Setes – Volume 12 – Capítulo 18 – As Bruxas


As Bruxas

 

… Os primeiros movimentos vieram nos dois campos que se fitavam enquanto as representantes de cada surgiam à frente.

A princípio, os dois nomes conhecidos de Gracia e Elza sequer tinham surgido no campo de batalha. Mas mostrando motivação de repente, elas estavam com mais espírito de batalha que nunca antes enquanto se punham na dianteira.

Em volta delas, os vários traidores e aqueles se beneficiando ao custo de outros estavam enfileirados.

Um céu nublado.

Na tempestuosa divisa do campo de batalha, Gracia montava seu cavalo, com uma lança tão alta quanto ela em sua mão direita. O cabo era longo, e protegido por um pequeno escudo.

Os Senhores circundantes, para Gracia que emanava sua fúria.

— Grã-Procuradora Ducal, não seria perigoso sair no campo de batalha sem nenhum servo? Até agora, aqueles da Grã Casa Ducal sempre estiveram ao seu lado.

— Caso venha ao campo de batalha, então neste caso nosso turno nunca…

Um dos Senhores Feudais dando um sorriso perturbado recebeu um severo fitar. Os olhos de Gracia estavam preenchidos de malícia.

— E o que é que tem? Todos vocês também precisam lutar. Ou será que esqueceram de como sempre me despachais para os frontes, enquanto recuavam para as linhas de retaguarda?

— I-Isso…

Gracia prosseguiu com o Senhor:

— … Não te preocupes, eu irei segurar a bruxa para vós. Então todos devem lutar com os inimigos diante de teus olhos. Isso é tudo o que precisam fazer, não é?

Sentindo a atmosfera que não aceitaria mais palavras, os Senhores assentiram em uníssono dessa vez.  Entre eles, havia alguns que até mesmo davam sorrisos vulgares.

Se Gracia começasse sua batalha, parece que eles planejavam fugir devido ao perigo.

Após olhar para tais Senhores de seu país, Gracia virou seus olhos para Elza ao longe…

… Com o fitar de Gracia, Elza tomou postura como se para olhá-la de cima.

A cavalo, ela erguia seu cajado, batendo sua vara similar a uma maça contra seu ombro algumas vezes.

Seus ares eram diferentes do normal, os soldados em volta estavam perplexos.

— Elza-sama?

Elza manteve-se inexpressiva.

— Irão lutar contra o inimigo em sua frente. Se voluntariaram para este papel, então pelo menos devem fazer isso.

Mas aquele liderando os soldados estava de rosto pálido.

— Não podes! E se formos arrastados para sua batalha com a bruxa!?

Qualquer um arrastado para as batalhas de Elza e Gracia morreria, ele apelou, mas Elza manteve-se inexpressiva.

— E o que é que tem?

Ela não prestou a mínima atenção. Para Elza, e para Gracia, eles eram apenas duas facções de traidores colidindo de acordo com os planos do Lyle. Mesmo se uma parte virasse a casaca no meio do caminho, elas não tinham intenção de revisar nada.

— N-nada não…

Quando o soldado-mor que esteve em conluio com o inimigo fechou sua boca, Elza deixou seu cabelo balançar ao vento. Ela usou sua mão esquerda para afastar as tranças pressionadas contra seu rosto, seus olhos violeta emanando uma luz fria.

— Eu definitivamente não irei perdoá-la hoje. Gracia…

Elza e Gracia. O espírito de luta de ambas as partes havia ascendido a um nível nunca antes visto…

… Quando ouviu o sinal para atacar sentada no teto do Portador, Miranda agarrou o colarinho de Shannon, que esteve agarrando suas roupas por trás, não olhando minimamente para frente.

— Shannon confirme a posição da Novem. Se a Aria estiver lá, então me diga.

Vendo o sorriso de Miranda, Shannon violentamente assentiu. Não porque conseguia ver o rosto dela, mas porque o fluxo de Mana dela lhe dizia que sua irmã estava seriamente zangada.

Shannon não era estúpida o bastante para contrariar Miranda quando ela estava assim.

Perto de Miranda, Clara, a motorista do Portador segurava seu cajado como se o abraçando, levantando seus óculos com a ponta de seus dedos para restaurar seu posicionamento.

— Novem-san empurrou a culpa para você? Ou melhor, não foi ela quem não notou quando o Lyle-san desapareceu debaixo de seu nariz?

Shannon não falava nada enquanto freneticamente sondava o campo de batalha em ação, mas enquanto ela observava as reações de sua irmã, Miranda dirigiu-se à Clara.

— Já que é o Lyle, tenho certeza que ele ficará bem. Mas se do desaparecimento dele destruir todos os nossos planos, então a Novem vai precisar de um castigo. Já que o Lyle não vai passar a punição, não é apropriado que sejamos nós a fazer isso?

Clara, indiferentemente:

— Eu não chamaria isso de apropriado, mas me incomoda porque a Novem-san diria uma coisa dessas. E espera, você planeja me fazer te apoiar?

Miranda sorriu.

— Mas é claro. Afinal, vai ser difícil para mim sozinha.

Não falando uma palavra sobre ser ser incapaz de derrotar a Novem, Miranda também era uma exceção. Clara soltou um suspiro, e decidiu seguir o lado da Miranda desta vez.

Mas.Mas…

— Bem, o maior problema é o fato de que o Lyle-san desapareceu, todavia.

Quando Clara murmurou isso, Shannon soltou uma voz alta.

— Lá! Ela está lá! Achei ela, mana! Ela está vindo direto para nós!

Quando Shannon falou isso apressadamente, Miranda se virou para Clara.

— Entendo. Aria não está com ela. Então Clara… poderia se aproximar da Novem?

Clara moveu seu cajado, colocando o Portador em movimento. Com seu corpo como um veículo blindado, o Portador destacava-se no campo de batalha.

Miranda tinha convicção de que a Novem viria na direção dela indubitavelmente.

— Agora eu farei com que se arrependa, Novem!

Talvez ela tivesse ouvido a voz da Miranda, mas Novem continuou galopando seu cavalo em corrida diretamente ao grupo…

… Saltando de seu cavalo, Gracia balançou sua lança para o lado.

Enquanto chamas cobriam seus arredores, um pilar de gelo se manifestou em sua frente. O gelo que não derreteria facilmente mesmo nas chamas de Gracia podia apenas ter sido produzido por Elza.

Elza balançou seu cajado de cima do gelo, enquanto Gracia recebia o golpe com sua lança.

Esse golpe que não se pensaria vir de uma maga lançou Gracia violentamente contra o chão.

Mas…

— Sua traidooooora!!

Gracia virou sua mão esquerda para a terra, abrindo sua palma, e dela gogo espirrou como forte ímpeto, neutralizando a força, e inversamente, empurrando Elza de volta.

Sendo mandada voando com a lança, Elza deixou seu corpo dar uma volta enquanto corrigia seu posicionamento, a aterrissou. O gelo que ela havia criado derretera, alagando o chão. A força do inferno circundante enfraquecera um pouco.

No campo enlouquecido de ares quentes e frios, as duas se enfrentavam.

Elza virou seu cajado para Gracia.

— Foi você quem me traiu primeiro!!

Algumas centenas de lanças de gelo se manifestaram. As pontas dessas lanças que haviam aparecido do nada no ar como se para cercaram Gracia eram envoltas em aura incrivelmente fria, emanando uma fumaça branca.

Todas foram na direção dela de uma vez, mas Gracia apenas afastou seus pés um pouco, e deixou chamas irromperem de seu corpo.

Enquanto a chama azul pálida cobria sua forma, as lanças de gelo evaporavam antes que pudessem perfurá-la, e desapareceram.

Dentro do vapor envolvendo tudo em névoa, Elza levantou seu cajado, congelando sua ponta para produzir uma gigantesca lâmina de gelo. Balançando-o com uma mão, ela soprou a névoa para longe.

O movimento tinha sido para bloquear o golpe sério com intenção de a empalar por trás.

A lâmina de gelo de Elza tinha começado a derreter, mas sem prestar atenção nenhuma nisso, ela a desceu sobre Gracia.

— … Bala de fogo.

Um projétil mágico elementar, e um difícil de gerar um golpe fatal. Semelhante a colidir uma massa de Mana contra um oponente.

Mas elevado ao nível de Gracia, magia de balas era uma bastante conveniente devido à sua velocidade de invocação.

De sua mão esquerda estendida, várias bolas de fogo com alguns metros de extensão foram produzidas.

Elza estalou sua língua.

— Tsc… Parede de Gelo!

Com uma varredura horizontal de sua mão esquerda, ela produziu uma parede de gelo diante de si, sua espessura excedendo dez metros.

As enormes bolas de fogo impactantes geraram fumaça branca enquanto lascavam a parede.

Para ficar por cima de sua oponente dessa vez, Elza começou a se mover, apenas para arregalar seus olhos enquanto olhava para o gelo que ela havia criado.

Lá, ela viu a forma emergente de Gracia, que perfurara seu caminho.

Apressadamente, ela criou um escudo de gelo, mas sendo incapaz de parar o avanço, Elza foi mandada voando. A terra umidificada tinha se tornado lama, e Elza estava coberta nela. Lama ascendente foi congelada, e vários pilares marrons de gelo se formavam.

Levantando-se, Elza baixou os olhos às suas próprias vestes.

— Seu cérebro de músculos!

Com força o bastante para congelar toda a terra nublada em volta, um ar frio começou a soprar com Elza em seu centro. Gracia protegeu seus olhos da tempestade de geada enquanto começava a sentir o chão sob seus pés congelar.

— Sua tapada mágica!

Aumentando a saída da chama pálida que a cercava, Gracia instantaneamente começou a derreter o gelo em sua volta.

O campo de batalha ocasionalmente experimentava friagens que excediam os maiores invernos, outras vezes era assolado por calores ultrapassando o verão, uma situação impensável…

… Em um diferente campo de batalha, Novem enfrentava Miranda em um a um.

Não, Miranda estava recebendo o suporte de Shannon e Clara, então não podia ser chamado exatamente de um duelo de um a um.

Novem estava lutando com seu cajado na forma de uma foice, mas no momento que se moveu para usar magia, Shannon sobre o Portador berrou.

— A-a próxima é fogo! Uma do tipo de pilar realmente grande!

Ela sabia o que Novem dispararia antes que a mesma usasse, e Miranda movia-se para destruir sua invocação.

Em um estado onde era incapaz de usar qualquer magia, Novem era forçada a enfrentar Miranda de perto.

Com duas adagas em mãos, Miranda habilmente aparou o descer da foice, antes de iniciar imediatamente um chute.

Pulando para trás, Novem falou:

— Ainda está com esse seu mau hábito.

Diferente do habitual, ela murmurou isso em uma expressão em que mal se podia sentir qualquer emoção. Miranda certificou-se de não deixar seu sorriso desaparecer.

— Minha nossa, lamento por isso. Mesmo assim, mesmo nós esmagando preventivamente cada ação sua, você não está vacilando nem um pouco. Por acaso você não tem conceito de impaciência?

Novem sentiu a presença da Clara a circulando por trás, e instantaneamente começou a se mover.

A batalha não tinha a mesma ostensão que a de Elza e Gracia, mas os soldados que tentavam interferir eram igualmente derrubados.

Soldados de ambas as facções tinham se aproximado, pensando poder derrotar as garotas. Então estavam afundando na terra lamacenta.

Miranda deixou seus pés afundarem fundo, dando um chute para acelerar, lançando sujeira voando atrás de si.

Novem discernia os ataques consecutivos de Miranda, enquanto a distância entre as duas era reduzida.

— … Você sabe onde está o Lyle-sama?

Desde o começo, essa era a frase que Novem não parava de repetir. Miranda riu:

— Não. Agora entendo… Novem, no momento você já está consideravelmente distraída!

“…!”

A expressão de novem mudou ligeiramente. Sem ignorar a menor brecha de negligência, Miranda imediatamente agiu.

Quando ela estocou com uma adaga, Novem esquivou. Mas Miranda soltou essa adaga, agarrando o rabo de cavalo de Novem, batendo sua cabeça com força contra o chão.

Aproveitando-se do chão escorregadio, ela havia usado a brecha deixada por Novem para lançá-la para baixo.

Mas…

— Mana, para trás!

Com as palavras de Shannon, Miranda instantaneamente recuou com um salto, enquanto vento dança em torno de Novem. A água no chão tinha começado a se mover anormalmente ao vento, enquanto rodopiava com Novem no centro.

E quando Novem enfiou uma mão na lama para se levantar, na lama ao seu redor, cobras de lama começaram a se formar. Uma, duas, e no final, nove tinham se formado.

Sem esfregar a lama de seu rosto, Novem mudou seu cajado para a forma de uma lança. Uma das enormes cobras deixou Novem descansar em sua cabeça, e a levantou no ar.

— Como imaginei, você é habilidosa, Miranda-san. Fico grata que manuseie esse poder adequadamente pelo bem do Lyle-sama. Mas… não deixe isso lhe subir à cabeça.

Era diferente da Novem de sempre. Diferente da voz indiferente que ela esteve usando também. Com aquela voz preenchida de emoção indistinta, Miranda sentiu um calafrio lhe correr as costas. Mas isso foi tudo.

— Você realmente não pode achar que era a única escondendo suas habilidades? Então que tal isso.

O chão sob os pés de Miranda inchou, lentamente abrindo espaço para mostrar a enorme figura de um animal felino.

Vendo essa magia, Clara estalou sua língua.

— Tsc… Produção e manipulação de golem. Então vocês podiam fazer isso, merda. Então falasse algo logo.

Shannon se distanciou um pouco de uma Clara mais assustadora que o normal, encolhendo seu corpo do lugar que havia se tornado um campo de batalha de golens de larga escala.

Novem olhou para Miranda.

— Um gato, não é? É realmente fofo.

Enquanto Novem mostrava sua tranquilidade, Miranda declarou:

— Quem foi que falou que isso era tudo, heim?

Mostrando um sorriso, o golem felino quadrúpede colocou-se em duas pernas, criando uma juba, e expondo suas presas. De suas costas brotaram seus conjuntos grossos de braços. Cada um portava uma arma própria, com seu corpo coberto em armadura, punha-se lá um guerreiro bestial.

Os olhos de serpente e fera brilharam, enquanto sua batalha começava a se destacar de um modo que não ficava para trás daquela de Gracia e Elza…

May e Eva.

Junto com as duas, em uma colina um pouco afastada do campo de batalha, eu me sentava a assistia.

Em volta estavam os elfos que Eva trouxera junto, e estavam excitadamente inspecionando o campo de batalha com blocos de notas em mãos. Entre eles, alguns até mesmo faziam desenhos.

May sentava-se mastigando pão, enquanto Eva olhava para mim com um sorriso apertado.

Eu olhava para o campo de batalha enquanto falava:

— É uma tormenta. A Novem e as outras estão tendo uma batalha de monstros gigantes. Não acha que realmente vale a pena ver?

Eu sorri gentilmente enquanto esfregava meus cabelos. Eva sacudiu sua cabeça de lado.

— Lyle, por que você está aqui tão longe?

À sua questão, eu dei uma resposta simples.

— Porque caminhei até aqui com a May.

— Por que não está tomando comando do campo de batalha?
— Existem algumas razões por trás disso, e estar aqui é mais interessante.

— Por que as duas donzelas da guerra, e nosso grupo, estão pulando nas gargantas umas das outras!?
— Por mim!

Para mulheres tão belas brigarem por mim, me lembra do quão pecaminoso homem fui eu. Mas realmente era necessário, então não me intrometerei para impedi-las. Ainda não, pelo menos.

Ainda não era hora de acabar com isso.

— Você, tem noção de que foi você quem criou essa situação? Como você planeja resolver isso depois!?

Em resposta a minha adorável Eva, que estava tão preocupada comigo, encolhi meus ombros.

— Não se preocupe, Eva… Estou confiante que roubarei o centro das atenções. Apenas olhe em volta. Não acha que o campo de batalha é o lugar perfeito para as donzelas da guerra se confessarem?

Eva cobriu o rosto com sua mão esquerda.

— Eu sabia que você aumentaria o harém, mas adicionar as duas ao mesmo tempo é idiotice. E depois de crescê-lo tanto assim, se você virar imperador, ele só vai crescer ainda mais.

Eu soltei uma grandiosa risada.

— FWAHAHAHA! Não se preocupe, elas já estão caidinhas. Tudo o que falta é que eu as colha. E veja… quando eu me tornar imperador, darei o resto da minha vida para vocês e para o povo.

Quando meu rosto ficava sério, tal como imaginei, minhas feições eram esplêndidas, não importando o que eu dissesse, serviria para uma pintura. Tenho certeza que os elfos em volta passarão minha sublimidade por eternidades vindouras.

— … A menina Nihil foi capturada por um cara estranho, não foi?
— Mas se ele for tão longe assim, parece que será divertido. Isso esmaga a imagem de Cavaleiro Sagrado, então realmente não quero olhar pra isso.
— Se um pouco decepcionante é mais divertido que perfeição. Você sabe, aquele elemento de surpresa.

Eles não eram capazes de me oferecer uma avaliação precisa. Eu já sabia disso, e como imaginado, sou um homem acima do compreensível.

— Hmm, então estou além da compreensão mesmo antes de chegar aos livros históricos? Realmente sou um homem que nasceu digno ao nome de imperador!

May, que havia terminado seu pão, me ofereceu uma frase:

— Lyle, sinto que sua definição de “além da compreensão” é diferente daquela que conheço.

Parece que eu precisaria fazer a May entender minha incompreensibilidade. Eva me ignorou, e começou a registrar o estado do campo de batalha. Vendo como seu rosto estava vermelho, notei que ela estava apenas escondendo seu embaraço no final das contas.

— Bem, deixando isso de lado. Em que momento devo intervir… o momento é importante afinal.

Eu estava ponderando sobre a hora certa da minha entrada.


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Tradução: Batata Yacon   |   Revisão: Delongas


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