Interlúdio II – Vamos comer! (Parte 1)

 

Na carruagem de dragão que balançava, Rem só pensava nele.

O nome dele que repentinamente aparecia em sua mente, Rem suavemente levantou o rosto e estreitou os olhos contra a luz do sol.

Ela olhou para a comitiva de carruagens de dragão a sua frente, dentro deles, estavam os soldados feridos da batalha com a baleia branca.

Ao todo, foram tratados apenas as suas feridas urgentes, e mais do que alguns deles ainda estavam gravemente feridos. Mas mesmo em sua dor, os cantos de seus lábios brilhavam pela sensação de satisfação por ter cumprido um sonho que era há muito estimado. Após realizar este sonho de muitos anos, para vê-lo finalmente cumprido eles perceberam que significava mais para eles do que os ferimentos ou a morte. Tendo alcançado o que eles pretendiam fazer, agora indo em direção a Capital, para o seu retorno triunfante.

Levando tudo isto em conta, Rem se odiava por não ser capaz de segurar a dor dentro do seu coração.

[Crusch: Você parece ansiosa, Rem. Você ainda se preocupa com ele?]

 

[Rem: …Crusch-sama]

 

Olhando em direção à voz, era Crusch sentada ao lado de Rem.

Enrolada com algumas ataduras, é louvável como Rem não revelou nenhum sinal da gravidade de seus ferimentos, mas era impossível esconder a sua preocupação. O fato dela estar em uma carruagem também foi porque Crusch não se sentia confortável deixando Rem montar um dragão terrestre sozinha nesta condição. Então ela resolveu acompanhá-la, pelo menos, até a Capital.

Sentindo o olhar instável de Rem, Crush encolheu os ombros casualmente.

[Crusch: Comparado a isto…] sacudindo a cabeça,

 

[Crusch: Ele tem Wilhelm, Ferris, as elites da expedição e a companhia de mercenários de Ricardo, todos lá para ajudá-lo. Além disso, Anastasia deve ter previsto essa série de eventos. Mesmo que a força do adversário for preocupante, acho que não há qualquer razão para que eles percam.]

 

[Rem: Mesmo assim, eu não posso evitar de se preocupe.]

 

[Crusch: Ainda não é possível remover a fonte da ansiedade, hum… Quando o obstáculo está dentro de você, é possível melhorar a si mesmo até que supere-o. Mas quando é sobre outras pessoas, ele se torna muito difícil… Ah, então, no final eu sou muito péssima em confortar as pessoas, eu sinto muito.]

 

Vendo Rem afundar-se mais ainda em sua ansiedade, Crusch percebeu que ela tinha errado e baixou os olhos. Mas vendo a fria e formal Crusch de repente dessa forma, o canto dos lábios de Rem não poderiam deixar de frisar em um sorriso.

[Crusch: Hum, isso é bom] vendo isso, Crusch assentiu satisfeita,

 

[Crusch: Natsuki Subaru disse isso antes, “um sorriso combina melhor com a Rem, não é?” Mesmo que parece que saiu do nada, não foi uma coisa totalmente estúpida de se dizer.]

 

[Rem: Crusch-sama… sabe, quando você sorri, você dá uma impressão completamente diferente. Você é normalmente severa, no entanto, uma vez que você sorri você se torna…]

 

[Crusch: As pessoas dizem isso, não posso dizer que não fico brava com isso. Porque sorrir sem motivo na frente das pessoas, acho que estou me tornando um pouco desamavel…]

 

Rem não tinha certeza se deve interpretar isso como uma piada, mas vendo o sorriso gentil de Crusch, os lábios dela abriram em um sorriso também. Corajosa e orgulhosa, para Rem, que sempre tem tido falta de confiança, Crusch era uma mulher ideal. Mas é claro, no coração de Rem, a mais alta honra foi reservada para ninguém menos que a sua irmã mais velha, Ram.

[Crusch: Em frente ao seu caminho é o Culto da Bruxa… Mesmo que fosse mais ou menos esperado considerando a identidade de Emilia, até sabermos mais sobre eles, todo cuidado é necessário. Natsuki Subaru percebe isso, mas certamente o Senhor Mathers tem um plano também?]

 

[Rem: A profundidade da mente do meu mestre, Rem não poderia possivelmente saber. Mesmo se você me perguntar isso eu não seria capaz de responder.]

 

[Crusch: Isso é rude. Agora que somos aliados, compartilhar um pouco de informação não seria muito ruim.]

 

Talvez tenha sido para distrair Rem de afundar-se em pensamentos negativos novamente, de fato foi graças a Crusch que Rem não foi deixada em paz para afundar-se em suas preocupações.

Além disso, Crusch puxou um bom ponto, um homem como o Roswaal L. Mathers deve ter tido um grande plano para tudo isso. Certamente, as ações de Subaru promoviam os objetivos de seu mestre, enquanto ao mesmo tempo ele recupera a sua reputação perdida.

Na verdade… com o assassinato da baleia branca, a sua reputação já tem de longe superado o que era antes.

– Herói Natsuki Subaru.

Para Rem, cujo o coração e futuro ele salvou, esta avaliação é nada menos do que precisa. Considerando o futuro brilhante que ele ainda tem que criar, isto é também mais do que justificável.

E então, para estar ao lado desse herói radiante, um lugar aonde ele poderia ocasionalmente voltar para ter certeza de que ela estava lá, somente aquele lugar poderia manter a sua existência- então não há nada mais no mundo que Rem desejaria. Com isso apenas ela estaria satisfeita.

Quando Subaru aparece em sua mente, o coração de Rem está sempre agitado.

Torna-se quente e por acaso calmo. Ainda, de alguma forma, também se torna cheio de dor, de angústia, de saudade e preocupação.

Para dar ao seu coração ao mesmo tempo tanta felicidade e tanto sofrimento, somente Subaru poderia fazer isso com ela.

Com um sorriso esculpido em seus lábios, os pensamentos de Rem voltaram-se para o futuro dela: o futuro dela e o de Subaru.

Lançando um olhar de lado sobre o rosto de Rem, Crusch soltou um suspiro de alívio. Acariciando a bainha de sua espada de cavaleiro com os dedos, os olhos dela olharam em silêncio para a estrada à frente, com os seus pensamentos na Capital.

[Crusch: ——–?]

 

[Rem: ——–?]

 

Crusch apertou as pálpebras, ao mesmo instante Rem ouvi um barulho e levantou a cabeça.

O que os olhos de Crusch viram era algo errado sobre a carruagem de dragão à frente. O barulho que Rem ouviu veio na mesma direção. Na verdade, ambas as pistas estavam levando à mesma conclusão.

Aos olhos de Crusch, a carruagem de dragão “desintegrou”. Nos ouvidos de Rem, o prelúdio para o “colapso” ecoou como o som de gotas de chuva.

Uma névoa de sangue borrifou para o alto. A imagem da carruagem de dragão na frente deles de repente havia se transformado em um coisa deplorável.

O dragão terrestre, a carruagem e todos os feridos dentro foram completamente arrancados e então destruídos impiedosamente pela esmagadora devastação.

[Crusch: –! Ataque inimigo!]

 

A garganta dela atrasou apenas um instante, antes de Crusch gritar para todos. Com Crusch no comando, as carruagens de dragão circundante sentiram a crise e prepararam-se para a batalha.

Rem, afastando todas as sensações de dor e exaustão, com a sua Estrela da Manhã na mão, levantou-se de uma só vez— do outro lado da névoa de sangue estava a sombra de um homem.

Quem é aquele homem, agora queimando em sua visão, em pé no meio da estrada?

Sem arma, sem armadura, sem medo. Sem compaixão ou malícia ou intenção!

[Crusch: Esmague-o!!!]

 

A ordem de Crusch veio rugindo de cima da plataforma do motorista. Ouvir a ordem, o cavaleiro-motorista esticou as rédeas em reconhecimento. Com um grito, o dragão terrestre levou a carruagem— com ímpeto capaz de destruir qualquer grande animal ao entrar em contacto.

Sem desviar, era uma colisão frontal com a figura na frente. O homem não mostrou nenhuma intenção de se mover. E assim, de repente, os dois objetos se tocaram, um corpo esbelto prestes a ser rasgado em pedaços pela-

[Rem: Crusch-sama!]

 

Com este grito, Rem pegou Crusch pela cintura e pulou para fora da carruagem. Não houve tempo para alcançar o motorista, Rem pousou mordendo o lábio, pensando isso.

E então, logo depois,

[Homem: Ah sério? Eu quero desistir! Eu não fiz nada e alguém quer me esmagar até à morte. Sério, não é isso o que as pessoas devem fazer. Eu acho que não.]

 

Ele falou com uma atitude relaxada de um homem sem pressa caminhando em um parque, ou tomando sol ou algum situação dessa.

Se não fosse os entulhos despedaçados que costumavam ser a carruagem de dragão, Rem não acharia esta cena tão bizarramente horripilante.

Não importa como você olhar para ele, o homem não parece nada fora do comum.

Seu corpo era longo e esbelto, e seu cabelo branco puro era nem longo ou nem curto, nem particularmente estranho. Suas roupas pretas não eram nem extravagante gasta, e seu rosto não era nem atraente. Ele parecia muito comum, que possivelmente não importa onde você o visse na rua, você iria esquecê-lo dentro de 10 segundos.

Mas o fato é que, ao entrar em contacto com este homem, o dragão terrestre foi rasgado em dois, e em seguida, o motorista e a carruagem quebrado em inúmeras pedaços indiscerníveis.

A parte mais assustadora é que, embora Rem nunca desviou o olhar, tudo o que ela viu foi este homem meramente “ali de pé”.

Não fazer nada, só por estar lá o homem sobreviveu a colisão com uma carruagem de dragão e ainda está lá como se fosse nada.

[Crusch: Obrigado Rem, por me salvar. Mas… parece que a situação não melhorou.]

 

Ainda carregada pelos braços da Rem, Crusch a agradeceu, levantou-se e no mesmo instante em tirou a sua espada da bainha. Para o cavaleiro-motorista que seguiu a sua ordem e como resultado foi quebrado em mil pedaços, Crusch sentiu a dor em seu coração e estreitou os olhos.

[Crusch: Para tão cruelmente matar meu vassalo, não pense que isso vai acabar tão facilmente… Quem é você?]

 

Com sua lâmina nua brilhando com a intenção de matar, ela lançou estas palavras para o homem. Ouvindo estas palavras, o homem tocou seu queixo e começou a acenar como se ele entendesse.

[Homem: Ah entendo entendo certo certo, você não sabe sobre mim. Mas eu sei sobre você. Toda a Capital… na verdade, o país inteiro… você é completamente o tema das conversas agora. Afinal, você é um candidato para ser o próximo Rei. Mesmo eu, tão fora de contacto com o mundo, posso imaginar que grande fardo…]

 

[Crusch: A conversa fiada termina agora. Responda a minha pergunta, ou da próxima vez eu vou matar você.]

 

[Homem: Isso é realmente extremo! Mas então você não seria capaz de governar um país. No entanto, este sentimento, eu realmente não entendo nem um pouco… Este desejo de usar a coroa e assumir todas as responsabilidades, como alguém pode entender isso? Ah, ah, mesmo que eu não entenda, eu não vou discordar de você. Eu não sou tão arrogante assim, nem um pouco. Ao contrário de você…]

 

Não prestando atenção a Crusch, o homem só continuou.

E então,

[Crusch: Como eu disse, essa foi a última chance.]

 

Quando Crusch friamente pronunciou estas palavras, o braço dela brandiu uma lâmina-de-vento.

A magia de vento de Crusch combinada com esgrima, desencadeia um golpe invisível. Conhecida como o “Corte-dos-Cem-Homens”, é um golpe poderoso de longo alcance que pode cortar o corpo de um homem sem ele sequer saber de onde veio, ou quem atacou.

Naquela época, quando o “Grande Coelho” Mabeast apareceu nas planícies do condado de Karsten, ela matou todos os Mabeasts sob o comando do Grande Coelho em sua primeira batalha, e foi desse momento em diante que Crusch Karsten ganhou o nome de “Corte-dos-Cem-Homens”.

Mesmo a pele inflexível da baleia branca foi aberta por esta lâmina, ele não tinha desempenhado nenhuma pequeno papel em derrubar aquele Mabeast colossal. Em comparação com a baleia branca, este corpo pequeno e frágil não poderia possivelmente suportar…

No entanto,

[Homem: …Atacar alguém enquanto ainda está falando, apenas onde estão os seus modos?]

 

Com a cabeça inclinada, como se ostentando que seu corpo não levou nenhum dano, o homem ficou apenas lá.

A sua existência foi totalmente não afetada por um golpe que pode rasgar até mesmo a armadura da baleia branca. O corpo do homem— não, até mesmo as suas roupas estavam ilesas.

Ele não defendeu o ataque, pelo contrário, era algo totalmente diferente e desconhecido.

Crusch não podia deixar de prender a sua respiração e Rem congelou no lugar, depois de testemunhar algo tão fora do reino da compreensão. Na frente deles, o homem suspirou pela primeira vez.

[Homem: Sabe…] com um tom reduzido pelo desgosto,

 

[Homem: Eu estava falando. Eu não estava falando agora mesmo? E então você me interrompeu. Isso não é um pouco indelicado? Não acha que isso foi errado? Eu tenho o direito de falar… mesmo que eu realmente não queira ter que apontar isto, mas para interromper as pessoas quando estão falando… isso não é falta de decência social comum? Você é livre para ouvir ou não ouvir, eu não vou te incomodar com isso, mas só o que você quer fazer por não me deixar falar?]

 

Enquanto ele falava, o homem ocasionalmente pisou o chão com uma expressão de desagrado em seu rosto. E assim, ele apontou o dedo para aquelas duas na frente dele, ambas agora estranhamente sem palavras.

[Homem: E agora você está quieta, o que é isso? Você está escutando. Você estava escutando, certo? Eu não estava perguntando algo para você? Então me dê algum tipo de resposta, deve ser assim, certo? Você não vai mesmo fazer isso, não é? Ah, ah, liberdade. Isso é a sua liberdade. Você me vê falando e você quer me matar, então quando eu faço uma pergunta, você me ignorar como se eu fosse o vento. Então é assim, não é? Bem, você é livre para fazer isso. Tudo bem, vamos apenas dizer que é assim. Mas então, o que é que isso quer dizer?]

 

Vendo as duas de pé silenciosamente se preparando para um ataque, ele inclinou a cabeça e olhou para elas com seus olhos penetrantes e depois com uma voz sufocante,

[Homem: Você está me ignorando, uma das minhas únicas poucas posses, certo?]

 

Logo quando um calafrio percorreu as costas de Rem, o homem deu um passo a frente. Seu braço levantou e inclinou, criando uma pequena rajada de vento.

Em seguida, na mesma linha que o movimento de seu braço— a terra, o ar e o mundo se separaram em dois.

Rodando e rodando e rodando, o ombro esquerdo decepado de Crusch voou no ar.

Ainda agarrando a bainha da espada, o braço cair no chão jorrando sangue. Crusch, perdendo a força em seus pés pelo impacto, caiu no chão convulsionando em dor e perdendo sangue em massa.

[Rem: Crusch-sama!]

 

Atordoada por alguns segundos, Rem correu às pressas para o lado de Crusch. Ela colocou as mãos na ferida de Crusch e com a pequena sobra final de sua Mana, aplicou todo o seu poder para parar o sangramento.

Fluiu carmesim brilhante do ombro de Crusch, a carne, ossos, nervos e artérias foram perfeitamente cortados. Um ataque limpo e magistral, Rem suspirou com uma admiração bastante inadequada.

[Crusch: Ferris… Ah… você?]

 

Sob os braços e cura de Rem, Crusch assistia com os olhos desfocados, murmurando indiscernivelmente, e, com o braço direito restante, agarrou firmemente o joelho de Rem. Prova que ainda possui forças para viver.

Contribua com a Novel Mania!