CC – Capítulo 252 – A identidade de Shumei


Pelo caminho, fomos cercados por monstros parecidos com cactos chamados Sabotera e fiquei inquieto pensando sobre como protegeria Shumei dos espinhos voando, mas, ao contrário de minhas expectativas, ao invés de dispararem milhares ou dezenas de milhares de espinhos, eles eram monstros que só atacavam de forma comum ao usarem seus corpos como arma, assim, os derrotei com o Corte de longe.

Ichinojo subiu de Level.

Não consegui ganhar muitos pontos de experiência dos monstros cactos, então aumentar o nível de meus empregos avançados era difícil.

— Ichinojo-sama é mesmo um Espadachim-sama.

— Hmm? Ééé. Você estava duvidando de mim?

— Sim… julgando pelo punho da espada, não parece que ela tem sido muito usada, assim… ah, por favor, me perdoe.

Shumei se desculpou mais uma vez, mas respondi com um sorriso e a disse que estava tudo bem. Estava preocupado se meu sorriso estava um pouco forçado.

Isso foi ruim. Além do fato de que eu não usava muito a espada, ela ainda parecia nova por causa da habilidade Prevenção de Deterioração de Espada. Em conjunto com o fato de que após me separar de Haru, estive me descuidando com meu treino com a espada.

Hmm… seria melhor se eu comprasse uma espada usada em alguma cidade grande.

Pensei comigo mesmo enquanto a jornada continuava e nós por fim chegamos na cidade de Gagaria no norte.

A entrada da cidade tinha um posto de controle mais rigoroso comparado ao de Hanmuno.

Eu estava com Shumei, então não poderia usar a estratégia do vendedor de óleo.

Já que não poderia explicar se eu de repente aparecesse com uma carruagem do nada. Minha promessa era protegê-la até este ponto, dessa forma, talvez eu devesse me despedir de Shumei aqui.

— Ichinojo-sama, por favor, siga para o portão da esquerda.

— Esquerda? Ele com certeza não tem ninguém.

A entrada tinha um enorme portão no centro com portões menores de ambos os lados. Todos estavam em fila para o enorme portão do meio. Vi guardas entrando e saindo do portão da direita, então imaginei que essa era uma entrada usada para funcionários.

E havia guardas no portão da esquerda, mas ninguém estava entrando ou saindo de lá.

— Por favor.

— … tudo bem.

Imaginei que Shumei teria alguma estratégia, dessa forma, segui na direção do portão da esquerda.

— Quem são vocês? Este lugar…

O guarda estava a ponto de nos avisar quando Shumei mostrou a ele algum tipo de medalha.

— Mi-minhas desculpas! Por favor, entre!

Ele prestou continência e pensei que ele abriria o portão, mas o guarda impediu os mercadores de entrarem através do portão central e nos incentivou a seguir por esse portão.

Assim, entramos na cidade de Gagaria enquanto montávamos no corredor do deserto.

— Vamos lá Ichinojo-sama.

— Ah… tá legal.

Os olhares das pessoas em fila eram dolorosos.

Era o mesmo sentimento de pular a fila para uma montanha-russa em um parque de diversões.

Senti que seria ruim montar o corredor do deserto no meio da cidade, então o confiei a um estábulo. Peguei a comida de minha bolsa de itens com antecedência e a deixei com o funcionário do estábulo.

A pessoa me perguntou quantos dias eu deixaria o monstro com eles após ver a enorme quantidade que peguei, mas isso era o suficiente apenas para três dias.

Por enquanto, paguei por três dias e o disse que voltaria se quisesse estender a duração.

Assim, fui para a cidade de Gagaria com Shumei.

— Ichinojo-sama planeja ir para o labirinto, não é?

— É, planejo fazer isso primeiro.

Eu estava curioso sobre que habilidade seria útil para atravessar o deserto.

O Continente do Sul tinha muitos desertos, portanto, isso seria útil durante minhas viagens.

— Depois disso, eu estava pensando em me tornar um mercenário… ó, é verdade, quem é a Deusa-sama da estátua da Deusa no labirinto de Gagaria?

— Setolance-sama. Força é necessária para sobreviver no ambiente extremo do deserto, dessa forma, há muitos que idolatram a Deusa da Guerra Setolance-sama.

— Setolance-sama, hã…

Eu conheci Setolance-sama em Dakyat1.

Ela era uma Deusa Lutadora que usava uma armadura de biquíni. Ela também era a Deusa em que Haru acreditava.

— Ichinojo-sama, pessoas comuns são proibidas de entrar no labirinto de Gagaria. Por favor, fique com isto.

— Isto é?

— Uma medalha com o brasão da minha família. Ele indica que se você encontrar qualquer problema, você terá o apoio da minha família.

Ah, foi por isso que ela mostrou ao guarda aquela medalha.

Não era de se estranhar que ele ficou surpreso.

— Você não parece estar surpreso. Mesmo eu nunca mencionando que era uma nobre.

— Bom, é porque o ar que você carrega não parecia ser o mesmo de uma plebeia. Contudo, eu não sou familiar com as circunstâncias dos nobres deste país, então não tive certeza.

Eu menti com um sorriso.

Na verdade, eu só sabia porque vi o emprego dela usando a habilidade Avaliar Emprego.

— … Ichinojo-sama, muitíssimo obrigada. Nunca esquecerei este favor.

— Não se preocupe, eu me diverti. Não fiquei entediado porque viajei com você.

Troquei um aperto de mão com Shumei e me separei dela.

Shumei… hã.

Bom, acho que não irei encontrá-la de novo. Afinal, vivemos em mundos diferentes.

— Desejo entrar no labirinto.

Como Shumei mencionou, a entrada para o labirinto era vigiada por guardas e a porta estava fechada.

— Não, este lugar não permite a entrada de pessoas comuns.

— Não posso mesmo com isto?

Eu o mostrei a medalha que recebi de Shumei.

— Isto é… por-por favor, perdoe minha insolência. Por favor, entre.

O guarda me saudou e abriu a porta. Havia escadas que levavam para o subterrâneo atrás da porta e o ar único do labirinto repleto de umidade fluiu.

— Erm, posso te fazer uma pergunta?

— O que foi?

— Qual é o seu relacionamento com a Princesa Shumei?

— Eu apenas a ajudei quando ela foi atacada por bandidos… eh? Princesa?

Princesa? Mas o emprego dela claramente era Nobre.

Mas se eu me lembro bem, pessoas da família real deveriam ter “Realeza” como seus empregos.

Me lembro de Haru mencionando que a realeza nasceria como realeza.

Apesar de minha confusão, o guarda começou a falar com alívio.

— Entendo, então você não é um nobre. Princesa Shumei Yu Harrier. A filha única de Sua Alteza (o príncipe).

— Mas ela disse que nasceu em uma cidade perto da grande floresta…

— E nasceu. Mantenha esta conversa entre nós. — O guarda declarou isso como prefácio e começou a falar.

— Sua mãe biológica, Ruria-sama, era originalmente uma concubina. Devido a um erro imprudente, ela foi enviada para a casa de campo de Sua Alteza perto da grande floresta. Bom, ela deve ter sido incriminada pela esposa e as outras concubinas. E nessa casa de campo, Ruria-sama descobriu que estava grávida e deu à luz a Shumei-sama em segredo. Se seu nascimento fosse descoberto, Shumei-sama seria tomada pelo país como uma Princesa. A mãe estava com medo de que se isso acontecesse, a esposa e outras concubinas poderiam assassinar sua filha. Sua Alteza só descobriu dez anos mais tarde quando Ruria-sama faleceu. A partir de então, ouvi que Shumei-sama passou a viver no castelo real.

— Você é bem informado.

Sem Wikipédia, redes sociais e internet, reunir informação neste mundo devia ser muito cara. Além disso, senti que seria quase impossível adquirir informação sobre conspirações que aconteceram no castelo real.

— É claro. Ruria-sama era originalmente filha do Marquês Haidol desta terra. Hoje, o filho do Marquês Haidol continua com seu nome, dessa maneira, Shumei é a irmã mais nova do atual Marquês Haidol e a sobrinha da geração anterior da família. Meu pai é fã de Ruria-sama e fala com frequência sobre ela. Entendo… então você salvou a Princesa Shumei, muito obrigado.

— Mas por que uma Princesa viajaria para esta cidade sem um único guarda?

— Não tem como eu saber a resposta para isso. Talvez ela esteja aqui para encorajar as tropas que estão indo para a guerra em breve.

No entanto, ela não parecia que estava aqui para isso.


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Nota

[1] Eventos do capítulo 105, quando Ichinojo e seu grupo conseguiram impedir o surgimento infinito de monstros no labirinto de Dakyat causado pelo vampiro Valf.



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