CC – Capítulo 298 – O labirinto oculto de Belasra


— Oya, você esqueceu que eu disse que não aceito devolução de mercadorias?

A encantadora dona do comércio de escravos que fumava cachimbo como antes, Quince, disse isso quando viu Carol.

Ela bateu no cachimbo para remover as cinzas e pareceu compreender depois de ver Haurvatat e Carol.

— Ah, entendo um pouco a situação. Vocês têm a autorização?

Autorização — os documentos que Ichinojo preparou para libertar Carol da escravidão.

— Sim, aqui.

Ela pegou alguns documentos e o ouro necessários da bolsa de itens.

— … isso é suficiente?

— Não há nenhum problem. Vai levar algum tempo para preparar tudo, então vocês podem dar um passeio pela cidade.

Quince disse e começou a preparar os documentos.

Carol se remexeu enquanto olhava em direção ao teto.

O teto ficou preto devido à fumaça do cachimbo.

— Deixei seu quarto intocado para que você possa dar uma olhada, se quiser.

Quince comentou enquanto escrevia nos documentos e um grande sorriso apareceu no rosto de Carol.

— Muito obrigada.

Ela agradeceu e subiu as escadas.

Na pequena sala, havia uma cama feita para crianças e uma grande estante de livros que, de forma óbvia, era um trabalho fracassado que não se adequava ao quarto.

A moldura da janela da pequena janela quadrada foi pregada de modo a nunca ser aberta.

— Há todos os tipos de livros… parece que são mais de cem.

— Esses são os itens pessoais de Quince-sama. Originalmente, essa sala era usada como depósito e, embora os itens tenham sido transferidos para outro local, não havia outro lugar para colocar os livros, assim eles permaneceram nesta sala.

Carol riu ao dizer isso.

Ela folheou um livro com nostalgia. Mesmo que fossem livros, não se podia dizer que a maioria deles era para crianças. O que mais deveria interessar às crianças era o grosso diário de viagem.

O conhecimento de Carol veio em grande parte desse livro.

— Pode-se dizer que essa é a prisão de Carol. Ocasionalmente, desempenhei meu trabalho como escrava alugada e fui capaz de me mover até certo ponto na loja. Se eu fosse para a instalação nos fundos, poderia brincar com os filhos dos outros escravos. No entanto, nas noites sem trabalho, Carol ficava aqui sozinha. Fui proibida de abrir a porta e as janelas e apenas olhar para a lua pela janela era tudo o que Carol tinha para fazer. Sempre serei grata a Ichinojo-sama por salvar Carol daquelas noites solitárias.

Contudo… Carol olhou ao redor da sala e disse:

— Eu entendo agora. Quanto Quince-sama se esforçou ao preparar esta sala. Então Carol também agradece a Quince-sama por este quarto.

Em vez de não ter um lugar para colocá-los, o grande número de livros mostrava as considerações que foram feitas para distrair Carol do tédio.

— Essa é uma bela história. Também fui bem tratada por Matthias-sama, então não apenas fomos compradas por um mestre maravilhoso, mas também por mercadores de escravos maravilhosos.

— Sim.

Carol mostrou um sorriso tímido e assentiu.

Então, ela pegou as ferramentas de limpeza da sacola e começou a limpar o quarto.

Elas estavam em uma jornada, então não havia necessidade de limpar.

Pionia limpava o Meu Mundo e, quando se tratava disso, o Limpar da Magia Cotidiana de Ichinojo tornava as ferramentas de limpeza desnecessárias. No entanto, a ferramenta de limpeza que Miri trouxe do Japão, que estava muitos passos à frente das que podiam ser encontradas no Outro Mundo, conseguiu limpar a sala abandonada em um instante.

— Ficou tão limpo. Eu terminei os preparativos para a alforria.

Quince disse e tirou um livro vermelho da prateleira.

Era uma bíblia publicada pela Igreja de Lakont.

— Antes disso, tenho uma montanha de coisas sobre as quais quero falar. Por que o Lorde Demônio Familis Raritei reencarnou como uma jovem em outro mundo? Qual é o objetivo de Daijiro? Qual é a razão de Daijiro para levar Miri embora agora, depois de todo esse tempo?

— !?

— !?

Essas eram as respostas que Ichinojo precisava e as informações que Haurvatat e Carol queriam encontrar.

— Desculpem se vocês esperam algo de mim. Eu deixei o Exército do Lorde Demônio há muito tempo. Eu ainda recebo informações agora, mas isso não significa que eu saiba de tudo.

— Então é verdade… Quince-sama estava com o Lorde Demônio Familis Raritei.

— Muitas coisas aconteceram. Vamos mudar de localização. Eu tenho algo que quero que você veja antes de falarmos. Também tenho coisas que quero perguntar. Me acompanhem.

Quince disse enquanto conduzia as duas para fora da cidade.


Depois de deixar a cidade, elas foram para o norte.

Era uma estrada bastante perigosa, mas Haurvatat estava por perto, o nível de Carol estava um pouco alto e Quince estava andando de forma relaxada.

Ou melhor, ela estava andando de forma graciosa, embora o trajeto que elas seguiam pudesse ser chamado de caminhada.

— Este lugar é…

Haurvatat murmurou enquanto olhava para a parede de pedra.

— … sinto cheiro de tinta além deste penhasco.

— …? O outro lado deste penhasco é realmente nosso destino, mas cheiro de tinta?

Quince exalou fumaça do cachimbo enquanto tocava o penhasco.

Ao fazer isso, sua mão entrou pela parede de pedra.

— Isto é… uma parede ilusória?

Parecia a parede ilusória que elas viram quando ajudaram Norn quando ela foi sequestrada pelos bandidos em Florence.

— É isso mesmo, labirintos são famosos por terem paredes ilusórias, mas há algumas que também escondem a entrada dessa maneira.

Quince disse antes de entrar pela parede ilusória.

Haurvatat e Carol seguiram seu exemplo.

No instante seguinte, o cachimbo de tabaco na boca de Quince escorregou.

Afinal, havia palavras escritas com tinta nas paredes do labirinto que ela nunca tinha visto antes.

“Bem-vindo ao Labirinto do Centauro!”

Quince pegou o cachimbo de tabaco que caiu.

— Qual é o significado disto? Centauros são uma raça de mais de mil anos atrás e estão mais próximos das quimeras que dos homens-fera…

Quince pensou profundamente, mas Haurvatat e Carol perceberam o segredo por trás das palavras.

— Erm, Quince-sama. Por acaso este labirinto está conectado ao labirinto de Belasra — e mais além, à sala da Estátua da Deusa?

Carol perguntou com uma certa conjectura em mente.

― … hmm? Você sabe sobre isso? Se você puxar a espada presa aqui, ela abre uma armadilha e, se você tiver sorte, poderá viajar para a sala da Estátua da Deusa.

— Entendo.

A partir da conversa entre Carol e Quince, elas enfim resolveram o mistério — em outras palavras, elas encontraram a resposta de como Jofre e Elise conseguiram chegar à sala da Estátua da Deusa em Belasra.

— Quince-sama. Você quer nos mostrar essa espada?

— Não, não é isso. Existe um mecanismo diferente em vigor aqui. Bem, o Herói tinha muitos truques na manga, mas o que eu queria mostrar era isso.

Quince disse e caminhou em direção à parede oposta da qual estava com o grafite.

Então, ela pulou.

Ela saltou três metros — assim que elas pensaram que ela colidiria com o teto, sua figura desapareceu como se fosse sugada pela parede.

— Parece que também é uma parede ilusória. Quince-sama, podemos pular também?

Haurvatat perguntou.

— Espere um momento. Estou abaixando uma escada de corda para que vocês possam usá-la.

Uma escada de corda caiu do teto.

Haurvatat subiu.

Era um amplo espaço vazio.

Ela puxou Carol que a seguiu.

Então, elas olharam para a Estátua da Deusa colocada no centro desse espaço.

— … essa é… a Estátua da Deusa Metias-sama.

Ali estava a sétima deusa que eles viram antes — a Estátua da Deusa Metias.


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