GADG – Capítulo 0 – Eu Comecei a Comer



– Cara, você acredita que o Deus da Morte existe?

O soldado com uma cicatriz em sua bochecha perguntou ao homem ao seu lado, sob o balanço da carruagem. Enquanto bebia, o homem revelou um sorriso sarcástico.

– Deus da Morte? O que caralhos é isso?

– Não pergunte, me responda primeiro se você acredita ou não.

– Não conheço nenhum Deus da Morte, mas se é um demônio que se parece com um humano, já vi muitas vezes até ficar cansado. Já que estou cansado de ver demônios, se houver Deuses da Morte, deixe-me vê-los, por favor. Por isso, se você quer que eu acredite, eu vou, contanto que você entregue o álcool!

O homem estendeu a mão até a garrafa de álcool e começou a beber da garrafa sem esperar por uma resposta. O álcool derramado pingou do canto de sua boca.

Na carruagem a cavalo, está a forragem de canhão comprada com dinheiro, a qual são os mercenários. Por dinheiro, eles estavam dispostos a fazer qualquer coisa.

Em seguida, há uma certa “tragédia” que está prestes a ser encenada. O sujeito que pensou nesse roteiro, é definitivamente um demônio vestido com a pele humana.

Mesmo que não fosse eles que escolhiam o trabalho, eles também franziram a testa para esta tarefa. Mesmo assim, eles eram incapazes de recusar, esta era a razão pela qual mercenários eram mercenários.

– Quando heróis morrem, haverá uma Valquíria que desce. Como esta famosa lenda, minha cidade natal também tem outra lenda.

– Sim, este é o Deus da Morte?

Depois de ingerir o álcool, o homem feliz começou a falar. Os outros, sem terem nada para fazer, também se focaram em ouvir.

– Sim, está certo. Mas Deuses da Morte não visitam qualquer um, eles aparecem apenas diante das pessoas que possuem uma ambição ou desejo extraordinários, mas que ainda morreram antes de completá-lo. Em outras palavras, Deuses da Morte parecem visitar as pessoas que não desistem até o fim.

– O quê, ele vai te ajudar a garantir seu desejo antes de morrer? Então isso deve ser uma deusa! Também quero vê-la. Quando eu morrer, também quero morrer sob a saia de uma bela dama. Hehe!

O homem deu uma risada obscena. O soldado com uma cicatriz na bochecha continuou a dizer.

– … usando um capuz preto, um monstro esquelético e feio que segura uma foice. Eu com certeza não quero ver isso. Deuses da Morte aparecem porque eles querem ceifar as fortes emoções negativas e provar os fortes desejos ardentes. Os pobres coitados serão massacrados depois que o Deus da Morte aproveitar torturá-lo.

– Isso soa tão falso. Afinal, de onde esta história surgiu? Esse cara ainda está vivo, né?

– É claro. Os mortos não têm nada a dizer.

– Sério, te ouvir falar com seriedade, faz com que me sinta um idiota.

– Resumindo, ele não virá atrás de você pelo menos. Olhe para você, você parece um cachorro morrendo.

– Ei, você é único que não tem o direito de falar sobre minha aparência… olhe, conseguimos chegar, comecem a se preparar.

Muitas carruagens estavam estacionadas próximas à vila remota, os mercenários imediatamente começaram a prepara a bandeira do Exército do Reino, usando seus capacetes e armaduras.

Juntos, eles desceram da carruagem e, respectivamente, cercaram a vila.

– Embora isso seja por dinheiro, não tenho vontade de fazer isso. Talvez seja porque temos que destruir a aldeia?

Ele brincou com sua longa lança que é usada como uma arma, parecendo não se importar nem um pouco com isso.

– Se você não quer fazer isso, pode voltar. Mas não haverá uma parte da recompensa para você.

– Oi oi, isso também é trabalho, apenas tente aproveitar. Já que isso é pela suposta “justiça”, não há outra chance.

– … tudo bem, vamos lá. Não deixem ninguém escapar. Se vocês querem brincar por aí, tudo bem. Mas depois que terminarem, vocês devem lidar com isso.

Depois que o homem deu o comando, os mercenários se disfarçaram de Exército do Reino e entraram na aldeia.

Pobres aldeões serem destruídos por causa de ataques de criminosos e bandidos não era algo raro.

Mas desta vez, havia uma diferença, os predadores eram “Soldados do Reino”.

Os aldeões, sob a jurisdição do Reino, estão passando fome por causa da falha nas colheitas, mas os devastadores atacaram implacavelmente. Os Soldados do Reino, que supostamente deviam protegê-los, estavam agitando as armas em suas mãos.

Os impostos já foram pagos, mas eles exigiam mais impostos. Se o chefe da aldeia diz que eles não são capazes de obedecer, com lágrimas no rosto, os Soldados do Reino usariam as espadas em suas mãos sem hesitação.

As pobres vidas, eles nem mesmo conseguiam fazer uma resistência decente antes de serem eliminados. Fazendeiros sem nenhuma habilidade de luta podiam apenas fugir em pânico.

Choros e gritos ecoaram pela aldeia, antes de desaparecem no final. Impulsionados por seus desejos, depois de abusar e roubar tudo, eles atearam fogo nas casas, destruindo tudo, sem deixar nenhum traço.

Aqueles que encontravam uma chance de fugir da aldeia, as costas deles eram atingidas por muitas flechas precisamente disparadas e eles caiam no chão como marionetes que tiveram suas cordas cortadas.

Ninguém conseguia escapar deste inferno. Ninguém podia escapar.

Neste purgatório, onde tudo é para ser queimado…

Uma menininha pequena e delicada, com olhos vazios e dentro de uma cabana velha, segurando com força um pequeno pedaço de pão, foi pega nesta desordem. Ela nem sequer tinha força para escapar.

A família da menina tentou abandoná-la em uma tentativa de escapar, mas eles ainda foram mortos durante tudo isso. Depois de testemunhar esta cena, a menina que foi deixada para trás, fugiu para esta pequena cabana suja.

A menina não podia nem mesmo ajudar nas plantações, e não apenas os aldeões, mesmo sua família sentia que ela era inútil, pensando que seria melhor se ela tivesse morrido.

Portanto, apenas ela foi deixada para trás e sobreviveu até este momento. Porque ninguém podia escapar desta vila que estava completamente cercada.

Mas o resultado deveria ser semelhante. O que estava esperando por ela… morte.

Abandono, desespero, suspiros e tristeza. Todos os tipos de emoções estão se cruzando no coração da menininha.

No entanto, quando ela olhou para o pedacinho de pão que estava firmemente preso em suas mãos, seu rostinho sujo mostrou um sorriso feliz.

– … comida. Meu… meu pão. O pão que pertence apenas a mim.

A morte de sua família, o medo da morte que se aproximava.

Essas coisas não importavam.

Havia apenas uma coisa ocupando toda a mente da menina.

O único desejo que dominava todos os outros.

Isso é “fome”, o instinto dos animais… o desejo chamado “apetite”.

Desde o dia em que a menina nasceu, ela nunca comeu até ficar “cheia”.

Incapaz de ter esperanças de que esta terra estéril fosse capaz de produzir safras o suficiente, e também havia impostos altos. Os homens eram recrutados pelo exército, esta aldeia era composta apenas por velhos, fracos e inválidos.

A pouca comida disponível era reservada para as pessoas que eram capazes de trabalhar.

Assim como aqueles que saíam para caçar, aqueles que cultivavam e aqueles que são pais.

A menininha era magra e não tinha força, e por isso, era incapaz de executar adequadamente essas tarefas.

Somente aqueles que trabalham começam a comer, a menina só poderia ter a comida que não era melhor que nada.

A pequena quantidade de comida causava a falta de força física e, por isso, se tornava incapaz de trabalhar adequadamente, isso resultava na redução de comida como punição. Este tipo de ciclo vicioso continuava até o fim.

Uma vez, a menina ficou com tanta fome até quase ficar louca, e encheu sua boca com ervas daninhas. Sobreviver em tal situação é, possivelmente, um milagre. Os outros aldeões cometiam as tragédias de matar seus filhos para reduzir o número de pessoas. A menina que estava nos portões da morte, mal sobreviveu.

Mesmo se os devastadores entrassem na cabana, a menininha permanecia imóvel. Mesmo se o intruso revelasse um sorriso desagradável, a menininha não virava sua cabeça. Mesmo se os soldados robustos a puxassem, a menina não resistia.

Ela não tinha forças para escapar. Neste caso, apenas o pão não podia ser levado.

Ela reuniu desesperadamente a força em suas mãos.

– O que tem de errado com essa pirralha? O que você está segurando com tanto cuidado? Ei, me mostre!

– !!!

– Não resista! Se não, eu te mato!

– … ah!

O homem deu um soco e a menininha caiu brutalmente no chão.

– O quê, isso é apenas uma migalha normal de pão, pensei que fosse algo valioso. Ah, tanto faz, eu não podia esperar nada desde o começo. Tudo bem, tire suas roupas, não tenho muito tempo.

O homem agarrou o pão da menininha e jogou dentro de sua própria boca e então rasgou rudemente as roupas gastas da menina. O corpo nu e delicado da menina foi exposto.

– Todas as outras são velhas, a única jovem é você. Embora você seja magricela, vou ter apenas que aguentar.

O homem tirou suas roupas e a empurrou para baixo antes de pressionar sobre ela, pensando em matá-la depois de terminar seus assuntos.

– ………

A menina não se importava nem um pouco com seu futuro. Ela não conseguia mais continuar a aguentar sua fome.

Mas, ela queria matar esse desgraçado. Este homem roubou sua última porção de comida. Com intenção assassina preenchendo seu coração, seu ódio pulsante, gradualmente, começou a aumentar.

Junto da emoção escura que transbordava, estava a fome que quase a deixou louca. Qualquer coisa era aceitável. Contanto que fosse algo que pudesse ser comido, ela iria querer colocar dentro de sua boca.

Há algo que pode ser comido? A menina procurou com seus olhos vermelhos. Concentrando sua visão, enquanto torcia os cantos de seus lábios, ela continuou a procurar por “algo” que pudesse ser comido.

Então… ela encontrou. Ela encontrou uma presa que era mais deliciosa que pão.

A ação estranha da menina fez o soldado que a segurava revelar uma expressão confusa. Quando ele estava prestes a arrancar a roupa íntima, seus olhos se encontraram com os da menina.

O homem não pôde evitar de recuar.

Um mercenário experiente, que já havia matado muitas pessoas, foi assustado por uma mera pirralhinha. Ele não se importava se sua presa chorava ou gritava, mas ele nunca viu alguém que revelava um sorriso quando se viam em tal situação.

Não parecia ser loucura devido ao desespero. A menina estava apenas sorrindo alegremente.

– O… o que foi? Do que você está rindo?

– ….

O Deus da Morte, que segurava uma foice, olhou para a menina. A menina não sentiu medo algum.

Isso é uma ilusão? Ou é o verdadeiro Deus da Morte que está esperando para ceifar minha alma?

Usando um manto negro, um Deus da morte que usava uma máscara de caveira. O homem envergonhado parecia estar envolto pelo Deus da Morte.

A visão dela parecia ter um problema. A menina, no mundo que gradualmente ficava borrado, apenas focou seu olhar em um lugar.

– O quê… o que exatamente você está olhando?

– … delicioso.

– O quê?

– Você parece… delicioso.

Quando a menina olhou para o homem que estava possuído pelo Deus da Morte, um certo pensamento surgiu em sua mente.

Como uma besta selvagem que encontrou sua presa, torcendo os cantos de sua boca, feliz do fundo de seu coração e revelando seus dentes. Seu pensamento era…

– O pescoço desse sujeito parece tão macio e delicioso.

Antes que a foice do Deus da Morte descesse, a menina já havia saltado na direção do homem, mordendo sua garganta.

A menina fazia caretas enquanto cuspia a carne humana, mordendo solidamente o Deus da Morte.

Suprimindo o corpo do Deus da Morte que se debatia, seus dentes afundavam repetidamente na garganta do Deus da Morte.

O contra-ataque inesperado do sacrifício vivo fez a foice do Deus da Morte cair e ele perder seu equilíbrio.

Mesmo assim, a menina continuou a morder o Deus da Morte implacavelmente.

O mercenário já havia morrido quando sua artéria carótida foi mordida, mas a batalha entre a menina e o Deus da Morte continuava.

No final, o Deus da Morte vestido de preto caiu, exausto. Dando uma olhada depois de remover a máscara de caveira, não havia nada sob ela.

O Deus da Morte que colhia a ambição e o desejo da morte, perdeu para a menina que foi impulsionada pelo seu apetite.

O nome da menina é Shera.

Nascida em uma aldeia pobre, uma menina com um apetite levemente maior que o de uma pessoa comum.


Tradutor: Apollo  |   Revisor: Edge



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