Interlúdio II – Vamos comer! (Parte 2)

 

Crusch cerrou os dentes, suportando a dor.

Rem manteve os olhos em cada movimento do homem.

Ela não tem meios de se defender contra seus ataques. No primeiro sinal de um ataque, pular para longe com Crusch é a única coisa que ela pode fazer.

Em um momento situação sinistra dessa, por algum motivo Crusch e Rem estavam sozinhas, por que não tem ninguém vindo ajudá-las? Neste momento crítico, com o seu Senhor gravemente ferido, os cavaleiros que não se acovardaram mesmo em frente da baleia branca, por que—

[Jovem: Ah sério… Comi e comi, mas ainda não é o bastante! É por causa disso que podemos continuar vivendo! Comer, mastigar, morder, rasgar, triturar, sugar! BEBER COM GULA! COMER COM GULA! AH– ESTOU CHEIO!]

 

De repente, por trás, veio uma voz aguda e ensurdecedora de um adolescente.

Como o primeiro homem, a voz do jovem fez Rem sentir calafrios na espinha. Com seu corpo rijido, ela se virou para olhar para ele. O jovem estava entre várias carruagens vazias, da cabeça aos pés coberto de sangue.

O seu longo cabelo castanho-escuro, com o comprimento até os joelhos, o corpo dele era pequeno, com a mesma altura que Rem, e talvez 2 ou 3 anos mais jovem— talvez não muito mais velho do que as crianças da aldeia perto da mansão.

Abaixo de seu cabelo, apenas um trapo fino, encharcada de sangue, cobria o seu corpo esbelto. Cada polegada de sua pele estava coberta de sangue.

Claro, aquele sangue não era dele. Era dos cavaleiros deitado aos seus pés.

Enquanto Crusch e Rem estivam num impasse com o homem na sua frente, os cavaleiros tinham se envolvido com o inimigo atrás deles. No final, antes que Rem sentisse qualquer combate, já havia acabado.

[Rem: Você, é…]

 

Com a voz trêmula, Rem, com Crusch em seus braços, recuou até que ambos os inimigos estavam dentro de seu campo de visão. O sangue do ombro de Crusch tinha tingido a estrada de vermelho. O ar tornou-se frio, como se zombando de sua fraqueza, de seu medo.

Ouvindo a pergunta, o homem e o jovem se olharam.

Como se já tivesse tudo organizado, eles acenaram um para o outro. Em seguida, com o mesmo sorriso enlouquecido de prazer violento, eles anunciaram os seus nomes:

[Homem: Arcebispo do Pecado da “Ganância” no Culto da Bruxa, Regulus Corneus!]

 

[Jovem: Arcebispo do Pecado da “Gula” no Culto da Bruxa, LEY BATENKAITOS!]

 

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[Ley: Quando sentimos que o nosso animal de estimação foi morto viemos dar uma olhada. Mas, então, AH!— QUE COLHEITA DELICIOSA! É bom, é muito bom, é muito bom, é ótimo, é maravilhoso, é fantástico, é excitante, é notável! É ESPETACULAR! Paixão! Amor! Ódio! Cavalheirismo! Ó ALEGRIA! E TRISTEZA! Isso, Isso…! ISSO VALE A PENA COMER!]

 

Culto da Bruxa — e Arcebispo do Pecado.

Quando essas palavras chegaram aos ouvidos de Rem, ela congelou no lugar.

Com uma expressão alegre o jovem estava dançando enquanto gritava barulhos estranhos.

Girando, como se dançando, os seus braços apontaram aos cavaleiros mortos e então olhou para eles, como se com compaixão esmagadora.

[Ley: Que MARAVILHOSO! Para alimentos vir pessoalmente. Tem sido realmente difícil encontrar pessoas com espinha dorsal hoje em dia. Mas agora, eu estou redescobrindo a LONGA SATISFAÇÃO PERDIDA da minha fome!]

 

[Regulus: Isso é o que não entendo sobre você, Batenkaitos, a sua fome não é a verdadeira fome, e aquele que está sendo preenchido não é você mesmo. Por que você não pode se satisfazer com a forma como você está? Possuímos verdadeiramente apenas o que mantemos em nossas próprias mãos e pode transportar com nossos próprios braços. Se você perceber isso, você será capaz de controlar seus desejos, não é?]

 

[Ley: Não precisa ficar dando sermões seu velho tedioso, eu não gosto de ser exortado. Não discordo do que você disse, mas não estou interessado. Para ser honesto, enquanto eu não morrer de fome – REALMENTE NÃO ME PREOCUPO COM O RESTO!]

 

Batenkaitos, a “Gula”, teve um ataque de riso enlouquecido, e Regulus, a “Ganância”, encolheu os ombros desinteressado.

Dois Arcebispos do Pecado aparecendo no mesmo lugar ao mesmo tempo, Rem se afundou em pensamentos.

Em termos de força, é impossível vencer estes dois.

Apesar do sangramento de Crusch ter parado, ela ainda está em estado crítico. Se os cavaleiros estão mortos ou em coma, eles já não podem lutar.

Para curar Crusch, Rem já tinha explorado excessivamente a sua própria mana, mas se ela se transformar no modo demônio, ela será capaz de absorver mana da atmosfera e lutar. Mas contra estes dois, vitória é inconcebível.

De um lado está o ataque e defesa impecável da “Ganância”. Conhecido por ser capaz de capturar uma cidade com suas próprias mãos, é impossível medir a extensão de seu poder. Por outro lado, a “Gula” não é menos formidável. Apesar de suas habilidades ainda serem desconhecidas, ele conseguiu acabar com um exército inteiro dentro de segundos. Aconteça o que acontecer, Rem não podia ver a vitória esperando por ela em um futuro próximo.

Ela rapidamente verificou o campo de batalha, as carruagens estão longe de serem vistas. Os mercenários meio-humanos foram incumbidos de transportar os soldados feridos — e a cabeça da baleia branca. Eles podem ter escapado no caos e estar recuando a toda velocidade em direção a Capital agora. O comandante deles deve ser o Vice Capitão Presa de ferro – Hetaro – brilhante e cheio de recursos e possuindo grande bom senso e julgamento…

Se dado tempo, possivelmente ele voltará com reforços.

Mas, ainda assim — provavelmente não chegará a tempo para Rem.

[Rem: Baleia Branca…]

 

[Regulus: Hein?]

 

[Ley: Hum?]

 

Ela murmurou calmamente, e ambos os Arcebispos do pecado inclinaram a cabeça.

Ela segurou a respiração por um instante, tendo encontrado uma pista para ganhar tempo. Antes que eles perdessem o interesse, ela continuou.

 

[Rem: Vocês querem a baleia de volta? Porque nós estão transportando a cabeça cortada para a Capital agora mesmo.]

 

[Ley: Cabeça? Ah, eu estava começando a me perguntar o que era aquele cheiro esquisito. O que acontece com a cabeça não importa de qualquer maneira. Já está morta, o que faremos levando ela de volta? Se quisermos, podemos sempre fazer um novo… levará aproximadamente a mesma quantidade de tempo para criar outra.]

 

Dizendo isto, Batenkaitos estalou o pescoço e cerrou os dentes,

[Ley: Comparado a isto…] Ele disse vigorosamente,

 

[Ley: Em comparação com uma Baleia morta nós estamos mais interessados nas PESSOAS QUE A MATARAM. Depois de 400 anos, alguém FINALMENTE matou aquela coisa. Mesmo que já esperássemos uma festa… AH! ISTO É MUITO ALÉM das NOSSAS EXPECTATIVAS!]

 

Sacudindo a cabeça, fazendo seu longo cabelo balançar descontroladamente, o jovem ria com saliva voando de sua boca e estalando os dentes quando disse isso.

 

[Ley: Amor! Cavalheirismo! Ódio! Obsessão! Realização! Reunidos trazem excitação total! A SATISFAÇÃO! Há alguma coisa no mundo mais DELICIOSO? Não não não não não não não não não não não não não há não há! BEBER COM GULA! COMER COM GULA! Assim! Meu Coração! Meu Estômago! Minha ALEGRIA e SATISFAÇÃO estão TREMEEEEEENDO!!!]

 

Incompreensível.

Como se perdendo o controle, Batenkaitos soltou uma gargalhada estridente, convulsiva. Silenciosamente, Rem virou os olhos para Regulus e Regulus acenou.

 

[Regulus: Infelizmente, ao contrário dele… Estou aqui puramente, puramente pelo o acaso… Não é minha intenção de qualquer modo… Claro, eu tenho fome e desejos como a dele? Para manter tais desejos egoístas, sem sentido… Ao contrário de seu estômago insatisfeito que o tortura, por outro lado, estou completamente, totalmente, satisfeito comigo mesmo!]

 

Abrindo os seus braços como uma cruz, Regulus ficou na frente de Rem com uma expressão totalmente refrescante.

O braço esquerdo de Crusch foi cortado e, no entanto, os seus dois braços ainda estão livres para dobrar e virar, era como um ato de ostentar a sua própria existência.

 

[Regulus: Conflito, eu odeio isso… Para mim, apenas desfrutar meramente da tranquilidade e segurança da vida comum é o suficiente, eu não tenho mais necessidade do que isso. Estável, tempo imutável e meu ego, isto é o melhor. Porque as minhas mãos são pequenas e impotentes, para mim, só para mim, para proteger minhas poucas posses, tenho que usar todas as minhas forças. Esse é o meu tipo de existência frágil.]

 

Regulus enfatizou fechando a sua mão em um punho. A mão que reclamou inúmeras vidas e o braço de uma mulher. Tal explicação é ir longe demais.

Seja Ley, um louco em transe com uma risada demente, ou Regulus, um arrogante, convencido falador e satisfeito consigo mesmo, eles certamente são do Culto da Bruxa.

Uma raiva fervente nascia em seu coração.

Rem pôs Crush, ainda respirando fracamente, sobre a planície coberta de grama. Ela forçou as pernas trêmulas a ficarem firmes. Na mão dela, ela segurou a Estrela da Manhã, e espremendo a última gota de sua mana, lanças de gelo formaram no ar ao seu redor.

Vendo isso, as expressões de Ley e Regulus mudaram.

 

[Regulus: Alguém ouviu? Eu disse que não quero lutar? Se você vai tomar uma atitude dessa, então, depois de ignorar meus desejos… Isto é violação dos meus direitos. Dentre as poucos posses que é me permitido ter… Minha posse. Tomada de mim. — Para mim, que já tem tão poucos desejos, este é… imperdoável!]

 

[Rem: Já chega, Culto da Bruxa.]

 

Levantando a cabeça em direção a Regulus, Rem pronunciado estas palavras firmes e resolutas. Em direção a Regulus de aparência decepcionada, Rem sacudiu a correntes de ferro.

 

[Rem: Mais cedo ou mais tarde, um herói aparecerá. Quanta dor e sofrimento a sua auto-indulgência e vaidade tem causado no mundo, isso será conhecido por esse herói. Rem é profundamente e unicamente amada por esse herói.]

 

[Ley: Ei, um herói. Vou estar ansioso por esse cara! Se você acredita tanto nele, esse cara deve ser DELICIOSO!]

 

Batendo palmas e inclinando o corpo para a frente, Ley Batenkaitos mostrou a língua para Rem. Os olhos dele não eram os olhos de um homem olhando para um inimigo, muito menos para uma mulher. Eles eram os olhos de um animal faminto olhando para a sua comida.

Os cavaleiros caídos atrás de Batenkaitos começaram a obscurecer e tornar-se indistinguíveis.

A sua existência, a sua posição, nada disso agora é compreensível para Rem. Por que eles estão ali, quem são eles, e qual a relação que eles têm?

Assim como o pesadelo de sua existência sendo apagada pela névoa da baleia branca. Então, o mestre da baleia , a “Gula”, possuí a mesma autoridade.

— Empregada Chefe da Casa do Marquês Roswaal L. Mathers, Rem.

Com a intenção de proclamar a sua identidade, Rem sacudiu a cabeça.

Neste momento, o nome que ela realmente queria dizer era,

 

[Rem: Agora, eu sou apenas alguém que é amada pela pessoa que ela ama. Companheira do herói, a quem eu mais amo em todo o mundo, não importa o que. Companheira de Natsuki Subaru, Rem.]

 

Um chifre branco imaculado emergiu da sua testa, uma onda imensa de mana voou para o seu corpo da atmosfera.

Seu corpo embebecido em nova força, a cadeia da sua Estrela da Manhã se retorcendo, sacudindo, as lanças de gelo ao redor dela ressoando em antecipação.

Ela abriu os olhos, tendo o mundo e o sentimento da atmosfera. Na mente dela, ela estava vendo o seu rosto.

 

[Rem: Preparem-se, Arcebispos do Pecado. O Herói da Rem trará a punição sobre vocês!]

 

Levantando a Estrela da Manhã, no mesmo instante, as lanças de gelo voaram, o corpo da Rem avançou.

Como se respondendo, a boca de Batenkaitos alargou-se, cheio de dentes.

 

[Ley: Que maravilhoso! — Ah tanta PAIXÃO! VAMOS COMER!!!]

 

Choque se encontrou com choque, e naquele instante, ela pensou—

Desejo que quando ele perceber que eu partir, isso possa causar uma pequena ondulação em seu coração.

— Apenas isso, foi o que Rem desejou em seu momento final.

 

 

-=Fim do Interlúdio II=-

(Por que com a Rem, por que…)

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