeu seu punho de mim, sorriu, e partiu caminhando.

『É assim que deve ser.』

… O Reino Bahnseim

Um único vilarejo estava em chamas.

Aqueles em volta dele eram das fileiras do exército de Bahnseim.

Cavaleiros de armaduras enfileirados em seus cavalos. No centro deles estava Maizel Walt em seus protetores.

O palanquim especialmente feito para a Celes estava equipado com um teto, e os Cavaleiros encarregados de carregá-lo se posicionavam nos lados. Acima do transporte atualmente colocado no chão, Celes sentava-se em sua cadeira e observava o fogo arder.

— Isso mal levou qualquer tempo.

Com uma expressão de desagrado em sua face, Celes vestia uma armadura especialmente encomendada, parecendo-se com um vestido, sobre seu corpo.

Maizel…

— Com trinta mil em volta, um único vilarejozinho não é nada, querida. Puxa vida, que povinho tolo eles devem ter sido para tentar ir contra a Celes.

O príncipe herdeiro do reino havia causado um alvoroço ao trocar repentinamente sua futura esposa. E quando as notícias da Celes se espalharam, Nobres procurando se rebelar começaram a se mostrarem.

— Pensei que eles fossem lordes galantes das províncias, mas que erro de cálculo.

Os residentes do vilarejo que era governado por um visconde eram cortados enquanto tentavam fugir. Os vilarejos em volta também estavam sob ataque pelos lordes que expressaram sua intenção de cooperar.

Saque, pilhagem, tudo estava acontecendo, mas ninguém pensou em condenar.

Celes encarava o vilarejo ardente, e pensou ser algo completamente indigno do exército que ela havia tido imenso trabalho de trazer todo o caminho até aqui..

— Bem, que seja. Mesmo assim, não consigo ouvir nada. Me levem mais perto.

Ela dirigiu os Cavaleiros a carregarem seu palanquim.

Um Cavaleiro…

— M-mas se alguma coisa acontecer com a Celes-sama…

O Cavaleiro blindado se opôs, então Maizel puxou o sabre de sua cintura, e entre as brechas de sua armadura… a lâmina se afundou em seu pescoço, causando seu rápido fim.

— Você acha que uma filha da Casa Walt precisa temer algo desse nível!? É por isso que nobres imperiais são…

Vendo os olhos injetados de Maizel, os Cavaleiros do Palanquim… os Cavaleiros de baixa nobreza imperial conheceram o medo.

O sangue que havia escorrido da armadura do cavaleiro caiu no rosto da Celes. Ela o limpou com a ponta de seu dedo, pressionou-o contra seu lábio, e lambeu.

E tendo visto essa ação, os corações dos Cavaleiros se perderam em fascínio.

— Pai, eu quero conhecer o campo de batalha. E… lá parece haver um dos Cavaleiros ainda lutando. Não pode me deixar passar? Eu devo encontrar pessoalmente o herói deles.

Vendo seu sorriso, Maizel ainda parecia relutante.

— Mas o oponente é um Cavaleiro de renome. Ele já derrubou dezenas de nossos cavaleiros. Deixar minha filha diante de tal homem é meio…

Para com o pobre incoerente e insensato Maizel, Celes sorriu enquanto falava aos Cavaleiros em volta:

— Você realmente é propenso a se preocupar, pai querido. Agora, vamos lá testemunhar o herói deles. Está tudo bem… Eu estou aqui, então nós certamente venceremos.

Os Cavaleiros que se reuniram em volta para levantá-la engoliram em seco enquanto a viam tão alto. Eles ergueram o palanquim, e assim Celes foi ao campo de batalha carregada nas costas de dezenas de homens.

E após o mensageiro partir, os Cavaleiros e soldados do reino recuaram do Cavaleiro defendendo seu vilarejo.

Ele olhou em dúvida para os Cavaleiros montados em sua volta, mas vendo o palanquim com a Celes nele vindo com a força principal, ele avançou em seu cavalo para derrubá-lo.

O fato de ele ser um lutador habilidoso era algo que a Celes podia entender por sua forma. Maizel também.

— Hm, ele não é nada mal.

Quando a Celes pensou sobre como o Cavaleiro ainda estava na metade de seus vinte, ela começou a desejá-lo.

— Meu cavalo, por favor.

Diante de suas palavras, o palanquim foi abaixado, e seu corcel se mostrou. Com escamas negras, e uma crina pálida, essa besta divina com um chifre crescendo de sua testa não era nada senão uma qilin.

— Espere aí mesmo, Celes! Esse daí é forte. Se você sofrer o menor dos ferimentos, eu não sei o que…

Para com a tristeza de seu pai, ela lançou uma piscada.

— Eu ficarei muito bem, ó pai preocupado meu.

Após montar a qilin, ela aceitou o florete que seus subordinados lhe apresentaram. Ela chutou sua barriga para lançar-lhe em galope, e propositalmente a fez correr pela terra.

Seus Cavaleiros e soldados abriram um caminho para ela, e diante de seus olhos, o Cavaleiro salpicado de sangue levantou sua lança para começar seu assalto.

Sua armadura era muito eficientemente feita, ainda assim era ornamentada para elegância. Talvez seu cavalo fosse de renome, firmemente correndo como as pernas de seu mestre.

Unidade do cavaleiro e cavalo.

Para ter acumulado algo assim, quanto treinamento o homem diante dela deve ter acumulado nesse seu corpo?

— Ah~, eu quero você. Mil vezes melhor que o Rufus!

Seus olhos agudos dirigiam ódio a ela. Enquanto achava esse fato bastante agradável, Celes falava sobre como queria ele mais que o Príncipe Herdeiro.

Enquanto passavam um pelo outro, o florete dela e a lança dele se cruzavam.

Fagulhas voavam e suas cabeças se viravam a fim de se olharem. O Cavaleiro tomou sua arma em ambas as mãos, e usou apenas suas pernas para manobrar seu cavalo enquanto desdobrava outra estocada.

— Seu monstro!!

O fio de sua lança empolgava a jovem garota. Ela usava seu fino florete para repelir o golpe da pesada lança. Normalmente, essa ação teria destruído sua postura, mas implacavelmente, ele mantinha uma torrente de ataques contra ela.

— Que agradável. Você, você é realmente bom. Eu vou te adicionar à minha guarda imperial. Agora, que tal me dizer seu nome? E remover essa coisa bruta na sua cabeça.

Ela não havia estado usando um elmo desde o começo, e não podia ver a face do oponente, ela optou por mandá-lo voando de sua cabeça.

Com seu rosto visível, ela vislumbrou um jovem rapaz de feições elegantes com um brilho afiado em seus olhos agarrando as rédeas para se distanciar.

O elmo voando pelo ar aterrissou em cima da mão direita de Celes, e o agarrando, ela o deixou girar em sua mão esquerda.

— Agora me diga seu nome.

Mas o Cavaleiro adversário…

— Me recuso! Não tenho obrigação de dar meu nome para alguém tão baixa como você! Invadindo sem sequer uma declaração de guerra, e queimando nossa cidade. Eu nunca te perdoarei!

O sorriso da Celes de repente se tornou uma expressão incomodada.

(É, dá para encontrar eles aqui e ali. Esses tipos…)

Uma voz veio da Joia amarela embutida no cabo de seu florete. Era uma voz charmosa, e ela soava como se sua locutora estivesse sorrindo.

『Parece que você foi rejeitada, Celes. Mas isto és realmente uma pena. Estou certa que ele é um dos melhores Cavaleiros em Bahnseim… o que você vai fazer?』

Celes inclinou sua orelha à voz.

— Vejamos. Você tem alguma ideia divertida do seu lado?

O Cavaleiro diante dela contraiu suas sobrancelhas enquanto encarava a Celes, e levantou a lança.

『Um Cavaleiro leal, não é? Hmmm, deixá-lo vivo para ver a queda daqueles que ele tentou proteger pode se provar uma visão interessante. Você ainda não tentou essa por conta própria, tentou? Tenho certeza que ele fará uma cara muito mais interessante que a que você testemunhará se o cortar.』

Os lábios de Celes se torceram na forma de uma lua crescente, e ela chutou a barriga da qilin para mandá-la em corrida contra o Cavaleiro. Ele também instou seu corcel, e atacou com a lança.

Após cruzarem, reduziram sua velocidade, e pararam.

uma marca apareceu em uma porção da saia da Celes.

— Puxa vida.

『Você não estava prestando atenção, estava? Celes, por que é que você sempre tem que ser assim? Porte-se com mais elegância, está bom? Com aquele caso com o Lyle, essa é a segunda vez.』

Ouvindo o nome do Lyle, uma ruga se espalhou pelo cenho dela.

— … Se a Novem não estivesse lá, eu teria cortado ele. O mero fato daquela coisa continuar vivendo é…

Uma voz alegre de dentro da Joia:

『Eu te falei para simplesmente manter o garoto como um brinquedo, ainda assim você foi tão determinada nisso. Eu preferiria ser amada por alguém como ele. Belo, e certamente habilidoso como um Cavaleiro… e por “aquela coisa”, você estaria se referindo a você também.』

Celes esfregou seu cabelo enquanto se virava e olhava para o Cavaleiro.

— Hm, eu odeio essa parte de você.

Se virando de modo similar, o Cavaleiro cuspiu sangue… Sua lança caiu ao chão junto com seu braço direito.

E junto com isso veio a cabeça do cavalo. No momento que ela tocou o chão, sangue vermelho espalhou-se pela terra seca, apenas para ser absorvido por ela imediatamente.

— M-maldita…

Celes trouxe a qilin para perto dele.

— Ah~ parece que eu fui longe demais.

『Ele não vai durar muito assim. Agora…』

Mas o Cavaleiro continuou a mostrar sua força de vontade até o fim. Ele pegou uma adaga oculta com sua mão esquerda, e tentou saltar na Celes.

Quando seus olhos se cerraram, uma lança repentinamente empalou o corpo do Cavaleiro.

— Oh.

Celes olhou vagamente para seu próprio Cavaleiro que havia enfiado a lança. O Cavaleiro que, para carregar seu palanquim, tinha equipado armadura peso leve, enfiou a lança profundamente mais uma vez.

Com aço frio enfiado em seu flanco, o homem cuspiu uma enorme quantidade de sangue.

— Não ache que será capaz de fazer esse tipo de coisa para sempre… algum dia, vocês todos… irão para o inferno.

Soltando um suspiro, cortou sua cabeça fora. E lançou um olhar ao Cavaleiro ajoelhado que havia salvo sua vida enquanto levava suas mãos à cabeça do Cavaleiro que tentara matá-la.

Ela agarrou seu cabelo, e observou sua expressão final.

— Você, qual é o seu nome?

— É Breid Vamper, Celes-sama!

Maizel se aproximou em seu cavalo, e puxou seu sabre.

— Você… excedeu seu ranque!

Maizel estava prestes a matá-lo, mas Celes pôs um fim a isso. Ela jogou a cabeça e elmo do Cavaleiro para Breid.

— Que feio, pai. Você deveria recompensá-lo por me salvar. Eu lhe darei todo o equipamento desse Cavaleiro. De agora em diante, junte-se à minha guarda imperial.

Ouvindo isso, Breid…

— S-sim!

Ele foi levado às lágrimas.

Breid Vamper… o Cavaleiro que havia estado em uma relação amorosa com Dóris da Casa Circry. Mas no presente sua lealdade era para com apenas a Celes.

Celes desmontou de seu qilin, e retornou ao seu palanquim.

Uma voz veio da Joia:

『Você está satisfeita com essa mísera quantidade de derramamento de sangue, Celes?』

Ela respondeu com um sorriso:

— Certamente estás brincando. Nós apenas avançaremos mais daqui. Eu quero ver a visão da terra encharcada de sangue. Mais importante, me ensine mais coisas divertidas, está bom?

Importunada pela Celes, a voz charmosa de dentro da Joia continuou:

『Fufufu, essa sua simplicidade é bastante favorável. Agora, que tal cercar um vilarejo, e fazer os aldeões se matarem? Geralmente é um show e tanto.』

Ouvindo isso, a Celes…

— Oh, boa! Isso mesmo! Devemos partir para um vilarejo intocado imediatamente! Pai!

Ela imediatamente chamou seu pai.

Maizel respondeu a isso:

— Qual o problema, Celes? Se machucou? Você tem que retirar esses trajes salpicados de sangue. Nós trouxemos muitos vestidos e armaduras para você, afinal.

Usando o dinheiro do tesouro nacional, e até impondo um novo imposto pela garota.

Mas nem uma única alma apareceu para disputar isso. Pois foi mostrado o que aconteceria se alguém o fizesse.

— Eu quero brincar em um vilarejo próximo. Vamos encerrar aqui, e nos movermos para o próximo.

E como se para mimar sua filha, Maizel sorriu.

— Entendo. Pilhagem também é um dever importante de um Senhor Feudal. Começarei as preparações imediatamente. Oh, antes disso…

Maizel deu ordens aos magos.

— Estamos terminados. A brincadeira acabou. Apaguem isso do mapa.

Os magos levantaram seus cajados, e soltaram sinais de luzes para se comunicarem. De outros esquadrões posicionados em volta do vilarejo, veio o som de um sino, e os Cavaleiros e soldados começaram a se retirar.

Após um tempo, Maizel assentiu para Celes, e ela…

— Bang!

Estendendo seu polegar, ela disse isso com seu indicador apontado para a cidade.

As forças circundantes fizeram chover sua magia.

Fogo, água, terra, vento, relâmpago… tudo caía, e um único vilarejo desapareceu. Ao mesmo tempo, algumas milhares de vidas também desapareceram.

Mas alheia a isso, a Celes…

— Ahaha, acho que “Bang” foi meio desnecessário.

Quando ela deu sua risada, Maizel sorriu:

— Sabe. Você é adorável não importa o que faça, Celes. Oh, você já está noiva, então talvez eu deva usar a palavra bela?

Celes inflou suas bochechas.

— Não me provoca assim, pai. Agora…

Ela apressou Maizel.

— Hm, vamos nos mover para um vilarejo afiliado imediatamente. Oy, estamos indo para o próximo. Achem um vilarejo que outro lorde ainda não tenha atacado.

Observando seu pai dar ordens aos Cavaleiros próximos, Celes pareceu satisfeita.

E de dentro da Joia, ela a observava.

『Celes, você certamente é adorável.』

E soltou tais palavras…

Em uma cafeteria em Beim, Novem estava aguardando por um certo indivíduo.

O grupo do Lyle estava em um dia de folga, então seus membros estavam operando separadamente. Sem o conhecimento de ninguém, Novem havia ido até lá para entrar em contato com essa pessoa.

A porta da pequena cafeteria se abriu, e o sino preso a ela soou através da loja. Novem ouviu passos, e sem sequer se virar, sabia que aquele que a havia chamado chegara.

A atendente o guiou a um assento, mas o cliente avistou a Novem, pediu uma bebida, e caminhou até a mesa dela.

Carregando consigo um pacote, ele sentou-se defronte a ela, e foi direto ao assunto:

— Já faz bastante tempo. Duvido que gracejos sejam necessários, então direi o que devo. Aconteceu como você disse que iria, Novem.

Novem tomou um gole de seu chá.

— É mesmo?

Isso foi tudo o que ela disse.

E o outro continuou:

— … Um Visconde de Bahnseim realmente foi apagado. Cidades, vilarejos, e tudo mais. Tudo foi destruído.

— Eu tinha certeza que chegaria a isso.

Não recuando com a atitude dela, ele apresentou-lhe o pacote.

— É do papai. E hoje, eu vim cortar os laços com você.

Novem olhou para a face dele enquanto aceitava.

— … Você decidiu seguir a Celes-sama, não foi, onii-sama?

O jovem rapaz identificado como irmão dela agradeceu a atendente enquanto sua bebida era trazida, e deu um gole.

Ele olhou para fora.

Seu assento era do lado da janela, e havia um número considerável de pessoas na loja. Havia casais, e pais, e filhos.

— O pai disse que é incapaz de trair o Maizel. Eu acatarei a decisão dele. Porque com o Lyle-sama tendo deixado a Casa Walt, resta apenas a Celes-sama.

Não era só a Novem quem tinha seus mistérios.

A Casa Forxuz em si tinha sua porção. Com sua lealdade para com a Casa Walt ao invés de ao trono, eles eram vistos como hereges por outros.

— Entre a nossa família, tenho certeza que você é aquela com o sangue mais forte. Você é sempre calma. E tenho certeza que sua decisão nesse assunto não está errada. Você pode processar tudo tão indiferentemente, afinal.

Diante das palavras de seu irmão, Novem respondeu tão indiferentemente como sempre… e parou.

— … Onii-sama, a força do sangue de alguém é irrelevante. Todos nós temos aquelas memórias.

— Isso mesmo, mas você é a única que as herdou tão claramente, Novem.

Dando goles, e continuando sua conversação de pouco em pouco, chegou o momento em que não havia uma única gota sobrando em seus copos.

— Na próxima vez que nos vermos, seremos inimigos.

— Sim.

— Você não é alguém que ficará agitada conosco diante de você, mas… e quanto ao Lyle-sama?

Novem pensou sobre o Lyle.

— Ele é mais gentil, então pode hesitar.

— Entendo. Eu também queria servi-lo.

Observando seu irmão dizer isso com um sorriso triste, Novem pegou o pacote, e se levantou para partir. Ela pegou a conta dele também.

— Ser bancado pela minha irmãzinha vai me fazer perder o pouco prestígio que ainda tenho sobrando, sabia?

Diante de sua piada, Novem sorriu.

— Obrigado por vir todo o caminho até aqui. Pois bem, te vejo no campo de batalha.

Ela foi até o balcão para pagar. Observando suas costas, seu irmão chamou por uma última vez.

— Novem, você acha que o Lyle-sama vai te aceitar?

Enquanto ela deixava a loja, olhou para o rosto de seu irmão, e sorriu. E vendo isso, ele fechou seus olhos, e pendeu sua cabeça.

— Entendo…

Dando uma resposta que seu irmão podia entender, ela deixou a loja, e segurou um pacote com apreço enquanto caminhava pelas ruas de Beim.

Mas ao invés de inemotivo, seu rosto estava só um pouco triste…


Tradução: Batata Yacon   |   Revisão Básica: BravoED   |  Revisão Final: Delongas


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