CC – Capítulo 315 – O retorno ao Desempregado


Quando voltei para a vila, dois idosos me receberam com sementes de alho-poró e gengibre.

Ao que parecia, um dos homens mais velhos era o ancião da vila que visitei, o outro era o ancião da vila vizinha.

— Estimado viajante, obrigado por tudo. Por favor, aceite isto.

Muito bem, adquiri a Joia de Roubo de Emprego, a Tartaruga-Adamantino e sementes de alho-poró e gengibre. Tendo obtido mais do que pretendia, poderia dizer que esse foi um grande sucesso.

— Mas não esperávamos receber os materiais do dragão.

— Mas eu não disse uma palavra sobre oferecer isso.

Eu respondi no mesmo instante.

— Bem, sem os materiais do dragão, como as colheitas foram destruídas, esta vila vai perecer.

Isso é chantagem? Ele está me chantageando?

Bem, eu não estava muito entusiasmado com os materiais do dragão, mas mantive os escrúpulos, mesmo ao ser solicitado a entrega-los de forma tão descarada.

Eles não estavam gratos pelo seu benfeitor ou tinham espírito para resolver os problemas restantes por conta própria?

— Er, erm, Ichino-sama. Posso ter um momento?

Carol acenou e me chamou.

Era sobre fornecer-lhes os materiais?

Bem, mesmo se lhes fornecêssemos o suficiente para que a vila não perecesse…

— As colheitas dessas aldeias não foram queimadas pelo dragão, mas parecem ter sido consumidas por completo da noite para o dia. Tanto o gengibre quanto o alho-poró. Os Sugyu não saíram do lago, então rumores se espalharam dizendo que deveria ter sido o dragão.

— Entendo… bem, ele precisaria comer uma quantidade equivalente a tudo isso para manter um corpo tão grande.

Ele era um dragão vegetariano?

Ou talvez tenha comido isso como lanche depois de comer os Sugyu?

— … e Carol olhou para as plantações, mas não havia vestígios de um dragão. Em vez disso… havia rastros deixados por um burro lento.

— … eh?

— Fiz Haru-san investigar também e ela notou que o cheiro de Centauro ainda permanece no local.

… ah, então foi isso que aconteceu…

Então os aldeões confundiram isso com uma ação do dragão.

E não era como se Centauro fosse meu burro de estimação, ele nem sequer era um burro, porém…

Segui para os anciãos das vilas para falar.

— Eu vou fornecer… os materiais do dragão.

Assim, dei a eles cerca de metade dos materiais do dragão ancião e compartilhei o prometido bife de dragão com todos.

Eu usei a porção que dei à vila para o bife de dragão, então pelo menos fiquei com a barriga cheia.

Depois de retornar Sheena Nº3 ao Meu Mundo primeiro, nós três voltamos para perto de Cabras Rochosas.

Então, nos movemos para o Meu Mundo da sombra de uma pedra.

Eu disse a Neete, que estava por perto, que usaria a Joia de Roubo de Emprego.

— A Joia de Roubo de Emprego é uma ferramenta mágica incrível. Ser capaz de roubar o trabalho do oponente. Pode-se dizer que essa é a ferramenta mais forte se usada de modo correto, não é?

— Isso está restrito a apenas oponentes humanos.

— … ei Neete. Se você usar isto, você mudaria de Homúnculo de Deus para Desempregada?

Neete e Pionia estavam ambas sob os efeitos da habilidade “Homúnculo de Deus Lv0”, que lhes dava vários benefícios, mas elas também tinham todos os tipos de restrições impostas.

Gostaria de saber se elas mudando de Homúnculo de Deus para Desempregadas, as duas poderiam viver uma vida normal?

Claro que apenas se elas desejassem por isso.

— Não, eu tenho a habilidade única “Incapaz de Mudar de Emprego”, por isso não posso utilizar a Joia de Roubo de Emprego. Mestre, que tal você desistir?

— Mas isso pode ser considerado a arma mais forte. Ou talvez até o tesouro da humanidade. Roubando o emprego dos oponentes, mesmo que ele seja o Herói ou o Lorde Demônio, você não seria capaz de enfraquecê-los?

Eu disse a Haru os pensamentos que me vieram à mente.

— Mestre. A Igreja uma vez tentou usar a Joia de Roubo de Emprego no Lorde Demônio-sama e eles fracassaram.

— … é verdade? Ah, então as coisas são assim.

Eu me perguntei por um momento antes de perceber.

Miri me contou sobre isso antes.

Familis Raritei era o nome do Lorde Demônio anterior, mas seu nome real era Kaguya.

Mas esse nome não viajou para este mundo. Pensando bem, talvez apenas as Deusas-samas, como Minerva-sama, sabiam disso.

Por isso, de forma natural, o item não seria ativado, já que a condição para se usar a Joia de Roubo de Emprego era usar o “Verdadeiro Nome” do alvo.

Certa vez, conversamos sobre Nomes Verdadeiros em Porto Kobe1.

Entendi, então ela estava atenta com esse tipo de item, assim escondeu seu nome verdadeiro.

— Bem, com tudo dito, Mestre. Você planeja ter seu emprego roubado para ficar Desempregado, certo?

— Si-… sim. É verdade, o que acontece com o emprego que é substituído?

— Ele será selado na gema. Você também não será capaz de usar suas habilidades. E em troca, uma pessoa segurando a joia pode usar as habilidades.

— Em outras palavras, seria melhor escolher um emprego que provavelmente não usarei. Ou talvez um trabalho que eu queira que outros usem.

— Não, mesmo que o trabalho seja substituído, assim que a Joia for destruída, você poderá alterar para aquele emprego e permanecer como Desempregado. Portanto, o Plebeu será suficiente.

— Não posso reutilizar a Joia de Roubo de Emprego sem quebrá-la?

— Não, não pode.

Que desperdício.

Mas nada iria mudar se eu continuasse insistindo nisso.

— Tudo bem, eu já decidi! Me torne um Desempregado!

Eu disse e estendi a Joia de Roubo de Emprego.

— … isso é algo ultrajante de dizer se tirarmos essa frase de contexto.

Neete disse com os olhos semicerrados. Eu tive o mesmo pensamento.

— Bem, embora seja presunçoso de minha parte, eu a usarei.

Haru pegou a Joia de Roubo de Emprego.

Então, ela a levantou.

— Ichinojo-sama.

… meu coração se acelerou um pouco quando Haru disse meu nome.

Mas, se possível, preferia que ela me chamasse de Ichinosuke.

Hã? Mas nada está acontecendo?

Verificando meu status, vi que nada mudou.

— Haurvatat-san, por favor, chame o Mestre sem o sufixo honorífico. Ela pode ter reconhecido o “-sama” como parte do Verdadeiro Nome dele.

Neete explicou o motivo da falta de ativação.

Esse era um nível de reconhecimento de uma IA quebrada.

— Sem o sufixo honorífico… isso é difícil.

Haru estava muito perturbada.

Não, não, isso não é nada difícil.

Na verdade, até prefiro assim.

— Haru-san, Carol deve assumir?

— Não, isso é pelo bem do Mestre. Portanto…

Mais uma vez, Haru levantou a gema.

— Ichinojo… … … -sama.

Ah, ela ainda acabou usando o “-sama”.

… eu pensei, porém…

 

Emprego: “Plebeu” foi roubado.

 

Parecia que desta vez funcionou.

A Joia de Roubo de Emprego que Haru segurava flutuava e emitia uma luz fraca.

Ao verificar meu status, meu primeiro Emprego voltou para “Desempregado: Lv109”.

Eu sabia que você sempre estaria me seguindo… haa, acho que só poderia me livrar do Desempregado no sentido mais verdadeiro depois de atingir seu ápice.

Graças a Poção para Superar Limites de Miri, eu poderia chegar até o nível 1.000, então ainda havia um longo caminho a percorrer.

— Obrigado. Ah, é verdade, eu tenho apenas mais um pedido para Haru e Carol, está tudo bem?

— Sim, se for um pedido do Mestre.

— Claro, por favor, diga se for algo que Carol é capaz de fazer.

As duas disseram que estavam bem sem nem ouvir o pedido.

Bem, não era nada demais.

— Apenas por hoje, vocês poderiam me chamar de Ichinosuke sem os honoríficos?

Seria impossível mudar imediatamente, mas seria bom para praticar.

Não poderia fazê-las continuar se referindo a mim da mesma maneira de quando tínhamos um relacionamento de escravo e mestre.

— … isso é… um pouco difícil.

— … Ichinosuke-sama, não é aceitável?

Mesmo que ambas tenham respondido que estava tudo bem antes, as duas se recusaram a me chamar sem honoríficos.

Mesmo que elas me deixassem tocar seus seios apenas com um pedido… por quê?

Depois disso, destruímos a Joia de Roubo de Emprego e meu emprego de Plebeu voltou para mim.


Tradutor:



Nota

[1] Eventos do capítulo 196.



Fontes
Cores